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A transformação
"O inferno desde o profundo se turbou
por ti, para te sair ao encontro na tua vinda; despertou por
ti os mortos, e todos os chefes da terra, e fez levantar dos
seus tronos a todos os reis das nações. Estes todos responderão,
e te dirão: Tu também adoeceste como nós, e foste semelhante
a nós. Já foi derrubada na sepultura a tua soberba com o som
das tuas violas; os vermes debaixo de ti se estenderão, e os
bichos te cobrirão. Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã,
filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas
as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima
das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação
me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas
das nuvens, e serei seme-lhante ao Altíssimo.
E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo.
Os que te virem te contemplarão, considerar-te-ão, e dirão:
É este o homem que fazia estremecer a terra e que fazia tremer
os reinos? Que punha o mundo como o deserto, e assolava as suas
cidades? Que não abria a casa de seus cativos? Todos os reis
das nações, todos eles, jazem com honra, cada um na sua morada.
Porém tu és lançado da tua sepultura, como um renovo abominável,
como as vestes dos que foram mortos a-travessados à espada,
como os que descem ao covil de pedras, como um cadáver pisa-do.
Com eles não te reunirás na sepultura; porque destruíste a tua
terra e mataste o teu povo; a descendência dos malignos não
será jamais nomeada" (Isaías 14:9-20).
Será possível que um anjo peque? Poderá um ser celestial ver
a corrupção de suas formas quase divinas e tornar-se num ser
totalmente distinto daquilo que ele era? Anjos transformam-se
em demônios? Isaías nesta visão contempla a chegada profética
do rei derrotado, daquela figu-ra que outrora gozava das bem-aventuranças
celestiais e que partilhava da companhia de anjos e da Divindade;
esta figura era do alto escalão divino, de aparência formosa
e fulgurante (Ez 28.12-19). Mas, quando Isaías vê tal figura,
ele já não a vê mais com os atributos que outrora lhe haviam
sido conferidos conforme lemos no relato do profeta Ezequiel,
mas, antes, vê a um ser totalmente diferente daquela descrição
e que agora é recebido no inferno por uma infernal comitiva:
os mortos e o príncipes (ou maiorais) da terra lhe saem ao encontro.
Os intentos íntimos de seu coração, agora revelados e patentes
à todos não tiveram sucesso algum: a soberba dele não prevalecera,
sua for-ça que enfraquecia as nações da terra já não fazia o
mesmo efeito, o intento de gover-nar e reinar no mundo também
não havia prevalecido e menos ainda a intenção de ser como Deus,
pois para se ser como Deus é necessário, ou ser o próprio Deus
ou ser filho de Deus, e ele não era nem um nem outro. Por todas
estas coisas este rei derrotado chega aos seus domínios infernais
e receberá uma ovação de seus "súditos" que lhe dirão: "É
este o homem que fazia estremecer a terra, e que fazia tremer
os rei-nos?" tal o espanto que os dominará, pois crê-se que
para exercer domínio sobre al-guém ou alguma situação é necessário
que se tenha autoridade, e ele não tem, pois Jesus declarou:
"é me dada toda a autoridade nos céus e na terra", portanto,
este ser não poderia reivindicar autoridade alguma sobre a terra
e seus habitantes, mas como sabemos, ele foi aquele que usurpou
a autoridade que Deus havia dado ao homem e tornou-se o "senhor"
da raça humana, não por direito, mas por ter roubado isso do
homem.
Notemos que este ser tem uma metodologia de trabalho totalmente
diversa dos meios divinos de ação: a mentira é o seu modo de
agir, as trevas são o seu lugar habi-tual e o engano sua arma
de sedução. É ele quem cega aos homens para que não ve-jam as
realidades que lhe foram oferecidas por Deus, é ele também quem
prende os homens em suas armadilhas diabólicas levando-os ao
engano e sedição da carne e ga-rantindo-lhes que isto é o melhor
que alguém pode ter aqui na terra. À humanidade fez crer no
engano de suas palavras e através de suas práticas escusas conquista
os cora-ções daqueles que lhe são semelhantes. Fazendo assim
ele expôs todas as fraquezas humanas e as alimentou. Vocacionou
os homens para a morte e para um tormento que começa já nesta
vida, pois os atos, palavras e até pensamentos daqueles que
lhe ser-vem são abomináveis diante da Divindade...
Nosso mundo está imerso na escuridão decorrente da dominação
deste ser na terra... A humanidade caminha por um imenso vale
escuro em todos os sentidos: os homens não poder perceber o
que está aconte-cendo, pois falta-lhes a clara visão para que
distingam entre o bem e o mal, e à noite é o momento apropriado
para que este ser ataque e faça suas vítimas, pois ele é o "do-no"
da noite. A noite é também a ausência da luz que caracteriza
o dia, portanto, quando não há luz, não é possível ver-se adiante;
não há também o calor que dá vida ao nosso mundo e permite que
seja propagada e semeada entre os homens. Mas o pro-feta contempla
este ser na posição inversa. De senhor do universo ele agora
se torna escravo de suas próprias ambições e desejos malignos,
e quando retorna ao seu "habitat" natural, aqueles a quem enganou,
seviciou, escravizou, mutilou, atormentou, hão de lhe perguntar
ainda:
"É este o va-rão... que punha o mundo como deserto, e assolava
as suas cidades? que os cativos não deixava ir soltos para as
suas casas?" tal a indignação que reinará entre eles por saberem
que tal ser, que antes se mostrava tão forte e poderoso e tão
senhor de tudo, agora aparece como mais um perdedor, e portanto,
sem qualquer con-dição de reinar ou governar qualquer que seja
a nação, pois só os vencedores é que podem reinar! Que amarga
desilusão terão então! Neste momento o Senhor Deus lança este
ser nas profundezas do inferno como a um pano velho e rasgado,
que não tem valor algum e cuja beleza já não é vista há muito...
Agora vê-se que é possível que um belo anjo transforme-se em
demônio, para isso basta que ele desobedeça ao Senhor Deus e
que queira ocupar o lugar do Deus Altíssimo. Pronto! Agora dá-se
início ao processo de transmutação do celestial no de-moníaco.
Sim, agora vemos a horrenda figura do ser que, de formoso e
explêndido querubim torna-se o rei dos demônios, destinado ao
fogo e sofrimentos do inferno, pois ali é o lugar que o próprio
Deus preparou para os desobedientes, tanto anjos quanto homens.
De que lado estamos nós hoje? Do lado vencedor ou do lado perdedor?
Queira Deus que tenhamos o bom senso de escolher deixar o lado
do perdedor e enganador universal para que possamos estar ao
lado daquele que realmente venceu e que conti-nuará vencendo:
Ieshua o Messias.
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