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Shavuot: a dádiva da Torah

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Escrito por Mário Moreno Dom, 05 de Junho de 2011 15:58

Shavuot: a dádiva da Torah

O que é Shavuot?

Foi chocante. Mais de dois milhões de pessoas em pleno deserto frente ao pequeno Monte Sinai esperavam ansiosamente por este momento. Há 50 dias eles saíram milagrosamente do Egito e agora D'us lhes disse que chegou o grande momento: D'us e o povo de Israel iam unir-se num pacto eterno - a entrega da Torah. A "aliança" deste matrimônio cósmico seria os Dez Mandamentos (entregues posteriormente através de Moshé Rabeinu, nas Luchot Habrit - Tábuas da Aliança).

Assim, 7 semanas após Pessach temos então Shavuot, onde D'us e o povo de Israel juraram fidelidade um ao outro (Shavuot em hebraico também significa "Juramentos"). Para D'us, Israel é o povo escolhido, a nação (noiva) eleita. O povo de Israel disse a D'us: Tudo o que D'us exige de nós através da Torah e das MItsvót (Mandamentos), primeiro faremos e depois procuraremos entender (Naassê Venishma). Foi mais que um momento histórico. Foi um evento espiritual que mexeu com a essência da alma judaica.

Shavuot comemora a primeira e única vez em que o Criador e Mestre do Universo se revelou abertamente diante de um povo.

No dia 6 de Sivan (terceiro mês), no ano 2448 (da criação do mundo) recebemos a Torah no Monte Sinai.

No segundo dia de Shavuot lembramos o dia de nascimento e morte do Rei David. É costume ler o livro de Ruth, que relata sobre os antepassados de David, pois Ruth foi sua avó.

O primeiro dia de Shavuot é o aniversário da morte do Baal Shem Tov fundador do movimento chassídico.

Shavuot - A festa das semanas - é assim chamada porque vem ao fim das sete semanas da contagem do Omer. Esta contagem tem início no segundo dia de Pessach, e após 49 dias, tem início Shavuot.

Em Pessach somos libertos do Egito, mas não basta ser livre para se fazer o que se quer fazer, mas precisa-se ser livre para se fazer o que se deve fazer, pois que não há, realmente, diferença de quem é escravo do outro e o que é escravo de seus instintos.

Shavuot é a segunda das Três Festas de Peregrinação [Shlosha Regalim] que acontece exatamente cinqüenta dias após Pessach. Em Pessach o crente recebe libertação na área física; já em Shavuot esta mesma libertação ocorre a nível da alma; este é o tempo em que nossas almas (emoções e intelecto) serão totalmente libertos pelo Senhor!

A primeira dádiva que Israel recebeu em Shavuot foi a Outorga da Torah por D'us a todo o povo judeu, há mais de 3300 anos atrás. Em hebraico, a palavra "Shavuot" significa "semanas", e representa as sete semanas durante as quais o povo judeu se preparou à Outorga da Torah. Durante este tempo, ele se despojou das cicatrizes do cativeiro e se tornou uma nação santa, pronta a postar-se perante D'us.

É espantoso que, antes de qualquer outra coisa, o Eterno deu ao seu povo a sua Palavra! Após a libertação física do Egito, havia agora a necessidade do Eterno curar seu povo das feridas que ao longo do tempo foram feitas em sua alma e que certamente deixaram muitas cicatrizes... Agora, através da Torah, o Eterno estava dando à seu Povo uma oportunidade de terem suas almas totalmente restauradas somente através da Palavra...

Um outro detalhe: D-us dá ao seu povo a Sua Palavra no Sinai; séculos depois este mesmo D-us dá ao mundo novamente a sua Palavra: Ieshua! João nos diz o seguinte: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Elohim, e a Palavra era Elohim” (Jo 1:1); nos diz também: “E a Palavra se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14).

A Outorga da Torah significou muito mais que um acontecimento histórico. Foi um evento espiritual de longo alcance, que tocou a essência da alma judaica, por todos os tempos. Nossos sábios comparam-na ao casamento entre D'us e o povo judeu. Nós nos tornamos Sua nação especial, e Ele tornou-se nosso D'us.

Na primeira noite de Shavuot é costume voltar para a sinagoga após o jantar para recitar "Tikún Lêl Shavuót". Este livro contém os primeiros e últimos versos de todas as porções dos nossos livros sagrados: da Torah, dos Profetas, da Mishná, do Zohar, etc. Existe o costume de usar mel na confecção de bolos e massas, e fazer refeições de derivados de leite, por ser a Torah comparada ao leite e mel.

O que é Torah?

É onde encontramos a sabedoria e a vontade de D'us. É composta de duas partes: a lei escrita e a lei oral. A lei escrita são os 5 livros de Moisés, os Profetas e as Escrituras (este conjunto é chamado de “Tanach”). Junto com a lei escrita foi dada a lei oral que explica e esclarece o significado da lei escrita. Ela foi transmitida oralmente de geração em geração (preservada por nossos grandes sábios) e finalmente foi transcrita em forma de Talmud, Midrash e Cabalá. Assim através das gerações, nosso povo vem estudando estas obras, Divinas e uma corrente contínua de tradição se estende de geração em geração, ligando os eruditos dos dias de hoje à Revelação Divina do Monte Sinai..

“Outros códigos de Leis, originados ou transmitidos unicamente por seres humanos – mesmo que forem semelhantes aos mandamentos da Torah – estão sujeitos a mudanças. Mas as leis explicitamente promulgadas pelo Criador do Universo são absolutas. Como a Fonte que as originou é infinita, Imutável e Perfeita, também o são suas leis. Nenhum ser humano pode mudá-las nem tampouco delas se livrar.

Mas a outorga da Torah teve um significado ainda maior: foi um ato de Cima para baixo; cruzou a distância infinita entre D-us e o mundo que Ele criou”.

Na era messiânica, a verdade será revelada e o mundo inteiro irá reconhecer que a Torah é o verdadeiro ensinamento divino à humanidade.

Os Dez Mandamentos

Quando D'us Se revelou no Monte Sinai, todo o nosso povo ouviu Sua voz proclamando os Dez Mandamentos: 1) Eu Sou o Senhor teu D'us que te tirou da terra do Egito; 2) Não terás outros deuses diante de Mim; 3) Não tomarás o nome do Senhor teu D'us em vão; 4) Lembra-te do Shabat para mantê-lo sagrado; 5) Honra teu pai e tua mãe; 6) Não matarás; 7) Não cometerás adultério; 8) Não roubarás; 9) Não levantarás falso testemunho; 10) Não cobiçarás. Estes Dez Mandamentos abrangem desde o mais elevado e refinado conceito da crença da unicidade de D'us até às leis mais básicas que todas as sociedades acharam necessárias para cumprir os princípios de não matar e não roubar.

Os Dez Mandamentos têm um total de 620 letras, correspondendo aos 613 preceitos da própria Torah e mais sete estabelecidos pelos sábios. Disto, podemos concluir que também os decretos rabínicos originam-se da intenção Divina.

Os Dez Mandamentos foram inscritos em duas tábuas. Os primeiros cinco, na primeira tábua, falam sobre o comportamento entre a pessoa e D'us (O quinto manda respeitar os pais que nos deram à luz, lembrando-nos de D'us que nos criou). Os últimos cinco, na segunda tábua, relacionam mandamentos entre a pessoa e seu semelhante.

A Torah contém 613 mandamentos, dos quais 248 são positivos ("o que farás") e 365 são negativos ("o que não farás"). Estes preceitos ligam o povo judeu a D'us e a seu semelhante, ao real objetivo de nossas vidas no mundo material e nossa conexão permanente com o mundo espiritual, onde um não se desvincula do outro.

Com esta divisão temos então, através de 365 dias do ano, mandamentos que nos guiam para que sejamos preservados do pecado. Ou seja, a cada dia do ano o Eterno nos diz: “Não peque!” Em contrapartida, temos também 248 mandamentos positivos. Este número equivale à soma de ossos do corpo humano. Então agora o Eterno nos diz que com cada osso de nosso corpo – com todo nosso ser – devemos obedecê-lo guardando a sua Palavra!

Os preceitos e mandamentos cobrem todas as fases da vida judaica, todas as atitudes para com o próximo e a maneira de reverenciar D'us, para atingir os mais altos padrões morais.

Os dez mandamentos hoje

1) Eu Sou o IHVH teu D'us que te tirou da terra do Egito; aqui o Eterno diz que é – IHVH – “Eu me torno aquilo que me torno”, teu Elohim (Criador). Portanto ele era o único que poderia ter tirado Israel da terra do Egito!

2) Não terás outros deuses diante de Mim; O Eterno fala aqui de não ter outros deuses à sua face, o que significa que diante d’Ele todos os outros nada são. Como poderiam então ser chamados de deuses? Tudo aquilo que colocamos acima do Eterno torna-se para nós em um deus! Somente o Eterno deve ter prioridade em nossa vida e em nosso coração! Ele deve ocupar o lugar de honra e deve ser o ponto mais alto em toda a nossa vida!

3) Não tomarás o nome do IHVH teu D'us em vão; mas o que significa isso? A palavra nome em hebraico é shem. Na Tanach o conceito de nomes pessoais incluía idéias de existência, caráter e reputação. Isso nos fala de três coisas que caracterizam o Eterno: sua existência (Ele é real), seu caráter (imutável e justo) e sua reputação (Ele jamais mente nem engana a ninguém). Por isso Israel não deveria tomar o nome – IHVH – do seu Elohim em vão! Este nome é tão sagrado que não deve ser pronunciado! Durante as épocas a sonorização do nome do Eterno foi perdida. Por isso hoje os judeus substituem o tetragrama por Adonai ou Há Shem (O nome). Este é um aspecto do mandamento que precisa ser por nós aprendido: não devemos ter este nome tão belo em nossos lábios em momentos fúteis ou por brincadeira! Quando o Eterno abre seus lábios e diz qualquer palavra, esta muda vidas, transforma situações, e altera até mesmo aquilo que está criado! Nós dizemos que o Eterno jamais joga palavras fora...

4) Lembra-te do Shabat para mantê-lo sagrado; a palavra “lembrar-se” é zakar, que significa “pensar, meditar, dar atenção a, lembrar”. Sábado em hebraico é shabath, que significa descanso. Então nós devemos neste dia dar atenção a ele separando-o e descansando... Isso parece tão óbvio mas muitos não obedecem a este mandamento. Há ainda outras coisas que devemos considerar: “Mas o sétimo dia é o sábado do IHVH teu Elohim; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas” (Êx 20:10). A Escritura nos fala de “sétimo dia” que é o Sábado (descanso) do Senhor. Isso implica haverem “sábados” que não pertencem ao Senhor. Para quem conhece a história isso está muito claro, pois os homens foram usados por Satanás a fim de mudarem a realidade do mandamento do Eterno, tentando assim substituir o Sábado pelo Domingo. Há muito lógica na nomenclatura de nosso sistema nominal dos dias. O Domingo é o primeiro dia da semana, pois o segundo dia é a “Segunda-feira”. Porém na prática a coisa não funciona assim. A semana possui dois dias para o descanso (conforme foi instituído por Constantino), em clara oposição ao mandamento do Eterno. O sétimo dia (Sábado) é o dia em que se descansa de toda a obra – não somente nós mas também nossos funcionários e nossos animais – e isso precisa ser levado a sério por nós. Mas por que isso deve ser assim? “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o IHVH o dia do sábado, e o santificou” (Êx 20:11). Vejamos o que o Eterno fez a esse dia: o abençoou e o santificou. Mas quem fez isso? IHVH! Aquele que se torna aquilo que se torna instituiu o Sábado (descanso) e o abençoou: a palavra abençoar é barak, que significa “dar poder a alguém para ser próspero, bem sucedido e fecundo”! O Sábado é assim! Este é o dia de sermos (e de obtermos) prosperidade, sucesso e fecundidade! Foi justamente por isso que esse dia foi separado pelo Eterno, pois é nele (quando o guardamos) que o Eterno derrama suas melhores bênçãos! Vale a pena obedecer, pois esta é a condição primária para se receber a bênção do Eterno!

5) Honra teu pai e tua mãe; a palavra “honrar” vem do termo hebraico “kabed” que significa “honrado, glorioso”. A Torah então dá aos progenitores do homem uma importância tão grande que os filhos devem dar aos pais o respeito e a dignidade que como tais eles merecem. Isso inclui também a obediência e os cuidados que os filhos precisam dar aos pais quando a velhice chega. Interessante notarmos que há uma promessa que longevidade atrelada à este mandamento: “...para que se prolonguem teus dias sobre a terra...”. Os obedientes têm sempre uma vida mais longa na terra; já os desobedientes tem suas vidas ceifadas prematuramente pelo inimigo de nossas almas!

6) Não matarás; a palavra “matar” vem do termo “retsah” em hebraico que significa “assassinar, matar”. Esta palavra nos fala sobre a morte física que é perpetrada a outrem de forma inesperada. O assassinato – ou a morte - geralmente ocorre de tal forma que o agressor não dá à vítima qualquer chance de defesa. A palavra nos fala ainda sobre um outro tipo de “assassinato” que também traz graves conseqüências sobre a vida do homem: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo, Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno” (Mt 5:21-22); também “Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele” (I Jo 3:15). Estas atitudes também são geralmente tomadas contra o próximo de forma covarde, pelas costas.

7) Não cometerás adultério; a palavra “adultério” vem do termo hebraico “na´ap” com o mesmo significado. Na raiz desta palavra temos o significado de “ter relação sexual com a esposa ou prometida de outro”. Aqui, o adultério é configurado como uma relação ilícita (sexual) entre duas pessoas. Porém, Ieshua vai mais além quando diz: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5:27-28).

8) Não roubarás; a palavra “roubar” vem do termo hebraico “ganab” e significa “levar embora, roubar, sair furtivamente”. Basicamente a palavra significa “tirar aquilo que pertence a outrem sem o conhecimento ou consentimento deste”. Restringe-se aos atos de roubo feitos ocultamente. Isso nos ensina que nada devemos subtrair de ninguém, quer fisicamente, quer espiritualmente. Quando alguém nega a outrem a oportunidade de crescimento, progresso, sucesso, também está “roubando” desta pessoa algo que certamente a beneficiaria nas três dimensões de seu ser (corpo, alma e espírito). O roubo identifica seu autor com aquele que, no princípio, já agiu desta forma: há Satan! Ieshua diz sobre ele: “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (Jo 10:10).

9) Não levantarás falso testemunho; a tradução literal seria “não oprima ao amigo com testemunho mentiroso”. Isso acrescenta ainda mais responsabilidade ao que dizemos ao nosso próximo, pois quando lançamos com nossos lábios palavras falsas que tragam opressão ao nosso interlocutor, caímos então na prática deste pecado. É justamente por isso que somos lembrados a não dizermos palavras além daquilo que devemos ou sabemos. Ieshua declarou: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mt 5:37).

10) Não cobiçarás. Esta palavra “cobiçar” vem do termo hebraico “hamad” que significa literalmente "desejar, ter prazer em". Mas perguntaríamos: “Não posso desejar algo?” A resposta é sim e não. Sim, podemos desejar algo que nos seja lícito, ou seja, algo que não pertença a outrem. Não, não podemos desejar algo que já pertence à outrem, pois neste caso nosso desejo seria ilícito! Aqui é que entra a cobiça; ela é na realidade o desejo ilícito que se aloja em nossos corações e nos faz então tomar atitudes que contrariam a Palavra do Senhor. Quem cobiça geralmente o faz pensando somente em seu proveito próprio. A cobiça é egocêntrica; ela nunca pensa em dividir algo com alguém, mas sim em satisfazer seus desejos e ao instinto imediato da carne: possuir!

Em Shavuot celebramos o início do período de dádivas que o Eterno nos dará por todo o ano corrente. Em Shavuot iniciamos a colheita do trigo e é tempo de recebermos grandes porções de unção, dons e da presença do Espírito o Santo.

O nosso deleite será poder compartilhar destas e de outras bênçãos com todos os irmãos em Shavuot!

Rav. Mário Moreno

 

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