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OS NOMES DIVINOS NA BÍBLIA

Os LXX (setenta) designaram o D-us de Israel pelos termos Théos ou Kurios. Estes homens eram sábios judeus que foram convocados para traduzirem a Tanach (Velho Testamento) do idioma hebraico para o grego. Devido à pluralidade de manifestações do Eterno, houveram algumas dificuldades na hora de se traduzirem os nomes através dos quais o Senhor havia se manifestado ao Filhos de Israel. Uma delas é a de que a palavra D-us em grego é Théos. Mas Elohîms (O D-us Criador) não é Théos, o D-us latino; ademais, à época, Théos designava apenas os deuses do Olimpo. Os lingüistas vêem em Théos uma longínqua derivação de Zeus. Mas traduzindo assim, os LXX estavam sendo fiéis a seu propósito de introduzir a Bíblia no mundo helenístico, de adaptar, justamente por isso, os nomes e conceitos da Bíblia às exigências da cultura grega. Graças a este impulso, há dois mil e trezentos anos os leitores da Bíblia nas línguas ocidentais vêm chamando o Elohîms de Israel pelos nomes com os quais seus ancestrais denominavam seus ídolos. Obviamente, com o tempo, os nomes D-us ou Senhor encheram-se, na cristandade, de significações bíblicas.

Entretanto, parece claro que é preferível chamar o Elohîms de Israel por seus nomes, transcritos tais quais, e dizer o que eles significam. Nós bem sabemos que um nome jamais pode ser traduzido, e que, quando isso foi feito desta forma, tentou-se fazer com que os habitantes do império romano na época - que falavam a língua grega - pudessem ter acesso à totalidade das Escrituras, conhecendo então o D-us de Israel. O que não foi levado em consideração é que, vivendo debaixo duma cultura proeminentemente grega eles jamais associariam Théos ao D-us do povo judeu e nem mesmo se importariam em saber de que forma Ele havia sido manifesto. Isso gerou uma descaracterização do nome e da pessoa do próprio D-us, que hoje é tido por muitos como mais um entre os deuses que as nações conhecem. Um outro detalhe é que o nome do Eterno tem sido banalizado, desrespeitado e usado de forma ilegítima, levando muitos à pecarem por isso! Vejamos abaixo alguns exemplos dos nomes do Eterno:

El:
este nome pertence ao tesouro do vocabulário comum dos povos semíticos. Seus significados são ainda controvertidos. Os lingüistas o fazem derivar de uma raiz que significa: "forte, poderoso como o mais belo carvalho", élon; primeiro e anterior a qualquer outro; aquele que confirma e reforça; a vontade suprema; aquele que é o refúgio do homem. Os filólogos discutem se o nome El era, originalmente, um termo genérico para designar o conjunto das divindades do panteão semítico ou se, desde logo, ele denominava um deus particular. Como quer que seja, os cananeus já chamavam de el ao pai de seus deuses, ao chefe de seu panteão. Este nome se encontra em muitas inscrições cananéias e aramaicas, e até no sul da Arábia Em Ugarit, El e Ba'al representam os dois aspectos da divindade: El, o ancião dos dias, simboliza a sabedoria e a experiência; Ba'al encarna a juventude do herói que triunfa sobre todos os perigos. Os babilônicos e os assírios utilizam a forma Ilu com a mesma significação geral.

Ela se aplica a toda divindade celeste e, mais particularmente, na Bíblia, ao Elohîms de Israel (Ex 15:11; Dt 3:24; Os 11:9). Os hebreus são cautelosos quando se trata de falar de seus Elohîms. Ele é el, o Elohîms de Israel (Gn 33:20); o El de Béit-El (Gn 32:13); ele é o el do Pacto: El Bérit; o El da perenidade: El'olâm (Gn 21:33); ele é El'Eliôn: o El Supremo (Gn 14:18-20); o El meu vidente: El Roï (Gn 16:13-14). Este nome é usado como prefixo na composição de nomes e de lugares que representam formas diferentes nas manifestações do Eterno ao seu povo. O próprio nome da nação de Israel possui a palavra EL como sufixo! O Eterno está presente até mesmo no nome do povo a quem Ele mesmo escolheu para fazer com eles uma aliança eterna!

Eloha: há quem veja neste nome o singular de Elohîms, há quem o tome pelo nome próprio do Elohîms de Israel. Também o fazem derivar de uma raiz que evoca "aquele que faz tremer as criaturas", ou ainda "aquele que protege contra todo medo". Eloha é ainda um termo genérico para designar as divindades dos povos vizinhos de Israel (Hb 1:11; Dn 11:38-39) ou a estátua de um ídolo (Jó 12:6).

No entanto, em geral, o termo Eloha nomeia o Elohîms de Israel. Em árabe, é Allah.

Elohîms: no plural - daí os acrescidos à transcrição - designa mais especificamente, na Bíblia, o Deus dos hebreus, o criador dos céus e da terra, conhecido sob o nome próprio I HV H (cf. Gn 2:4). Nas línguas semíticas, é o termo genérico para designar o conjunto das divindades. Alguns lingüistas vêem nele o plural de El ou de Eloha, e tomam estes três nomes por sinônimos. Na Bíblia, Elohîms é, por vezes, o sujeito de um verbo empregado no plural: ele designa não apenas o Elohîms único de Israel mas também a multiplicidade das divindades pagãs, e até um homem influente (Ex 4:16; 7:1) ou um juiz, segundo uma das interpretações de Gn 6:12. Sublinhemos o paradoxo em virtude do qual o Deus único dos hebreus é designado, na Bíblia, por um nome no plural, com ou sem o artigo, Elohîms, os Elohîms. Os rabis ligam este nome à noção de justiça escrita e de rigor, à noção das leis fundamentais da natureza: hatèba', que é o equivalente numérico de Elohîms em guematria (parte da cabala fundada sobre uma interpretação numérica das palavras da Bíblia).

Eles o contrapõem, nisto, a I HV H (Adonai), expressão da unidade e do amor (echad, um = 13; ahaba amor = 13; I HV H - 26 - 13 + 13). É deste modo que compreendem a alternância dos nomes divinos nas duas relações sucessivas da criação: Elohîms no primeiro relato, I HV H (Adonai) no segundo. A criação apenas se opera sob os auspícios do rigor ordenador e do amor fecundante. Sabe-se que esta alternância constituiu uma das bases sobre as quais a crítica bíblica edificou a teoria das fontes da Torah.

Adôn, Adonaï: Senhor (Maître), Senhores (Maitrês). É assim que o homem da Bíblia invoca, o mais das vezes, seu Elohîms (Gn 15:2; 20:4 etc). Adonaï é um plural gramatical como Elohîms, com o qual se combina freqüentemente em Adonaï-Elohîms.

Dois ou três séculos antes da era cristã, os LXX o traduziram corretamente para o grego por Kurios. Nisto foram seguidos pelas outras línguas européias com palavras tais como: Dominus, Senhor, Lord, Herr etc.

I HV H (Adonai): é o nome pessoal do Elohîms de Israel. Aparece na Bíblia 6.823 vezes. Também neste sentido, podemos dizer tranqüilamente que a Bíblia, é o livro de I HV H (Adonai).

É possível que este nome, ou uma parte dele, tenha servido de componente para nomes de pessoas, em ugarítico ou em acadiano. Em uma inscrição egípcia do tempo de Ramsés II, descoberta há pouco, o nome de I HV H (Adonai) figura em uma lista de nomes semitas, os dos beduínos dos sul do país de Canaã. É praticamente impossível saber como os hebreus pronunciavam o nome I HV H (Adonai) na época bíblica. A transmissão desta pronúncia interrompeu-se á séculos, tendo permanecido secreta mesmo nos tempos em que era permitida ao sumo sacerdote (quando este celebrava os ofícios do dia de Kippur, no Templo de Jerusalém), dada a obediência à ordem de não pronunciar o nome de I HV H (Adonai) em vão, observada pelos hebreus.

Esta ordem faz parte daquilo que conhecemos por "Dez mandamentos" onde está escrito: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão" (Êxodo 20:7). Quando os textos bíblicos ou litúrgicos traziam o tetragrama I HV H (Adonai), era Adonaï que se pronunciava. Os LXX transcreveram I HV H (Adonai) Elohîms por Kurios ho Théos, ou Kurios Kurios, ou ainda Despotés Kurios. Tais glosas feitas sobre nomes supostamente conhecidos tinham dois objetivos: respeitar o pudor dos hebreus quanto à publicação do nome de seu Elohîms e adaptar a tradução da Bíblia aos hábitos culturais do público grego, ao qual era destinada. A tradição hebraica de pronunciar as consoantes I HV H (Adonai) com as vogais Adonaï deu curso, em cristandade, do século XIV a nossos dias, ao renitente equívoco da leitura do nome do Eterno como "Jeová".

Dando-se conta de seu erro, alguns doutos protestantes aventuraram a leitura YAHWE, arrastando consigo um grande número de católicos e judeus que não conhecem as tradições bíblicas de sua fé. Esta leitura hipotética propagou-se muito rapidamente, posto que se tomava por criticamente indubitável. Nós sabemos - e creio que as pessoas que fizeram esta "tradução também sabiam - que na língua hebraica não existe a letra "J" (jota) e que é impossível traduzir-se os nomes Bíblicos começados com esta letra ou que mesmo a contenham em si! Isso nos faz perguntar: "Com que autoridade estas pessoas fizeram isso?" Não estariam eles realmente mudando algo que foi dito ser imutável? Pensemos sobre isso! Mas os testemunhos sobre os quais se baseavam para dizerem tais coisas encontram-se hoje totalmente refutados, e a única atitude científica permanece sendo a transcrição das consoantes I HV H (Adonai), respeitando o mistério deste nome, por essência, nome impronunciável, o nome I HV H (Adonai) guarda o segredo de seus significados próprios.

É comum dizer-se que deriva do verbo hava (forma arcaica de haya), "ser", conjugado aqui na terceira pessoa do singular e no inconcluso. Este nome pode significar: "Aquele que sempre foi" ou "que sempre será", "Aquele que sabe ser e se revela", "Aquele que está com os homens para protegê-los, para salvá-los da desgraça" (Ex 3:12-14). Se I HV H (Adonai), todavia, é uma forma causativa da mesma raiz, ele pode ainda significar: "Aquele que faz ser e cria o mundo", "o criador", "Aquele que fará ser o que ele fará ser", ou "Aquele que faz ser e se revela", "Aquele que faz ser e cumpre suas promessas". Porém, se tomarmos exatamente o que está escrito em Ex 3:14 teremos o seguinte: (EHYEH ASHER EHYEH); literalmente "Eu me Torno o que me torno". Isto está muito mais coerente com a tradição e com a língua hebraica.

No idioma hebraico não existe o verbo "ser"; por conseguinte é impossível traduzir aquilo que foi dito pelo Eterno como "Eu sou o que sou!" Uma outra coisa interessante é que, seguindo a tradução que está em nossas Bíblias, o EU SOU, cada vez que no hebraico aparece o tetragrama, o Senhor estaria dizendo àquelas pessoas simplesmente: o EU SOU está aqui! Mas, quando raciocinamos dentro daquilo que é correto a coisa vai muito além disso: toda vez que aparece o tetragrama, o Eterno está dizendo: "Eu me torno a solução de seu problema ou a provisão de sua necessidade. Senão vejamos: quando alguém estava doente, o Eterno se tornava a sua cura, ou seja, Ele se manifestava à aquela pessoa como Aquele que estava lhe restaurando a saúde. Era então chamado de YHWH - Rafá - O Senhor que cura! Agora entendemos que os erros contidos em nossas Bíblias em relação aos nomes do eterno distorceram totalmente sua personalidade e o significado contido em sua forma de manifestar-se ao seu povo no passado e hoje também.

Outros lingüistas recusam-se a ver em I HV H (Adonai) um derivado da raiz hava. Apoiando-se na raiz árabe hawa, que designa o ar que sopra, eles explicam I HV H (Adonai) como aquele que plana e voa no ar, como aquele que faz chover e lança os raios, o Deus das tempestades, ou ainda como um meteorito caído dos céus; como aquele que derruba por terra seus inimigos com a força de seus raios, que aniquila e destrói, que atira com a funda. Mais recentemente ainda, apoiando-se em um suposto significado da raiz haya, foi proposto que se traduzisse I HV H (Adonai) por "tribuno, proclamador, tonitruante, generoso". Outros lingüistas viram em I HV H (Adonai) uma forma derivada dos nomes antigos yah ou yahou: Martin Buber detecta aí um grito de maravilhamento diante de Yah hou, Yah Ele! Este grande número de hipóteses é prova suficiente do grande mistério que ainda hoje cerca o nome do Elohîms dos hebreus, I HV H (Adonai).

Digamos que a leitura tradicionalmente aceita em Israel faz I HV H (Adonai) derivar da raiz hava - ser: ele é aquele que foi; que é, que será e que faz ser. Em fragmentos da tradução de Áquila, recentemente descoberta, esse nome se acha escrito em letras hebraicas, arcaizantes, letras que serviram às primeiras escrituras sagradas. Era, portanto, uma espécie de ideograma, e traçado como tal se achara no meio do texto grego da tradução; é provável que os leitores desses volumes o lessem sobrepondo a ele o termo grego Kurios: no século II de nossa era, I HV H (Adonai) era assim considerado um nome sagrado, e, talvez, o mantra mágico e secreto dos hebreus. Dentro desse mesmo espírito, transcrevemos o tetragrama impronunciável coroando-o com o nome Adonaï, o que permite a leitura conforme a tradição hebraica: IHVH (Adonai). Quando I HV H (Adonai) é precedido pela palavra Adonaï no texto bíblico, então é pronunciado Elohîms, daí nossa segunda transcrição: I HV H (Adonai).

Vejamos agora o modo como Deus se manifestou e para quem:

YHWH - Elohim
Senhor Deus
Gn 2:4
Mundo-criação
YHWH - Jiré
Senhor Provedor
Gn 22:14
Isaque
YHWH - Rafá
Senhor que Cura
Gn 15:26
Povo Israel
YHWH - Nissi
Senhor é minha Bandeira
Ex 17:15
Moisés
YHWH - Shalom
Senhor da Paz
Jz 6:24
Gideão
YHWH - Raah
Senhor é Pastor
Sl 23:1
Davi
YHWH - Tzedek
Senhor é Justiça
Jr 23:6
Jeremias
YHWH - Tzevaot
Senhor dos Exércitos
I Sm 1:3 II Rs 6:13-17
Samuel, Eliseu
YHWH-Shammah
Senhor está ali
Ez 48:35
Ezequiel
EL Elyon
Deus Altíssimo
Gn 14:18-22
Abraão
EL Roi
Deus que vê
Gn 16:13
Agar
EL Olan
Deus Eterno
Gn 21:33
Abraão
EL Betel
Deus de Betel
Gn 31:13; 35:17
Jacó
EL Elohey
Israel Deus, Deus de Israel
Gn 33:20
Jacó
EL Shadday
Deus Todo-Poderoso
Gn 17:1 Ex 6:3
Abraão

Yah: este nome é geralmente considerado um diminutivo de I HV H (Adonai). Todavia, alguns lingüistas pensam tratar-se, ao contrário, do nome original do Elohîms de Israel: I HV H (Adonai) seria um seu derivado. Este nome raramente é empregado na Bíblia, e somente nos textos poéticos.

Sebaot: encontra-se nos livros de Samuel, dos Reis, das Crônicas, de Isaías, de Jeremias, nos doze Profetas menores - exceção feita aos livros de Joel, de Abdias e de Jonas - ; é encontrado ainda no livro dos Salmos, como atributo de um dos nomes precedentes. A fórmula longa é: I HV H (Adonai) Elohîms Sebaot; ou, mais concisamente: I HV H (Adonai) Sebaot, Elohé Sebaot. A tradução antiga, "Deus dos exércitos" ou "das milícias", é exata, mas tanto pode tratar-se de milícias de Israel (Ex 12:17; Nm 2:6); dos astros (Dt 17:3); dos mensageiros (Js 5:14); dos servos do culto (Nm 8:25); ou das criaturas que replenam o céu e a terra (Gn 2:1). A imagem evoca, portanto, uma totalidade organizada, obediente a um mesmo chefe. Os gnósticos do século II da era cristã trataram Sebaot como um nome divino autônomo.

Él Shadaï: este nome é empregado seis vezes na Torá (Gn 17:1; 28:3; 35:11; 43:14; 48:3; Ex 6:3), e uma vez em Ez 10:5, sob a forma abreviada Shadaï (cf. Gn 49:25 etc). Como atributo de Él no Gênesis e no Êxodo, Shadaï quase sempre está associado a promessas de fecundidade. Associa-se sua etimologia ao termo shad, "mama" em hebraico, ou, em acadiano, "montanha": as montanhas são férteis e dão à luz muitas fontes.

Os rabis interpretaram o nome de Él Shadaï como o Deus que se basta a si mesmo, Shé Daï, ou ainda "Aquele que dá seu limite à criação". Interpreta-se igualmente este nome conforme a raiz shadad, "Aquele cuja força é imensa", o Deus pantocrata das versões gregas, ou onipotente, das traduçòes latinas. Mas esta etimologia tradicional já foi posta em dúvida. Em outra parte, Shadaï é empregado como um nome divino isolado, talvez por arcaísmo. Um jogo de palavras com a raiz shadad, "destruir", permite associá-lo à idéia de um desastre ou de um castigo (Is 13:6). A montanha pode ser devastada pela borrasca, pela tempestade. Cabe a Shadaï dar a vida ou a morte, abater ou curar (Dt 32:39). Él Shadaï pode ser compreendido como o Deus dos seios fecundos, das altas montanhas, o Senhor das rochas. Concluímos então que precisamos muito repensar e rever, não somente nossa "Teologia" sobre os nomes do Eterno, assim como também nossas Bíblias que trazem em suas traduções verdadeiros absurdos que nos legaram atualmente expressões e crenças que estão totalmente em desacordo com aquilo que está escrito na Palavra do D-us Eterno! Que Ele nos ajude a mudar e a venerá-lo com o devido respeito e com a revelação correta de Seu Nome!

 

 

 

Baruch Há Shem!
Bendito seja o Nome!


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