Os
fatos sobre Israel e sobre o conflito do Oriente Médio
INTRODUÇÃO
O
conflito entre israelenses e palestinos, tão presentes
em todos os canais da mídia nos últimos tempos
em seus aspectos de violência, terror e morte, é,
na verdade, um conflito de quase um século. Não
é, como muitas vezes pode transparecer do teor das
notícias e dos comentários, o choque entre um
estado judaico estabelecido e um povo ainda sem pátria
em sua luta por conquistá-la. É, na verdade,
um conflito de quase um século entre dos conceitos:
1) o de que na antiga Palestina só havia lugar para
uma realização nacional (na visão dos
árabes, um estado palestino árabe, excluindo-se
a possibilidade de estado judaico);
2) o de que haveria lugar na Palestina para a convivência
pacifica de dois estados nacionais: um árabe e um judaico.
A
tese da convivência foi sempre a tese do movimento sionista
e de todos os governos de Israel, de direita ou de esquerda.
Até pelo menos o processo de paz de Oslo, em 1993,
a tese árabe foi de eliminação do estado
judaico (e dos judeus que nele viviam) e estabelecimento de
estado árabe. O que pareceu um grande avanço
no processo de Oslo foi o aparente reconhecimento mútuo
de que a única solução real para o conflito
não era hegemônica, a favor de qualquer das partes,
mas um acerto contratual que propiciasse o inicio de um processo
de paz verdadeira baseada na convivência entre o estado
judaico e um estado árabe palestino.
Por
que, então, a violência atinge níveis
cada vez mais perigosos, e o conflito assume aspectos de perigoso
confronto bélico, com centenas de vitimas em um ano
e meio? Por que o terrorismo voltou a explodir com ímpeto
cada vez maior?
Este
folheto, uma iniciativa do Departamento de Divulgação
do Museu Judaico do Rio de Janeiro, visa elucidar todos os
componentes dessa crise, alem das simplificações
sensacionalistas da mídia, pela compreensão
de todo o processo do confronto, do ódio e das esperanças
frustadas. Visa também a, pelo entendimento dos fatos,
redespertar toda as forças e influencias que possam
mobilizar-se para novamente mudar o curso das mentalidades
– e a partir daí, das atitudes – e redirecionar
esse conflito entre dois povos da mesma família para
a única direção viável, em beneficio
de ambos e de todo o mundo: a convivência entre dois
estados, baseada num acordo justo, factível e definitivo,
que leve em conta as aspirações nacionais, a
segurança e o bem estar de todos os habitantes. Esta
sempre foi e será a posição sionista
e israelense, e assim cremos, das comunidades judaicas do
mundo inteiro.
1)
- OS ÁRABES ALEGAVAM AO SE OPOR DESDE O INÍCIO
DO SÉCULO XX AO SIONISMO E, DEPOIS, A ISRAEL, QUE A
PRESENÇA ÁRABE NA REGIÃO TEM MAIS DE
1300 ANOS, E QUE OS JUDEUS ESTIVERAM MUITO POUCO TEMPO POR
LÁ, O QUE TORNARIA ILEGÍTIMA SUA REINVINDICAÇÃO
NACIONAL. ISSO É VERDADE?
Não
há como os árabes palestinos basearem seu suposto
“direito” exclusivo da realização
nacional na Palestina em função de sua presença.
Se for para prevalecer a anterioridade da presença,
os judeus já viviam lá muito antes dos árabes,
que só chegaram à região 1700 anos depois
de os judeus já viverem em Canaãn (os judeus
se estabeleceram cerca de 1000 anos antes da Era Comum, e
os árabes só chegaram no século VII da
Era Comum). A presença árabe foi intermitente,
e nunca com caráter de entidade nacional. E se prevalecer
a ulterioridade da presença, como anular ou descartar
a atual presença de uma maioria judaica?
A
prevalecer a duração da presença, se
de um lado os árabes lá residem, intermitentemente
e sem estruturas nacionais, durante 1300 anos, a presença
judaica é ininterrupta há cerca de 3000 anos,
embora durante a dispersão tenha sido minoritária.
Mesmo assim, a dispersão não anulou a importância
da Terra Prometida na constituição da identidade
judaica pois a intenção do retorno mantendo
o povo judeu como um povo único e convergente ao longo
de séculos de dispersão. Jerusalém (Sion)
continuou a ser, explicitamente, o centro do povo judeu, como
expresso em suas orações e votos, em seu misticismo,
em seus anseios, em sua cultura e, finalmente, em sua ideologia
e sua política. Assim, na verdade, os judeus nuca abandonaram
a Terra Prometida, pois consideravam sua ausência uma
anomalia a ser corrigida, e construíram sua identidade
religiosa e nacional sobre esse principio.
Na
verdade, nenhum dos parâmetros acima deve ser invocado.
O “direito” à realização
nacional pertence à área do direito de autodeterminação
dos povos, que a modernidade conferiu e reconheceu a cada
grupo nacional equivocadamente identificado. O povo judeu
– pela sua historia, pela sua consciente preservação
de seus valores e seus atributos, apesar da dispersão,
das perseguições e dos massacres, pela sai autopercepção
como um só povo, pela sua preservante busca do retorno
e de um futuro nacional na Terra Prometida, conquistada e
depois perdida – teve reconhecido pelo mundo o seu direito
à autodeterminação na pátria histórica,
a única possível, e a qual, apesar da distancia,
nunca deixou de considerar como tal. E os árabes que
habitavam a Palestina, pelo direito outorgado por essa presença,
apesar de serem parte de um povo que teve reconhecida sua
expressão nacional em muitos outros estados –
nação, também foi reconhecido o direito
de autodeterminação na Palestina.
Esse
duplo reconhecimento dos direitos de ambos os grupos é
a base da decisão da ONU em 1947, a favor da partilha,
que determinava o estabelecimento de dois estados na Palestina,
um judeu e outro árabe – palestino. Não
há injustiça alguma, nem violação
de direito algum nesta decisão. Pelo contrario, ela
representa a única maneira de se fazer justiça
a todos, e de se evitar injustiça a alguém.
Os judeus aceitaram essa visão, os árabes não.
Esta é a verdadeira origem do conflito.
2)
- POR QUE OS JUDEUS VOLTARAM À PALESTINA DEPOIS DE
2000 ANOS? O QUE É SIONISMO?
No
ano 70 da nossa era, os romanos destruíram o Templo
e arrasaram a cidade de Jerusalém. A independência
dos judeus chegou ao fim, e nas décadas que se seguiram
a maioria dos judeus que viviam na Judéia (que os judeus
passaram a chamar Eretz Israel, Terra de Israel) foram exilados.
Eles nunca perderam, no entanto, a esperança de voltar
para casa, e expressaram este desejo ardente em suas orações,
em suas tradições e em sua literatura. Ao final
do jantar anual de Páscoa, o seder, os judeus se desejam:
“No próximo ano em Jerusalém”; nos
casamentos judaicos o noivo recita “Se eu esquecer de
Ti, Jerusalém, que minha destra perca sua destreza
(Salmo 137); nas orações diárias se evoca
a volta a Sion e a centralidade de Sion no povo judeu (os
judeus oram sempre voltados para Sion).
A
ligação dos judeus com Eretz Israel não
se manifesta exclusivamente em orações. De fato,
através da historia, sempre tem havido uma presença
judaica em Eretz Israel. No final do século XIX, quando
movimentos nacionalistas tomaram forma na Europa, e enquanto
o anti-semitismo crescia naquele continente, um jornalista
judeu austríaco, Theodor Herzl, começou a organizar
o movimento nacional do povo judeu – o movimento sionista.
O objetivo deste movimento foi traduzir numa solução
política, na linguagem moderna de reconhecimento dos
direitos dos homens e dos povos, o ideal de Retorno alimentado
durante séculos pelos judeus, que se expressaria num
estado independente para o povo judeu. O único lugar
adequado a este estado só poderia ser o centro do sonho
do retorno, Sion, ou Eretz Israel, a Terra Prometida.
Herzl
elaborou sua visão/doutrina em seu livro O Estado Judeu.
Ele vislumbrou um país prospero no qual todos os habitantes,
judeus e não judeus, pudessem viver em paz e tranqüilidade.
Esta visão, e suas conseqüências constituem
o eixo conceitual, ideológico e operacional do sionismo.
3)
- POR QUE OS JUDEUS TÊM SIDO PERSEGUIDOS? O QUE É
ANTI-SEMITISMO?
Apesar
de o termo “anti-semitismo” (cunhado no século
XIX por uma agitador alemão, Wilhelm Marr), pela sua
etimologia, denotar hostilidade a todos os povos semitas,
ele é usado especificamente para designar ódio
ou rejeição aos judeus. Esse ódio é
muito antigo; existe desde que os judeus desenvolveram a consciência
de uma religião e nacionalidades únicas, resistindo
a todas as tentativas de absorção e influencia
de civilizações estrangeiras e muito mais poderosas,
quando entraram em contato com elas. Essa resistência
fez dos judeus “estranhos”, e como tal, rejeitados,
logo odiados e, por fim, perseguidos.
O
anti-semitismo moderno tem raízes religiosas, ideológicas
e sociais. No sentido social, a complementeção
do processo de emancipação na Europa Ocidental
e Central criou um pano de fundo para um atrito entre habitantes
não judeus e judeus, realimentando a rejeição
ao “diferente” que insistia em manter sua identidade,
mesmo sob a pressão de circunstancias sociais, religiosas,
econômicas e ideológicas. Essa rejeição
tornou-se muitas vezes ódio, que se expressou em perseguições
e pogroms, ainda mais violentos que os do período obscurantista
da Antiguidade e da Idade Média, agora em plena era
da Emancipação e dos Direitos do Homem e dos
Povos.
Sentimentos
anti-semitas foram exacerbados ate mesmo em países
de estrutura democrática, suscitando decisões
cruciais e radicais de povos motivados por emoções
e incitações de caráter étnico,
religioso ou econômico, e por ideologias preceituosas
ou racistas. Isto ocorreu por influencia de elementos religiosos
e nacionais que diagnosticaram um suposto comportamento alienado
e separatista dos judeus e deram ênfase a aparentemente
intransponíveis contrastes sociais e diferenças
raciais. A demonizacao dos judeus serviu em muitos casos para
encobrir problemas internos e consolidar uma união
de objetivos difícil de conseguir em outros campos.
De
fato, o anti-semitismo foi uma forma mitológica notável
de racismo ao longo dos tempos, mas foi como expressão
pseudo-racional de caráter ideológico que ele
precipitou o Holocausto. O anti-semitismo “pós-holocausto”
ganhou maior fúria em uma nova forma: ódio ao
Estado de Israel. Este ódio se iguala aos mesmos e
velhos fatos, com novos ingredientes políticos, relacionados
com o conflito Israel – Palestina, e é a causa
de severo anti-semitismo (leia-se anti – judaísmo)
que existe nos países árabes e nos segmentos
mais ou menos fundamentalistas do Islã.
4)
- HÁ DIFERENÇA ENTRE ANTI-SIONISMO E ANTI-SEMITISMO?
O
sionismo é o movimento nacional de libertação
do povo judeu – uma expressão de suas legitimas
aspirações de um povo antigo à autodeterminação
e independência nacional. O movimento sionista foi fundado
para prover um estado soberano próprio na sua terra
natal ancestral. Israel é a encarnação
moderna e política desse sonho ancestral.
O
objetivo de anti-sionismo é minar a legitimidade de
Israel, assim negando ao povo judeu seu lugar na comunidade
das nações. Denegrir o sionismo é, portanto,
atacar o direito básico da existência de Israel
como uma nação, em violação a
um dos princípios fundamentais do Direito Internacional.
É
falso fazer distinção entre anti-semitismo e
anti-sionismo. Conforme o Dr. Martin Luther King Jr escreveu
em 1967, o anti-sionismo “é inerentemente anti-semita”.
Realmente, não é a coincidência que as
censuras e condenações a Israel em fóruns
internacionais e na mídia têm sido acompanhadas
de uma forte escalada dos incidentes anti-semitas em muitas
partes do mundo. Conforme notou o Dr. King, anti-sionismo
“é a negativa ao povo judeu de um direito fundamental
que justamente clamamos para os povos da África, com
o quê, livremente, outras nações do globo
se põem de acordo. É a discriminação
contra os judeus porque eles são judeus. Resumindo,
anti-semitismo.
Da
mesma forma que o anti-semitismo nega aos judeus seu direito
como indivíduos na sociedade, o anti-sionismo nega
ao povo judeu seu direito de ser uma nação na
esfera internacional. Similarmente à utilização
de “o judeu”, como um bode expiatório para
muitos problemas da sociedade, Israel tem sido escolhido como
o vilão de plantão na arena internacional.
Anti-sionismo
é freqüentemente manifestado na forma de ataques
a Israel nas Nações Unidas e outros fóruns
internacionais. Durante anos, quase todas as reuniões
e eventos da comunidade internacional têm servido de
palco para condenações à Israel –
não importando de que matéria se trate, não
importando qual seja sua tênue a ligação
com o conflito no Oriente Médio.
Como
uma nação dedicada aos princípios da
democracia, Israel acredita que a critica, seja por outras
nações ou pelo seu próprio povo, é
uma força para mudanças positivas. Entretanto,
existe uma clara distinção entre chamados legítimos
por melhoria e a tentativa de não legitimar Israel,
para, consistentemente, tentar sustar sua melhoria aplicando-lhe
avaliações e exigências que não
são aplicados a outros estados – tudo isso enquanto
se ignora o contexto em que Israel se esforça para
sobreviver ante os violentos ataques contra seus cidadãos
e, com muita freqüência, contra sua própria
existência.
5)
- O QUE FOI O HOLOCAUSTO?
Em
1993, Adolf Hitler, subiu ao poder na Alemanha e estabeleceu
um regime racista sob o enganoso título de Nacional
– Socialista, ou do alemão (NSDAP – National
Socialiche Deustsche Arbeiterpartei – Partido Nacional
Socialista dos Trabalhadores Alemães). Esse regime
foi baseado na doutrina racial de acordo com o qual os alemães
arianos pertenciam à “raça Mestre”
(raça Pura), enquanto os judeus eram conhecidos como
Untermenschen, subhumanos, que não faziam parte da
raça humana.
Em
1939, o exército alemão invadiu a Polônia
e deu início, ao que se tornaria a Segunda Guerra Mundial.
Uma série de vitorias fáceis no começo
da guerra deu a Hitler a oportunidade em implementar suas
idéias. Ele começou a aniquilação
do povo judeu, especialmente em solo polonês, onde vivia
o maior contigente de judeus da Europa. Documentos descobertos
depois da guerra mostram que sua intenção era
exterminar todo judeu no mundo. Para realizar seu plano, suas
forças primeiramente concentraram os judeus em guetos;
estabeleceram campos de concentração e de trabalho,
em muitos casos simplesmente campos de extermínio,
e transportaram os judeus para esses campos. Os que não
eram aptos para o trabalho eram logo exterminados. A maioria
dos outros morreram de inanição ou em virtude
de doenças. Na frente oriental, à medida que
ocupavam cidades e aldeias, os judeus iam sendo mortos por
pelotões de fuzilamento ou por gás, em caminhões
fechados.
Durante
seis anos de guerra, aproximadamente 6.000.000 de judeus –
incluindo 1.500.000 crianças – foram assassinados
pelos nazistas, aproximadamente um terço do povo judeu
naquela época. Esta decisão de aniquilar os
judeus, já prevista desde 1924 no livro Mein Kampf
(Minha Vida), de Adolf Hitler, foi uma operação
feita com fria eficiência, um genocídio cuidadosamente
planejado e executado. Foi única na historia em escala,
gerenciamento e implementação, e por esta razão
recebeu um nome próprio: Holocausto.
Menos
de cinqüenta anos depois, grupos racistas de neo nazistas
e grupos anti-semitas tentam negar que o Holocausto tivesse
alguma vez existido, ou afirmam que a escala foi muito menor.
Existem algumas causas para este “revisionismo”,
especialmente políticas e anti-semitas. Alguns desejam
limpar nazismo de sua injuria maior; outros acreditam que
o Estado de Israel foi estabelecido para compensar os judeus
pelo Holocausto, e ao negar o Holocausto estão procurando
destituir Israel de seu direito de existir. Este é
o motivo pelo qual os que negam o Holocausto têm muito
mais suporte nos países árabes.
Mas
o Holocausto existiu, como o atestam os testemunhos documentais
e os pessoais, e o povo judeu decidiu impedir que seja esquecido,
para que, com sua lembrança, fique assegurado que o
mundo não permitirá jamais que torne a acontecer
com os judeus ou com qualquer outro povo ou grupo da Terra.
A
negativa da existência do Holocausto é uma abominação
e uma ameaça potencial para o mundo inteiro.
6)
- COMO SURGIU ISRAEL E QUAIS SÃO OS FUNDAMENTOS DO
ESTADO?
Israel
é um estado de maioria judaica na população,
mas com uma importante minoria árabe. Essa minoria,
mais ou menos 20% da população, tem direitos
iguais de acordo com a lei e tem asseguradas todas as liberdades
individuais, incluindo liberdade religiosa e de culto.
Entretanto,
o Estado de Israel, estabelecido como o estado independente
do povo judeu em sua terra ancestral (Terra Prometida), é
um Estado Judeu, ou seja, é o estado do povo judeu
e da nação judaica, que através dele
exerce seu direito a autodeterminação nacional.
É também um estado judaico sob a ótica
internacional, de acordo com os entendimentos internacionais
e respectivas resoluções, incluindo a Declaração
Balfour, pelo qual o governo britânico se obrigou a
estabelecer um lar nacional para os judeus na Palestina, e
a Resolução 181 de 29 de novembro de 1947, da
ONU, na qual a Assembléia Geral, presidida pelo brasileiro
Osvaldo Aranha, resolveu, por 33 votos a 13, pôr fim
ao mandato britânico sobre a Palestina (Eretz Israel)
e lá estabelecer dois estados, um judeu e um árabe.
Os
judeus aceitaram a resolução, com alegria, e
quando o Mandato terminou, David Bem Gurion declarou “o
estabelecimento do Estado Judeu, a ser conhecido como Estado
de Israel”. A declaração de Independência,
provia a base para a manutenção de um estado
judeu democrático, que iria assegurar igualdade entre
seus cidadãos, independentemente da religião,
raça, sexo ou nacionalidade. Esta garantia te suportado
o duro teste da realidade e do conflito até aos presentes
dias.
Assim,
ao mesmo tempo, Israel preenche o difícil duplo papel
de ser um Estado moderno e democrático, o Estado de
seus cidadãos – seja qual for a nacionalidade,
religião, cultura ou visão política –
e o estado do povo judeu, comprometido com os problemas desse
povo, identificando com sua herança, sua historia e
suas aspirações, papel para o qual foi concebido
e criado. O conflito árabe israelense tornou mais difícil
conciliar essa visão dupla e complementar, mas Israel
não se afastou dela nem nos momentos de maior crise.
Ao mesmo tempo em que é um estado moderno e democrático
e, apesar dos problemas, de igualdade de direitos e liberdades
civis para todos os seus cidadãos, Israel continua
e continuará a ser o único estado do povo judeu.
7)
- A INDEPENDÊNCIA DE ISRAEL VIOLA OS DIREITOS DOS ÁRABES
NA PALESTINA?
A
Declaração da Independência (maio de 1948),
define que o Estado de Israel será baseado na liberdade,
justiça e paz de acordo com as visões dos profetas
de Israel: Ele vai assegurar completa igualdade de direitos
sociais e políticos de todos os habitantes, independentes
da religião, raça ou sexo; O estado vai garantir
a liberdade religiosa, de consciência, de linguagem,
educação e cultura; O estado vai garantir o
lugar santo a todas as religiões; e será fiel
aos princípios da Carta das Nações Unidas.
Seu texto diz que Israel estende a mão a todos os países
vizinhos para que construam juntos um futuro de paz e prosperidade
na região.
Apesar
de a Declaração dispor que não existe
“efeito vinculante” que obrigue a Suprema Corte
a basear suas decisões em interpretações
de seus termos, seus parâmetros têm prevalecido,
garantindo a força da democracia de Israel e os princípios
de direitos humanos e direitos civis em que se fundamenta.
8)
- O QUE É “LEI DO RETORNO” E POR QUE EXISTE?
A Declaração de Belfour de 1917 dispõe
que o Governo de sua Majestade vê com simpatia o estabelecimento
na Palestina de um lar nacional para o povo judeu. Baseado
nesta declaração, a Liga das Nações
outorgou ao britânicos um Mandato para a Palestina em
1922. O fim do Mandato veio com uma decisão da Assembléia
Geral da ONU, a Resolução 181, adotada em novembro
de 1947. Esta Resolução também estipulou
o estabelecimento de dois estados, um judeu e outro árabe,
no território do Mandato. Os árabes rejeitarão
a resolução e, para que não fosse implementada,
cinco países iniciaram uma guerra ainda antes da retirada
dos britânicos. Foi em pleno curso desta guerra, no
dia em que terminava o Mandato e os últimos britânicos
se retiravam, que David Ben Gurion leu a Declaração
que estipulava “o estabelecimento de um Estado Judeu
em Eretz Israel, com o nome de Estado de Israel”.
A
Declaração da Independência define explicitamente
que o Estado de Israel permanecerá aberto para a imigração
judaica e para o regresso dos exilados. Sob este principio,
a Lei do Retorno estabelece o direito de qualquer judeu de
se assentar em Israel, traduzindo essa declaração
basilar na linguagem legal, e propiciando sua implementação.
A
lei do Retorno dá a qualquer judeu “no exílio”
o direito de voltar para sua histórica terra natal
e receber sua cidadania. A lei não discrimina cidadãos
não judeus em Israel, que têm seus direitos assegurados
como tais. Ela se aplica apenas aos judeus que têm outra
nacionalidade, mas que desejam se naturalizar em Israel, tornando
essa naturalização legalmente aceita a priori.
A lei não impede que pessoas de origem não judaica
se naturalizem israelenses; essa possibilidade é prevista
em outras leis.
9)
- POR QUE JERUSALÉM É A CAPITAL DO ESTADO DE
ISRAEL?
Jerusalém
é a capital de Israel nos sentidos histórico,
religioso e político. O Rei David fez de Jerusalém
a capital de seu Reino há cerca de três mil anos,
e desde então ela foi a capital de todas as entidades
judaicas estabelecidas em Eretz Israel, até sua destruição
pelos romanos no século I de nossa era.
Exaustivamente
mencionados na Bíblia como o centro da vida espiritual
judaica, Jerusalém e o Monte Sion, em seu coração,
tornou-se referência centralizadora da unidade e unicidade
do povo judeu durante quase dois mil anos de exílio.
Os textos religioso, as saudações, as visões
messiânica, o sonho e ideal do Retorno, a literatura
e a arte, todas as expressões judaicas de esperança
na redenção dos judeus do exílio e sua
reconstituição como povo têm Jerusalém
como ícone e inspiração. O Muro Ocidental
(Muro das Lamentações), remanescente do Templo
duas vezes destruído, tornou-se o lugar mais sagrado
do judaísmo.
A
independência judaica foi restaurada em 1948 e Jerusalém
foi declarada mais uma vez capital de Israel. Esta decisão,
incluída numa Lei Básica (1980), tem implicações
práticas. Jerusalém alem de ícone da
existência nacional e do conteúdo religioso do
povo judeu é a sede de todos os símbolos da
soberania de Israel: o presidente do Estado, a Knesset (Parlamento),
o Governo e Suprema Corte.
A
maioria dos países não reconhece Jerusalém
como capital de Israel; as razoes para tal atitude são
políticas, ignorando o direito básico de todo
estado de determinar sua capital. Para o Estado de Israel
e para o povo judeu, por todos os motivos e acima de todos
os motivos de outrem, Jerusalém é a capital
inquestionável, centro de suas decisões e de
sua visão de si mesmos.
10)
- POR QUE AS POSIÇÕES DE ISRAEL TÊM SIDO
FREQUENTEMENTE DERROTADAS EM VOTAÇÕES DE CARÁTER
POLÍTICO DE ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS?
O
Estado de Israel é membro da família das nações
e participante ativo de organizações internacionais
tendo se juntado às Nações Unidas como
seu 59º membro em 11 de maio de 1949. Desde então,
tem participado em uma ampla extensão das operações
da ONU e tem se esforçado por dar sua completa contribuição
aos organismos da ONU e sua agencias internacionais, que se
dedicam ao progresso e a melhoria da saúde, do desenvolvimento,
das condições de trabalho, da alimentação
e da agricultura, da educação e da ciência.
Israel tem uma participação ativa no trabalho
de organizações não governamentais conduzindo
sob os auspícios da ONU, no que diz respeito a temas
que vão da aviação à imigração,
da comunicação à meteorologia, do comércio
ao estatuto da mulher.
Algumas
resoluções da ONU tiveram significado crucial
para Israel, entre elas a Resolução 242 (22
de novembro de 1967) e 338 (22 de outubro de 1973) do Conselho
de Segurança, que provêm um contexto favorável
ao fim do conflito árabe israelense.
Ao
longo dos anos, a ONU tem sido ativa em tentar soluções
para a cessação das hostilidades entre Israel
e seus vizinhos árabes, apontando mediadores, estendendo
os auspícios da ONU ao cessar fogo e aos acordos de
armistícios, e estacionando forças da ONU para
separar as forças dos adversários.
Ao
mesmo tempo, entretanto, a ONU, como reflexo de interesses
políticos de seus membros, como participantes dos então
vigentes blocos econômicos (ocidental, socialista e
do “terceiro mundo”), foi tomando partido na contínua
campanha política levada a efeito contra Israel pelo
seus adversários na região. Os 21 estados árabes,
com a ajuda dos países islâmicos, dos “não
alinhados” e dos antigos integrantes do bloco socialista,
constituíram uma simpática “maioria automática”
de apoio, assegurando a adoção de resoluções
anti israelenses na Assembléia Geral e em outros fóruns
da ONU.
Na
década de 1990, após o final da “Guerra
Fria” e a partir do impulso dado ao processo de paz
no Oriente Médio, uma forma mais equilibrada de abordar
a matéria passou a ser percebida nas resoluções
da Assembléia Geral em relação ao Oriente
Médio. O repudio recente expresso na Assembléia
Geral à resolução de que “sionismo
é racismo”, aprovada na ONU em 1975, é
um dos exemplos. Israel tem sido autorizado a aumentar seu
envolvimento nas atividades da ONU, tendo em vista a recente,
e por longo tempo negada, aceitação de um grupo
regional. A corrente explosão da violência palestina
tem, como conseqüência, constituído uma
ameaça de reversão dessa nova tendência,
uma vez que a liderança palestina procura explorar
essa inquietação política para sua própria
vantagem na arena internacional. Mas o atentado de 11 de setembro
em Nova Iorque, o repudio universal ao terrorismo dele conseqüente
e a renovada onda de terror de extremistas islâmicos
contra civis israelense, de novo equilibram as tendências,
ao propiciar a compreensão do tipo de atitude extremista
que Israel tem enfrentado durante décadas, muito antes
da ocupação de territórios e da atual
Intifada.
11)
- QUAIS AS GUERRAS TRAVADAS ENTRE ÁRABES E ISRAELENSES?
QUAIS FORAM SUAS CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS?
A
Guerra da Independência - 15/05/1948
No
dia seguinte à proclamação de independência
do Estado do Israel, em 14 de maio de 1948, os exércitos
do Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque
invadiram a país com o propósito confesso de
expulsar os judeus das terras que lhe foram destinadas pela
Partilha Palestina votada na ONU em 29 de novembro de 1947,
e “afogá-los no Mar Mediterrâneo”.
Após a assinatura do armistício em 1949, a planície
costeira, a Galiléia e todo o Neguev ficaram sob soberania
israelense; a Judéia e a Samaria (a Margem Ocidental)
ficaram sob domínio da Jordânia; e a Faixa de
Gaza, sob administração egípcia. A cidade
de Jerusalém ficou dividida, cabendo a Jordânia
o controle da parte oriental, inclusive a cidade velha, e
a Israel, o setor ocidental da cidade. No conflito, foram
mortos 6000 judeus, equivalente a 1% da população
judaica local.
A
Campanha do Sinai – outubro de 1956
Por
ordem do Egito, os navios israelenses e aqueles com destino
a Israel foram impedidos de passar pelo Canal de Suez. Também
o boqueio egípcio ao Estreito de Tiran, que dá
acesso ao porto de Eliat, foi reforçado. Com a assinatura
de uma aliança tripartite entre o Egito, A Síria
e a Jordânia, a ameaça à segurança
de Israel tornou-se mais iminente. Em oito dias as forças
de Defesa de Israel (FDI) capturaram a Faixa de Gaza e toda
a península do Sinai, detendo-se a 16 km a leste do
Canal de Suez. Com a intermediação da ONU, o
Estreito de Tiran foi reaberto permitindo o comércio
de Israel com países da Ásia e da África,
bem como a importação de petróleo do
Golfo Pérsico, e Israel retirou suas tropas do Sinai.
A
Guerra dos Seis Dias – 05/06/1967
A
escalada de ataques terroristas árabes através
das fronteiras com o Egito e a Jordânia, bem como o
persistente bombardeamento do norte da Galiléia pela
artilharia síria foram o preludio para mais um conflito.
O Egito solicitou a ONU, que retirasse as tropas internacionais
que guarneciam o Sinai (e U Thant, o secretario geral da ONU
imediatamente o fez) deslocando todo o poderio de seu exercito
para o Sinai e para as fronteiras com Israel, restaurando
o bloqueio do Estreito de Tiran. Nova aliança com a
Síria e Jordânia foi estabelecida, e as emissoras
de rádio árabe transmitiam programas em hebraico
em que anunciavam à população israelense
que o seu fim estava próximo. Israel invocou direito
de autodefesa e desencadeou um ataque preventivo contra o
Egito e a Síria, conclamando a Jordânia a não
intervir. Israel avançou pelo Sinai, desbaratando o
exercito egípcio e expulsou as forças sírias
entrincheiradas no planalto de Golan. Com a entrada da Jordânia
na luta, abriu-se uma terceira frente. Ao fim de seis dias
de combates, a Judéia, a Samaria, Gaza, a península
do Sinai e o planalto de Golan estavam sob o controle de Israel.
A cidade de Jerusalém, que estivera dividida entre
Israel e a Jordânia desde 1949, foi reunificada sob
a autoridade de Israel.
A
Guerra de Yom Kippur – 06/10/1973
No
dia mais sagrado do calendário judaico – Yom
Kippur (Dia da Expiação) – o Egito e a
Síria lançaram um ataque de surpresa: o exercito
egípcio atravessou o Canal de Suez a as tropas sírias
invadiram o planalto de Golan. Durante as três semanas
seguintes, as Forças de Defesa de Israel mudaram o
rumo da batalha e repeliram as atacantes, atravessando o Canal
de Suez, e penetrando no Egito, ao mesmo tempo que avançavam
até 32 km de distância de Damasco, capital da
Síria. Dois anos de difíceis negociações
entre as partes resultaram em acordos de separação
das tropas, pelos quais Israel se retirou de parte dos territórios
que ocupara.
Operação
Paz para a Galiléia – 1982
Após
serem expulsos da Jordânia em 1970, os guerrilheiros
da Organização para Libertação
da Palestina (OLP) instalaram-se no sul do Líbano,
junto a fronteira com Israel. Daí partiram, inúmeras
vezes, comandos para ações terroristas contra
cidades e colônias ao norte de Israel (Galiléia),
causando inúmeras baixas e pesados danos materiais.
Para interromper estes ataques, o exercito israelense entrou
no Líbano e destruiu a maior parte da infra estrutura
operacional e militar da OLP na região. Em 1985 Israel
retirou-se do Líbano, completando-se a retirada em
2000, permanecendo observadores da ONU na fronteira entre
os dois países.
12)
- O QUE É A QUESTÃO DOS REFUGIADOS PALESTINOS?
QUEM É RESPONSÁVEL POR ELA?
O
problema dos refugiados palestinos tem sido uma difícil
matéria social e humanitária no Oriente Médio
durante mais de 50 anos. A causa do problema foi a rejeição
árabe da Resolução 181 (o plano de partilha)
da Assembléia Geral da ONU em 1947 e a guerra resultante,
que levou à independência de Israel. Muitos palestinos
que viviam em áreas onde se travavam batalhas abandonaram
seus lares – seja por causa da solicitação
dos lideres árabes (que lhes prometiam que iam voltara
após a vitoria sobre os judeus), seja por causa do
medo de lutar, ou por não querer viver sob as regras
judaicas ou, pequena parte deles, sob pressão das forças
judaicas. Mas o problema dos refugiados não teria sido
criado se esta guerra não tivesse sido forçado
sobre Israel pelos países árabes e a população
árabe local. Em outras palavras, se tivessem aceito
a Resolução 181, não haveria refugiados.
Os
países árabes, com exceção da
Jordânia, perpetuaram o problema dos refugiados para
que lhes servisse de arma política na sua luta contra
Israel. Enquanto os refugiados judeus expulsos dos países
árabes (em número equivalente aos refugiados
árabes que saíram de Israel) eram absorvidos
com imenso custo e esforço, e integrados como cidadãos
israelenses, os refugiados árabes continuaram a viver
em campos repletos, em estado do pobreza e desespero. Nenhuma
tentativa foi feita em integrá-los nos vários
países árabes, sem qualquer direito, sejam políticos,
econômicos ou sociais.
Os
países árabes alegam que a Resolução
194 da Assembléia Geral da ONU oferece aos refugiados
o “direito ao retorno” para Israel. Entretanto,
como toda Resolução da Assembléia Geral,
não é legalmente obrigatória para o país
implicado. Um sem número de pontos devem ser lembrado:
A)
A Resolução não declara que exista um
“direito” ao retorno. Muito pelo contrario, determina
certas condições e limites para o retorno: os
refugiados devem desejar viver pacificamente com seus vizinhos;
e a resolução tem como pré condição
a viabilidade de sua implementação, ao não
estipular um prazo, e definindo que deve ser concretizada
“na data mais próxima possível em que
puder ser posta em prática”. A experiência
mostra que esta não é uma população
que deseja viver em paz com seus vizinhos judeus e, de acordo
com a presente condição demográfica e
geográfica, o influxo de um grande número de
refugiados reivindicada pelos palestinos é politicamente,
praticamente, economicamente inviável, mesmo impossível.
B)
A Resolução usa a designação geral
de “refugiados” e não se refere especificamente
aos refugiados “árabes’. Com isso, cobre
também os refugiados judeus expulso dos países
árabes logo após a proclamação
da independência de Israel, em número equivalente
ao dos refugiados árabes (cerca de 600.000 a 700.000),
configurando uma verdadeira “troca de refugiados”,
fato comum na historia dos conflitos mundiais. Esses 700.000
judeus foram forçados a deixar os países árabes
e foram para Israel, deixando para trás muitas propriedades,
pelas quais não foram compensados. Eles foram absorvidos
e se tornaram cidadãos reabilitados com direitos integrais
no Estado de Israel. Estatisticamente, houve um número
maior de refugiados judeus que deixaram os países árabes
do que refugiados árabes que deixaram Israel.
C)
A Resolução estipula que compensações
pelos refugiados que decidem não retornar, e aqueles
cujas propriedades ficaram danificadas ou destruídas,
deverão ser providas “pelos governos ou autoridades
responsáveis”. A demanda por compensações
não especifica Israel pelo nome e fica claro que a
redação rejeita qualquer argumentação
palestina de que o ônus da compensação
deva recair exclusivamente sobre Israel. Alem disso, deixa
claro que deveria haver também compensação
dos países de origem dos 600.000 refugiados judeus
que foram para Israel, pelos bens e propriedades que lá
foram obrigados a deixar, o que equilibraria a troca de compensações,
e até mesmo poderia fazê-las pender em beneficio
dos refugados judeus.
D)
O parágrafo 11, que discute esta matéria de
retorno e compensação, é apenas um dos
15 parágrafos incluídos na Resolução.
Em
resumo, os palestinos têm usado seletivamente os elementos
da Resolução 194 que lhes oferece benefícios
políticos e retóricos. Ao mesmo tempo, outros
aspectos das matérias envolvidos são ignoradas.
Em qualquer dos casos, Israel sustenta que a Resolução
não é uma solução apropriada a
essa complicada matéria humanitária.
Israel
não é responsável pela criação
do problema dos refugiados. Portanto, não pode declara,
mesmo na forma de um gesto simbólico, responsabilidade
pelo problema. Tal declaração viria sustentar
as reivindicações palestinas de que se conceda
direito de retorno a centenas de milharas (na conta dos palestinos,
alguns milhões) de árabes para dentro das fronteiras
de Israel. O influxo desses árabes se tornaria uma
ameaça à existência de Israel como um
estado judeu independente.
Finalmente
os israelenses e os palestinos concordam que como parte do
processo de paz a questão dos refugiados, assim como
outra matérias, deveria ser considerada parte dos acordos
permanentes entre ambos os lados. Israel mantém suas
obrigações. É, portanto inapropriado
que essa matéria seja levantada em outros fóruns.
Alem de aceitar a volta de um número limitado de descendentes
de refugiados como parte de um programa humanitário
de reunião de famílias, Israel continua a se
empenhar para a solução do problema na base
de cooperação entre os países árabes
e a comunidade internacional.
13)
- ISRAEL É UM ESTADO DE DIREITO OU UM “ESTADO
TERRORISTA”, COMO AFIRMAM ALGUNS ÁRABES?
Logo
após a independência (1948) a Knesset (Parlamento
de Israel) aprovou a Lei de Postura e da Administração,
estipulando que as leis que prevaleciam antes da criação
do estado iriam permanecer em vigor, desde que não
contrariassem os princípios incluídos na Declaração
do Estabelecimento do Estado de Israel ou não conflitassem
com as leis que viessem a ser promulgadas pela Knesset. Portanto,
o sistema legal de Israel é uma soma de leis que remontam
às leis Otomanas (em vigor até 1917), às
leis do Mandato Britânico, incorporando uma grande parte
de legislação ordinária inglesa e elementos
da lei religiosa judaica e alguns aspectos de outros sistemas.
Entretanto, a característica que prevalece no sistema
legal é um grande corpo de estatutos independentes
e antecedentes legais que vêm evoluindo desde 1948.
O
sistema constitucional de Israel é baseado em dois
princípios fundamentais: que o estado é democrático
e que é judaico. Esses princípios tiveram suas
raízes na Declaração do Estabelecimento
do Estado de Israel em 1948, que também estabeleceu
o compromisso de Israel em garantir direitos sociais e políticos
iguais a todos os seus cidadãos, independentes da religião,
raça ou descendência étnica. Entretanto
como a Declaração não é um documento
constitucional obrigatório, a Lei Básica de
1992 – A dignidade humana e a Liberdade – prevê
explicitamente que os direitos humanos serão interpretados
“conforme o espirito dos princípios da Declaração
do Estabelecimento do estado de Israel” e que o propósito
da Lei Básica é estabelecer “os valores
do Estado de Israel como um estado judeu democrático.”
Após
o estabelecimento do estado a Knesset recebeu poderes para
editar uma série de leis básicas, relacionadas
a todos os aspectos da vida, que poderiam posteriormente ser
consolidadas em forma de uma constituição escrita.
A maioria dos capítulos já foi aprovada dentro
do âmbito das Leis Básicas, sublinhando os aspectos
e características do governo tais como o presidente,
a Knesset (parlamento), o governo, a magistratura, as forças
de defesa, o tribunal de contas, a liberdade profissional
(que trata do direito à vocação que cada
indivíduo escolha), a dignidade humana e a liberdade,
que dá proteção contra a violação
da vida das pessoas, seu corpo ou dignidade. A norma hierárquica
das Leis Básicas sobre a legislação ordinária
foi confirmada em 1955, quando a Suprema Corte assumiu o poder
de rever as leis da Knesset (Parlamento) que possam violar
as Leis Básicas.
As
Leis Básicas promulgadas até agora são:
A Knesset (Parlamento) (1958)
As Terras Públicas (1960)
O Presidente (1964)
O Governo (1968)
A Economia do Estado (1975)
As Forças de Defesa de Israel (1976)
Jerusalém – A Capital de Israel (1980)
O Judiciário (1984)
O Tribunal de Contas (1988)
A Dignidade Humana e a Liberdade (1992)
Liberdade Profissional (1992)
No
presente, as minutas de três leis básicas adicionais
– a saber, o Devido Processo de Direito, Leis Sociais
e a Liberdade de Expressão e Associação
– esta circulando antes de serem submetidas ao Comitê
Ministerial de Legislação.
Na
ausência de um projeto de lei forma sobre direitos,
a Corte Suprema tem contribuído amplamente para a proteção
das liberdades civis e para a aplicação da lei.
Em adição às Leis Básicas, alguns
conjuntos de casos legais foram desenvolvidos através
dos anos, incluindo liberdade de expressão, a liberdade
de reunião, a liberdade religiosa, e a igualdade como
valor fundamental do sistema legal de Israel. Na sua condição
como mais alta corte de justiça e agindo como corte
de primeira e última instancias, a Suprema Corte também
recebe petições trazidas por indivíduos
que apelam para ou contra qualquer governo, corpo ou agente.
A Suprema Corte desenvolveu o principio de abordar o entendimento
ordinário das provisões estatuárias de
modo a fezê-las consistentes com o conhecimento de liberdade
civis. Como resultado, os israelenses gozam dos mesmos direitos
civis e liberdades que gozam cidadãos das outras democracias
do Ocidente.
14)
- QUAIS FORAM, AO LONGO DE TODO O PROCESSO, A TESE, A POSTURA,
E OS ATOS E MEDIDAS DOS ÁRABES E DOS PALESTINOS EM
RELAÇÃO A ISRAAL? QUAIS SEUS OBJETIVOS E ESTRATÉGIAS?
Os
árabes como um todo (e os palestinos foram durante
maior parte do tempo que dura o conflito uma minoria sem muita
expressão na política árabe) forma resgatando
seus vários estados nacionais das potências colonialistas
que dominavam o Oriente Médio e norte da África.
No início desse processo, alguns poucos lideres árabes
chegaram a admitir a convivência com a realização
nacional judaica em Eretz Israel (O Emir Feisal entendeu-se
sobre isso, por escrito, com o então presidente da
Organização Sionista, Chaim Weizmann). Mas a
condição para essa aceitação era
a aceitação por parte das principais potências
coloniais, Inglaterra e França, das reivindicações
árabes. Alegando não ter sido atendidas nas
suas exigências por essas potências, os árabes
que ainda mantinham algum dialogo com os judeus abandonaram
sua ostra conciliatória para com o ideal nacional judaico.
A
partir de então, a oposição consolidou-se
em rejeição, depois ódio, depois ataques
e pogroms, e na recusa programática de qualquer conciliação
do nacionalismo árabe com o judaico na Palestina. Todo
o conflito árabe judaico no Oriente Médio nunca
teve como causa a recusa judaica de aceitar um estado árabe
palestino. Isso foi aceito pelos judeus em 1922, quando a
Inglaterra entregou toda a Transjordânia à família
haxemita de Abdallah, bisavô do atual rei da Jordânia;
em 1937, quando a comissão Peel propôs a partilha
entre árabes e judeus do que restara da Palestina (a
oeste do Jordão) após a cessão de sua
parte maior a Abdallah; em 1947, quando a ONU decidiu pela
partilha; nas propostas aventadas por Rabin e Peres no processo
de Oslo, a partir de 1993; e em 2000, quando o primeiro ministro
de Israel, Ehud Barak, aceitou todas as condições
que poderiam levar ao estabelecimento do estado palestino
em gaza e na Judéia e Samaria. O conflito existe por
que os árabes em geral, e os árabes palestinos
em particular, não se bastavam com instalação
de um estado árabe palestino, mas tinham como objetivo
a eliminação do estado judaico.
Por
isso os exércitos de cinco países árabes
invadiram o recém proclamada estado de Israel em 1948.
Por isso, a partir do armistício, instalaram uma política
de antagonismo, boicote e sabotagem a Israel. Por isso criaram
organizações terroristas para “libertar”
a Palestina, organizações que praticaram o terror
durante dezenas de anos (atentados e assassinato de civis,
inclusive mulheres e crianças, seqüestro de aviões,
carros bomba, etc.). Por isso criaram em 1964 uma Organização
para Libertação da Palestina (libertação
da existência de um estado judeu, pois as terras destinadas
ao estado árabe estavam em mãos árabes;
a Jordânia anexara a Cisjordânia e o Egito a Faixa
de Gaza). Por isso os árabes não criaram nenhum
estado palestino nas terras que permaneceram árabes,
por isso mantiveram os refugiados em penúria e os educavam
para o ódio a Israel, como forma de pressão,
enquanto os israelense absorviam, como cidadãos plenos,
os refugiados judeus expulsos de terras árabes, tão
numerosos quanto aqueles (cerca de 600.000).
Toda
essa postura teve expressão oficial na Carta Palestina,
de 1964, antes portanto, da ocupação da Cisjordânia
e Gaza por Israel na Guerra de 1967, onde oficialmente se
declarava que o objetivo estratégico era a liquidação
de Israel e a expulsão ou aniquilamento de todo judeu
que lá tivesse chegado depois de 1917. Assim, a esperança
de um futuro pacifico para o Oriente Médio sempre esteve
em função da perspectiva de os árabes,
e especificamente os palestinos, mudarem sua postura, e aceitarem
a convivência de dois nacionalismos na região.
15)
- O QUE FOI O PROCESSO DE PAZ DE OSLO, QUAIS SEUS PRINCÍPIOS?
Após
meses de intensivos contatos secretos em Oslo entre negociadores
de Israel e da Organização de Libertação
da Palestina (OLP), inclusive num encontro em Madrid, foi
formulada uma Declaração de Princípios,
onde foram delineados os arranjos para o autogoverno dos palestinos
na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza. Sua assinatura foi
precedida por uma troca de cartas (setembro de 1993) entre
o líder da OLP Yasser Arafat e o primeiro ministro
Itzchak Rabin, nas quais a OLP renunciava ao uso do terrorismo,
comprometia-se a invalidar os artigos de sua Carta que negam
o direito de Israel à existência, e se comprometia
a uma solução pacifica do conflito territorial
de tantas décadas entre palestinos e judeus. Por sua
parte, Israel reconhecia a OLP como representante do povo
palestino.
Assinadas
por Israel e a OLP em setembro de 1993, em Washington, a Declaração
de Princípios contem um conjunto de princípios
gerais mutuamente acordados sobre um período interino
de cinco anos de autogoverno palestino, a ser implantado em
quatro etapas. O primeiro passo, estabelecendo o autogoverno
na Faixa de Gaza e na área de Jericó, ocorreu
em maio de 1994. Em agosto do mesmo ano foi introduzida a
segunda etapa, que envolvia a transferencia de poderes e responsabilidades
aos representantes palestinos na Margem Ocidental em cinco
esferas específicas: educação e cultura,
saúde, bem estar social, impostos e turismo. O Acordo
Interino Israelense Palestino de setembro de 1995, constituiu
a terceira etapa, ampliando o autogoverno palestino na Margem
Ocidental através de eleição de uma autoridade
autônoma – o Conselho Palestino – a fim
de permitir aos palestinos a condução de seus
assuntos internos.
A
última etapa – negociações entre
as partes sobre os arranjos para o status final – iniciaram-se
de acordo com o que estava previsto em maio de 1996. Tais
conversações determinariam a natureza permanente
das disposições, cobrindo assuntos pendentes
que incluem: os refugiados, os assentamentos, assuntos de
segurança, fronteiras e Jerusalém.
16)
- QUANDO, COMO E POR QUE COMEÇOU A NOVA INTIFADA, QUANDO
O PROCESSO DE OSLO ESTAVA A PIQUE DE SE TRANSFORMAR NUM ACORDO
DE PAZ?
Em
outubro de 200 tudo indicava que finalmente os líderes
de Israel e dos árabes palestinos chegariam a um acordo
de convivência que levaria à coexistência
pacífica entre o estado judeu, Israel, e um futuro
estado palestino a ser proclamado nas áreas da Autoridade
autônoma Palestina e em territórios que Israel
desocuparia no âmbito do acordo. As delegações
chefiadas pelo primeiro ministro de Israel, Ehud Barak, e
o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, reunidos
em Camp David com a delegação americana, chefiada
pelo presidente Bill Clinton, tinham sobre a mesa a ousada
proposta de Barak, concedendo aos palestinos quase todas as
sua reivindicações: 95% dos territórios
ocupados (e negociações para acertos de fronteira
e troca de territórios de acordo com a situação
demográfica e as questões de segurança),
um regime especial para Jerusalém que permitisse, sem
dividir a cidade, que os palestinos lá tivessem sua
capital, desocupação da maior parte das colônias
judaicas, acordos de cooperação econômica
que viabilizariam o novo estado a ser proclamado e todos os
detalhes redundantes dessa postura básica.
Surpreendentemente,
no último momento, Arafat, rejeitou a proposta, e deu
início à Intifada, que se alegou ser uma reação
de revolta palestina ante uma visita “provocadora”
de Ariel Sharon ao Monte do Templo. Evidentemente, o simples
senso comum faz descartar a possibilidade de que a vista de
Sharon tenha desmantelado uma disposição de
Arafat de aceitar as propostas de Barak, caso ele tivesse
mesmo a intenção de aceitá-las antes.
O fato é que a visita de Sharon foi um pretexto para
que ele recusasse propostas praticamente irrecusáveis
como ponto de partida para uma convivência pacífica.
Certamente,
a presente onda de distúrbios, começou em meados
de setembro de 2000, antes da visita de Sharon ao Monte do
Templo, quando bombas incendiárias e pedras foram atiradas
em posições israelenses no cruzamento de Netzarim,
em Gaza. Este ataque foi logo seguido do assassinato de um
soldado israelense, por uma bomba na rua, neste mesmo cruzamento,
em 27 de setembro. Dois dias depois, um oficial da polícia
israelense foi morto por um policial palestino que havia servido
junto com ele numa patrulha conjunta.
Arafat
preferiu se vestir como um implacável revolucionário.
Ele optou por usar a violência como uma ferramenta de
negociação, recusando as mais favoráveis
condições jamais alcançadas para alcançar
a independência palestina num contexto de paz.
Po
que recusou? O que realmente queria Arafat? Como ele nunca
declarou explicitamente o que quer (os palestinos se limitam
nas negociações a fazer exigências e recusar
propostas), resta especular sobre algumas possibilidades;
a)
Arafat não conseguiu reunir coragem ou vontade para
vencer as pressões dos grupos palestinos mais radicais,
que recusam a paz e convivência com Israel. Mesmo percebendo
a oportunidade, não quis arriscar o que Barak arriscou:
enfrentar sua própria gente e convencê-la de
que só com concessões mútuas poder-se-ia
construir uma solução que fosse o início
de um processo de paz verdadeiro.
b)
Arafat não quis aceitar uma solução a
não ser em seus próprios termos, e com a satisfação
de 100% de sua exigências. Diante de uma proposta de
conciliação irrecusável, as únicas
alternativas são aceitá-la ou romper a negociação,
exatamente para não ter de aceitá-la. A desocupação
de praticamente todos os territórios, a partilha de
capitais em Jerusalém, o estabelecimento do estado
palestino, a cooperação econômica, seriam
o máximo de concessões exigíveis de Israel
no início apenas do processo de convivência pacífica.
O medo de um resultado negociado que exigiria compromissos
dos palestinos pode ter sido o que levou Arafat a partir para
o confronto, na tentativa de obter, sem se comprometer com
nada, mais do que aquilo que estava a seu alcance com uma
simples assinatura. A exigência de última hora
de Arafat, que ele sabia muito bem ser jamais aceita por Israel,
foi a “volta de 3 milhões de refugiados”
palestinos não ao futuro estado palestino, mas para
dento do Estado de Israel (Yaffo, Haifa, Tel Aviv, Bersheva,
etc.), o que parece induzir a alternativa ( c) adiante.
c)
Os palestinos nunca quiseram realmente uma paz definitiva
com Israel, e nunca teria na verdade abandonado seu objetivo
estratégico de acabar com Israel como estado judeu,
para o quê, como está definido na Carta Palestina,
as negociações e o estado palestino seriam apenas
uma etapa. A possibilidade de um estado palestino com compromissos
de paz e reconhecimento de Israel seria uma ameaça
a esse princípio. Forte indício dessa possibilidade
está exigência de última hora e Camp David,
de que cerca de 3 milhões de palestinos (supostamente
os descendentes dos 600.000 palestinos que saíram e
se exilaram durante a guerra de independência de Israel)
pudessem se instalar não no estado palestino, mas no
Estado de Israel. O objetivo, claramente, não é
fortalecer o novo estado a ser criado, mas debilitar o caráter
judaico de Israel. Uma população de 4.200.000
palestinos ante menos de 5 milhões de judeus, poderia
levar em pouco tempo, pela via demográfica, ao “fim
do estado sionista”, como consta nos programas e nas
estratégias palestinas.
Qualquer
que tenha sido o motivo – ou motivos – de Arafat,
ele desencadeou a Intifada e a violência quando tinha
a seu alcance a realização de praticamente todos
os seus objetivos pelo caminho do acordo e da convivência.
17)
- QUEM É RESPONSÁVEL PELA CONTINUAÇÃO
DA VIOLÊNCIA?
A
recente declaração de Arafat, em dezembro de
2001, condenando a violência e ordenando o fim dos ataques
suicidas contra Israel, enquanto não se transforma
em fatos, vem camuflar uma simples, convincente e importante
verdade, que se perdeu de alguma forma nos recentes tumultos
que envolvem o Oriente Médio. Os eventos recentemente
testemunhado são o resultado de uma clara decisão
dos palestinos de usar a violência como uma ferramenta
política. O fato de que Arafat, ao “exigir”,
tinha conseguido interromper, ou diminuir, ao ataques, é
uma demonstração de que até então
não queira fazê-lo. O povo e o governo de Israel
têm exigido o fim da violência e esperam resolver
todas as pendências na mesa de negociações,
enquanto Yasser Arafat e a Autoridade Palestina escolheram
– e freqüentemente invocaram por todos os meios
– uma violenta confrontação.
Yasser
Arafat, que agora discursa contra ela, foi o responsável
pela onda de violência que assolou recentemente a região.
Esta chamada “sublevação” não
é nada mais do que um bem calculado esforço
de Arafat para concretizar, pela violência, os anseios
da política maximalista que falhou em obter mediante
negociações, uma escolha liberada de líderes
palestinos pela violência em vez de negociações.
A
mídia palestina o comprovou, sem sombra de dúvida.
Em 6 de dezembro de 2000, o diário semi oficial “Al-Ayyam”
reportou, como se segue:
“Falando
durante um simpósio em Gaza, o ministro palestino das
Comunicações, Imad Al-Falouji, confirmou que
a Autoridade Palestina iniciou preparativos para a eclosão
da Intifada corrente no momento em que tivessem sido concluídas
as conversações em Camp David, isto de acordo
com instruções dadas por Arafat pessoalmente”.
O sr. Faloujji prosseguiu declarando que “Arafat lançou
a presente Intifada como sendo o estágio final da posição
imutável dos palestinos nas negociações,
e não deveriam ser entendidos como um mero protesto
em reação à visita do líder da
oposição de Israel, Ariel Sharon, ao Monte do
Templo.
Declarações
similares foram feitas por outros oficiais palestinos na imprensa,
na mídia palestina e árabe. A confrontação
atual foi iniciada deliberadamente e continua sendo alimentada
pela liderança palestina como uma escolha estratégica.
Esta é a verdade desde os primeiros dias da crise,
e permanece a verdade até hoje. Para esta finalidade,
Yasser Arafat e a Autoridade Palestina durante mais de um
ano, têm:
a)
usado a mídia oficial palestina para incitar seu povo
contra Israel e os israelenses;
b)
autorizado a milícia da Fatah – o Tanzin –
a abrir fogo contra os israelenses com armas fornecidas pela
Autoridade Palestina.
c)
Libertado dezenas de terroristas do Hamas e da Jihad Islâmico
das prisões palestinas, sinalizando a estas organizações
que eles têm luz verde para lançar campanhas
de ódio contra cidadãos israelenses inocentes.
A política de Arafat levou uma série de ataques
terroristas sangrentos, incluindo recentes explosões
de carros bomba e ataques suicidas em Jerusalém e Haifa
além de emboscadas em estradas tendo como alvo veículos
civis, incluindo ônibus escolares a carros particulares.
Arafat
agora, anta a reação de Israel, que passou a
ignorá-lo como parceiro de um processo de paz, e ante
a pressão do mundo democrático, principalmente
após o atentado de 11 de setembro, conclamou os palestinos
a interromper a violência. Na prática, isso não
aconteceu. Após um curto período de diminuição
no número de atentados e retaliações
israelenses, a descoberta de um transporte maciço de
armas num barco, destinado aos palestinos, e o retorno de
algumas facções palestinas aos atentados pareceram
demonstra que a visão de conseguir resultados pelo
conflito e pela violência ainda não foi abandonada
pelos palestinos.
18)
- PODE HAVER NEGOCIAÇÃO DE PAZ EM MEIO À
VIOLÊNCIA?
Desde
d início das negociações entre israelenses
e a OLP, há mais de oito anos atrás, Israel
foi longe, na aceitação das aspirações
nacionais palestinas sobre a Cisjordânia e Gaza. Com
base na promessa de Arafat de 1993 de abandonar o terrorismo
e se comprometer com uma solução negociada,
Israel negociou a criação de uma Autoridade
Palestina que gradualmente expandiu sua jurisdição
e autoridade, e administra 97% da população
palestina na Cisjordânia e em Gaza. Mas Israel não
parou por aí. O governo de Israel fez saber aos palestinos,
na reunião de Camp David, em setembro de 2000, e logo
depois publicamente, sua vontade de avançar nas negociações,
no sentido de se estabelecer um Estado Palestino dentro da
estrutura de um acordo com status permanente – um Estado
que fosse viável, vizinho e economicamente próspero,
e que fosse fator de estabilidade regional, e não o
oposto. Ao mesmo tempo, o governo de Israel propôs o
mais extenso compromisso já aventado, nos campos políticos,
histórico e estratégico.
Entretanto,
a despeito desses compromissos, quando ficou claro aos líderes
palestinos que Israel não poderia aceitar a totalidade
das suas reivindicações, que cobriam aspirações
e interesses que exigiriam compromissos recíprocos
de sua parte, eles escolheram romper as negociações
e reembarcar na trilha da violência, que haviam se comprometido
a abandonar.
Da
perspectiva de Israel, sua aceitação, num contexto
de paz, da realização nacional palestina na
quase totalidade dos territórios, atendia totalmente
à questão do “fim da ocupação”
e dos “direitos palestinos”, que assim, deixa
de fazer parte da contenda. Para Israel, então, o âmago
da questão passou a ser a violação palestina
do princípio fundamental do processo de paz –
no sentido de que a solução deve ser construída
sobre um compromisso ao invés do confronto, sobre negociação
ao invés de violência.
Por
essa razão, o governo de Israel decidiu que primeiramente,
por uma questão de ordem, qualquer negociação
com os palestinos está condicionada ao fim da violência.
19)
- ISRAEL ESTÁ USANDO DE FORÇA EXCESSIVA EM SUA
REAÇÃO À VIOLÊNCIA?
As
freqüentemente repetidas acusações de que
Israel tem usado força excessiva é pior de que
uma distorção; é o oposto da verdade.
Virtualmente todos os dias durante todo o transcorrer da Intifada,
os soldados e os civis israelenses têm sidos confrontados
com dúzias de ataques de grupos organizados, violentos
e suicidas, perpetrados pelos palestinos. Somente um pequeno
percentual deles é divulgado pela mídia. Estes
ataques incluem tiros dirigidos contra áreas residenciais
e respectivas vizinhanças, bombas incendiárias,
emboscadas em ruas e estradas, carros bomba, atentados em
shoppings apinhados e distúrbios violentos. Nessas
circunstâncias difíceis, o Tzahal, Exército
de Defesa Nacional, tem atuado com o máximo comedimento
possível, fazendo tudo para evitar perda de vidas.
Israel
não tem interesse na escalada da violência. Pelo
contrário, Israel acredita que é imperioso que
a violência termine para que as duas partes possam retornar
à mesa de negociações. Israel acredita
que uma solução justa e sustentável pode
ser encontrada somente pelo diálogo, não pelo
conflito armado. Entretanto, enquanto existir a violência,
as forças de defesa de Israel têm clara responsabilidade
de proteger os cidadãos israelenses e suas forças
de segurança.
O
governo de Israel lamenta a perda de qualquer vida, seja judaica
ou árabe. Em uma análise final, entretanto,
a responsabilidade por essas mortes é da Autoridade
Palestina, que iniciou a violência e teimosamente se
recusou a implementar o cessar fogo. Por exemplo, Arafat não
assinou o acordo que poderia ter acabado com a violência,
mesmo depois de ter se comprometido a fazê-lo com a
então Secretária de Estado americana Madeleine
Albright, em sua reunião com ela e Paris. Nem cumpriu
com sua obrigações decorrentes dos entendimentos
de Sharm el-Sheik, como também não cumpriu a
promessa de que pediria publicamente um fim para a violência
(o que veio a fazer mais de um ano depois, após centenas
de mortos e de intensa pressão internacional), e de
restaurar a cooperação com os israelenses em
questão de segurança e reiniciar as conversações
de paz.
Israel,
por outro lado, preencheu todas as obrigações
que assumiu em Sharm el-Sheik, inclusive a desmobilização
das forças do exército, até que obrigado
a mobilizá-los de novo, ante a onda de atentados e
violência palestina em fins de 2001.