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  Salmo 23


O que há por trás deste tão conhecido – e tão recitado – Salmo 23? Será que ainda existe algo mais que possa ser acrescentado sobre esta porção das Es-crituras que ainda não tenha sido dito?
Nós agora vamos iniciar uma caminhada através das palavras deste Salmo e veremos o que Há Shem tem preparado a aos seus filhos que tanto o amam!!

“O Senhor é o meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu no-me. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias” (Sl 23:1-6).

O primeiro verso deste Salmo começa dizendo: “O Senhor é meu pastor...”. Na realidade nossa tradução em português empobreceu muito a Palavra de Há Shem! Este Salmo começa com o tetragrama IHVH que significa literalmente “Eu me torno aquilo que me torno”; então o Eterno está se tornando o nosso “roi” – pastor. Esta palavra – roi – está na raiz de duas outras palavras que são “ra´ã” que significa “pastar” e também “re´i” que significa “pastagem”. O restante do verso nos fala “... nada me faltará...” Mas na realidade estas palavras vem do termo hebraico “echsar” que tem em sua raiz os termos “chasar” que significa carecer de, ter necessidade de, estar faltando algo e também “chesar” que signi-fica pobreza! O que David está nos dizendo então aqui neste primeiro verso? Ele nos fala sobre Alguém que se tornará para nós nosso pastor e esta pessoa nos conduziria à pastos – locais onde existe alimento para o corpo – e nós nunca ha-veríamos de ter necessidade alguma ali; não haverá pobreza em nossa vida en-quanto Ele estiver no comando!

O segundo verso fala sobre “deitar-se em verdes pastos....”. Na verdade, a palavra “pastos” vem do termo hebraico “dashe” que significa relva tenra e nova, grama verde, vegetação. Na raiz desta palavra temos o termo “dashen” que significa ser gordo, ser próspero, engordar, ungir. Então agora podemos verificar o motivo pelo qual o Eterno nos conduz à determinados lugares... Percebemos que Há Shem deseja muito que nós sejamos conduzidos à estes lugares onde existem a relva tenra e nova, a grama verde a vegetação abundante... Quando se trata da região em que David e o povo de Israel habitavam sabemos que este lugar certamente fica próximo de um rio, pois somente assim há a possibilidade de haver a relva fresca e nova.... É justamente ali que teremos do Eterno a “gordura”- que é o melhor que a terra pode oferecer! Veja que a gordura – óleo – está ligada aqui à prosperidade... Engana-se quem acredita que “prosperidade” esteja ligada à dinheiro ou bens materiais... Isso é “sucesso”! Prosperidade é espiritual, algo ligado à unção e poder que vem do alto para o homem que assim o deseja! E isso só pode ser conseguido em lugares onde existem “águas tranqüilas”... Você já deve ter percebido que o Verdadeiro mover do Espírito de D-us não está em meio ao barulho e confusão... A verdadeira unção se manifesta em meio ao silêncio, quando nós estamos quietos, calados e voltados para buscar aquilo que vem do alto, então o Ruach – Espírito – se manifesta! Tivemos diversas experiências onde estávamos ministrando e pedimos aos presentes que se calassem totalmente... Em meio ao profundo silêncio reinante naquele lugar o Ruach se manifestou; pessoas foram tocadas, curadas, transformadas e até mesmo diversos arrebatamentos de sentidos ocorreram ali no silêncio... Quando tocávamos estas pessoas, sem dizer qualquer palavra, a glória de Há Shem se manifestava. A unção se manifesta em meio à quietude diante do Eterno!

O terceiro verso nos fala sobre “refrigerar a alma...” Certamente perdemos muito com esta tradução... A verdadeira palavra aqui é “ieshovev” que significa restaurar. Ela vem da raiz “iasha” que significa salvar, livrar, conceder vitória, ajudar. Além disso temos nesta raiz a palavra Ieshua e também temos ali a raiz “shoâ” que significa independente, nobre. Este “acontecimento” ocorreria à nível da alma... A palavra usada aqui é “nepesh” e significa vida, alma, criatura, pes-soa, mente. Algo está acontecendo aqui à nível mental, nas emoções daquelas pessoas que caminharam e que agora precisam ter sua emoções restauradas por Ieshua! Ele fará com que sejamos libertos nos concedendo vitória, tornando-nos assim independentes e nobres! Você percebeu que somente aqueles que são res-taurados podem caminhar pelas “veredas da justiça” por “amor ao nome do Eter-no”? A justiça só pode ser alcançada quando amamos ao Eterno com todo o nosso coração. Isso certamente implica em guardar os mandamentos, pois está escrito: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças” (Dt 6:5); certamente David sabia disso quando declarou tais palavras... Então teremos nossas emoções restauradas e caminharemos por “estreitas estradas praticando a justiça” somente por que amamos ao Senhor nosso D-us. Quando agimos assim nosso padrão de pensamentos inclusive muda; deixamos de pensar nas coisas que são “sem importância”, irrelevantes, a fim de nos ocuparmos com aquilo que realmente nos trará benefício: as coisas que pro-vém do alto, o Reino de D-us! Então se cumprirão as palavras de Ieshua: “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). As “outras coisas” são justamente aquelas que neces-sitamos mas que não devem ocupar nossa atenção, pois elas são passageiras; já o Reino é Eterno!

O quarto verso nos fala: “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam”. A palavra “vale” vem do termo hebraico “gai´” com o mesmo sig-nificado. Porém este é um tipo de vale peculiar, pois refere-se a depressões lon-gas e de fundo achatado! Este lugar faz lembrar um vale ao sul de Jerusalém chamado “vale do Hinom”, ou “ge Hinom” que na Brit Hadasha está traduzido por “inferno”. Este vale tem uma particularidade estranha: é de “sombra de morte”. Esta palavra vem do termo hebraico “tsalmavet” que significa “trevas profun-das”. Este lugar parece estar associado à presença de demônios e poderes sobre-naturais que ali permanecem com a finalidade de trazer aos passantes daquele lugar a tristeza e a dor inerentes à sua personalidade! Afinal de contas, os espíri-tos malignos só sabem fazer três coisas: roubar, matar e destruir! Mas, até mes-mo neste lugar sombrio cuja presença é assustadora, David diz: “...não temeria mal algum, porque tu estás comigo”. David certamente sabia que o Eterno, além de ser também onipresente, certamente lhe havia enviado anjos a fim de prote-ge-lo por onde quer que ele andasse! É justamente por este motivo que este ho-mem encara esta situação de forma tão “natural” e segura! Mas ele ainda assim declara: “a tua vara e o teu cajado me consolam”. Aqui a palavra “vara” vem do termo hebraico “shebet” com o significado de vara, bordão. Ela tem em sua raiz também a palavra “sharbit” que significa dardo, lança! Já a palavra “cajado” vem do termo hebraico “mish´enah” que significa “apoio, sustento”. Finalmente a palavra “consolo” vem de “naham” que significa “ter pena, arrepender-se, ser consolado”. Quando “juntamos” tudo temos então um homem que caminha por lugares onde há um reinado de morte e opressão, mas que está convicto de que tem recebido em sua vida instrumentos divinos que lhe trazem proteção contra o inimigo, pois a vara usada por Há Shem para guarda-lo “dispara” dardos, lanças contra seus inimigos, trazendo-lhe então sustento e apoio! Isso faz com que ele se sinta “consolado” por esta magnífica presença que o acompanha...

O quinto verso nos fala sobre “Preparas uma mesa perante mim na presen-ça dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda”. A “mesa” traz consigo a idéia de que é um local de comunhão e reconciliação! Es-ta mesa é preparada diante dos “inimigos”. Esta palavra – inimigos - vem do termo hebraico “tsarar” e significa atar, ser estreito, estar aflito. David está di-zendo que há uma necessidade de reconciliação dele com pessoas que estão ata-das, aflitas e em lugares estreitos! Certamente estas pessoas fazem oposição à David o que as torna automaticamente inimigos dele! Agora David pede ao Eter-no: “unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda”. Aqui temos algo interessante, pois há uma “inversão” de raiz de palavras. A palavra “ungir” vem do termo hebraico “dashen” que significa ser gordo, próspero, ungir. Na raiz des-ta palavra temos o termo “dashe” que significa relva tenra e nova, grama verde, vegetação! Veja aqui que “ungir” – e conseqüentemente receber “gordura” e “un-ção” - depende também do lugar onde a pessoa deve estar. A terra dá a vegeta-ção, mas para isso é necessário ter-se água para fazer a relva brotar... Este lugar então certamente deve ser um rio ou lago que não deixa de ter água! Lembre-se que a água é também um símbolo do Ruach – Espírito o Santo! É justamente ali que existe o óleo para ser derramado sobre a cabeça! A palavra “óleo” vem do termo hebraico “shemen” significando o azeite de oliva puro! Este era derramado sobre a cabeça para embelezar e também para “separar” aquela pessoa para o ministério. Com certeza David sabia o que significa ser “separado pelo Eterno” para servi-lo continuamente... Finalizando ele fala ainda: “o meu cálice transbor-da”. A palavra “cálice” vem do termo hebraico “cós” com o mesmo significado. Significa também coruja! Mas, qual seria a relação entre o cálice e a coruja? Leia este parágrafo e entendamos o que David queria dizer:

“Lilith é uma dessas figuras mitológicas cujas origens se perdem em priscas eras. Os rela-tos de sua biografia são contraditórios, depois de milênios de misturas entre crenças de vários povos. O sincretismo mais conhecido é a combinação entre lendas mesopotâmicas e israelitas. As narrativas mais antigas são encontradas na cultura da Suméria. No épico babilônico Gilgamesh (2000 a.C.) ela aparece como uma prostituta estéril com aparência zoomórfica, bela e jovem, do-tada de pés de coruja e asas de morcego. Os atributos dos seres noctívagos são os signos da afi-nidade de Lilith com as horas noturnas e, por extensão, com as trevas, a escuridão”.

Este texto deixa claro que Lilith – um dos “príncipes” de há Satan – tem li-gações em sua aparência com a coruja. Mas – perguntaria você – o que isso tem a ver com o cálice? Certamente David sabia que a unção que estava sendo posta sobre sua vida o levaria a derrotas aos demônios que “andavam no vale da som-bra e da morte”. Devemos nos lembrar que o cálice ficava cheio de vinho, e o vi-nho representa duas coisas: alegria e aliança através do sangue! Antes de conclu-irmos, vejamos que a palavra “transborda” vem do termo hebraico “revaiâ” que significa “saturação”. David ora para que o Eterno nos “sature” com o conteúdo deste cálice! Então, ao finalizarmos este versos podemos dizer que quando David diz estes verso ele certamente não entendia a profundidade daquilo que estava ocorrendo... O cálice que transborda – significa que o vinho que satura o cálice – sangue (aliança) e alegria – saturam a vida daqueles que amam ao Eterno e é através deste sangue que Lilith – e também os demais demônios – são venci-dos!!!

No último verso temos então asa palavras finais pronunciadas pelo menino com coração de rei: “Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias”. As palavras finais declaram: “...e habitarei na casa do Senhor por longos dias”, onde a palavra “habitar” vem do termo hebraico “shub” que significa voltar-se, retor-nar. Na raiz desta palavra temos os termo “shibâ” que significa “restauração”. As palavras“casa do Senhor” advém do hebraico “beit IHVH”; então isso demonstra que o destino final de David era voltar, retornar, ser restaurado à habitação d´Aquele que se torna aquilo que nós precisamos que Ele se torne para nós... Certamente estamos cientes de que isso nos fala sobre a nossa “partida” para a Eternidade... David tinha consciência de que ele havia tido sua origem na eterni-dade e que para lá retornaria. Isso aconteceria pois ele havia servido ao Eterno D-us de Israel de tal forma que no futuro poderia desfrutar deste “retorno” à ha-bitação daquele que o havia criado e o trouxera à existência física....


Não sei se você meu leitor percebeu algo interessante: este salmo tem seis versículos e o número seis é o número do homem! Será que percebemos que o foco central destes versos são o homem; ele está recebendo benefícios e o prê-mio final é morar com o Eterno para sempre! Somente aqueles (pessoas) que vi-veram com o Senhor a cada dia de suas vidas poderão entender o que significa este Salmo em sua plenitude. Note que o Salmo é um cântico e certamente David o cantava regularmente, trazendo assim à lembrança tudo aquilo que o Eterno representava para ele! Estas palavras ficaram gravadas no coração e na mente daquele rapaz, e foi justamente através do poder da Palavra que David viveu co-mo servo e viu antecipadamente os caminhos de Há Shem quando num momento de conflito e indecisão ele toma uma atitude: eu vou lutar pelo meu Pastor (IH-VH) e nós venceremos o mal juntos! Somente os audaciosos prevalecerão no dia final!
Que este seja o nosso conforto e nossa postura desde agora e para sempre!


Mário Moreno

 

Baruch Há Shem!
Bendito seja o Nome!


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