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História de Purim

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Purim

“Todas as festas desaparecerão com a vinda do Messias, menos Purim”, dizem os rabinos (Midrash Mishle 9). Mas, por que? O motivo é muito simples: Purim celebra a libertação do povo de D-us ainda no cativeiro! Mesmo estando numa situação adversa e sob o jugo dos persas o povo de Israel pode experimentar uma tremenda libertação pela ação do Eterno.

O que significa “Purim?”

Esta palavra hebraica vem do termo “pur” que significa sorte. Ela está então no plural, significando “sortes”.

Por que razão os rabinos atribuem tanto significado a uma festa que não se encontra na Torah, que possui uma origem rabínica, que é celebrada com festividades e bebidas, que é destituída de conteúdo religioso, e cuja fonte documenta (Os Rolos de Ester), nem mesmo contém o nome de D-us?

Acredita-se que a resposta desta questão pode ser encontrada na famosa declaração Talmúdica (Shabbat 88 A), do grande rabino, Rava:

“Mesmo tendo o povo de Israel aceito a Torah no Monte Sinai, eles a aceitaram naquela época sob imposição. Quando foi que eles a aceitaram livremente sem nenhuma coersão ou compulsão? Durante os dias de Achahverosh (Purim), como está escrito nos Rolos de Ester: “Os judeus a aceitaram para si” (Ester 9:27). Agora eles prontamente cumpriram o que eles já haviam aceito”.

Depois de ser libertado das mãos de Haman por D-us, através da interferência de Ester e Mordechai, o Povo Judeu agora reconciliou-se livremente e alegremente à Torah, cumprindo com os seus mandamentos. Eles não tinham nenhuma outra intenção e não foram de forma alguma obrigados por D-us. E é por isso então que a festa de Purim adquire tamanha importância, pois é a celebração da aceitação voluntária da Torah pelo povo judeu. Purim nos lembra que os judeus, mesmo estando num país estranho e como escravos foram duramente perseguidos pelas forças das trevas a fim de serem eliminados para sempre, não deixando-se assim nenhum rastro de sua história para a humanidade. Nesta festa lembramo-nos que Israel foi liberto da morte estando ainda “no Egito” (num país estranho e sob a condição de escravos).

Em Purim, a Torah e seus mandamentos realmente unem o povo e as suas gerações subsequentes. Mas isto é realmente verdade? Pode a decisão de uma geração influir sobre a outra? Não teria cada geração o direito a aceitar ou rejeitar a tradição das gerações anteriores?

Vivemos em uma época perigosa para a Torah. Infelizmente, a grande maioria dos judeus de hoje, não vêem a Torah como parte integrante em suas vidas. Alguns não têm feito isto somente por ignorância, simplesmente desconhecem o real conteúdo da Torah e, por isso, não podem entender sua importância. Outros simplesmente a rejeitam, sendo que o pouco que sabem não os agrada.

Como podemos convencer mais pessoas a aceitar a Torah, a manter a chama de 3.500 anos acesa? Nossa obrigação última é com a educação judaica em todos os seus níveis e não somente para crianças. Somente através do estudo da Torah, uma pessoa é capaz de aprender a gostar da Torah em toda a sua grandeza e sentir a inspiração necessária para viver de acordo com ela. A educação judaica deveria ser o item mais importante d toda a agenda judaica. Dizendo de um modo simples, sem o estudo da Torah, a vida judaica e o judaísmo em todas as suas facetas desaparecerão.

Nós sobrevivemos por 3.500 anos, somente devido ao fato de que em cada geração tem havido um número suficiente de pessoas que estudaram a Torah, sentindo-se inspiradas a viver segundo ela, e até morrer por ela. A importância de Purim é que ela representa a aceitação espontânea da Torah por parte de toda uma geração de judeus. E é por isso que a celebração de Purim jamais desaparecerá, pois Purim está intimamente ligada à sobrevivência do povo judeu. Enquanto o povo judeu continuar a se comprometer com a Torah e seus mandamentos a cada geração, o verdadeiro espírito de Purim viverá para sempre, e mais importante que isso, o povo judeu sobreviverá.

A HISTÓRIA DE PURIM

A Sidrá da Torah desta semana, nos lembra do fato de que a nossa força se baseia na nossa união como povo.

“Quando você tomar a soma dos filhos de Israel, de acordo com o seu número, então eles darão a cada homem meio Shekel. Os ricos não darão mais, e os pobres não darão menos”. Assim como os impostos em skekalim, cada israelita era igual aos olhos de D-us, sendo somente parte do todo, completos somente quando ligados ao seu próximo. Quando separado de sua comunidade, o judeu se torna um simples fragmento; mas unido aos seus irmãos, ele se torna um todo efetivo.

Durante o período do 2º Templo, somente uma parte do povo judeu vivia em Israel, enquanto que o resto vivia espalhado em outras regiões e por entre outros povos. O historiador grego Strabo descreve os judeus da sua época: “Não há lugar algum do mundo onde o judeu não esteja ou não tenha se estabelecido”.

Mesmo assim, em todas as nações da dispersão, os judeus mantiveram-se unidos e não fragmentados. Eles consideravam-se a si próprios como judeus da diáspora e encaravam Israel como sua terra natal. Jerusalém era a mãe de todas as comunidades judaicas, o Templo e os Sanedrim representavam sua capital (Sanedrim 11, Rosh Hashaná 22).

Todo judeu continuava a mandar meio Shekel para a manutenção do Templo, um lealdade que para o Imperador romano era difícil aceitar. Uma testemunha da época, Josephus Flavius, relata que certa vez uma grande coleção destes meio shekels foi confiscada pelos romanos, e Cícero fez um grande discurso, no Senado, contra os judeus.

Durante todos os séculos da dolorida dispersão, os inimigos de Israel persistiram na sua política de encorajar o rompimento dos laços com a sua terra natal: “Esqueçam o seu passado, embarquem em uma nova relação com a sua nação em direção à assimilação, à desunião e ao interrelacionamento. Quebrem a sua ligação com o seu povo e com a sua história”. A isso chamamos de assimilação!

Nós sabemos, no entanto, que todo grande momento histórico ocorreu em época de união nacional. Aos pés do Monte Sinai, Israel esteve acampado com “um homem com um só coração”.

A história dramática de Purim nos dá uma ilustração a mais deste princípio. Ester ao contar a Mordechai os planos diabólicos de Haman de exterminar todos os judeus do Império Persa, disse que Haman obteve sucesso em convencer o rei Ahasuerus, devido ao fato dos judeus estarem “divididos e desunidos” (Meguilat Ester 3:8).

Tendo o desespero se espalhado por entre os judeus, Mordechai pediu à Ester que intercedesse e que fizesse um apelo ao Imperador. Ester o aconselhou: “Una os judeus primeiramente”. Só então Ester fez o apelo junto ao Imperador que trouxe a salvação e a festividade.

A união do nosso povo traz o milagre da salvação. Quando todas as forças do nosso povo estão a serviço de Israel e dos valores judaicos, então as nossas conquistas trarão luz aos judeus de todo o mundo.

SERIA PURIM PARECIDO COM PESSACH

O período festivo de Purim é marcado por um número bem distinto de práticas. O dia anterior a Purim é geralmente o dia do Jejum de Esther, exceto quando Purim tem início no Sábado à noite.

Além da leitura da Meguilá, é também uma obrigação em Purim, a comemoração da data com uma breve festividade. São enviados presentes aos pobres (matanot laevionim) e vários tipos de alimentos para no mínimo uma pessoa (mishloach manot).

A festa de Purim é bem diferente da festa de Chanucá, onde a comemoração se dá através do acendimento da Menorah e a recitação do Hallel. Apesar de tomarmos as festividades de Purim quase como automáticas, seria aconselhável nos perguntarmos por que e como estes modos de observação foram estabelecidos para esta festa.

A libertação dos judeus das maquinações de Haman teve início em Pessach, quando Esther fez a sua primeira aproximação do rei. Seria então possível sugerirmos que Mordechai moldou a festa de Purim, até certo ponto, segundo os modelos de Pessach? Se este é o caso então o modo de observação de Purim cai em um padrão bastante distinto.

O tema básico de Purim é a história da libertação. Assim como o êxodo do Egito, temos a obrigação de lembrar desta história. Em Purim também a história é contada, através da leitura da Meguilá.

Na experiência de Pessach, procuramos reviver os acontecimentos e experimentar os efeitos numa nova realidade, chamada de liberdade. Assim, fazemos muitas coisas para dar significado à noção de liberdade. Com relação à Purim, uma das coisas que a comunidade judaica não tinha capacidade de realizar depois do decreto, era a de festejar ou comemorar qualquer tipo de evento. Precisamente porque as suas vidas corriam perigo, qualquer celebração estava fora de cogitação.

Desta forma, se justifica o fato de que em Purim as pessoas façam o que não podiam fazer anteriormente, ou seja, ter uma enorme celebração. No entanto, da mesma forma que experimentamos o gosto amargo da servidão, através da história e através do gosto amargo das ervas que comemos em Pessach, assim também experimentamos a sensação de perigo para o nosso povo, através do jejum anterior a Purim. O jejum, chamado de “Jejum de Ester” em homenagem ao papel principal de Ester, não acontece no mesmo dia dos três outros dias de jejum.

Assim, da mesma forma em que em Pessach o gosto amargo precede a sensação de liberdade, assim também em Purim, o jejum precede as festividades.

Da mesma forma em que somos obrigados a jejuar, também devemos presentear aos pobres e dar comida para ao menos um indivíduo. O objetivo disto é permitir que os pobres consigam o necessário para a celebração de Purim.

Isto é remanescente de Pessach, ao mesmo tempo em que é um afastamento desta festa. Em Pessach também dividimos com outras pessoas, mas de uma forma diferente, insistimos para todos que se juntem a nós. A casa é aberta a todos que necessitem de companhia para o Seder. Em Purim, não há obrigação de abrir-se as portas. Ao contrário, tiramos de nossa casa para darmos aos outros. Se Purim tivesse que seguir os modelos de Pessach, por que teria sido sugerido que a comida fosse mandada, ao invés de fazer com que as pessoas recebessem outras em sua própria casa, tornando-as convidadas da festa de Purim?

Pode ser que os sábios da época, reconhecendo que muitas das dificuldades que a comunidade enfrentava, ocorriam devido ao excesso de festividade, não queriam criar uma situação onde isto pudesse acontecer novamente. Se a casa aberta para as festividades acontecesse novamente se tornando uma norma, as coisas poderiam fugir ao controle, e ao invés de uma sensível celebração espiritual, a festividade seria do tipo agressivo e incontrolável.

Assim, o método escolhido ajudava a todas as pessoas da comunidade, possibilitando a celebração maior em cada casa individualmente. Desta forma, o próprio indivíduo escolheria a sua forma de celebrar a sua festa; resumindo, não nos parece absurdo afirmar que os rituais relativos à Purim se parecem com os de Pessach. Em Pessach nós celebramos a liberdade, em Purim nos alegramos pela liberdade a ser comemorada.

Tradições de Purim

  • Leitura da Meguilá: podemos reviver os eventos milagrosos de Purim se ouvirmos atentamente a leitura da Meguilat Esther (rolo de Esther). As leituras de noite e no dia seguinte são obrigatórias. Além da presença dos adultos, também a presença das crianças é marcante, pois são elas as responsáveis em fazer barulho com os seus reco-recos (raashanim) toda vez que o nome de Haman é mencionado.
  • Mishloar Manot (alimentos como presente): Em Purim é enfatizado a união e a amizade entre as pessoas através do envio de duas espécies de comestíveis, como presente, a um amigo.
  • Matanot Laevionim (presente aos necessitados): Dentre os valores do Judaísmo, o interesse e a dedicação para com os necessitados está presente durante o ano todo. Porém, esta Mitzvá é característica de Purim. Fazer um donativo para duas pessoas neste dia é uma mitzvá muito importante.
  • Jejum de Esther: no dia anterior a Purim é costume se jejuar (Taanit Esther).
  • O fim do dia de Purim é marcado por uma refeição festiva reunindo familiares e amigos.
  • As crianças usam fantasias lembrando os principais personagens da história de Purim.
  • Acrescentamos o parágrafo “Al Hanissim” na grande oração e durante a recitação da “Bircat Hamazon” (bênção após as refeições).

PURIM E KIPURIM

A similaridade entre estes dois nomes hebraicos relativos ao dia do Perdão e à Purim é óbvia. Esta similaridade foi um convite aos rabinos de todas as gerações a fazer comparações entre as festas e encontrar nelas um denominador comum.

Os judeus de nossa geração estão ligados a um pacto apresentado a eles por Mordechai e Ester. Nossos sábios afirmam que foi o Kiblu Vekimu da época de Purim, aceito pelos nossos patriarcas, o responsável pela união entre nós e as futuras gerações. Rashi (em Ki Tissa) prova que a Segunda tábua foi apresentada ao povo judeu em Iom Há-kipurim, depois de Moisés Ter descido do Monte Sinai uma terceira vez. Na verdade, o Talmud nos fala que este foi um dos dias festivos do calendário judaico. Foi um dia de renovação do compromisso, na medida em que os judeus receberam a Torah novamente, apesar de isenta agora da revelação.

As características de Iom Kipur, arrependimento, oração e ofertas aos pobres, são também características de Purim. Os últimos dos itens são muito claros. O jejum de Ester e a leitura da Meguilá são facilmente identificados com as rezas dos rituais de Kipurim. Há ainda uma mitzvá específica – Matanot Laevionim – presente aos pobres.

O aspecto de Tshuvá pode ser encontrado no Lech Kenoset col Hayehudim. É a resposta ao que poderia ser mesmo considerado uma fraqueza percebida até mesmo por Haman. “Há um povo disperso e dividido”. “Ieshno am echad mefuzar umforad”.

PERGUNTAS

1. Por que não é mencionado o nome de D-us na Megilá?

Existem diversas explicações, porém todas um tanto forçadas e pouco convincentes.

Alguns dizem que o Livro de Ester não foi originalmente escrito como um texto sagrado, mas sim como um documento “jornalístico”, cuja finalidade era simplesmente divulgar aqueles eventos históricos. Daí a omissão do nome de D-us.

Outros alegam que o Nome Divino foi omitido para ressaltar a suprema dedicação de Ester ao seu povo, para que não fossem ofuscados de nenhuma forma seu heroísmo e coragem.

Alguns acham que D-us intencionalmente deixou de Se revelar na Megilá, conforme Sua própria afirmação numa passagem bíblica: “Ve anochi haster astir panai”, “E certamente esconderei Minha face” (Dt 31:18). É curioso observar que duas palavras hebraicas nesta frase, haster e astir, soam e se soletram quase igual a “Ester”.

Ainda outra interpretação é que o autor da Megilá absteve-se de qualquer referência direta à Divina Providência, temendo que o nome de D-us pudesse ser profanado durante a leitura do texto em Purim, ocasião em que se permitem certos excessos.

Seja como for, a ausência do nome de D-us quase provocou a rejeição da Megilá como parte da Bíblia. No entanto, essa omissão não diminui em nada nossa profunda fé no Todo-Poderoso, e nossa crença de que a milagrosa salvação dos judeus persas não teria acontecido sem a Sua proteção.

2. Por que é costume realizar uma refeição festiva, trocar presentes e dar caridade aos pobres em Purim?

Todos esses costumes provêm de um versículo na Megilá: “... deveriam ser dias de festa e alegria, e neles enviariam presentes uns aos outros (mishloach manot, literalmente “enviar porções de suas iguarias”) e dariam donativos aos pobres (matanot la ‘evyonim)” (Ester 9:22).

Mais ainda, o relato da Megilá ressalta que a união dos judeus persas foi um dos fatores que mais contribuiu para sua vitória sobre Haman: “Os judeus que estavam espalhados pelas províncias do rei se juntaram para defender suas vidas” (Ester 9:16). Perpetuando os costumes de “mishloach manot” e “matanot la’evyonim” em Purim, demonstramos simbolicamente que continuamos unidos no espírito de fraternidade e solidariedade.

3. Por que é costume usar fantasias e máscaras em Purim?

Uma das interpretação é que as fantasias e as máscaras só mudam a aparência exterior, mas a substância interior permanece inalterada. Neste contexto, fantasiamo-nos em Purim em recordação dos judeus persas, que muitas vezes eram obrigados a seguir os costumes pagãos decretados pelo rei, porém no intimo continuavam fiéis à sua herança judaica.

4. Por que é costume tomar bebidas alcoólicas na refeição festiva de Purim?

O vinho está sempre presente nas festividades judaicas, porém em doses comedidas. Em Purim, no entanto, permitem-se certos excessos que normalmente são desaconselhados. Isto por que, baseando-se nas palavras da Megilá, “dias de festa e alegria”, e no fato de que Ester preparou um banquete com vinho para o Rei Achashverosh, os rabinos do Talmud deduziram que era uma Mitzvá tomar bebidas alcoólicas em Purim, até o ponto de não conseguir mais distinguir entre as frases “bendito seja Mordechai” e "maldito seja Haman” – os versos que concluíam um longo poema tradicionalmente recitado nessa ocasião.

Talvez por esta razão a refeição festiva de Purim (seudá) realiza-se somente no final da tarde. Desta forma, as outras obrigações referentes ao feriado (leitura do Livro de Ester, caridade, etc.) podem ser cumpridas durante o dia, enquanto todos ainda estão sóbrios.

5. O que são hamantaschen?

Hamantaschen são pãezinhos triangulares tradicionalmente servidos em Purim, recheados com sementes de papoula. O nome em alemão significa “bolsos de Haman”. Em hebraico, são chamados oznei Haman, “orelhas de Haman”. Não existe nenhuma explicação lógica para esses nomes, nem para a interpretação popular de que a forma triangular representa o chapéu de três pontas usado por Haman.

De acordo com o Midrash, Haman era extremamente arrogante e tinha certeza absoluta de que conseguiria aniquilar os judeus. O único pensamento que diminuía um pouquinho sua autoconfiança era que os três Patriarcas pudessem interceder em prol dos filhos de Israel perante o Trono celestial. Daí, as três pontas do hamantaschen simbolizam Abraão, Isaac e Jacob.

 

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