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A origem dos Sobrenomes
NEM TODOS OS SOBRENOMES DESCRITOS AQUI INFORMAM QUE A PESSOA
É JUDIA OU NÃO. Há muitos Weiss,Gross, e etc e nem todos
são judeus. É de conhecimento geral que sobrenomes como Cohen,
Levy e Katz são praticamente exclusivos dos judeus e que Gross,
Schineider, Schwartz e Weiss comumente também indicam famílias
judias. Passa um tanto despercebido que o mesmo processo que
produziu esta distinção também faz dos sobrenomes uma importante
fonte de conhecimento sobre história e cultura judaicas. De
acordo com o segundo capítulo de Bereshit, no início dos tempos,
todas as coisas vivas foram trazidas a Adam: "E como as chamou,
este passou a ser seu nome". A vida era obviamente mais simples
quando havia apenas dois de cada espécie. De fato, mesmo o nome
de Adam é uma das palavras hebraicas para homem; e a Bíblia
regularmente se refere a sua esposa como haishá - "a mulher."
A medida que as pessoas se multiplicavam, contudo, e se tornou
necessário distinguir uma da outra, surgiram nomes próprios.
E quando estes não eram mais suficientes, várias formas de "nomear"
foram adicionados, mostrando ascendência, profissão, origem
ou alguma característica que diferenciasse os diferentes Yossefs,
Aharons ou Miriams que viviam numa única comunidade. Assim,
na Bíblia, encontramos parentesco para ambos, judeus (Yehoshua
ben ("filho de") Num, Hoshea ben Beeri) e não-judeus (Balak
ben Tsipor, Bil'am ben Beor), bem como nomes que incorporavam
uma série de antepassados - Côrach ben Yits'har ben Kehat ben
Levi; Mordechai ben Yair ben Shim'i ben Kish. Durante o período
talmúdico encontramos Yochanan, o sapateiro; Hillel, o Babilônio;
Gamliel, o Ancião; Aba Arika ("o alto").
É claro, nenhum destes apelidos era hereditário, uma vez que
tinha relações com a vida do dono. Os modernos sobrenomes hereditários
remontam ao fim da Idade Média e, entre os judeus, uns poucos
séculos mais tarde. Começam com as famílias reais, ansiosas
por identificar a si mesmas com uma famoso ancestral ou propriedades,
quase que do mesmo modo que os líderes dos chassidim de Chabad
tomaram o nome Schneersohn ("descendentes de Shneur"), em honra
a seu fundador dinástico, Rabi Shneur Zalman de Liadi. Quando
os nobres imitam a realeza e a plebe os nobres, os sobrenomes
estabeleceram-se por toda a Europa. Embora judeus "emancipados"
tomassem sobrenomes em reconhecimento a sua assimilação cultural,
os judeus em geral primeiramente resistiram à tendência. Mas
à medida que as cidades e as nações começaram a organizar arquivos
oficiais, tornou-se óbvio que apelidos de família permanentes
eram essenciais à eficiência; e dos judeus foi exigido que adotassem
sobrenomes em um país após outro - na Áustria em 1787, França
em 1808, Prússia em 1812.
Ao adaptar a antiga tradição sob a qual cada judeu é identificado
ou como um descendente de Aharon, o primeiro sacerdote (Choen)
ou da tribo de Levi, ou do resto da nação judaica (yisrael),
muitas famílias chamavam a suas mesmas de Cohen, Cohn, Kahn,
Kahana; Levy, Levi, Levin; Israel, Iserel. Outros empregavam
títulos-padrão de sinagogas como Chazan, ("cantor") e Beck,
de Baal; Corê, ("o ledor da Torá") ou acrósticos como Katz,
de Cohen Tsêdec, ("o justo sacerdote") e Segal, de Segan Leviyá
("ajudante sacerdotal). Outros ainda tiravam os sobrenomes do
ganha-pão de um ancestral.
Os mais óbvios sobrenomes referem-se a traços físicos distintivos.
Apesar da severa condenação de Shulshan Aruch de apelidos pejorativos,
as pessoas com os mesmos nomes eram distinguidas por alcunhas
como Grande, Pequeno, Magro, Gordo. Isto é mais evidente em
famílias com diversos primos com o mesmo nome de um avô, uma
situação que resulta em nomes como Grande Ester; e Moshê der
roiter ("o ruivo") em oposição a Moshê der shvartser ("o moreno).
Muitos destes nomes - especialmente ao menos ofensivos - tornaram-se
nomes de família em diferentes línguas: Black ("preto") em inglês
corresponde a Schwartz em alemão e yidish, e em russo e polonês
Cherney; White ("branco") em alemão e yidish é Weiss, e em russo
Belli; uma pessoa grande é Gross em alemão e yidish, Krupney
em russo, Wilki em polonês, Nagy em húngaro; uma pessoa pequena,
Klein em alemão e yidish, Malenki em russo, Piccolo em italiano.
Com afinidades a estes, há outros sobrenomes que se referem
a anseios e bênçãos sobre o filho; por exemplo, em alemão Kluger
("inteligente"), Scharf ("perpicaz"), Susskind ("doce criança");
o russo Balaben ("querido") e Lefky ("inteligente"). Mas talvez
os mais antigos de todos - de volta às benções de Yaacov sobre
seus filhos ao final de Bereshit - são aquelas designando atributos
de animais: Yehudá, Gur Aryê ("jovem leão"), Binyamin, Zev ("lobo"),
Naftali, Hirsch ("cervo").
Durante a Idade Média na Alemanha, era comum que um nome judaico
fosse seguido por seu equivalente germânico, como Aryê Lowe
("leão"), correspondendo ao yidish Aryê Leib, Dov Ber ("urso"),
Tsevi Hirsch ("cervo"), Zev Wolf ("lobo). Este costume era aparentemente
difundido, como pode ser observado em sobrenomes russos. Lev
("leão"), Volk ("lobo"), Olen ("cervo"), Medved ("urso") e mesmo
o nome espanhol Lopez, do latim lupus ("lobo").
Enquanto os sobrenomes escolhidos para si mesmos eram agradáveis
ou ao menos neutros, os forçamente impostos eram freqüentemente
cruéis. Motivados por amplo anti-semitismo ou o desejo de suborno,
as autoridades impingiam a suas vítimas nomes como Kalb ("bezerro"),
Knoble ("alho"), Schlemmer ("comilão"), Zwieble ("cebola").
Esta espécie de sobrenomes, contudo, muito nos diz sobre as
características que os judeus valorizavam, sua ligação às antigas
tradições bíblicas e as indignidades que sofreram nas mãos das
autoridades dos séculos XVIII e XIX. Outros três tipos de sobrenomes
- os que mostram ascendência, origem e ocupação - são mais significativos
que as características físicas como indicadores de onde moravam
e o que faziam os judeus.
O valor do nome
Na Idade média, ao abrigar os judeus a adotar um patronímico,
os governantes resolveram que deveriam pagar pelo nome - quanto
mais pomposo, mais pagavam. Os mais belos e poéticos eram Rosenberg
("montanha de rosas"), Morgenstern ("estrela da manha"), Silverberg
("montanha de prata"). Mais barato eram os nomes das profissões:
Meier ("fazendeiro"), Fischer ("pescador"), Kaufmann ("mercador").
Nesta categoria estavam também os nomes de cores: Grün ("verde"),
Braun ("marrom"), Roth ("vermelho"); e de animais: Fuchs ("raposa"),
Katze ("gato"); Vogel ("pássaros"); e cidades.
Em todas as partes do mundo, os judeus têm nomes que significam
"filho de", uma prática que remete à Bíblia. Assim, mesmo na
ausência de outra prova, poderíamos presumir que as colônias
judaicas deram origem ao árabe ibn Ezra; ao inglês, Israelson;
ao alemão, Mendelsson; ao russo, Jacobowitz; ao polonês, Abramowicz.
E a este respeito é interessante notar a popularidade de um
nome como David, que forma a base de Davidson, ibn Daud, Davidowitz,
Davidowicz. É claro, séculos de distorção têm obscurecido a
fonte de muitos patronímicos, com Faivelson e Faitelson. Já
nos tempos do Talmud, os judeus tinham nomes gregos como Alexandre,
Antígono, Hircano, Phoebus.
Ao final, Phoebus tornou-se Faibush em yidish, com o diminutivo
Faivel e o patronímico padrão hebraico ben Faivel foi traduzido
no sobrenome Faivelson remonta à Alta Idade Média, quando muitos
nomes hebraicos foram traduzidos nas línguas românicas, dando
Chayim-Vidal (de "vita", vida); Baruch-Bendit (de "benedictus",
bendito); Ticva-Shprintsá (de "esperanza", esperança). Ao mesmo
tempo, Vidal tornou-se Faitel, a base de Faitelson. Os detalhes
das colônias são fornecidos por outros sobrenomes também, uma
vez que um recém-chegado recebe um apelido de acordo com a sua
morada anterior - como era Hilel, o Babilônio.
Assim, podemos Ter certeza que os judeus viveram e migraram
de países cujos nomes levaram consigo: Frankel, Deutsch, Hollander,
Pollack. Pela mesma razão, podemos presumir grandes populações
judaicas das cidades representadas por sobrenomes, como o italiano:
Módena, Montefiore, Romano, Soncino; espanhol: Milona, Navarro,
Torme, Trujillo; português: Castro, Oporto, da Silva e da Sola;
alemão: Berliner, Frankfurter, Neustadter, Oppenheimer; polonês:
Breslau, Krakow, Warsaw, Wilner; russo: Kief, Minsky, Novgoroder,
Penza - além de nomes que terminam em -berg("cidade"), -berger("da
cidade), -owitz e sky ("de"), como Greenberg, Isenberger, Gartenberg,
Neuberger, Isenberger, Moskowitz, Washavski, Poznanski.
Finalmente, se os nomes descritivos contam que os judeus valorizavam
e o patronímico e sobrenomes de origem dizem onde viviam, os
sobrenomes indicam uma grande visão social daqueles baseados
na ocupação. Que os judeus em todo o mundo eram artesãos está
claro a partir da riqueza de sobrenomes profissionais: correspondente
a alfaiate (em inglês Taylor) temos um Schneider em alemão e
yidish, Portnoy em russo, Krawiec em polonês, Sarto em italiano,
Chayat em hebraico; para padeiro (em inglês Baker) temos Becker
em alemão e yidish, Pekar em russo, Pek em húngaro, Boulanger
em francês; para açougueiro (em inglês Butcher) temos em alemão
e yidish Fleischer, Katsof em hebraico, Mesnik em russo e Boucher
em francês.
Ademais, uma visão adicional surge do amplo uso de nomes hebraicos
como Sofer ("escriba"), Melamed ("professor") e Chazan ("cantor"),
no lugar de traduções vernáculas como com as ocupações seculares.
Os únicos que parecem ter alguma aceitação real são o alemão
Schreiber ("escriba") e Lehrer ("professor") e o francês Scrivain
("escriba"). E, desnecessário dizer, todos estes sobrenomes
devem ser comparados com a total ausência de nomes hebraicos
do tipo Farmer (fazendeiro), Gardener (jardineiro) e Forester
(couteiro).
Contudo, embora seja possível classificar sistematicamente como
os sobrenomes se originaram, é impossível prever o que acontecerá
com eles. E isto é também um reflexo da História judaica. Assim,
à medida que os judeus migraram de um país para outro, por força
ou por escolha, tinham constantemente de anglicizar, galicizar,
hebraizar, diminuir, aumentar, dar outra grafia, reinterpretar
ou simplesmente mudar nomes que antes tinham significado em
outra língua. Desta maneira, o nome descritivo Frummer("religioso")
tornou-se Farmer; Gartenberg tornou-se Gardener ao contrário
de nomes profissionais judaicos. Do mesmo modo, Shkolnik tornou-se
Eshkol; Myerson, Meir; Gruen, Ben Gurion; Berg tornou-se Boroughs;
Schreiber, Writer e Wright; Chayat tornou-se Hyatt ou talvez
Chase; Neustadt e Novgorod ambos tornaram-se Newton.
E, uma ironia derradeira, todo o propósito dos sobrenomes -
ter um registro permanente de laços familiares - ficou subvertido.
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