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Shofar

O que significa a palavra shofar? A sua tradução literal é "chifre de carneiro" e não simplesmente "trombeta" como nos é ensinado e nos acostumamos a ler em nossas bíblias. Seus paralelos são:

shipra - clareza, limpeza.
sheper - beleza.
O verbo shapar aparece apenas uma vez em Salmos 16.6. Vejamos a palavra em alguns contextos para tirarmos então nossas próprias conclusões:

O shofar e a voz do Eterno

A primeira ocorrência da palavra está em Ex 19.16 onde está escrito: "Ao terceiro dia, ao amanhecer, houve trovões, relâmpagos, e uma nuvem espessa sobre o monte; e ouviu-se um sonido de buzina mui forte, de maneira que todo o povo que estava no arraial estremeceu". Duas coisas devem ser destacadas: a primeira é que a palavra sonido em hebraico é qol e significa voz e a palavra buzina é shofar! No versículo 19 do mesmo capítulo está escrito: "E, crescendo o sonido da buzina cada vez mais, Moisés falava, e D-us lhe respondia por uma voz". Novamente há a ocorrência das duas palavras, shofar (buzina) e qol (aqui traduzido voz). Devemos salientar também que neste versículo D-us é Elohim (o D-us Criador). Ainda em Ex 20.18 está escrito: "Ora, todo o povo presenciava os trovões, e os relâmpagos, e o sonido da buzina, e o monte a fumegar; e o povo, vendo isso, estremeceu e pôs-se de longe". Novamente está explícito aqui a associação de qol com shofar!

Isto parece mostrar-nos que, ou o shofar "fala" ou ele representa a voz de alguém! Aqui está claro que o shofar é a voz de Elohim (do D-us Criador)! É como se, a partir deste toque alguma coisa extraordinária fosse acontecer! O shofar é tocado ou a voz do Eterno é ouvida e logo após é dado a Moisés aquilo que conhecemos como "Os dez Mandamentos". Não é curioso que após o toque ou o ouvir desta misteriosa voz tenha ocorrido isso?

Neste contexto o toque do shofar traz a existência a palavra de D-us! E quando o povo de Israel viu a presença do Eterno e suas manifestações, foi tomado de medo, colocando-se ao longe!

Em Levítico o mesmo toque do shopar anuncia o Ano do Jubileu! Agora ele traz à existência um ano inteiro de remissão, perdão, restituição. Tudo isso tem início no dia da expiação! Ou seja, quando o judeu começa a orar, pedir perdão pelos seus pecados e também libera perdão, então, ao toque do shofar se inicia o jubileu!

Para nós isso é muito significativo, pois o jubileu simboliza a restituição e o perdão daquilo que fora feito no passado. E isso por quase uma geração! Parece que o Eterno quer nos dizer: quando meu povo inicia o processo de arrependimento e perdão sem restrições, então tem início também, no reino espiritual, o toque do shofar e a liberação da restituição e do perdão para aqueles que assim procedem!

Assim como em Jubileu ocorria em Israel, nós cremos que ocorre conosco hoje, apenas com uma ressalva: para nós isso acontece primeiro no mundo espiritual para depois manifestar-se no mundo físico; ou seja, aquilo que geramos através de nossas vidas manifesta-se naquele instante! Mas quando isso ocorre para nós hoje? Quando podemos considerar o "jubileu" para nós?

O shofar quebrando obstáculos


Parece algo muito improvável que o simples toque de uma trombeta poderia ocasionar algo no mundo físico. Mas aconteceu! Quando Josué chega em Canaã, alguns obstáculos naturais são-lhe apresentados e o primeiro é a conquista de Jericó. Não podemos nos esquecer que naquela época, Jericó era uma cidade intransponível e por isso, praticamente inconquistável.

Mas D-us quando envia seu povo para aquela terra já conhecia de antemão os obstáculos. Quando chega o momento a ordem é dada: "Sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifres de carneiros adiante da arca; e no sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as trombetas" (Js 6.4). Agora é adicionado um novo componente à esta marcha: "Chamou, pois, Josué, filho de Num, aos sacerdotes, e disse-lhes: Levai a arca do pacto, e sete sacerdotes levem sete trombetas de chifres de carneiros, adiante da arca do Senhor" Js 6:6. Agora vão para a marcha contra a cidade os sacerdotes, o povo, o exército e a arca do Senhor!

O Senhor é apresentado aqui como IHVH (Há Shem), aquele que disse a Moisés que seu nome seria "Eu me torno aquilo que me torno!" Aqui o povo tinha uma necessidade: vencer a batalha contra a intransponível Jerico!

Agora veja a metodologia que o Eterno usou para derrotar os inimigos de Israel: "E os homens armados iam adiante dos sacerdotes que tocavam as trombetas, e a retaguarda seguia após a arca, os sacerdotes sempre tocando as trombetas" Js 6:9. Note que até aqui nada aconteceu! Somente os sacerdotes estão tocando cada um seu shofar! Fisicamente nada mudou, mas no mundo espiritual já estava ocorrendo algo, pois como já vimos o toque do shofar é o ressoar da voz do D-us Eterno! Enquanto eles obedeciam e tocavam, ordens foram liberadas no reino espiritual determinando que o muro de Jericó fosse derrubado e que os israelitas conquistassem a cidade, pois era a voz de D-us que assim dizia!

Enquanto eles andavam e tocavam algo se movia no mundo espiritual! "Os sete sacerdotes que levavam as sete trombetas de chifres de carneiros adiante da arca da Senhor iam andando, tocando as trombetas; os homens armados iam adiante deles, e a retaguarda seguia atrás da arca do Senhor, os sacerdotes sempre tocando as trombetas" Js 6:13.

Tudo foi feito conforme lhes fora ordenado e então, após cumprido o tempo determinado por D-us, as muralhas caíram em frente ao povo de Israel! Parece difícil de acreditar, mas o efeito do toque do shofar e da obediência em agir conforme lhes fora ordenado resulta na conquista da cidade de Jericó! Veja isso então: "E quando os sacerdotes pela sétima vez tocavam as trombetas, disse Josué ao povo: Gritai, porque o Senhor vos entregou a cidade" Js 6:16. Houve uma combinação um tanto quanto incomum: a voz do shofar e a voz do povo! "Gritou, pois, o povo, e os sacerdotes tocaram as trombetas; ouvindo o povo o sonido da trombeta, deu um grande brado, e o muro caiu rente com o chão, e o povo subiu à cidade, cada qual para o lugar que lhe ficava defronte, e tomaram a cidade" Js 6:20. O Senhor quer trabalhar em conjunto com seu povo para que sua palavra e a nossa (profetizando a palavra de D-us) tragam derrota ao nosso inimigo!

A convocação para a batalha

Em Juizes 3.27 Eúde convoca os filhos de Israel para a batalha através do toque do shofar. "E assim que chegou, tocou a trombeta na região montanhosa de Efraim; e os filhos de Israel, com ele à frente, desceram das montanhas". Nas montanhas de Efraim (ao noroeste de Jerusalém) ele toca o shofar e convoca os filhos de Israel para lutarem pela libertação de seu povo, que naquela ocasião vivia sob o jugo dos moabitas.

Aqui o toque do shofar (que era então conhecido na época) chamava os homens valentes para a batalha! Era um momento muito especial, pois o próprio Eúde já havia liquidado com o rei de Moabe, agora restara reconquistar aquilo que o inimigo havia roubado do povo de Israel.

O toque do shofar, nas suas entrelinhas dizia ao povo: "É tempo de nós trazermos de volta aquilo que o nosso inimigo nos usurpou! Vamos destemidamente à batalha!

Outra ocasião que nos chama atenção é quando Gideão convoca o povo para vencer os midianitas. "Mas o Espírito do Senhor apoderou-se de Gideão; e tocando ele a trombeta, os abiezritas se ajuntaram após ele" Jz 6:34.

Vejamos a seqüência de fatos ocorridos aqui: O Espírito de IHVH (Eu me torno aquilo que me torno) apodera-se daquele que seria seu instrumento! Naquele momento, quando o Espírito do Senhor está em Gideão, ele torna-se a boca do Eterno. Então ele toma o shofar e convoca o povo para a vitória. Novamente: um homem cheio da presença do D-us Eterno agora torna-se instrumento de juízo contra os inimigos do Senhor.

Novamente o shofar é um instrumento de convocação do povo. É como se a voz do Eterno estivesse soando e chamando-os para serem participantes da sua tremenda vitória!

O episódio a seguir é simplesmente extraordinário: em Jz 7.8 está escrito: "E o povo tomou na sua mão as provisões e as suas trombetas, e Gideão enviou todos os outros homens de Israel cada um à sua tenda, porém reteve os trezentos. O arraial de Midiã estava embaixo no vale". O acontecimento nos fala de Gideão que escolhe trezentos homens para com eles subjugar o exército dos midianitas. Os homens que seguiram para a batalha levaram consigo suas provisões e seu shofar! Veja que coisa extraordinária, pois estes homens possuíam, cada um deles, seu próprio shofar para com ele proclamarem, convocarem, profetizarem e anunciarem os feitos do Senhor! Cada um deles era a "boca do Senhor" e estaria logo mais na batalha para provar aos midianitas que eles possuíam a unção e a benção do único D-us que pode livrar e dar a vitória!

Em Jz 7.16 são formados os "esquadrões" de guerra: "Então dividiu os trezentos homens em três companhias, pôs nas mãos de cada um deles trombetas, e cântaros vazios contendo tochas acesas". Agora eles recebem a orientação de como atacar: "Quando eu tocar a trombeta, eu e todos os que comigo estiverem, tocai também vós as trombetas ao redor de todo o arraial, e dizei: Pelo Senhor e por Gideão!" Jz 7:18. Novamente aqui o Senhor é apresentado como aquele cujo nome significa "Eu me torno aquilo que me torno". Havia entre eles um consenso muito grande quanto ao que fazer como fazer. Agora, tudo dependia de sua ação! Então acontece que "Gideão, pois, e os cem homens que estavam com ele chegaram à extremidade do arraial, ao princípio da vigília do meio, havendo sido de pouco colocadas as guardas; então tocaram as trombetas e despedaçaram os cântaros que tinham nas mãos; Gideão, pois, e os cem homens que estavam com ele chegaram à extremidade do arraial, ao princípio da vigília do meio, havendo sido de pouco colocadas as guardas; então tocaram as trombetas e despedaçaram os cântaros que tinham nas mãos" Jz 7:19,20. Mas o que aconteceu então? "Pois, ao tocarem os trezentos as trombetas, o Senhor tornou a espada de um contra o outro, e isto em todo o arraial, e fugiram até Bete-Sita, em direção de Zererá, até os limites de Abel-Meolá, junto a Tabate" Jz 7:22.

O resultado da batalha foi a vitória dos trezentos homens de Gideão que tinham como arma um shofar... Está escrito no Salmo 29 que a voz do Senhor é poderosa, ela é cheia de majestade, ela quebra os cedros do Líbano, etc... Aqui, a voz do Senhor fez com que os inimigos fossem vencidos sem que houvesse nas mãos dos filhos de Israel sequer uma espada!

A mesma voz que para os filhos de Israel traz livramento e vitória, traz também para seus inimigos a derrota, infortúnio, morte! Assim novamente podemos afirmar: quando o Senhor fala algo SEMPRE acontece!

 

Baruch Há Shem!
Bendito seja o Nome!


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