O livramento de D-us
O livramento de D-us
Após a promulgação do decreto de Haman que exterminaria por completo os judeus no reino de Achasverosh, temos então a estratégia do Altíssimo para dar ao seu povo o livramento necessário naquela situação caótica.
Nada parecia ter qualquer nexo, pois os judeus foram apanhados de surpresa e nada puderam fazer para evitar a promulgação do tal decreto. A reação de Mordechai, do povo e da rainha foram a mesma: surpresa e dor. Mas, apesar da situação ainda havia alguém que controlava sistematicamente cada movimento, cada palavra, cada ato tanto dos persas (gentios), quanto dos judeus.
Agora, os personagens ocultos na história começarão a revelar-se e passo a passo veremos que aquilo que foi feito em oculto agora vem à luz e nos mostra a verdadeira face do inimigo.
Até pouco tempo antes das revelações finais, o inimigo imagina estar levando vantagem em tudo e que seu plano maléfico terá um bom curso. Quando a rainha Esther se chega ao rei, ela lhe faz um pedido: “Disse o rei a Esther, no banquete do vinho: Qual é a tua petição? E ser-te-á concedida, e qual é o teu desejo? E se fará ainda até metade do reino. Então respondeu Esther, e disse: Minha petição e desejo é: Se achei graça aos olhos do rei, e se bem parecer ao rei conceder-me a minha petição, e cumprir o meu desejo, venha o rei com Haman ao banquete que lhes hei de preparar, e amanhã farei conforme a palavra do rei. Então saiu Haman naquele dia alegre e de bom ânimo; porém, vendo Mordechai à porta do rei, e que ele não se levantara nem se movera diante dele, então Haman se encheu de furor contra Mordechai. Haman, porém, se refreou, e foi para sua casa; e enviou, e mandou vir os seus amigos, e Zeres, sua mulher. E contou-lhes Haman a glória das suas riquezas, a multidão de seus filhos, e tudo em que o rei o tinha engrandecido, e como o tinha exaltado sobre os príncipes e servos do rei. Disse mais Haman: Tampouco a rainha Esther a ninguém fez vir com o rei ao banquete que tinha preparado, senão a mim; e também para amanhã estou convidado por ela juntamente com o rei. Porém tudo isto não me satisfaz, enquanto eu vir o judeu Mordechai assentado à porta do rei. Então lhe disseram Zeres, sua mulher, e todos os seus amigos: Faça-se uma forca de cinqüenta côvados de altura, e amanhã dize ao rei que nela seja enforcado Mordechai; e então entra alegre com o rei ao banquete. E este conselho bem pareceu a Haman, que mandou fazer a forca” (Et 5:6-14).
O pedido da rainha já demonstra a estratégia divina: o convite para um banquete. A rainha demonstra que quer ter intimidade – no sentido de ter comunhão plena com seus convidados – e então pede para convidar ao evento o maligno Haman. Para ele isso é algo extremamente importante, pois demonstra o quanto ele é “importante” para a rainha! Sua postura é tão mundana e arrogante que ele ainda chama seus vizinhos e amigos para contar-lhes sobre o fato! Ele agora vai vangloriar-se disso e durante esta conversa surge a idéia de fazer-se uma força para que Mordechai seja nela morto!
Enquanto o maligno festeja e trama sua eminente vitória, nos bastidores o Eterno está trabalhando a fim de que seus propósitos sejam cumpridos plenamente.
Enquanto Haman “contava vantagem” aos seus familiares e amigos, o rei padecia de insônia. Foi neste momento que a história começou a mudar de rumo. A Escritura nos diz assim: “Naquela mesma noite fugiu o sono do rei; então mandou trazer o livro de registro das crônicas, as quais se leram diante do rei. E achou-se escrito que Mordechai tinha denunciado Bigtã e Teres, dois dos camareiros do rei, da guarda da porta, que tinham procurado lançar mão do rei Achasverosh. Então disse o rei: Que honra e distinção se deu por isso a Mordechai? E os servos do rei, que ministravam junto a ele, disseram: Coisa nenhuma se lhe fez. Então disse o rei: Quem está no pátio? E Haman tinha entrado no pátio exterior da casa do rei, para dizer ao rei que enforcassem a Mordechai na forca que lhe tinha preparado. E os servos do rei lhe disseram: Eis que Haman está no pátio. E disse o rei que entrasse. E, entrando Haman, o rei lhe disse: Que se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada? Então Haman disse no seu coração: De quem se agradaria o rei para lhe fazer honra mais do que a mim? Assim disse Haman ao rei: Para o homem, de cuja honra o rei se agrada, tragam a veste real que o rei costuma vestir, como também o cavalo em que o rei costuma andar montado, e ponha-se-lhe a coroa real na sua cabeça. E entregue-se a veste e o cavalo à mão de um dos príncipes mais nobres do rei, e vistam delas aquele homem a quem o rei deseja honrar; e levem-no a cavalo pelas ruas da cidade, e apregoe-se diante dele: Assim se fará ao homem a quem o rei deseja honrar!” (Et 6:1-9). Agora, após a leitura do livro das crônicas (registros) reais, surge então um fato novo: a descoberta de que a vida do rei havia sido salva por um desconhecido. Então, naturalmente surge a pergunta: “o que se fez a este homem que salvou minha vida?” Pergunta o rei. A resposta é obvia: nada!
Agora, surge o maligno Haman, que chegara com o intento de que se pedisse ao rei para enforcar Mordechai. Sua presença é solicitada diante do rei que lhe faz uma pergunta muito subjetiva: “E, entrando Haman, o rei lhe disse: Que se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada? Então Haman disse no seu coração: De quem se agradaria o rei para lhe fazer honra mais do que a mim?”. Logo após a pergunta os pensamentos de Haman levam-no a concluir que tal honra só poderia ser dirigida à ele mesmo! Novamente, o orgulho e a soberba deste homem afloram em uma sucessão de palavras que, em seu coração, lhe trarão ainda mais orgulho e prestígio. Ele declara ao rei que tal homem deveria ser publicamente honrado para que toda a cidade pudesse saber o que faria o rei àquele de quem se agradasse.
Então vem a péssima notícia para Haman, e que precede a sua derrota final: “Então disse o rei a Haman: Apressa-te, toma a veste e o cavalo, como disseste, e faze assim para com o judeu Mordechai, que está assentado à porta do rei; e coisa nenhuma omitas de tudo quanto disseste. E Haman tomou a veste e o cavalo, e vestiu a Mordechai, e o levou a cavalo pelas ruas da cidade, e apregoou diante dele: Assim se fará ao homem a quem o rei deseja honrar! Depois disto Mordechai voltou para a porta do rei; porém Haman se retirou correndo à sua casa, triste, e de cabeça coberta. E contou Haman a Zeres, sua mulher, e a todos os seus amigos, tudo quanto lhe tinha sucedido. Então os seus sábios e Zeres, sua mulher, lhe disseram: Se Mordechai, diante de quem já começaste a cair, é da descendência dos judeus, não prevalecerás contra ele, antes certamente cairás diante dele. E estando eles ainda falando com ele, chegaram os camareiros do rei, e se apressaram a levar Haman ao banquete que Esther preparara” (Et 6:10-14). Hamam agora transforma-se num instante de um homem a ser honrado, num arauto (proclamador) que deverá honrar ao seu maior inimigo! Toda a honra e orgulho de grande Haman agora se transformam em nada! Aquele que julgava receber uma grande honraria é obrigado a confessar cm seus próprios lábios que o seu maior inimigo está agora sendo honrado pelo rei, pois caiu nas graças do mesmo!
É justamente este fato que introduz a derrota total de Haman. Isso produz nele tristeza e vergonha, fazendo com que volte para casa com sua cabeça coberta. Agora, a família e os amigos que o haviam aconselhado a construir a forca para Mordechai, lhe dizem que este fato já é um sinal claro de que ele não prevalecerá contra os judeus! O próprio inimigo já reconhece a sua derrota, independentemente de haver uma data marcada para o extermínio dos judeus, ou mesmo um decreto real autorizando o massacre, mesmo assim os inimigos dos judeus já antevêem a sua derrota diante dos judeus! É interessante que enquanto lutamos para alcançarmos nossos objetivos, os nossos próprios inimigos “profetizam” sua derrota – ainda que não o vejamos e não o saibamos – e caem em desgraça e descrédito aos olhos de todos!
O golpe final no inimigo
Após a declaração de sua iminente derrota, temos agora a consumação da mesma através de uma revelação extraordinária: a rainha Esther é judia! “Vindo, pois, o rei com Haman, para beber com a rainha Esther, disse outra vez o rei a Esther, no segundo dia, no banquete do vinho: Qual é a tua petição, rainha Esther? E se te dará. E qual é o teu desejo? Até metade do reino, se te dará. Então respondeu a rainha Esther, e disse: Se, ó rei, achei graça aos teus olhos, e se bem parecer ao rei, dê-se-me a minha vida como minha petição, e o meu povo como meu desejo. Porque fomos vendidos, eu e o meu povo, para nos destruírem, matarem, e aniquilarem de vez; se ainda por servos e por servas nos vendessem, calar-me-ia; ainda que o opressor não poderia ter compensado a perda do rei. Então falou o rei Achasverosh, e disse à rainha Esther: Quem é esse e onde está esse, cujo coração o instigou a assim fazer? E disse Esther: O homem, o opressor, e o inimigo, é este mau Haman. Então Haman se perturbou perante o rei e a rainha. E o rei no seu furor se levantou do banquete do vinho e passou para o jardim do palácio; e Haman se pôs em pé, para rogar à rainha Esther pela sua vida; porque viu que já o mal lhe estava determinado pelo rei. Tornando, pois, o rei do jardim do palácio à casa do banquete do vinho, Haman tinha caído prostrado sobre o leito em que estava Esther. Então disse o rei: Porventura quereria ele também forçar a rainha perante mim nesta casa? Saindo esta palavra da boca do rei, cobriram o rosto de Haman. Então disse Harbona, um dos camareiros que serviam diante do rei: Eis que também a forca de cinqüenta côvados de altura que Haman fizera para Mordechai, que falara em defesa do rei, está junto à casa de Haman. Então disse o rei: Enforcai-o nela. Enforcaram, pois, a Haman na forca, que ele tinha preparado para Mordechai. Então o furor do rei se aplacou” (Et 7:1-10).
Durante o banquete – que supostamente traria mais honra e fama a Haman, ocorre a estupenda revelação: ele arquitetara um plano a fim e destruir os judeus e agora seu intento maligno é exposto diante do rei! E a rainha inclui-se entre os judeus, chamando-os de “meu povo”. A atitude do rei é imediata: ele levanta-se e começa a andar pelo jardim, pensando naquilo que haveria de fazer com Haman. Este por sua vez tenta “safar-se” do mal que lhe sobreviria, mas cai prostrado sobre o leito da rainha! Quando o rei vê esta cena, ele imediatamente ordena a morte de Haman, que é morto na forca que ele mesmo preparara para Mordechai. Existe um ditado popular que diz: “O feitiço virou-se contra o próprio feiticeiro”. E neste caso ele cumpriu-se literalmente!
Agora, finalmente o opressor dos judeus está liquidado e não mais incomodará. Mas, falta algo. Ainda há um decreto real que precisa ser anulado! Porém, um decreto real persa jamais pode ser anulado! O que fazer então? Novamente temos aqui a intervenção do Eterno entre os judeus. O texto nos diz o seguinte: “Naquele mesmo dia deu o rei Achasverosh à rainha Esther a casa de Haman, inimigo dos judeus; e Mordechai veio perante o rei, porque Esther tinha declarado quem ele era. E tirou o rei o seu anel, que tinha tomado de Haman e o deu a Mordechai. E Esther encarregou Mordechai da casa de Haman. Falou mais Esther perante o rei, e se lhe lançou aos seus pés; e chorou, e lhe suplicou que revogasse a maldade de Haman, o agagita, e o intento que tinha projetado contra os judeus. E estendeu o rei para Esther o cetro de ouro. Então Esther se levantou, e pôs-se em pé perante o rei, e disse: Se bem parecer ao rei, e se eu achei graça perante ele, e se este negócio é reto diante do rei, e se eu lhe agrado aos seus olhos, escreva-se que se revoguem as cartas concebidas por Haman filho de Hamedata, o agagita, as quais ele escreveu para aniquilar os judeus, que estão em todas as províncias do rei. Pois como poderei ver o mal que sobrevirá ao meu povo? E como poderei ver a destruição da minha parentela? Então disse o rei Achasverosh à rainha Esther e ao judeu Mordechai: Eis que dei a Esther a casa de Haman, e a ele penduraram numa forca, porquanto estendera as mãos contra os judeus. Escrevei, pois, aos judeus, como parecer bem aos vossos olhos, em nome do rei, e selai-o com o anel do rei; porque o documento que se escreve em nome do rei, e que se sela com o anel do rei, não se pode revogar. Então foram chamados os escrivães do rei, naquele mesmo tempo, no terceiro mês (que é o mês de Sivã), aos vinte e três dias; e se escreveu conforme a tudo quanto ordenou Mordechai aos judeus, como também aos sátrapas, e aos governadores, e aos líderes das províncias, que se estendem da Índia até Etiópia, cento e vinte e sete províncias, a cada província segundo o seu modo de escrever, e a cada povo conforme a sua língua; como também aos judeus segundo o seu modo de escrever, e conforme a sua língua. E escreveu-se em nome do rei Achasverosh e, selando-as com o anel do rei, enviaram as cartas pela mão de correios a cavalo, que cavalgavam sobre ginetes, que eram das cavalariças do rei. Nelas o rei concedia aos judeus, que havia em cada cidade, que se reunissem, e se dispusessem para defenderem as suas vidas, e para destruírem, matarem e aniquilarem todas as forças do povo e da província que viessem contra eles, crianças e mulheres, e que se saqueassem os seus bens, num mesmo dia, em todas as províncias do rei Achasverosh, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de Adar; e uma cópia da carta seria divulgada como decreto em todas as províncias, e publicada entre todos os povos, para que os judeus estivessem preparados para aquele dia, para se vingarem dos seus inimigos. Os correios, sobre ginetes velozes, saíram apressuradamente, impelidos pela palavra do rei; e esta ordem foi publicada na fortaleza de Susã. Então Mordechai saiu da presença do rei com veste real azul-celeste e branco, como também com uma grande coroa de ouro, e com uma capa de linho fino e púrpura, e a cidade de Susã exultou e se alegrou. E para os judeus houve luz, e alegria, e gozo, e honra. Também em toda a província, e em toda a cidade, aonde chegava a palavra do rei e a sua ordem, havia entre os judeus alegria e gozo, banquetes e dias de folguedo; e muitos, dos povos da terra, se fizeram judeus, porque o temor dos judeus tinha caído sobre eles” (Et 8:1-17).
Agora o “candidato à forca” - Mordechai - recebe a incumbência de trazer o juízo sobre a casa de Haman, recebe a autoridade que fora designada ao seu inimigo, representada pelo anel que ele recebe.
O decreto real não pode ser anulado, mas Esther e Mordechai recebem do rei o seu próprio anel para escreverem uma nova lei e a promulgarem a fim de poderem defender-se da ameaça maligna. A lei é distribuída rapidamente pelos mensageiros reais.
Mordechai – como representante do povo judeu – recebe grandes honrarias: “Então Mordechai saiu da presença do rei com veste real azul-celeste e branco, como também com uma grande coroa de ouro, e com uma capa de linho fino e púrpura, e a cidade de Susã exultou e se alegrou”. Novamente temos aqui um homem que de perseguido é agora honrado, e isso justamente com as cores da bandeira de Israel, além de ter sobre si uma coroa de ouro – com poder para reinar – e coberto com um manto de linho fino e púrpura. Ele representa Ieshua, que foi perseguido pelo inimigo, foi morto, mas ao terceiro dia venceu definitivamente ao maligno. A sua vitória confirma que: “E para os judeus houve luz, e alegria, e gozo, e honra. Também em toda a província, e em toda a cidade, aonde chegava a palavra do rei e a sua ordem, havia entre os judeus alegria e gozo, banquetes e dias de folguedo; e muitos, dos povos da terra, se fizeram judeus, porque o temor dos judeus tinha caído sobre eles”.
Agora só nos resta então rogarmos ao Eterno que nos dê a plenitude da obediência para podermos contemplar aquilo que Ele nos fará, ainda que aos nossos olhos sua ação seja tardia, morosa e não atinja nossas expectativas. Mas certamente veremos o livramento do Senhor Sobre nós!
Hag Semeach!
Mário Moreno
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