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Rosh
Hashaná
Os preparativos para essa festividade se iniciam um mês antes
nas comunidades sefaraditas e orientais, e uma semana antes
entre os askenazitas. No mês de Elul a comunidade se reúne nas
sinagogas muitas horas antes do amanhecer, para recitar as Slichot,
preces de penitência, que incluem cânticos de súplicas e de
perdão. Vários são os nomes com que se designa o primeiro dia
de Tishrei: Yom Teruá, ou seja, o dia em que se deve fazer soar
o Shofar; Yom Hazicaron, dia da recordação, recordação da responsabilidade
como filhos de Israel e dos atos pessoais no ano findo. Antes
de transpor o umbral do ano novo, olha-se retrospectivamente
para a própria conduta, e pede-se a D'us a absolvição das falhas
cometidas, porque Rosh Hashaná é também Yom Há-din, o dia do
julgamento.
O número 7 (sete) aparece frequentemente relacionado com o plano
emocional e com o tempo: assim temos a criação (seis dias de
atividade criadora e um dia de repouso): a semana (seis dias
de labor físico e um dia de labor espiritual); e o ano sabático
(seis anos de trabalho na terra e um ano para descansar)...
também o ciclo festivo anual que se desenrola em 7 meses (seis
meses correspondentes ao trabalho espiritual que o homem deve
fazer para o seu aperfeiçoamento e o sétimo mês a culminação
da sua obra). Para tanto o septenário representa o cumprimento
do trabalho evolutivo através do tempo, a busca constante do
equilíbrio emocional e o refinamento da conduta. É nessa época
então que o homem alcança a estatura de sua plenitude e se considera
apto para começar outra etapa.
Rosh Hashaná assinala o começo de um período em que o indivíduo,
através da introspecção aprende a exercer sua capacidade de
auto-crítica e reparação, a meditar sobre seus atos, reconhecendo
suas responsabilidades e situando-se frente ao processo de criação.
Período de balanço espiritual destinado a reforçar a consciência
ética, retificar a conduta e renovar os laços solidários entre
os seres humanos.
Costumes de Rosh Hashaná
O serviço de sinagoga é mais extenso, variado e solene que em
outras ocasiões; as orações incluem passagens do Tanach, do
Talmud, orações e poemas litúrgicos, alternando com a leitura
da Torah e o toque do Shofar. O Shofar, instrumento feito de
chifre de carneiro, é um antigo símbolo israelita que nos recorda
os momentos em que nosso patriarca Abraham estava disposto a
sacrificar seu filho para cumprir a vontade divina, e o Senhor
permitiu que sacrificasse um carneiro no lugar de Isaac. Esse
som e o que ele representa transformou-se com o passar do tempo
no momento mais importante dos dias de Rosh Hashaná.
Um costume de Rosh Hashaná é o Tashily, que consiste em jogar
na água (rio, mar, lago ou poço) migalhas de pão e recitar preces
que manifestem o propósito de desprender-se dos erros cometidos
e tratar de evitá-los no futuro. Alegoricamente, considera-se
que os livros da vida e da morte abrem-se em Rosh Hashaná e
se fecham em Yom Kipur, representando o destino particular de
cada indivíduo, tanto no aspecto físico da vida como no espiritual,
e nesse sentido costuma-se fazer saudações a outras pessoas,
como por exemplo:
"Leshaná
Tová Ticatevu Vetichatemu" (Que
sejas inscrito e selado para um ano bom) e "Tizku
Leshanim Rabot" (Que mereças muitos
anos).
Nesse século foi desenvolvido o costume de enviar aos familiares
e amigos cartões e saudações para o ano novo, com motivos e
símbolos tradicionais. O Kitel, roupa branca que alguns costumam
usar em Rosh Hashaná e Yom Kipur, representa o ideal de pureza
a que se aspira com maior ênfase nos Dias Reverenciais. Outro
costume muito difundido consiste em molhar um pedaço de pão
ou maçã no mel, simbolizando o desejo de um ano doce e alegre,
assim como também, comer vegetais e frutas férteis de rápido
crescimento.
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