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A
SOCIEDADE JUDAICA
(Parte 2)
A formação de uma
nova sociedade
Após a independência, os portões de Israel, que tinham permanecido
virtualmente trancados durante os dez anos anteriores, foram
abertos de par em par. Com a chegada dos sobreviventes do Holocausto,
provenientes da Europa do pós-guerra, e de comunidades inteiras
da África do Norte e do Oriente Médio, a população judaica dobrou
em poucos anos.
Consequentemente, a sociedade judaica do país acabou sendo formada
por dois principais elementos: o assim chamado "primeiro Israel",
constituído dos ashquenazim - os colonos veteranos e novos imigrantes,
principalmente da Europa - e da comunidade sefaradita que vivia
no país há gerações; e um "segundo Israel", constituído por
imigrantes orientais, muitos dos quais chegaram ao país destituídos
de tudo, e sem a experiência necessária das demandas de uma
sociedade moderna e industrializada, conforme Israel fora desde
o começo.
Por
razões políticas e ideológicas, o processo de absorção buscou
inicialmente transformar os recém chegados em "israelenses como
todo mundo", de acordo com o modelo do crisol. Esta abordagem
falhou quando aplicada aos membros das comunidades orientais,
muito dos quais não estavam familiarizados com os costumes ocidentais
correntes quando chegaram ao país. Em sua memória, eles se apegaram
à sua organização social patriarcal, firmemente enraizada no
judaísmo tradicional, e aos outros costumes do seu meio ambiente
anterior.
Além, disso,
o baixo nível educacional da maioria dos recém-chegados criou
uma dicotomia étnica entre eles e a tendencia dominante da sociedade
israelense, resultando também em diferenças sócio-economicas.
No final dos anos 50, os dois grupos coexistiram praticamente
sem interação social e cultural, e o "Segundo Israel" expressa
sua frustração e alienação através de demonstrações anti-governamentais
e de apoio eleitoral aos partidos de oposição.
Durante os anos 60 e 70, as comunidades orientais uniram-se
exigindo participação política e a aplicação de maiores verbas
destinadas a terminar o desnível entre eles e o "primeiro Israel".
Através da ação política, primeiramente em níveis locais e depois
no contexto nacional, eles conseguiram conquistar gradualmente
mais força e influência. Uma indicação deste sucesso foi o impacto
causado por seu voto nas eleições de 1977 para o Knesset, que
levaram ao poder o partido Likud, de centro-direita, dando fim
a 30 anos de contínua dominação do Partido Trabalhista. Durante
a década de 80, os movimentos de protesto que haviam gerado
manchetes dez anos atrás tornaram-se marginais, e grupos anteriormente
estigmatizados progredirem em todos os níveis.
Atualmente, membros das comunidades orientais ocupam altas posições
governamentais, atingem altas patentes militares e estão presentes
em todos os aspectos da vida econômica e cultural do país. Referências
ao "segundo Israel" virtualmente desapareceram, já que os filhos
dos imigrantes dos anos 50 estão cada vez mais presentes na
classe média e um quarto dos casamentos são inter-étnicos. A
terminologia hoje empregada descreve estes grupos como sendo
a segunda ou terceira geração de israelenses com raízes culturais
nos países islâmicos. No começo da década de 90, este grupo
representava quase 40% da população israelense.
De todo modo, a diversidade étnica é parte integrante da sociedade
israelense, fazendo-se sentir em todos os aspectos da vida:
cultura, lazer, padrões eleitorais e nos estilos de vida. E
as diferenças étnicas, que tinham sido consideradas no passado
uma ameaça à integridade e à coesão da sociedade, contribuem
hoje para a sua vitalidade e força; o modelo do crisol foi substituído
pelo pluralismo sócio-cultural.
Reunificação contínua
A mais recente massa migratória se constitui principalmente
de membros da grande comunidade judaica da antiga União Soviética,
que durante anos lutou pelo direito de emigrar para Israel.
Cerca de cem mil deles já haviam conseguido vir nos anos 70,
e desde 1989 eles vem chegando aos milhares. Dentre os recém-chegados
há muitos profissionais de formação elevada, cientistas de renome
e artistas e músicos aclamados, cujo talento e perícia já vem
contribuindo significativamente à vida econômica, científica,
acadêmica e cultural do país.
As duas últimas décadas também testemunharam a chegada da antiga
comunidade judaica da Etiópia, a qual, acredita-se, remonta
aos tempos do Rei Salomão. Cerca de 15.000 vieram em 1984, no
bojo de uma maciça operação de resgate aéreo (a Operação Moisés),
e outros 14.000, praticamente o restante da comunidade, foram
trazidos em 1991 durante a Operação Salomão, uma ponte aérea
entre Adis Abeba e Tel Aviv que durou 33 horas.
Embora
a transição do ambiente agrário africano a uma sociedade ocidental
industrializada deva ser prolongada, a ânsia dos jovens em se
adaptar e o interesse da sociedade em ajudá-los assegurarão
uma boa absorção desta longamente isolada comunidade judaica
em sua pátria ancestral.
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