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Purim
O Templo em Jerusalém havia sido destruído, a nação judaica
conquistada e, por quase setenta anos, dispersa em terras estranhas.
O profetizado fim do exílio não se concretizava e surgiu o perigo
da assimilação. Foi aí que surgiu um novo inimigo, Haman. Descendente
da tribo de Amalêc preparou um esquema para resolver o "problema
judeu" de uma vez por todas, eliminando cada homem, mulher e
criança em todo o mundo, num único dia. Se não fosse por Mordechai,
descendente do rei Shaul e conselheiro do rei Achashverosh,
o plano teria dado certo. Mordechai foi até o portão da cidade
vestido de andrajos e cinzas e conclamou os judeus a retornarem
à Torah. Sua prima, a rainha Ester, mandou chamá-lo. Ele lhe
disse que ela deveria ir até o rei e implorar por seu povo.
Ela temia em ir, mas não havia outro jeito. Jejuou em penitência
por 3 dias e pediu que o povo judeu fizesse o mesmo. Ester,
enfim, foi falar com o rei.
Esta é uma história de coragem e auto sacrifício, pois durante
o ano nenhum judeu se converteu, mesmo que para salvar a sua
vida. A nação foi despertada para um retorno verdadeiro à Torah
e às Mitzvot. O povo judeu demonstrou o seu verdadeiro caráter.
Por esse mérito o povo se levantou contra os seus inimigos,
destruindo-os em 13 de Adar, o dia destinado à "solução final".
Assim o povo judeu ganhou o direito de deixar o exílio, voltar
à Terra Santa e reconstruir o Templo.
Numa
primeira leitura, a Meguilá (Rolo de Ester) que reconta o milagre
de Purim, parece mais uma história de espionagem e suspense
que um Escrito Sagrado. De fato por toda essa teia de ambição
e intriga palaciana, o nome de D'us não é mencionado uma única
vez. Porém nos intricados detalhes da Meguilá, pode ser detectada
a inconfundível Divina Providência. Quanto mais de perto olhamos
os acontecimentos, mais descobrimos que cada "coincidência",
cada fato aparentemente irrelevante, está exatamente arranjado
pela mão do Todo Poderoso.
Quando Haman denunciou o povo judeu ao rei Achashverosh, argumentou
que "há um povo disperso e dividido entre a nação... e suas
leis são diferentes das de qualquer outro povo." Contudo, o
que Haman não percebeu foi que a própria acusação era a chave
para a redenção e a vitória final sobre o seu plano. Somos "um
povo" e, reforçando nossa unidade e aderindo à Torah e Mitzvot,
sobrevivemos e florescemos. Inimigos podem surgir em cada geração
para nos destruir, mas ao afirmarmos nossa herança ímpar e apegarmos
ao caráter essencial judaico, sempre venceremos.
Mordechai, o líder judaico da época, foi sucedido em reunir
seu povo para derrotar Haman. Conta a Meguilá que ele "não se
ajoelhou, nem se curvou." Recusou-se a fazer concessões dos
eternos valores da Torah, mesmo sob risco de vida.
Ao ensinar Torah às crianças e mobilizar o povo judeu para retornar
ao caminho verdadeiro, não apenas nos salvou da aniquilação
como também ganhou o respeito do rei Achashverosh e foi nomeado
vice-rei, trazendo prosperidade a todos os estados do império.
A lição de Purim é clara: apenas pela adesão da herança sagrada
da tradição judaica podemos assegurar nossa própria sobrevivência
e influenciar todas as nações do mundo a levar uma vida justa
e correta.
Curiosidades de Purim
· Chag Purim, conforme a tradição do povo de Israel, perpetuou-se
como recordação pela salvação do nosso povo, de forma milagrosa,
quando a sombra do extermínio o ameaçava, durante o reino persa,
sob o comando de Assuero, identificado pelos pesquisadores como
o rei Persa Xerxes, (485-465 a e. c.). · Tal acontecimento teve
lugar no fim da época do exílio babilônico entre a destruição
do 1o Templo, princípio do retorno a Sion, e a construção do
2o Templo. · O serviço religioso de Purim apresenta a leitura
de todo o livro de Ester, feita de um rolo especial de pergaminho,
a Meguilat Ester, após o serviço do anoitecer e novamente no
serviço da manhã. Se dá às crianças um grager (reco-reco), e
todas as vezes que se fala o nome de Haman elas devem fazer
bastante barulho com o reco-reco, bater os pés, vaiar, a fim
de abafar o odiado nome desse inimigo dos judeus.
· É costume enviar presentes de comida aos amigos em Purim,
e de acordo com a tradição deve haver pelo menos dois tipos
de comida. Isso é chamado de Mishloach Manot.

· É costume
se fantasiar, para recordar que Esther adotou uma falsa identidade
para poder salvar o seu povo. Se dança e comemora fantasiado
durante toda a noite.

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