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O Dilúvio de Noé, em busca da verdade

Ballard lidera a expedição para descobrir provas do dilúvio de Noé e quatro naufrágios antigos no especial O Dilúvio de Noé: Em Busca da Verdade

Para o explorador da National Geographic Society, Robert Ballard, mais conhecido pela descoberta do Titanic, o Mar Negro é um lugar fascinante com mistérios proibidos. Muitos dos seus segredos ficaram escondidos da maioria dos cientistas ocidentais durante a Guerra Fria. Esta área pode ser uma arca do tesouro com navios antigos de madeira totalmente intactos e possivelmente até mesmo casas pré-históricas. Ballard lidera a expedição da National Geographic em uma busca destes artefatos preservados, incluindo aqueles que podem dar a base à nova e controversa teoria de que o Mar Negro foi atingido por uma inundação cataclísmica cerca de 5.500 a.C.

Em um documentário com 1 hora de duração, Ballard lidera sua nona expedição da National Geographic para explorar as profundezas do lendário Mar Negro, revelando provas que apóiam a teoria de um dilúvio catastrófico e tornando-se "uma das grandes descobertas de 2000", segundo a Scientific American's Discovering Archaeology. O Dilúvio de Noé: Em Busca da Verdade acompanha a expedição de Ballard usando tecnologia submarina de última geração para explorar o Mar Negro.

Por mais de 25 anos Ballard sonhou em explorar as profundezas misteriosas do lendário Mar Negro. Desde que leu sobre a teoria cativante de que barcos de madeira permaneceriam totalmente intactos nas águas sem oxigênio do mar cercado por terra, Ballard ficou ansioso em soltar as amarras de seus submersíveis de alta tecnologia nessas águas escuras e encontrar um antigo navio totalmente preservado. Por banhar as margens da União Soviética, muitos dos segredos do Mar Negro ficaram escondidos da maioria dos exploradores ocidentais por décadas.

Em setembro de 2000, Ballard realizou seu sonho de tocar no fundo do Mar Negro. Desviando-se um pouco das suas expedições normais, Ballard não só procurou antigos naufrágios, mas sinais de habitações humanas, remanescentes de um suposto dilúvio de dimensões catastróficas datando de mais de 7 mil anos. Alguns acreditam que a inundação do Mar Negro pode ter inspirado a história bíblica do Dilúvio de Noé.

Durante anos o Mar Negro atraiu cientistas. Apenas a alguns metros abaixo da superfície, esconde-se a "zona morta." Ali, devido às águas sem oxigênio, os moluscos que se alojam em madeiras não podem sobreviver. Sem predadores naturais para destruir a madeira, a zona morta era, teoricamente, uma verdadeira cápsula do tempo para antigos naufrágios. "Isto significa que há um grande número de navios ali. Então temos um grande potencial para encontrar alguns capítulos perdidos da História do Homem, em estados de preservação excelentes", disse Ballard.

Enquanto os planos para a montagem da expedição da National Geographic ao Mar Negro em busca de antigos naufrágios eram feitos, um livro escrito por dois cientistas, William Ryan e Walter Pitman, do Lamont-Doherty Earth Observatory da Universidade de Columbia, agitava a comunidade científica com uma hipótese controversa. Ryan e Pitman sugeriram que uma inundação pré-histórica e calamitosa ocorreu por volta de 5.500 a.C, quando as águas do Mar Mediterrâneo, de repente, irromperam em uma represa natural de água doce. A cascata de água do mar acabou formando o ambiente único do Mar Negro, com sua camada sem oxigênio, água salgada sob a água salobra. Qualquer sobrevivente desta inundação teria uma história terrível para contar, uma história que estes cientistas pensam ter sido descrita na história bíblica do dilúvio de Noé. O interesse de Ballard chegou ao extremo e ele expandiu seus planos para incluir uma busca pelos sinais de que pessoas moraram ao redor do lago na época em que o dilúvio ocorreu.

Intrigado pelos achados preliminares em uma viagem de reconhecimento, Ballard pediu ajuda ao arqueólogo Fredrik Heibert, do Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia, e à arqueóloga náutica, Cheryl Ward, do Instituto de Arqueologia Náutica no Texas, para a expedição. Especialista em comércio antigo, Heibert apontou alguns locais para habitações humanas ao longo das margens pré-históricas de água doce e auxiliou nas buscas dos naufrágios.

Após alguns dias de expedição, os exploradores fizeram uma descoberta impressionante. A 90 metros de distância da margem pré-inundada, 150 metros abaixo do nível do mar, algo que parecia ser uma estrutura feita pelo homem surgiu no monitor de vídeo exatamente onde os pesquisadores esperavam encontrar sinais de vida. Pedras quadradas, parcialmente enterradas no lodo, parecem ter sido feitas por mãos humanas, talvez sejam parte de uma casa.

Indo para águas mais profundas, a sorte da expedição continua. As equipes de pesquisa encontram quatro navios antigos da era Romana-Bizantina. Um dos navios, descoberto aproximadamente a 300 metros abaixo da superfície, está surpreendentemente bem preservado, com seu mastro de madeira de 10 metros de altura ainda de pé. O navio entalhado à mão tem cerca de 14 metros de comprimento e deve ter cerca de 1,5 mil anos, datando do final do período romano ou início do bizantino. Os arqueólogos marinhos estão sem fôlego. Ninguém nunca havia visto um navio tão antigo preservado em condições tão perfeitas. Os fatos encontrados neste navio podem responder às perguntas de uma geração de historiadores e cientistas marinhos.

Quanto ao dilúvio, os achados de Ballard podem confirmar a teoria de que a pessoas viviam ali antes de ocorrer este fato cataclísmico. Mas ele e muitos outros cientistas relutam em fazer uma relação desta descoberta à história bíblica de Noé. Enquanto os sinais de habitação apóiam a teoria provocativa, eles não provam cientificamente que a calamidade ocorreu, criando a lenda bíblica do grande dilúvio.

"Todos querem saber se encontramos a confirmação do dilúvio bíblico", diz Ballard. "Há o que nós sabemos e o que as pessoas querem que seja. Eu sabia disso devido à natureza do assunto; estamos perto do que as pessoas querem que seja. Mas o que parece tão perto, cientificamente está a anos-luz de distância. Nós não estamos perto de nada. Eu sabia que tínhamos de ter muito cuidado ao dizer o que sabíamos".

* Extraído de national Geographic Channel

 

 

 

Baruch Há Shem!
Bendito seja o Nome!


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