A
Bíblia e suas origens
Quais foram os caminhos que as Escrituras que temos por Sagradas
percorreram até chegarem às nossas mãos? Quais foram os meios
e formas utilizadas por D-us para transmitir, preservar e
guardar as Escrituras? É uma história emocionante e rica em
detalhes, cujo fim nós conhecemos: vem abençoando, salvando,
curando, transformando milhões de vidas pelos séculos a fio!
Conheçamos um pouco desta fascinante história!
A inspiração da escritura se encontra em primeiro lugar nos
manuscritos originais
Como
poderemos conhecer à D-us, ou saber sua vontade para nossas
vidas? Isso não é possível, a menos que Ele próprio se revele
a nós! Se Ele próprio não nos informa, nunca poderemos saber
com certeza as respostas às perguntas que a nós, como seres
humanos, mais nos importam. Aqui é importante ressaltar que
a Bíblia se nos apresenta como sendo a revelação escrita de
D-us. Pretende ser o livro no qual D-us nos dá as respostas
às grandes perguntas que preocupam a nossa alma, questões
que toda a sabedoria e a ciência dos homens é incompetente
para solucionar com qualquer grau de certeza. A Bíblia declara
acerca de si mesma que é a revelação especial de D-us; temos
portanto de reconhecer que reivindica ser o verdadeiro tipo
de fonte de onde se deriva um conhecimento de verdade religiosa
digno de confiança. Chega às nossas mãos com a asserção que
as palavras vêm do próprio D-us: "Assim diz o Senhor".
Se D-us existe, e se Ele se preocupa pela nossa salvação,
esta é a única maneira (fora de uma revelação divina direta
a cada indivíduo de cada geração sucessiva) que poderia, de
maneira certeira, transmitir esse conhecimento para nós. Tem
de ser através de algum registro escrito, exatamente aquilo
que a Bíblia é, segundo seu próprio testemunho. A inspiração
que defendemos é das palavras originais, hebraicas, e gregas,
escritas pelos profetas e apóstolos. Deve-se notar que há
dois processos:
I- Transmissão das Escrituras
II- Tradução das Escrituras
A Transmissão
Podemos ver a providência de D-us na Transmissão do Texto.
O fato é que as Escrituras que possuímos não são manuscritos
originais, até são cópias das cópias, e muitas vezes estes
documentos que possuímos diferem entre si. Será que podemos
confiar no texto? Podemos confiar na inerrância dum texto
que até tem corrupções?
Se D-us tomou o cuidado de garantir a inerrância do texto
original, porque permitiu que sofresse corrupção? Vamos ver
a evidência, duma maneira bem resumida, rapidamente.
Os manuscritos mais antigos que existem de trechos longos
da Tanach (Velho Testamento), datam de 850 depois do Messias.
Existem porém partes menores bem mais antigas como o Papiro
Nash do segundo século da era cristã. Porém, em 1947, as maiores
descobertas foram os manuscritos do Mar Morto, quando uma
cópia completa de Isaías, fragmentos de Gênesis, Levítico,
Deuteronômio e Juízes foram encontrados. Estes manuscritos
datam do século 1° ou 2° no máximo. Temos evidência indireta
que vem da versão grega da Tanach (Velho Testamento), a Septuaginta,
que vem do 3° século AC, e o Pentateuco Samaritano, do 4°
século, possivelmente. Há diferenças entre este texto e o
texto hebraico, mas, são de pouca importância.
Existe uma versão chamada a Hexapla de Origínes que consistia
de seis colunas paralelas, das quais a primeira dava o texto
hebraico e a segunda a sua transliteração para caracteres
gregos. A versão siríaca era usada pela Igreja na Síria, e
desde o século nono de nossa era vem sendo conhecida como
Pesita (em siríaco, pshittâ) ou tradução "simples". Além disso,
existem os Targuns, e outras fontes, que não mencionamos.
Temos os Códices - O Vaticano (325-350) tem a maior parte
da Brit Hadasha (Novo Testamento), além da Tanach (Velho Testamento).
O Códice Sinaítico (375-400) que tem o Brit Hadasha (Novo
Testamento) completo, mas faltam partes da Tanach (Velho Testamento).
O Códice Alexandrino (450 DC), que só tem a Brit Hadasha (Brit
Hadasha (Novo Testamento).
As
Versões Latinas - A mais antiga é a Versão do Latim, Antigo
de Utala, (cerca de 200 DC), que era a tradução da Septuaginta.
A Vulgata de Jerônimo (390-405 DC)‚ uma tradução primeiramente
da Septuaginta e finalmente do hebraico. Existem também outras
versões como a Siríaca do século 2° ou 3°. A Cóptica do 2°
século, Etióptica do século 4° e a Armênia do 5° século DC.
Fizemos um estudo bem resumido, e escolhemos apenas algumas
fontes para revelar o fato que a nossa herança é riquíssima;
e não estamos confiando em apenas um ou dois manuscritos,
mas em muitos documentos, que reunidos e comparados não revelam
nada que exigiria a modificação da doutrina messiânica.
Isso significa que os textos originais (em hebraico) da Tanach
(Velho Testamento) não sofreram qualquer tipo de alteração
ou corrupção!
No caso da Brit Hadasha (Novo Testamento), há na atualidade,
cerca de 4.000 manuscritos gregos que contém a Brit Hadasha
(Novo Testamento) no todo ou em parte. Quando comparamos a
situação da Brit Hadasha (Novo Testamento), com a matéria
de evidências manuscritas para outras obras de antigüidade,
vemos quão rico é a Brit Hadasha (Novo Testamento). Se compararmos
a quantidade de manuscritos da Brit Hadasha (Novo Testamento)
com outros documentos chegaremos à esta conclusão. Citamos
como exemplo as Guerras Gaulezas de César, escrito entre 58
a 50 AC, sobre a qual existem vários manuscritos, mas apenas
nove ou dez são valiosos, e o mais antigo data de 900 anos
após o guerreiro. Dos 142 livros da História Romana de Lívio
(59 AC a 17 DC), sobrevivem apenas 35, estes nos são conhecidos
a base de não mais de vinte manuscritos de algum valor, e
apenas um fragmento que vem do século 4°. Dos 14 livros da
História de Tácito (cerca de 100 AD), apenas quatro e meio
sobrevivem, dos 16 livros dos seus Anais, restam 10 completos
e 2 fragmentos.
Os textos destas porções remanescentes das duas grandes obras
históricas, dependem inteiramente de dois manuscritos, um
do século 9° e outro do século 11°. Vamos ver o veredicto
pronunciado por Sir Frederic Kenyon estudioso cuja autoridade
para emitir juízos quanto a manuscritos antigos, não havia
superior: "O intervalo então entre as datas da composição
original, é a mais antiga evidência existente, se tornarão
tão reduzido, de sorte a ser praticamente desprezível, e o
derradeiro fundamento para qualquer dúvida de que nos hajam
as Escrituras chegadas às mãos substancialmente como foram
escritas, agora não mais persiste. Tanto a autenticidade quanto
a integridade geral dos livros da Brit Hadasha (Novo Testamento)
se podem considerar como firmados de modo absoluto e final"
(The Bible and Archeology).
II- Tradução
Quando falamos sobre “tradução” deparamo-nos com o problema
da transferência de pensamento duma linguagem original para
uma secundária. O problema é a verificação da tradução; será
que o pensamento original foi transferido com exatidão? Podemos
dizer que tantas são as precauções tomadas, que a tradução
fiel da Bíblia em qualquer língua pode ser considerada como
a Palavra de D-us. É lógico que quando se faz a tradução de
qualquer palavra em qualquer idioma, perde-se a "força" original
do termo na língua mãe. Isso ocorre também porque existem
expressões que chamamos de "expressões idiomáticas" que caracterizam
épocas e tempos contendo um significado próprio por causa
de seu contexto.
Quando uma tradução é feita, o método empregado é o de traduzir
palavra por palavra. Isso significa que para cada palavra
traduzida teremos uma outra palavra com o mesmo significado
na língua que se faz a tradução. Algumas vezes isso não é
possível, pois algumas palavras em hebraico e grego tem como
significado algo como uma frase inteira, e não somente uma
única palavra! Isso trouxe então aos tradutores uma questão:
como traduzir tel termo? A opção escolhida foi a escolha de
uma palavra que estivesse mais próxima do significado original
daquele termo. Por isso é tão importante conhecermos os termos
(ou expressões) idiomáticas e seus significados originais
para podermos, através deles compreender o contexto daquilo
que é dito.
A FORMAÇÃO DO CÂNON DA TANACH (Velho
Testamento)
Quais são os livros que pertencem ao Cânon da Tanach (Velho
Testamento)? Por que só os 39? A Igreja Católica Romana, desde
o Concílio de Trento, (1546), tem recebido outros livros como
canônicos. Estes são 14 apócrifos, que vem do adjetivo grego
"apokriphos" (ocultos). Estes livros são: 1° e 2° Esdras,
Tobias, Judite, Adições a Ester, Oração de Manassés, Epístola
de Jeremias, Livro de Baruque, Eclesiástico, Sabedoria de
Salomão, 1° e 2° Macabeus, Adições a Daniel, que inclui a
Oração de Azarias, o Cântico dos Três Hebreus e Bel e o Dragão.
Vamos examinar o conteúdo e origem destes livros duma maneira
bem resumida, depois verificar porque não foram aceitos pela
Igreja.
O CONTEÚDO DOS APÓCRIFOS
Os Apócrifos: É esta a denominação que comumente se dá aos
14 livros contidos em algumas Bíblias, entre os dois Testamentos.
Originaram-se do terceiro ao primeiro século AC. a maioria
dos quais de autor incerto, e foram adicionados a Septuaginta,
tradução grega da Tanach (Velho Testamento), feita naquele
período. Não foram escritos no hebraico da Tanach (Tanach
(Velho Testamento)). Foram produzidos depois de haver cessado
as profecias, oráculos e a revelação direta do Tanach (Velho
Testamento) e Flavio Josefo rejeitou-os totalmente. Nunca
foram reconhecidos pelos judeus como parte das Escrituras
hebraicas. Nunca foram citadas por Yeshua , nem por ninguém
mais na Brit Hadasha (Novo Testamento). Não foram reconhecidos
pela Igreja Primitiva como de autoridade canônica, nem de
inspiração divina. Quando se traduziu a Bíblia para o latim,
no segundo século A.D. sua Tanach (Velho Testamento) foi traduzida,
não a Tanach (Velho Testamento) hebraica, mas da versão grega
da Septuaginta da Tanach (Velho Testamento). Da Septuaginta
esses livros apócrifos foram levados para a tradução latina;
e daí para a Vulgata, que veio a ser a versão comumente usada
na Europa Ocidental até o tempo da Reforma.
Os protestantes baseando seu movimento na autoridade divina
da Palavra de D-us, rejeitaram logo esses livros apócrifos
como não fazendo parte dessa Palavra, assim como a Igreja
Primitiva e os hebreus antigos fizeram. A Igreja romana, entretanto,
no Concílio de Trento em 1546 A.D. realizado para deter o
movimento protestante, declarou canônicos tais livros, que
ainda figuram na versão de Matos Soares, etc... (Bíblia Católica
Romana).
O VALOR DOS APÓCRIFOS
Não
podemos dizer que esses livros não tem nenhum valor, pois
isso não seria verdade.
Tem valor, mas não como as Escrituras. São livros de grande
antigüidade e valor real. Do mesmo modo que os manuscritos
do Mar Morto, são monumentos a atividade literária dos judeus,
estes também são. Em parte, preenchem a lacuna histórica entre
Malaquias e Mateus, e ilustram a situação religiosa do povo
de D-us naquela época.
PORQUE NÃO FORAM ACEITOS NO CÂNON DA TANACH (Velho Testamento)?
1) - Nenhum dos livros foi encontrado dentro do cânon hebraico.
Um estudo da história do Cânon dos judeus da Palestina, revela
uma ausência completa de referências aos livros apócrifos.
Josefo, diz que os profetas escreveram desde os dias de Moisés
até Artaxerxes, também diz, e verdade que a nossa história
tem sido escrita desde Artaxerxes, não foi tão estimada como
autoritativa como a anterior dos nossos pais, porque não houve
uma sucessão de profetas desde aquela época. O Talmude, fala
assim: "Depois dos últimos profetas, Ageu, Zacarias e Malaquias,
o Espírito Santo deixou Israel". Não constam no texto dos
massoretas (copistas judeus da maior fidelidade) entregar
tudo o que consideravam canônico nas Escrituras da Tanach
(Velho Testamento). Nem tão pouco parece ter havido "Targuns"
(paráfrases ou comentários judaicos da antigüidade) ligado
a eles. Para os judeus, os livros considerados "inspirados"
são os 39 que hoje conhecemos como a Tanach (Velho Testamento).
Eles os possuem numa ordem diferente da nossa por causa da
forma pela qual dividem os livros.
2) - Todos estes livros foram escritos depois da época quando
a profecia cessou em Israel, e não declaram ser mensagem de
D-us ao homem. Fora dois deles, Eclesiástico e Baruque, os
livros são anônimos, e no caso de Eclesiástico, o autor não
se diz profeta, nem asseverou que escreveu sob a inspiração
de D-us. O livro de Baruque que se diz ser escrito pelo secretário
de Jeremias, não pode ser aceito como genuíno, pois contradiz
o relato bíblico. Os livros de Macabeus não tem nenhuma pretensão
para autoria profética. Mas registra detalhes sobre as guerras
de independência em 165 A.C. quando os cinco irmãos macabeus
lutaram contra os exércitos da Síria. I Macabeus é geralmente
considerado como de maior valor histórico do que o II.
3) - O nível moral de muitos destes livros é bastante baixo.
São cheios de erros históricos e cronológicos, por exemplo,
Baruque 1.1, diz que ele está na Babilônia, enquanto Jeremias
43.6, diz que ele está no Egito. Baruque diz que os utensílios
do templo foram devolvidos da Babilônia, enquanto Esdras e
Neemias revelam o contrário. Baruque cita uma data errada
para Beltesazar e diz que o cativeiro era de sete gerações
6.3, o que contradiz as profecias de Jeremias e o cumprimento
de Esdras. Tobias e Judite estão cheios de erros geográficos,
cronológicos e históricos. Tobias 1.4,5 contradiz 14.11. Mentiras,
assassinatos e decepções são apoiados por este livro. Judite
é um exemplo. Temos suicídios (4.10), encantamentos, magia
e salvação pelas obras (Tobias 12.9 ; Judite 9.10,13).
4) - Não foram incluídos no Cânon até o fim do 4° século.
Como já observamos, os livros apócrifos, não foram incluídos
no cânon hebraico. Os livros apócrifos foram incluídos na
Septuaginta, a versão grega do Tanach (Velho Testamento) e
que não é de origem hebraica, mas de Alexandria, que é uma
tradução do hebraico. Os Códices Vaticanos, Alexandrinos e
Sinaíticos, tem apócrifos entre os livros canônicos. Porém
temos de notar vários fatores aqui.
Nem todos os livros apócrifos estão presentes nos Códices
e não tem ordem fixa dentro dos Códices. Por ser um livro
de origem egípcia, pois vem de Alexandria, a Septuaginta não
tinha os mesmos salvaguardas contra erros e acréscimos, pois
não tinham massoretas orientando a obra com o mesmo cuidado
que usaram no texto hebraico.
Manuscritos, naquele tempo, ficavam em rolos, não livros e
são facilmente misturados, e seria fácil juntar outros que
ficaram numa mesma caixa.
O preço de material para escrever pode influir também. Não
era tão fácil calcular o espaço necessário para fazer um livro.
Que fariam se cortassem o couro e descobrissem 30 ou 40 páginas
de couro sobrando no livro? Naturalmente encheria com conteúdo
devocional. A tendência seria de misturar livros bons com
os canônicos até o ponto que os não canônicos fossem aceitos
como canônicos. Os livros não canônicos não foram recebidos
durante os primeiros quatro (4) séculos. Melito, o bispo de
Sardes em 170 D.C., visitou a Judéia para verificar o número
certo de livros do Tanach (Velho Testamento). A lista que
ele fornece, inclui os livros canônicos do Tanach (Velho Testamento),
menos Ester (porque não reconheceu entre os apócrifos) e não
incluiu os apócrifos.
ORÍGENES, o erudito do Egito, com uma grande biblioteca,
incluiu os 39 livros da Tanach (Velho Testamento), mas em
22 e seguindo a lista ele fala: "Fora destes temos os livros
dos Macabeus". Outros pais da Igreja, como Atanásio, Gregório
de Nazianzus de Capadócia, Rufinus da Itália e Jerônimo, nos
deixaram com uma lista que concorda com o cânon hebraico.
JERÔNIMO, que fez a Vulgata, não quis incluir os livros
apócrifos por não considera-los inspirados, porém, os fez
por obrigação do bispo, não por convicção, mesmo assim só
traduziu Judite e Tobias, os outros apócrifos foram tirados
diretamente dos versos latinos anteriores. Parece que a única
figura da antigüidade a favor dos apócrifos era Agostinho,
e dois Concílios que ele mesmo dominou (393 e 397). Porém,
outros escritos dele (A cidade de D-us) parecem revelar uma
distinção entre os livros canônicos e os apócrifos (17.24;
18.36,38,42-45).
GREGÓRIO,O GRANDE, papa em 600 D.C., citando I Macabeus
falou que não era um livro canônico, e o cardeal Ximenis no
seu poligloto afirma que os livros apócrifos dentro de seu
livro, não faziam parte do cânon. Os livros apócrifos não
foram aceitos como canônicos até 1546 quando o concílio de
Trento decretou: "Este Sínodo recebe e venera todos os livros
da Tanach e Brit Hadasha (Novo Testamento), desde que D-us‚
o autor dos dois, também as tradições e aquilo que pertence
a fé e morais, como sendo ditados pela boca do Messias, ou
pelo Espírito Santo". A lista dos livros que segue inclui
os apócrifos e conclui dizendo: "Se alguém não receber como
Sagradas e canônicos estes livros em todas as partes, como
foram lidos na Igreja Católica, e como estão na Vulgata Latina,
e que conscientemente e propositadamente contrariar as tradições
já mencionadas, que ele seja anátema". Para nós o fator decisivo
é que Cristo e seus discípulos não os reconheceram como canônicos,
pois não foram citados pelo Messias nem os outros escritores
da Brit Hadasha (Novo Testamento)!
O CÂNON DA BRIT HADASHA (Brit Hadasha (Novo Testamento)
Pelo Cânon do Brit Hadasha (Novo Testamento) queremos falar
a coleção de 27 livros da Brit Hadasha (Novo Testamento) considerados
como a norma ou regra de fé para a Igreja do Messias. Surgem
logo perguntas a respeito do cânon do Brit Hadasha (Novo Testamento).
Como e quando chegaram a ser reconhecidos como livros inspirados?
Qual a base para a seleção destes livros e por que rejeitaram
outra literatura da igreja daquele tempo? Vamos tentar responder
estas perguntas, incluindo: Quando foram escritos estes livros?
O CONTEÚDO DO CÂNON NEO-TESTAMENTÁRIO
Como já notamos, o cânon do Brit Hadasha (Novo Testamento)
tem 27 livros escritos em grego. Os primeiros cinco são de
caráter histórico, sendo quatro os Evangelhos que contém ditos
e feitos de Yeshua Cristo, e um é o livro de Atos, escrito
por Lucas, o autor do terceiro Evangelho. Temos 21 cartas
escritas por Paulo, Pedro, Tiago, Judas e possivelmente mais
um autor, se Hebreus não é paulino, e o livro de Apocalipse,
escrito por João, o mesmo autor de um dos Evangelhos e três
cartas.
AS DATAS DESTES LIVROS
Segundo a informação dada em Lucas 3.1, o ministério de João
Batista que precedeu o início do ministério de Yeshua Cristo
data do 15° ano de Tibério César. Tibério tornou-se imperador
em agosto de 14 A.D., assim o 15° ano começaria em outubro,
27 D.C. Temos três páscoas mencionadas no evangelho de João,
se sendo que a terceira foi a Páscoa de 30 D.C., esta sendo
a data mais provável da morte do Mashiach (Messias) na cruz.
A Brit Hadasha (Novo Testamento), como é conhecido hoje, estava
completo por volta do ano 100 D.C. e a grande parte dos livros
já existindo há mais de 40 anos. Pode-se dizer que quase todos
os livros foram escritos antes de 70 D.C.
COMO FOI FORMADO?
Evidência Interna: Isto é do próprio Brit Hadasha (Novo Testamento).
O fato é que a Igreja primitiva recebeu dos judeus a idéia
de uma regra de fé e conduta escrita. Esta idéia foi confirmada
pelo Senhor Yeshua ha Mashiach, e os escritores da Brit Hadasha
(Novo Testamento), que sempre se referiam ao Tanach (Velho
Testamento) como sendo a palavra de D-us escrita. Sabemos
que desde o princípio, a Igreja cristã tem aceitado as palavras
do Mashiach (Messias) com a mesma autoridade com que aceitaram
as palavras do Tanach (Velho Testamento), e aceitaram não
apenas isto, mas declararam os apóstolos que o seu próprio
ensino, oral e escrito possuía autoridade semelhante a do
Tanach (Velho Testamento). Tal era a autoridade de seus escritos,
que mandaram que fosse lido publicamente nas Igrejas (I Ts
5.27; Cl 4.16; II Pe 3.1,2). Era portanto natural que a literatura
do Brit Hadasha (Novo Testamento) se acrescentasse ao Tanach
(Velho Testamento). No próprio Brit Hadasha (Novo Testamento),
pode ser que vejamos o início deste processo (I Tm 5.18; II
Pe 3.1,2 e 15,16). Além da evidência interna, temos a evidência
histórica da formação do Cânon do Brit Hadasha (Novo Testamento).
O CRITÉRIO CANÔNICO
O critério que a Igreja aplicou como teste de autenticidade
era ditado pelas necessidades de fazer face à controvérsia
com hereges e descrentes. Como veremos a seguir, na seleção
do material que iria compor os primeiros escritos, as necessidades
missionárias, ao lado das apologéticas, são o critério para
a seleção de testimonia (testemunho), ditos, milagres e parábolas
de Yeshua que, nos primórdios na nova época, iriam formá-los.
Eis alguns critérios de seleção:
A apostolicidade: A obra em consideração pela Igreja deveria
ter sido escrita por um dos doze ou possuir o que se chamaria
hoje de imprimatur apostólico. O escrito deveria proceder
da pena de um apóstolo ou de alguém que estivera em contato
chegado com apóstolo e, quando possível, produzido a seu pedido
ou haver sido especialmente comissionado para fazê-lo. Como
conseqüência este documento deveria pertencer a um período
bem remoto. Quanto aos Evangelhos, estes deveriam manter o
padrão apostólico de doutrinas particularmente com referência
à encarnação e ser na realidade um evangelho e não porções
de evangelhos, como tantos que circulavam naquele tempo.
A circulação e uso do livro: É provável que certos livros
houvessem sido aceitos e circulado como autoridade antes mesmo
que qualquer relação com apóstolo, quer direta, quer indireta,
fosse determinada. É deste modo que o escrito recebia o imprimatur
da própria comunidade cristã universal que o usava. Ortodoxia
Este era importante ítem na escala de padrões de aferimento.
Percebe-se nos próprios escritos do Brit Hadasha (Novo Testamento),
que depois formaram seu cânon, o repúdio à falsa doutrina
e a luta pela preservação da ortodoxia, que em Rm 6.17 chama
de "padrão de doutrina", ou o que II Tm 1.13 denomina "padrão
das sãs palavras", ou ainda o "depósito” de I Tm 6.20.
Autoridade diferenciadora: Bem cedo, antes mesmo que os Evangelhos
fossem mencionados juntos, já os cristãos distinguiam livros
que eram citados e lidos como tendo autoridade divina e outros
que continuavam fora do Brit Hadasha (Novo Testamento).
A leitura em público: Nenhum livro seria admitido para a leitura
pública na Igreja se não possuísse características próprias.
Muitos outros livros circulavam quando Mateus começou a ser
usado pelos cristãos. Poderiam ser bons e de leitura agradável,
mas só serviam para a leitura em particular. Havia alguns,
e entre eles os Evangelhos de modo restrito e Mateus de modo
singular, que se prestavam à leitura e ao comentário perante
as congregações cristãs, como a Lei e os Profetas nas Sinagogas.
É o que I Tm 4.13 quer dizer quando Timóteo é exortado a aplicar-se
à leitura, isto é, à "leitura pública das Escrituras" como
sabiamente indica um rodapé da última revisão de Almeida.
O PRIMEIRO SÉCULO D.C.
Não se sabe quando as palavras do Senhor (At 20.35 e I Co
7.10) foram registradas por escrito pela primeira vez. Porém,
em mais ou menos 58 D.C., quando Lucas escreveu seu Evangelho,
muitos já haviam empreendido esta tarefa (Lc. 1.1). Pode ser
que a Epístola de Paulo aos Gálatas fosse escrita tão cedo
como em 49 D.C. É claro que a Epistola foi escrita antes de
sua morte em 62 D.C. e as outras Epístolas de Paulo e Pedro,
antes da morte deles, na época de 68 D.C. A maior parte do
Brit Hadasha (Novo Testamento) já estava escrita antes da
queda de Jerusalém em 70 D.C. O Evangelho e as Epístolas de
João, e o Apocalipse, certamente foram completadas antes do
fim do primeiro século.
O CÂNON DO BRIT HADASHA (NOVO TESTAMENTO) E OS PAIS DA IGREJA
Escritores "evangélicos" no fim deste mesmo século mostram
que conheciam os evangelhos e epístolas. A atitude dos cristãos
em face das normas da doutrina cristã que encontramos no fim
da época apostólica (isto é, mais ou menos em fins do século
I d.C.) podem ser encontradas no princípio da era pós-apostólica,
principalmente na fase mais antiga dos pais apostólicos.
CLEMENTE, Bispo de Roma - Cerca de 95, escreveu uma
carta a Igreja de Corinto, e nesta carta menciona, I Coríntios,
Efésios, I Timóteo, Tito, Tiago, o evangelho de João e Hebreus.
INÁCIO, Bispo de Antioquia - Antes de 117, deixou sete
cartas e nelas menciona passagens dos evangelhos, especialmente
Mateus e João e as cartas paulinas, colocando os escritos
do Brit Hadasha (Novo Testamento) num plano de autoridade
superior aos do Tanach (Velho Testamento), em virtude da clareza
de seu testemunho.
POLICARPO, que conhecia João pessoalmente, escreveu
uma carta em cerca de 105-108, que menciona cartas de Paulo
como autoritativas, principalmente Filipenses, mas revela
conhecimento de Mateus, Atos, Romanos, I e II Coríntios, Gálatas,
Efésios, I e II Tessalonicenses,, I e II Timóteo, I e II Pedro
e I João. Estes escritores distinguiram claramente entre seus
próprios escritos e os escritos dos apóstolos, atribuindo
a estes últimos, inspiração e autoridade. Demonstram estes
escritores que, mesmo nesta data primitiva, os evangelhos
e as epístolas do Brit Hadasha (Novo Testamento), já se achavam
em circulação e eram honrados tanto nas igrejas do ocidente
como do oriente.
100-150 D.C. - As Escrituras do Brit Hadasha (Novo
Testamento) lidas nas Igrejas
PAPIAS - Cerca de 140 D.C. testifica que "a voz viva
dos presbíteros ia sendo substituída pela autoridade da palavra
escrita". Nos escritores deste período há referências claras
a todos os livros do Brit Hadasha (Novo Testamento), com exceção
a 6 ou 7 das epístolas mais curtas; ele atesta a existência
de Mateus e Marcos e o caráter apostólico destas obras.
JUSTINO, o Mártir (148 D.C.) - fala das recordações
dos apóstolos e os que seguiam como sendo lidas nas igrejas.
Tanto hereges, como cristãos ortodoxos, testemunham a sua
autoridade, muitas vezes citando o Brit Hadasha (Novo Testamento)
e acrescentando "como está escrito".
150-200 D.C. - Traduções e comentários do Brit Hadasha
(Novo Testamento) Neste período a Igreja do Mashiach (Messias)
se expandiu e desenvolveu-se. Com a inclusão de homens de
novas raças e grande capacidade, os eruditos fizeram traduções
das Escrituras em outras línguas. Remontam a este tempo a
velha versão latina para o povo da África do Norte e a versão
Siríaca para o povo do Oriente Médio. Começaram a aparecer
comentários. Houve por exemplo, o Comentário sobre os oráculos
do Senhor, da autoria de Papias (140). Um comentário sobre
o Apocalipse, da autoria de Melito (165). Pouco depois, Tatião
escreveu o DIATESSERON, ou Harmonia dos quatro evangelhos,
que se reconheciam como possuidores de autoridade única. Ao
fim do século, Clemente de Alexandria escreveu seus Esboços,
que é um comentário em 7 volumes sobre os livros do Brit Hadasha
(Novo Testamento), que incluía todos os livros do Brit Hadasha
(Novo Testamento), mais a epístola de Barnabé e o Apocalipse
de Pedro (que foram excluídos do cânon).
200 - 300 - Colecionam-se e separam-se os livros do
Brit Hadasha (Novo Testamento).
ORÍGENES, é um erudito da época, era tão trabalhador
que se diz que empregou 7 estenógrafos que revezavam no trabalho
de registro do que ditava, além de 7 copistas e outros que
ajudavam na parte de secretaria. Redigiu ele do texto do Brit
Hadasha (Novo Testamento), defendeu sua inspiração, escreveu
comentários ou discursos sobre a maioria dos livros.
TERTULIANO (cerca de 200) foi o primeiro a chamar a
coleção que temos da "Brit Hadasha" (Novo Testamento),
assim colocando-a ao mesmo nível de inspiração como os livros
do Tanach (Velho Testamento). Bibliotecas se formaram em Alexandria,
Jerusalém, Cesaréia, Antioquia, Roma e ainda outras cidades,
das quais a parte mais importante consistia em manuscritos
e comentários das Escrituras.
300 - 400 - O cânon bem estabelecido Vários fatores
contribuíram para tornar importante a distinção entre livros
canônicos e outros livros não canônicos. Alguns dos fatores
eram:
a) A coleção num só livro dos livros inspirados.
b) Serem reconhecidos estes livros com a autoridade da fé
cristã.
c) O aumento das heresias e falsa doutrina.
Antes do fim do quarto século, todas as Igrejas tinham reconhecido
o cânon do Brit Hadasha (Novo Testamento), como o temos hoje.
Eusébio, conta até que ponto o assunto do Cânon chegara a
seu tempo (316 d.C.).
1) - Aceitos universalmente - Estes livros e escritos não
receberam contestação quanto à sua autenticidade: Os Quatro
Evangelhos, Atos, Epístolas de Paulo (incluindo Hebreus),
I Pedro, I João e Apocalipse.
2) - Disputado por alguns - Embora admitidos pela maioria
e pelo próprio Eusébio, Tiago, II Pedro, II e III João, Hebreus
e Judas.
3) - Não genuínos - Atos de Paulo, Didache (ensinos dos Apóstolos),
o Evangelho dos egípcios, o Evangelho de Tomé, o Evangelho
das basilidas, o Evangelho de Matias e o Pastor de Hermes.
No ano de 367, Atanásio pela primeira vez apresentou um cânone
dA Tanach e Brit Hadasha (Novo Testamento)s firmemente circunscritos,
dentro do qual eram definidas as classes individuais dos textos
e de sua seqüência. Ele designou vinte e sete livros como
sendo os únicos realmente canônicos do nosso Brit Hadasha
(Novo Testamento); ninguém pode acrescentar mais nada a este
número, bem como ninguém pode retirar coisa alguma. O 3° Concílio
de Cartago (397) mandou que: "além das Escrituras canônicas,
nada se lesse na igreja sob o título de "Escrituras divinas".
A discussão a respeito do cânon nos séculos subseqüentes se
acalmou, porém, muitos eruditos tem se perguntado a si mesmos
porque haveriam eles de concordar com a resolução já feita.
Agostinho disse que concordou por causa da natureza dos próprios
livros e pela unidade praticamente completa entre os cristãos
neste assunto. Calvino baseava a sua crença na autoridade
desses livros no testemunho do Espírito Santo. Nós aceitamos
por todas essas razões, mas principalmente porque já provamos
em nossas vidas a veracidade de tudo aquilo que está escrito.
Quando vivemos pelas Escrituras, descobrimos que elas são
suficientes para todas as nossas necessidades, completas em
si mesmas. A única regra de fé e prática.
OS MANUSCRITOS DA BRIT HADASHA (NOVO
TESTAMENTO)
Os manuscritos do Brit Hadasha (Novo Testamento) podem ser
classificados segundo a matéria que os compõem, ou segundo
os caracteres da escrita. Esta classificação ajuda a data-los.
Estes manuscritos são papiros ou pergaminhos.
UM PAPIRO - é constituído por tiras de medula do papiro
(espécie de cânico com caule triangular, da família das ciperáceas,
da grossura de mais ou menos um braço e de 2,5 m a 5 m de
altura), cortadas em finas talas e colocadas em camadas cruzadas,
estas tiras formam folhas que são em seguida, fixadas umas
após outras e enroladas em torno de uma vara. O rolo assim
formado se chama, em grego, biblos (dai a palavra: Bíblia)
e pode ter até 10 m de comprimento. Os papiros do Brit Hadasha
(Novo Testamento) são os mais antigos documentos de base que
possuímos: em sua maioria datam do século III (um papiro descoberto
em 1935, deve mesmo ser datado do começo do 2° século). Se
bem que nos transmitam apenas fragmentos de textos, estes
documentos são testemunhas preciosas do texto, justamente
em razão da sua antigüidade. Existem atualmente em número
de 76, designados nas edições críticas por P1, P2 etc.
UM PERGAMINHO - é uma pele, ordinariamente de ovelha,
cabra ou bezerro, tratada e cortada em folhetos (a palavra
“pergaminho” se originaria da cidade de Pérgamo): estes são
postos um em cima do outro para formar não um rolo, mas um
volume (em grego: teuchos) de onde vem a palavra grega “Pentateuco”
(para assinalar os primeiros cinco livros do Tanach (Velho
Testamento)). Os pergaminhos, trazendo textos do Brit Hadasha
(Novo Testamento), datam somente do século IV, no máximo,
mas apresentam-nos, geralmente, textos completos do Brit Hadasha
(Novo Testamento). O princípio e o fim do texto faltam às
vezes, em conseqüência da deterioração, fácil de imaginar,
dos folhetos da capa. Todos estes documentos são escritos
em grego mas em um grego que não é mais o grego clássico (este
grego, comumente falado em todo império, é denominado Koinê:
língua comum).
Os manuscritos mais antigos do Brit Hadasha (Novo Testamento)
são escritos em letra maiúsculas ou "unciais". Atualmente
seu número é de 252. As edições críticas os designam por letras
maiúsculas. Os manuscritos em minúsculas (conhecemos hoje
2646) datam no máximo do século IV. Entretanto não devem ser
negligenciados porque os copistas do século IX, X e XI recopiavam
possivelmente manuscritos em maiúsculas muito mais antigos,
que não possuímos mais. As edições críticas os assinalam por
algarismos árabes. Todos estes manuscritos são assaz difíceis
de ler. As palavras, as frases e os parágrafos não são separados
por espaço algum, e não encontramos nem acento nem sinal de
pontuação. Seis manuscritos em maiúsculas são muito importantes:
o Vaticanos (designados por "B" nas edições críticas), assim
chamado porque é conservado na biblioteca do Vaticano. Datando
do século IV, é o mais antigo de todos os manuscritos sobre
pergaminho.
O Sinaíticus (designados por "X"), descoberto em um convento
do Sinai, no século IX, vendido em 1933, pelo governo soviético
ao Museu Britânico em Londres, também deve datar do século
IV. O Alexandrinus (designados por "A"), trazido de Alexandria
a Inglaterra no século XVIII e igualmente conservado no Museu
Britânico, data do século V. O Códex Ephrem (designado por
"C"), e uma "palimpsesto", que quer dizer que o texto primitivo,
um manuscrito do Brit Hadasha (Novo Testamento) datando do
século V, foi apagado no século XII por um copista que se
serviu do pergaminho para nele copiar tratados de Ephrem da
Síria. Felizmente, o texto primitivo não desapareceu totalmente
e pode ainda ser lido sob o texto medieval por olhos peritos
(trabalho penoso, facilitado hoje em dia pelos processos técnicos
modernos). Este manuscrito é conservado em Paris, na Biblioteca
Nacional. Estes quatro primeiros manuscritos não diferem entre
si a não ser por "variantes" de pormenor. Dois outros manuscritos
(designados por "D") apresentam, com os quatro precedentes,
grande número de variantes e particularmente notória. Datam
ambos do século VI.
O primeiro: Códex Bezae Cantabrigiensis deve seu nome ao fato
de ter pertencido, assim como aliás também o segundo, a Theodoro
de Beza, amigo de Calvino, e que em 1581, seu proprietário
o ofertou a Cambrige. Escrito sobre duas colunas, a primeira
contendo texto grego, a segunda a tradução latina, oferece
somente os quatro evangelhos e o livro de Atos dos Apóstolos.
Hoje em dia, após os achados do Qumran, existem vários manuscritos
que estão sendo estudados e também são apresentados ao público
em geral. Eles encontram-se em Jerusalém, no Museu do Livro.
Ali percebemos o autêntico milagre de preservação dos mesmos,
pois encontram-se alguns inteiros e outros fragmentados de
tal forma que é preciso "monta-los" como a um quebra-cabeças
para descobrir-se de que manuscrito se trata. A ciência tem
colaborado muito para desvendar este quebra-cabeças. Os manuscritos
são feitos de pele de carneiro, e cada um deles está passando
por um teste de DNA. Este teste determina que pedaços pertencem
aos manuscritos mais "completos", pois o DNA possui o código
genético de cada animal em particular. Assim torna-se impossível
"juntar" pedaços diferentes!
AS VERSÕES DA BRIT HADASHA (NOVO
TESTAMENTO)
Há importantes traduções do original grego do Brit Hadasha
(Novo Testamento) para dez idiomas antigos, conforme descrição
abaixo: Latim: A tradição latina começou em cerca de 150 D.C.
O "Latim Antigo" (anterior à "Vulgata") conta com cerca de
1000 manuscritos. Após o século IV, a versão latina foi padronizada
na Vulgata. Há cerca de 8000 traduções latinas do tipo Vulgata,
pelo que a tradição latina conta com cerca de 10.000 manuscritos
conhecidos, ou seja, mais ou menos o dobro dos manuscritos
em grego. Siríaco: Quanto ao siríaco antigo há apenas dois
manuscritos, mas revestem-se de grande importância. Datam
dos séculos IV e V. A tradição siríaca foi padronizada no
Peshitto, do qual há mais de 350 manuscritos do século V em
diante. Copta: Esse é o Brit Hadasha (Novo Testamento) do
Egito. Há duas variações desse texto, dependendo de sua localização
geográfica. O saídico veio do sul do Egito, contando com manuscritos
desde o século IV. O boárico veio do norte do Egito, contando
com um manuscrito do século IV, mas os demais são de origem
bem posterior.
Nos séculos depois do século IV, os manuscritos coptas foram
muito multiplicados, pelo que há inúmeras cópias pertencentes
à esta tradição. Formam um grupo valioso, pois são de caráter
"alexandrino", concordando com os manuscritos gregos mais
antigos e dignos de confiança.
Armênio: Essa tradição começou no século V. Com exceção do
latim, há mais manuscritos dessa tradição do que qualquer
outra.
Já foram catalogados 2000 deles. A versão armênia tem vários
representantes do tipo de texto "cesareano", mas muitos pertencem
à classe bizantina. Geórgico: Os georgianos eram um povo da
Geórgia caucásia, um agreste distrito montanhoso entre os
mares Negro e Cáspio, que receberam o Evangelho durante a
primeira parte do século IV. Supomos que a tradição geórgica
dos manuscritos começou não muito depois, mas não há quaisquer
manuscritos anteriores ao ano de 897. O seu tipo de texto
é cesareano.
Etíope: Essa tradição conta com manuscritos datados desde
o século XIII. Há cerca de 1000 desses manuscritos, essencialmente
do tipo de texto bizantino. Gótico: Algum tempo depois dos
meados do século IV, Ulfias, chamado o apóstolo dos godos,
traduziu a Bíblia do grego para o gótico, uma antiga língua
germânica. Agora há apenas fragmentos, do século V em diante.
São essencialmente do tipo de texto bizantino, com alguma
mistura de formas ocidentais. O texto bizantino, entretanto,
é uma variedade anterior àquela que finalmente veio a fazer
parte do Textus Receptus.
Árabe e Persa: Alguns poucos manuscritos tem sido preservados
nesses idiomas; mas são de pouca importância no campo da crítica
textual. Quanto à versão árabe, os problemas de estudo são
complexos e continuam sem solução, pelo que é possível que
ela seja mais importante do que se tem suposto até hoje.
A LÍNGUA DA BRIT HADASHA (NOVO TESTAMENTO)
Não se pode reconstruir o pensamento cristão primitivo se
não se der atenção ao estudo acurado da língua grega durante
o primeiro século. Os elementos auxiliares aqui indicados
visam a uma introdução.
O GREGO COINÊ
O grego coinê existia lado a lado com a língua nativa; aquele
era um mundo bilíngüe (talvez trilingue). Yeshua e seus discípulos
dirigiam-se às multidões em grego3, mas é certo que também
utilizavam o aramaico, sua língua materna em outras ocasiões.
O coinê era a língua do povo que não teve escola e que não
possuía dotes literários. O coinê parece ter sido a linguagem
da experiência humana, própria para a boca do homem e mulher
comum, cuja lógica se movia em termos, não de argumentos eruditos,
mas da metáfora colorida e cujas mentes eram ocupadas menos
com o significado da vida do que com vivê-la. O coinê do Brit
Hadasha (Novo Testamento) não tinha as qualidades artificiais
sofisticadas do reavivamento ático, que possuía todos os tons
da vida do povo em ebulição.
Influências estranhas
Há no grego do Brit Hadasha (Novo Testamento) traços hebraicos
inquestionáveis. Resultam da influência do Tanach (Velho Testamento)
hebraico e da Septuaginta. Muito da terminologia do Brit Hadasha
(Novo Testamento), em seus característicos semânticos, só
pode ser explicado pelo Tanach (Velho Testamento). A palavra
nomos, no grego clássico significava "estatuto" ou "regra
fixa". Se olharmos para a Septuaginta, em que se traduz o
hebraico Torah, veremos que o judeu helenizado considerava
a palavra traduzida para o grego não como um princípio abstrato,
mas como a vontade graciosa de um D-us pessoal a seu povo.
Essa vontade fora-lhes transmitida através dos ensinamentos
(tradução mais exata da palavra Torah) contidos na Torah (Cinco
livros de Moisés). O verbo metanoew (metanoem) significava
para o grego a mudança de mente ou opinião, mas usado pelos
profetas hebreus, por João Batista e Yeshua , queria dizer
completa mudança de caráter e disposição, abandono completo
da atitude negativa para com D-us e consigo próprio e tomada
de outra posição diferente, positiva.
Esta mudança de significado é alcançada pelo conceito de pecado
dos judeus, diferentes dos gregos em tudo. Algumas palavras
são resultados de simples transliteração, como: allheluia
(aleluia), amen (amém), golgoqa (Gólgota), satan (Satan),
libanos (Líbano), manna (maná), sabaton (sábado) etc... Existe
ainda a presença de outros elementos estrangeiros, como egípcios
(Biblos, sinapi): macedônios (parembolh); persas (gaza, sandalion),
fenícios (arrabwn), etc... A influência cristã na semântica
das palavras e na sintaxe do Brit Hadasha (Novo Testamento)
é notável. Alguns desses novos significados tem um caráter
técnico ou ritual: adelfos, para irmãos da mesma fé; apostolos,
no sentido oficial de aggelos; glossa como "dom de línguas";
iereis como apelativo dos cristãos; porfeteuw, como uma função
cristã, e outros termos como ekklesia, diakonos, episkopos,
etc., que passaram a ter novos significados. Os autores do
Brit Hadasha (Novo Testamento) deram, em geral, um novo tom
a seus vocábulos.
Elevaram, espiritualizaram e transfiguraram palavras então
correntes, colocando velhos termos em nova roupagem, acrescentando
mais brilho à concepções já luminosas. Palavras como agaph,
eirhnh, zwe, pistis, swteria, caris, suneidhsi, transformaram-se
em instrumentos de grande poder a elevar a língua do Brit
Hadasha (Novo Testamento) a pedestal de glória que só com
o novo movimento poderia alcançar. Isso nos mostra a diversidade
de formas que o Eterno se utilizou para compor o Livro Sagrado,
pois foi através de aproximadamente 40 homens, em épocas diferentes,
utilizando-se de duas línguas muito ricas em sua terminologia.
Assim o Eterno D-us dá vazão à revelação de Sua Pessoa e de
Seus propósitos para que a humanidade possa então conhecê-lo
definitivamente como Ele realmente é! Hoje temos à nossa disposição
todo o conjunto de Escritos Inspirados, o qual chamamos de
"Bíblia", com um ingrediente que é fundamental para nós: tudo
reunido e traduzido em nossa própria língua! Aqueles que desejam
conhecer à D-us podem fazê-lo adquirindo em qualquer livraria
uma Bíblia. Esta conduzirá o homem de volta até seu Criador
e Senhor! Só podemos concluir dizendo: esta é realmente a
Palavra de D-us!
AS "ADIÇÕES" FEITAS À BÍBLIA
A Escritura que possuímos hoje é um pouco diferente daquela
que foi produzida na antigüidade pelos profetas no Tanach
(Velho Testamento) e depois pelos apóstolos judeus no Brit
Hadasha (Novo Testamento). Todas as citações abaixo não constam
do texto original! Vejamos alguns exemplos de adições:
1) - As palavras em itálico: elas não constam no original
e servem para complementar o sentido do texto. Seu objetivo
é enfatizar e firmar algo que está sendo dito.
2) - Palavras entre parêntesis: enquanto as palavras adicionais
aparecem em itálico em algumas versões, em outras isso ocorre
através do uso de parêntesis.
3) - Palavras na margem ou no rodapé: determinados trechos
ou palavras encontrados ma margem ou no rodapé de nossas Bíblias
são a tradução ou explicação de um texto ou palavra duvidosa.
4) - Divisão em capítulos e versículos: Isso também não existe
nos originais. Em alguns casos este tipo de divisão prejudica,
pois "quebra" o texto e tira o sentido completo do mesmo,
prejudicando assim a sua interpretação.
5) - Divisão do texto em parágrafos: não existe no texto original,
embora esta divisão seja muito útil para a compreensão da
Escritura.
6) - Referências de rodapé: em praticamente todas as Bíblias
hoje encontramos notas de rodapé que correspondem à pequenos
números que são inseridos no texto bíblico. Estes números
trazem aquilo que chamamos de "referências cruzadas", ou seja,
outras ocorrências daquelas palavras ou expressões, o que
torna mais fácil encontrarmos determinadas palavras na Bíblia.
7) - Versões bíblicas: na atualidade temos uma série muito
grande de versões dos textos originais. Isso indica que houveram
traduções variadas, algumas vezes adaptando-se a linguagem
mais popular, para facilitar o entendimento daqueles que lêem.
O texto original é único, sem variações e uniforme!
Todos estes fatores nos mostram, mais uma vez, o quanto evoluiu
o processo de aprimoramento da Bíblia como um livro especial
para a humanidade! Isso não significa que não devamos confiar
na Bíblia, mas sim que precisamos cada vez mais nos aprofundarmos
no conhecimento (e relacionamento) com D-us e com sua Palavra,
pois ela é a única fonte de informação escrita que temos a
respeito dele! Por isso, a Bíblia foi e ainda é o livro mais
lido, conhecido e vendido do mundo. Sua evolução foi tão fantástica
quanto a evolução humana: dos primeiros escritos em pedras
e papiros, passando pelas peles de animais, pergaminhos e
papel, até finalmente chegar aos nossos dias e ser agora difundida
através dos bytes da tecnologia!
O
avanço da tecnologia tem permitido que através dos bytes da
informática a Palavra de D-us tenha trânsito livre através
de milhões de computadores, levando pessoas a se renderem
aos pés do Senhor Yeshua através do avanço da tecnologia!
D-us está se utilizando disso para semear sua Palavra nos
quatro cantos da terra! Este será também um dos motivos pelos
quais a humanidade não poderá dizer: “eu não te conhecia Senhor!”
Hoje através da Internet temos acesso à muitas coisas ruins,
mas também temos acesso à Palavra do D-us Eterno que caminha
pela rede mundial trazendo salvação, cura, conhecimento, revelação
e mostrando ao mundo que Yeshua ainda é o Senhor! É por isso
que lemos na Palavra do Senhor: "Porque a palavra de D-us
é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma
de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito,
e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos
e intenções do coração" (Hb 4:12) - grifo nosso. A palavra
de D-us é a única que não passará!
Não há dúvida que há algumas outras escrituras religiosas
que fazem a mesma reivindicação acerca de si mesmas, tais
como o Corão e o Livro de Mórmon. Deve-se reconhecer, porém,
que estes documentos não possuem as credenciais que autenticam
a Bíblia como registro verdadeiro da revelação divina. Mais
notadamente falta-lhes a validez que se comprova pela profecia
anterior a seu subsequente cumprimento, e pela presença em
todas as suas partes do Redentor humano e divino. O Livro
do Mórmon é enfraquecido pelas muitas inconsistências e inexatidões;
o Corão, que alegadamente foi ditado por um arquétipo coeterno
com Alá, exibe não somente os mais estranháveis erros históricos,
mas também pontos de vista mutáveis dum autor humano (Maomé),
à luz dos acontecimentos do seu dia. Não há comparação entre
a Bíblia e estes livros quando se trata da grandeza e da clareza
dos pensamentos que transmite, e do poder que exibe ao penetrar
na alma humana com consequências que transformam vidas.
O que se pode dizer acerca da tradição oral? Não há a possibilidade
de a verdade infalível de D-us ter sido transmitida de boca
em boca durante sucessivas gerações? Sim, pode ter acontecido
assim, e não há dúvida que algumas porções da Bíblia foram
conservadas assim até chegar à sua forma autoritativa e final,
por escrito. Mas a tradição oral é necessariamente instável
de natureza e sujeita a alterações por causa do fator subjetivo:
a memória incerta do guardião daquela tradição. O legado de
fé foi transmitido oralmente durante milênios desde Adão até
Moisés, na sua maior parte, mas a forma final escrita, lavrada
por Moisés, deve ter sido especialmente supervisionada pelo
Espírito Santo, para assegurar a sua divina veracidade. As
próprias Escrituras dão considerável ênfase ao seu estado
escrito, e raramente imputam divina veracidade a mera tradição
oral. Embora seja verdade que as palavras pronunciadas por
Moisés, os profetas, Yeshua e os apóstolos fossem divinamente
autorizadas desde o momento de terem sido pronunciadas, não
havia outra maneira de conservá-las com exatidão a não ser
pela escrituração (i.é., registrando-as por escrito sob a
orientação do Espírito Santo).
Desde o começo, embora creiamos que na Galiléia e entre os
seus íntimos nosso Senhor falava em aramaico, e embora saibamos
que algumas de suas últimas palavras na cruz foram pronunciadas
naquela língua, no seu ensino público, suas discussões com
os fariseus e sua fala com Pôncio Pilatos, foram realizadas
principalmente em hebraico".