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Sionismo
A origem da palavra "Sionismo" é o termo bíblico "Sião", usado
geralmente como um sinônimo de "Ierushalaim" e da Terra de Israel
(Eretz Israel). O Sionismo é uma ideologia que expressa o profundo
anelo dos judeus de todo o mundo por sua pátria histórica -
Sião, a Terra de Israel.
"Para o judeu, a palavra Sião tem um significado muito profundo
que toca e envolve a sua alma e os seus sentimentos. É, talvez,
difícil descrever este sentimento que se traduz no amor já definitivamente
incorporado durante séculos ao patrimônio religioso, cultural
e afetivo e está enraizado no seu próprio ser".
Sionismo bíblico
A aspiração pelo retorno à sua pátria foi sentida pela primeira
vez pelos judeus exilados na Babilônia há cerca de 2500 anos
atrás - uma esperança que subseqüentemente se concretizou. "Junto
aos rios da Babilônia nos assentamos e choramos, lembrando-nos
de Sião" Sl 137:1. Desta forma, pode-se dizer que o Sionismo
político, que se consolidou no século XIX, não inventou nem
o conceito nem a prática do retorno. Ao contrário, ele adaptou
uma idéia muito antiga e um movimento constantemente ativo às
necessidades e ao espírito de seu tempo.
"Levantar-te-ás e terás piedade de Sião;
é tempo de te compadeceres dela, já é vinda a sua hora; porque
os teus servos amam até as pedras de Sião, e se condoem do seu
pó. Todas as nações temerão o nome do Senhor, e todos os reis
da terra a sua glória" (Sl 102:13-15).
Sião
ou Tzion, em hebraico, significa local ensolarado, ou exposto
ao sol; monte ensolarado. O Monte Sião é uma elevação em Ierushalaim
com 765 metros acima do nível do mar. Fica na parte sudoeste
da Cidade antiga. Ao leste está o vale central e, ao sul, o
vale de Hinon. Foi no Monte Sião, onde se situa o Cenáculo,
que Ieshua celebrou a última Páscoa e instituiu a Ceia do Senhor.
Este monte foi conquistado pelo exército israelense em 18 de
maio de 1948, na guerra de "libertação" ou "Independência" do
Estado de Israel.
A palavra Sião é usada na Bíblia com quatro significados. Concentrar-nos-emos
na palavra no que ela significa para o povo judeu. Os quatro
sentidos são:
1) - Sião, com referência a um monte (Sl 78:68).
2) - Sião, representando a cidade de Ierushalaim (II Sm 5:7;
Sl 48:1,2; 60:14).
3) - Sião, referindo-se ao povo judeu, seus anseios e aspirações
quando no exílio, pela libertação nacional e soberania (Sl 137:1-6;
Jr 30:17; 50:4-5).
4) - Sião, como expressão daquela realidade espiritual eterna
que D-us tem buscado desde o princípio. Este é o significado
mais importante (Sl 50:1,2; Is 35:10; Hb 12:22; 13:14).
O Sionismo nos fala sobre o grande amor que palpita dentro do
peito de cada judeu por sua pátria - Sião - e também da necessidade
que há em seu coração em retornar à sua terra e a sua gente!
Sião é o anseio principal do povo de Israel na diáspora (dispersão)!
O Sionismo histórico
O conceito fundamental do pensamento Sionista se expressa na
Declaração de Independência de Israel (14 de Maio de 1948),
que declara:
"A Terra de Israel foi a terra natal do Povo Judeu. Aqui se
formou sua identidade espiritual, religiosa e política. Foi
aqui que, pela primeira vez, os judeus se constituíram em Estado,
criaram valores culturais de significação nacional e universal
e deram ao mundo o eterno Livro dos Livros. Depois de forçado
a exilar-se de sua terra, o Povo Judeu lhe permaneceu fiel em
todos os países de sua dispersão, nunca deixando de orar por
ela, na esperança de a ela regressar e reestabelecer sua liberdade
política."
Um dos conceitos básicos do Sionismo é o de ser a Terra de Israel
o local de nascimento histórico do Povo Judeu, e a convicção
de que a vida judaica em qualquer outro lugar é uma vida no
exílio. Moisés Hess expressa essa idéia em seu livro Roma e
Ierushalaim (1844):
"Dois períodos forjaram o desenvolvimento da civilização judaica:
o primeiro, após a libertação do Egito, e o segundo, o retorno
da Babilônia. O terceiro ocorrerá com a redenção do terceiro
exílio."
Durante os séculos de duração da Diáspora, os judeus mantiveram
um relacionamento forte e singular com sua pátria histórica,
manifestando sua saudade de Sião através do ritual e da literatura.
Quando ora, o judeu se volta para o Oriente, na direção da Terra
de Israel. Na oração matutina, ele diz "Trazei-nos em paz dos
quatro cantos do mundo e dirigi-nos à nossa terra". Durante
as orações há algumas frases que se repetem várias vezes: "Abençoado
sede Vós, Senhor, construtor de Ierushalaim"; "Abençoado sede
Vós, Senhor, que retornais Vossa presença a Sião".
A oração de graças após as refeições inclui uma benção que termina
com uma prece pela reconstrução de "Ierushalaim, a Cidade Santa,
em breve, em nossos dias". Na cerimônia de casamento, o noivo
se compromete a "elevar Ierushalaim ao ápice de nossa alegria".
Na circuncisão recita-se o salmo "Se eu te esquecer, ó Ierushalaim,
que se resseque a minha mão direita". Em Pessach, todo judeu
declara: "No próximo ano em Ierushalaim". O anseio do Povo Judeu
por retornar à sua terra se expressou também em prosa e em verso,
em hebraico e nas outras línguas faladas pelos judeus no correr
dos séculos, idish na Europa Oriental e ladino na Espanha.
Quando se fala em Sião
O
judeu se reporta instantaneamente à cidade de Ierushalaim. Ele
se transporta ao monte da santidade, isto é, do templo, ao santuário
do Eterno na Terra Santa, na Terra de Israel. Ele relembra entre
os seus antepassados, o pai do seu povo, o patriarca Abrão e
o sacrifício do seu filho Isaque. Ele, na elevação de Moriá,
revive as glórias da presença divina no "Shekinah" no templo
do Senhor; brota no seu coração o desejo ardente de visitar
tão significativo lugar, por se encontrar gravado de mil maneiras
na sua mente e nos seus sentimentos a frase milenar tantas vezes
repetida nas suas preces: "no próximo ano em Ierushalaim!"
Falar de Sião é ir fundo no coração do judeu, relembrando a
terra prometida, Canaã, conquistada e perdida tantas vezes e
agora novamente em seu poder pela infinita misericórdia do Todo-Poderoso.
Afloram, nos pensamentos do povo, os lindos salmos que Davi
cantou, exaltou "a cidade de Davi", sua Ierushalaim. Sião, com
o passar dos tempos, veio a se tornar um símbolo, uma esperança
de retorno do povo judeu da Diáspora, para a sua terra e sua
pátria. A Terra de Israel sem Ierushalaim é como um lar sem
filhos; um jardim sem flores, um sino que não retine porque
não tem badalo. É um corpo sem coração.
Sião, como sinônimo de Ierushalaim, tantas vezes perdida para
seus inimigos, e outras vezes destruída e queimada e novamente
reconstruída como uma "fenix" que sobreviveu e renasceu das
cinzas pelo poder e misericórdia divina, tem um estranho poder
de atração sobre o coração judeu, como a pequena limalha é atraída
por um potente imã. O nome Sião está indissoluvelmente associado
também à vinda do Messias, do Seu grande amor pela cidade ao
ponto de chorar por ela e seus habitantes.
Sião foi o palco e o principal centro de luta entre a luz e
o poder das trevas. Muitos conquistadores por ela lutaram, mas
milhares e milhares de israelitas abnegados, durante os séculos
pelejaram e deram suas vidas para manterem-na em seu poder.
Sião e Ierushalaim são dois nomes imortalizados e eternizados.
Por sua vez, entre os cristãos, desde longa data, as palavras
Sião e Ierushalaim são lembradas, cantadas, exaltadas, em hinos
de louvor e adoração a D-us, por diferentes denominações. Como
cidade eterna, lar dos salvos, prometida por D-us e a seus fiéis
seguidores, ela é ansiada e desejada como o alvo a ser alcançado,
a Nova Ierushalaim". (FELLER, Mário. Ierushalaim Cidade do Grande
Rei. Recife, Publicação do Instituto de Herança judaica, 1989,
pg. 201 e 202).
A convocação: seja Sionista!
Quando falamos sobre ser sionista, logo nos vêem a mente a pergunta:
por que eu deveria ser sionista? Para todos aqueles que crêem
em Ieshua, ser sionista - amar profundamente Israel e seu povo
- é somente a conseqüência do amor que dedicamos à Ieshua! O
nosso Senhor - Ieshua - é D-us, e todos nós sabemos que ele
é judeu! Creio ser esta a mais forte - e também a principal
- razão para sermos sionistas. Haverá um dia quando finalmente
estaremos para sempre com o Eterno numa grande festa (as bodas
do Cordeiro). Neste grande evento veremos Ieshua face a face.
Mas que tipo de homem encontraremos? Qual será sua aparência?
Como estará ele vestido? Com certeza nós nos depararemos com
um judeu, vestido como tal e certamente seremos recebidos com
uma saudação judaica: Shalom! (Paz!).
Existem ainda outros motivos para sermos sionistas. Estes "motivos"
na realidade são ordens (imperativos) que nos convocam ao amor
à Sião:
1) - "E abençoarei os que te abençoarem,
e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas
todas as famílias da terra" (Gn 12:3).
2) - "Orai pela paz de Ierushalaim; prosperarão
aqueles que te amam" (Sl 122:6).
Estas duas referências nos falam diretamente sobre o que seremos
e recebermos quando obedecermos à estas palavras! Por isso,
nós precisamos amar a Israel, seu povo, suas tradições (que
são todas bíblicas) e não nos esquecermos de que a Noiva do
Cordeiro não são os crentes em Ieshua na Igreja. Ela é muito
mais do que isso. Segundo Sha'ul (Paulo) nos informa em Romanos
capítulo 11 a Noiva é composta de todos os judeus crentes em
Ieshua mais a soma dos crentes em Ieshua espalhados pelo mundo
(os quais conhecemos como "Igreja")!
Nossa palavra final é "Ame Israel Agora, pois este é o tempo
e Israel é o lugar onde tudo começou e onde tudo findará".
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