A Mão de Deus no
Julgamento
"
Sabei que o vosso pecado vos há de
achar." [Números 32:23]
Aqueles que zombam da Bíblia afirmando que
ela é uma mera compilação de contos transmitidos
através da tradição oral fazem isso apesar
das abundantes evidências em contrário. E o equívoco
mais comumente cometido é que essas pessoas deixam de
reconhecer determinados temas que aparecem em toda a Escritura
- o mais notável deles é o sangue sacrifical de
uma vítima inocente. Esse "rastro vermelho" vai
do Gênesis ao Apocalipse e fala de um Salvador.
Esses temas continuam ininterruptos, muito embora diversos autores
tenham escrito os textos! Humanamente falando, a única
forma disso ser possível é se eles tivessem sido
escritos após o fato. No entanto, as descobertas arqueológicas
continuam a comprovar a precisão e autenticidade da Bíblia.
Como a própria Palavra de Deus, ela permanece imaculada,
muito embora legiões de críticos tenham tentado
provar que ela está errada.
Portanto, usando isto como base para nossa discussão,
queremos focar nossa atenção em um desses temas,
examinando fatos relatados rapidamente e que poderiam ser facilmente
ignorados. O primeiro deles envolve o registro bíblico
de um nascimento:
"E Timna era concubina de Elifaz, filho
de Esaú, e teve de Elifaz a Amaleque. Estes são
os filhos de Ada, mulher de Esaú." [Gênesis
36:12]
Interessante, não é? Bem, então não é exatamente
um evento que apareceria nas manchetes dos jornais - mas é,
ainda assim, muito importante. Veja, esse rapaz Amaleque era
neto de Esaú. Ele nasceu de Timna, a concubina de Elifaz,
filho de Esaú. E Esaú, se você recordar,
tinha um irmão gêmeo, Jacó, que nasceu por último,
perdendo assim o direito de primogenitura. Então, para
encurtar uma longa história, Esaú era uma pessoa
profana (Hebreus 12:16) que pouco se importava com as responsabilidades
da liderança espiritual de seu direito de primogenitura.
Ele literalmente vendeu esse direito a Jacó por um prato
de cozido (lentilhas) e, ao fazer isso, demonstrou a escuridão
de seu coração. Dispensar esse privilégio
abençoado provocou uma corrente de eventos que continua
até hoje, porque outros descendentes de Esaú continuam
a conflitar com a descendência de Jacó (Israel).
O princípio espiritual por trás desse conflito
contínuo é encontrado na seguinte passagem:
"Não te encurvarás diante
delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus,
sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos
até a terceira e quarta geração daqueles
que me odeiam e faço misericórdia a milhares dos
que me amam e guardam os meus mandamentos." [Êxodo
20:5-6; ênfase adicionada]
Esaú obviamente não amava a Deus e o sentimento
era mútuo (Malaquias 1:2-3). Portanto, como a nação
que eles se tornariam, a descendência de Esaú estava
destinada a odiar a Deus, pois a iniqüidade de Esaú seria "visitada" nela.
Em outras palavras, ela repetiria os mesmos erros espirituais
de seu pai ao ponto em que isso se tornará perpétuo.
E a história bíblica mostra que a descendência
de Amaleque (conhecida como os amalequitas) se tornou tão
alienada de Deus que odiava seus primos judeus com ardor. Então,
quatrocentos anos se passaram nos quais Israel esteve no cativeiro
egípcio, mas isso não diminuiu o ódio.
Enquanto Israel estava no processo de fugir do Egito como ex-escravos
- sem um exército organizado para protegê-lo -,
os amalequitas tentaram destruí-lo aproveitando-se dessa
fraqueza. Entretanto, Deus interveio e deu à força
militar criada às pressas de Israel uma vitória
miraculosa. Porém, muito embora eles tenham sido repelidos,
aquela nação totalmente pagã dos descendentes
de Esaú permaneceu sendo um espinho doloroso no lado de
Israel por muitos anos.
Então, numa ação que continua sendo ardentemente
criticada pelos descrentes, o "relógio do julgamento" de
Deus bateu 00:00 para os amalequitas! O tempo da retribuição
chegou e a mensagem foi entregue por Samuel, o profeta/sacerdote/juiz
de Israel. Devido à tentativa prévia dos amalequitas
de destruírem Israel, o rei Saul recebeu a ordem de liderar
o exército no combate:
"Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eu
me recordei do que fez Amaleque a Israel; como se lhe opôs
no caminho, quando subia do Egito." [1 Samuel 15:2; ênfase
adicionada]
Depois vieram as especificações da ordem de Deus
a Saul e ao exército de Israel:
"Vai, pois, agora e fere a Amaleque,
e destrói totalmente a tudo o que tiver; e não
o perdoes, porém matarás desde o homem até à mulher,
desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às
ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos." [1
Samuel 15:3; ênfase adicionada]
Era a intenção claramente expressa de Deus que
Israel executasse uma vingança total sobre seu inimigo,
eliminando-o da face da terra. Porém muitos ainda perguntam: "Por
que um Deus amoroso permitiria tal coisa?" A resposta encontra-se
em um princípio afirmado na Epístola aos Romanos:
"Porque diz a Escritura a Faraó:
Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder,
e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois,
compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer." [Romanos
9:17-18; ênfase adicionada]
Nosso Deus infinito e soberano continua a trazer o julgamento
sobre quem quiser, quando quiser e por razões conhecidas
somente por Ele. A civilização pré-diluviana
dos dias de Noé foi aniquilada pelo dilúvio e incontáveis
milhões de homens, mulheres e crianças perderam
suas vidas. Mas a misericórdia e a graça foram
estendidas a Noé e à sua família - oito
almas no total. Então, de maneira semelhante, a Palavra
de Deus nos fala sobre os julgamentos que abalarão a Terra
e que recairão sobre as pessoas deste mundo durante o
período da Tribulação - catástrofes às
quais apenas uma pequena fração sobreviverá.
A ira de Deus ser derramada sobre o pecado é algo inevitável
e inescapável. Portanto, acostume-se com essa idéia!
Assim que o rei Saul recebeu a "ordem de marcha" de
Deus, ele não hesitou e imediatamente preparou-se para
cumprir Seu comando. Porém, no que serve como um exemplo
perfeito da obediência incompleta, o retorno "vitorioso" de
Saul da batalha provou ter conseqüências além
de sua própria compreensão limitada. Apesar da
euforia geral do momento em que os homens exibiam os espólios
da guerra, Samuel imediatamente percebeu uma violação
muito séria.
"E madrugou Samuel para encontrar a
Saul pela manhã: e anunciou-se a Samuel, dizendo: Já chegou
Saul ao Carmelo, e eis que levantou para si uma coluna. Então
voltando, passou e desceu a Gilgal. Veio, pois, Samuel a Saul;
e Saul lhe disse: Bendito sejas tu do SENHOR; cumpri a palavra
do Senhor. Então disse Samuel: Que balido, pois, de ovelhas é este
aos meus ouvidos, e o mugido de vacas que ouço? E disse
Saul: De Amaleque as trouxeram; porque o povo poupou ao melhor
das ovelhas, e das vacas, para as oferecer ao SENHOR teu Deus;
o resto, porém, temos destruído totalmente." [1
Samuel 15:12-15; ênfase adicionada]
Saul tentou "desculpar-se" culpando os homens do exército
pela desobediência. Ele também tentou justificar
a preservação dos animais afirmando que eles seriam
oferecidos em sacrifício a Deus. Então, depois
ele admite ter poupado a vida de Agague, o rei.
"Antes dei ouvidos à voz do
Senhor, e caminhei no caminho pelo qual o Senhor me enviou; e
trouxe a Agague, rei de Amaleque, e os amalequitas destruí totalmente." [1
Samuel 15:20; ênfase adicionada]
As instruções de Deus a Saul foram explícitas
- os amalequitas e todos os animais que eles possuíam
deveriam ser exterminados. Mas Saul sabia que se cumprisse essa
ordem não haveria troféus para ele exibir quando
retornasse da batalha. Assim, para satisfazer seu próprio
ego, ele desobedeceu a Deus de modo que pudesse receber honra
e glória pessoais. E, por esses atos de desobediência,
Deus enfim arrancou-lhe o reino e o entregou a Davi.
É claro que Deus estava completamente ciente disso, porém
a insistência de Saul de que eles haviam destruído
totalmente os amalequitas não era verdadeira - muito embora
seja possível que ele tenha pensado que todos estavam
mortos. Como veremos em breve, os amalequitas sobreviveram como
nação e continuaram a atormentar Israel por aproximadamente
mais 500 anos! Minha suspeita pessoal é que, tão
logo Saul sentiu que a vitória era suficientemente ampla
para impressionar, deixou de vasculhar vigorosamente a área
em busca de possíveis sobreviventes. Seu orgulho pessoal,
e não o julgamento de Deus, era obviamente sua única
preocupação. Portanto, Samuel, o profeta de Deus,
fez o que o guerreiro Saul deveria ter feito e "despedaçou
a Agague" [1 Samuel 15:33].
Então, conforme avançamos rápido nos séculos,
chegamos ao pequeno livro de Ester. E, de acordo com a cronologia
do bispo Usher, os eventos de 1 Samuel 15 ocorreram por volta
de 1.087 AC, com os registros de Ester por volta de 510 AC. Portanto,
essas datas aproximadas indicam que os amalequitas continuaram
com suas práticas rebeldes até que finalmente tiveram
seu Waterloo durante o reinado de Assuero (Xerxes), rei da Pérsia.
E a forma como a destruição total deles ocorreu é um
relato surpreendente da mão soberana de Deus nos assuntos
dos homens!
O livro de Ester foi criticado no passado como sendo indigno
de ser incluído no cânon das Escrituras porque "Deus" não é mencionado
em lugar algum. Os judeus foram dispersos no reino persa e, naquele
tempo, a maioria havia se tornado profundamente secularizada
pela existência relativamente confortável proporcionada
pelo rei Assuero. A adoração a Jeová em
Jerusalém era apenas uma lembrança remota na mente
dos mais velhos, ao passo que a maioria dos que nasceram durante
o cativeiro não tinha qualquer conhecimento sobre Ele.
Os anciãos haviam sucumbido aos caminhos do mundo e falharam
em instruir seus filhos no caminho de Deus. E é nesse
cenário terreno que somos apresentados a Ester, prima
de Mardoqueu, que ele adotou após a morte dos pais dela
e a criou como sua própria filha. Ambos eram "judeus
enrustidos" porque Satanás sempre fez do anti-semitismo
um modismo. E, já que se diz que "a discrição é a
melhor parte da virtude", eles sempre ficaram quietos a
esse respeito.
Então, eventos aparentemente não relacionados começaram
a acontecer conforme o plano-mestre de Deus tomava forma. A amável
rainha persa Vasti recusou o que, muito provavelmente, era um
pedido lascivo por parte de Assuero para "mostrar aos povos
e aos príncipes a sua beleza, porque era formosa à vista." (Ester
1:11) E, quando sua recusa foi informada ao rei, ele ficou furioso.
Então, após consultar os "sábios" que
eram seus conselheiros, foi determinado por consenso que ela
deveria ser removida do posto de rainha e substituída
por "outra que seja melhor do que ela". (verso 19)
Pouco depois, um edito foi publicado em todas as províncias
do vasto reino informando que belas moças virgens eram
procuradas para competir pela preferência do rei. A vencedora
seria coroada como rainha no lugar de Vasti.
Bem, "como num lance de sorte", Ester foi apanhada
nessa procura por ser uma jovem muito bela. Então, ela,
junto com todas as outras, foi levada ao palácio em Susã onde
recebeu a "mãe de todos os tratamentos de beleza" -
um ano inteiro de perfumes, óleos, etc! E, numa narrativa
que nos lembra muito como José "encontrou favor" em
seu carcereiro muitos anos antes, Ester encantou a Hegai, o guarda
das mulheres - que lhe deu tratamento preferencial (Ester 2:8-9).
E, durante todo o tempo, Mardoqueu a acompanhava passeando diante
do pátio da casa das mulheres e se informando de como
ela estava. (Ester 2:11)
Então, obviamente, quando chegou o momento de ela ser
apresentada ao rei, adivinhe quem ele escolheu? Exatamente -
a bela Ester!
"Assim foi levada Ester ao rei Assuero, à sua
casa real, no décimo mês, que é o mês
de tebete, no sétimo ano do seu reinado. E o rei amou
a Ester mais do que a todas as mulheres, e alcançou
perante ele graça e benevolência mais do que todas
as virgens; e pôs a coroa real na sua cabeça,
e a fez rainha em lugar de Vasti." [Ester 2:16-17; ênfase
adicionada)]
Por que você acredita que ela - acima de todas as outras
belas garotas - obteve esse grau de graça e benevolência?
E a boa sina de Ester também se estendeu a Mardoqueu,
pois da próxima vez que vemos seu nome mencionado ele
está assentado à porta do rei (verso 19). Isto
significa que ele recebeu um lugar de proeminência no governo
- outra virada fortuita de eventos que renderia dividendos mais
tarde.
Um dia, enquanto cumpria suas obrigações oficiais,
Mardoqueu ouviu dois eunucos do rei planejando um golpe no palácio
cujo objetivo era atentar contra o rei. Então, como o
servo fiel que era, Mardoqueu imediatamente informou Ester, que,
por sua vez, repassou a mensagem ao rei. Pouco depois Bigtã e
Teres tiveram seus pescoços alongados ao serem pendurados
numa forca (verso 23), e a boa ação de Mardoqueu
foi pontualmente registrada no "livro das crônicas
perante o rei". Mas os monarcas absolutistas tendem a ter
memória curta a respeito de tais coisas e o rei prontamente
se esqueceu.
Ato II, cena I (por assim dizer).
Aparentemente, o Espírito Santo nos apresenta do nada
a um interessante personagem chamado Hamã. Por alguma
razão que não é totalmente explicada, Assuero
decidiu promover Hamã, o agagita, à posição
número dois em todo o reino! E o fato de que ele era um
agagita nos remete novamente ao rei amalequita chamado Agague,
que foi poupado por Saul. Alguns estudiosos da Bíblia
acreditam que essa denominação específica
era, na verdade, o nome utilizado para designar a palavra "rei" -
assim como "faraó" no Egito. Mas, em todo caso,
como ele era um "agagita", Hamã é visto
como um descendente dos amalequitas - um povo supostamente exterminado
pelo exército de Israel anos antes. E, conforme a narrativa
se desenrola, as subseqüentes expressões de Hamã de ódio
extremo a todos os judeus dão bons indícios de
que ele era um amalequita!
A trama engrossa em Ester 3:2, quando ficamos sabendo que Assuero
ordenou que todos se curvassem na presença de Hamã e
o reverenciassem - um ato de submissão que se prestava
ao próprio rei. Os reis orientais tinham a tendência
de se verem como deuses e freqüentemente exigiam adoração
de seus súditos, de modo que isso definitivamente não
era novidade. Mas Mardoqueu recusou-se explicitamente a curvar-se
e a estender tal grau de submissão a Hamã. Não
somos informados por que ele se recusou, mas sua herança
judaica definitivamente proibia a adoração de qualquer
um, exceto Jeová.
O ego de Hamã simplesmente não pôde suportar
isso. E, para piorar as coisas, no verso 4 do capítulo
3 vemos que, em conseqüência de ter sido questionado
a respeito de sua transgressão, Mardoqueu revelou que
era judeu. Assim, "tudo veio às claras" e Satanás
imediatamente agarrou essa oportunidade de ouro para finalmente
livrar o mundo de todos os judeus. Conforme mencionamos na abertura, "Deus" não é mencionado
em lugar algum no livro de Éster, tampouco "Satanás" é mencionado,
porém as presenças deles nos eventos que se seguiram
são inconfundíveis!
Numa fúria cega, Hamã elaborou um plano para destruir
não apenas Mardoqueu, mas todos os judeus de todo o mundo!
Para todos os efeitos, Assuero governava todo o mundo conhecido
e, se ele publicasse um édito ordenando a matança
dos judeus em todas as províncias, eles seriam exterminados.
Assim, Hamã - sem saber que a rainha Ester era judia -
ordenou que seus servos construíssem uma forca para matar
Mardoqueu e depois persuadiu o rei a promulgar um julgamento
de morte sobre todos os judeus. E o decreto, uma vez publicado,
não poderia ser rescindido devido às leis dos medos
e dos persas. A ordem do rei foi rapidamente enviada a todas
as províncias do reino e a situação com
que os judeus se depararam era muito delicada e aparentemente
irreversível. Mardoqueu e todo o restante dos judeus se
vestiram de saco e de cinzas em sinal de lamentação
e começaram a jejuar e orar por livramento.
E, em meio a esse período obscuro e extremamente estressante,
os eventos começaram a se desenrolar de uma forma evidentemente
hilária! Deus tem senso de humor, meus amigos, e esse
fato é demonstrado abundantemente no que aconteceu em
seguida. "Por um acaso ocorreu" que o rei não
conseguiu dormir uma noite e solicitou que o "livro das
crônicas dos reis" fosse lido para ele. Estamos falando
de coisas emocionantes aqui! E, ao ouvir os registros das atividades
cotidianas, a lealdade e a bravura de Mardoqueu ao salvar a vida
do rei foram mencionadas. Isso refrescou a memória do
rei e ele perguntou como Mardoqueu havia sido recompensado pela
sua lealdade. E, quando lhe foi respondido que nada havia sido
feito por ele, o rei imediatamente providenciou para que fosse
retificado esse equívoco de sua parte. Ele perguntou quem
estava no pátio e naquele exato momento Hamã tinha
aparecido para pedir autorização para enforcar
Mardoqueu! Então o rei pediu seu conselho sobre o que
deveria ser feito para honrar alguém de maneira sublime.
E o egoísta Hamã imediatamente pensou que a honra
seria para ele - portanto recomendou que o homenageado fosse
vestido com os trajes reais, ornamentado com a coroa real e cavalgasse
o cavalo do rei. Além disso, o cavalo deveria ser conduzido
por um dos príncipes mais nobres do rei. O rei gostou
tanto da idéia que instruiu Hamã a fazer isto por
Mardoqueu e conduzir o cavalo pessoalmente! (Qualquer um que
não der uma boa risada desse fato é por que não
esteve prestando atenção.)
Então, nosso Deus Soberano interveio a favor de Seu povo
por meio da rainha Ester. Em uma série de eventos que
apenas Ele poderia ter providenciado, Ester literalmente arriscou
sua vida ao aproximar-se do rei sem ser convocada. O amor do
rei por ela superou a quebra do protocolo palaciano e ele estendeu
seu cetro real para ela, dando-lhe a permissão para se
aproximar. Em vez de denunciar a traição de Hamã na
frente daqueles que serviam ao rei, ela diplomaticamente solicitou
que Hamã fosse convidado para um pequeno banquete íntimo
que ela desejava preparar apenas para os três. O pedido
foi aceito e, mais tarde, quando eles se assentaram para comer,
o rei amavelmente disse a Ester que ela poderia pedir qualquer
coisa, até mesmo a metade do reino, que lhe seria concedido.
Então, aproveitando a oportunidade, Ester sabiamente implorou
pela sua própria vida e pela vida de seu povo. O rei ficou
obviamente "abalado" com tal pedido e, quando solicitou
que ela explicasse, a traição de Hamã foi
revelada. Bem, não é necessário dizer que
o rei ficou furioso e quando se acalmou o suficiente para retomar
sua compostura, Hamã recebeu a honra fatal de testar a
forca que havia construído para Mardoqueu. Isso que é justiça
poética!
O decreto original do rei não podia ser revogado legalmente,
portanto Mardoqueu acabou ficando com o posto de Hamã no
governo e obteve a autorização do rei para promulgar
um contra-decreto. Essa nova lei permitia que os judeus se defendessem
quando o décimo-terceiro dia do décimo-segundo
mês chegasse - a data de execução que Hamã havia
estabelecido após lançar o "Pur", ou "sorte" (pequenos
objetos semelhantes a dados usados pelos magos (sábios)
ocultistas para determinar a data mais propícia para os
eventos). Esse decreto determinava o seguinte:
"E escreveu-se em nome do rei Assuero
e, selando-as com o anel do rei, enviaram as cartas pela mão
de correios a cavalo, que cavalgavam sobre ginetes, que eram
das cavalariças do rei. Nelas o rei concedia aos judeus,
que havia em cada cidade, que se reunissem, e se dispusessem
para defenderem as suas vidas, e para destruírem, matarem
e aniquilarem todas as forças do povo e da província
que viessem contra eles, crianças e mulheres, e que
se saqueassem os seus bens." [Ester 8:10-11; ênfase
adicionada]
Quando o grande dia finalmente chegou, a seguinte passagem detalha
o que aconteceu (e observe especialmente no que os judeus fizeram
a respeito da apropriação dos despojos):
"E, no duodécimo mês,
que é o mês de Adar, no dia treze do mesmo mês
em que chegou a palavra do rei e a sua ordem para se executar,
no dia em que os inimigos dos judeus esperavam assenhorear-se
deles, sucedeu o contrário, porque os judeus foram os
que se assenhorearam dos que os odiavam. Porque os judeus
nas suas cidades, em todas as províncias do rei Assuero,
se ajuntaram para pôr as mãos naqueles que procuravam
o seu mal; e ninguém podia resistir-lhes, porque o medo
deles caíra sobre todos aqueles povos. E todos os
líderes das províncias, e os sátrapas, e
os governadores, e os que faziam a obra do rei, auxiliavam os
judeus porque tinha caído sobre eles o temor de Mardoqueu.
Porque Mardoqueu era grande na casa do rei, e a sua fama crescia
por todas as províncias, porque o homem Mardoqueu ia sendo
engrandecido. Feriram, pois, os judeus a todos os seus inimigos,
a golpes de espada, com matança e com destruição;
e fizeram dos seus inimigos o que quiseram. E na fortaleza
de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos
homens; como também a Parsandata, e a Dalfom e a Aspata,
e a Porata, e a Adalia, e a Aridata, e a Farmasta, e a Arisai,
e a Aridai, e a Vaisata; os dez filhos de Hamã, filho
de Hamedata, o inimigo dos judeus, mataram, porém ao despojo
não estenderam a sua mão. No mesmo dia foi
comunicado ao rei o número dos mortos na fortaleza de
Susã. E disse o rei à rainha Ester: Na fortaleza
de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos
homens, e os dez filhos de Hamã; nas mais províncias
do rei que teriam feito? Qual é, pois, a tua petição?
E dar-se-te-á. Ou qual é ainda o teu requerimento?
E far-se-á. Então disse Ester: Se bem parecer ao
rei, conceda-se aos judeus que se acham em Susã que também
façam amanhã conforme ao mandado de hoje; e pendurem
numa forca os dez filhos de Hamã. Então disse o
rei que assim se fizesse; e publicou-se um edito em Susã,
e enforcaram os dez filhos de Hamã. E reuniram-se os judeus
que se achavam em Susã também no dia catorze do
mês de Adar, e mataram em Susã trezentos homens; porém
ao despojo não estenderam a sua mão." [Ester
9:1-16; ênfase adicionada]
Alguns estudiosos da Bíblia acreditam (e eu concordo com
eles) que, tendo em vista o fato de que aqueles que atacaram
os judeus sabiam que eles resistiram com força, a maioria
era provavelmente amalequita. Um ódio cego e demoníaco
pelos judeus os levou a atacar em uma tentativa inconseqüente
de destruí-los para sempre. Outros fatos acerca do que
ocorreu nos dizem muito: (1) eles foram instruídos a matar
todos os seus inimigos - incluindo mulheres e crianças
(Ester 8:11, acima), e (2) o fato de os judeus terem rejeitado
tomar os despejos me leva a crer que Deus os fez obedecer completamente
o que Saul e o exército de Israel deixaram de fazer quinhentos
anos antes. Nosso Deus é totalmente soberano nos assuntos
dos homens e Ele literalmente concedeu aos amalequitas, almas
que viviam em escuridão espiritual, um período
de graça antes que o julgamento final recaísse
sobre eles. O massacre incompleto do exército de Israel
deveria ser um "despertador", mas eles não se
arrependeram de seus pecados. E quando apareceu uma oportunidade,
eles buscaram avidamente ferir a menina dos olhos de Deus - Israel
(Deuteronômio 32:10; Zacarias 2:8).
Há muita coisa sobre o livro de Éster que o torna
uma ótima leitura e eu incentivo todos a estudá-lo
cuidadosamente. Para sermos breves, tratamos apenas dos pontos
principais e omitimos muitos detalhes interessantes.
Para encerrar, permita-me indicar que a alegre celebração
que aconteceu após essa grande vitória dos judeus
continua sendo celebrada todos os anos como o dia do "Purim".
Lembra-se que Hamã fez os sábios "lançarem
o Pur" para determinar a data exata da execução?
Bem, uma execução realmente aconteceu e pelos últimos
2.500 anos, mais ou menos - a "sorte" do Diabo deu
aos judeus um dia para observar no qual eles podem expressar
sua gratidão ao seu Deus Soberano!