Parashá (Porções da Toráh)

A Parasha consiste na análise da porção do texto bíblico e a sua conexão com os livros profeticos, históricos, poéticos (Haftara). Esta análise é feita a partir do texto original em hebraico, destacando-se as palavras principais de cada versículo e sendo as mesmas analisadas no original.

Então é feita a ligação destes termos com os demais livros da Tanach (Velho Testamento). Nós, que cremos em Yeshua (Jesus) como o Messias, ampliamos esta ligação adicionando a dimensão do Brit Hadashá (Novo Testamento) ao nosso comentário.

:: Veja o exemplo de uma porção ::

Obs:Colocamos a disposição apenas um trecho de uma das porções.

Lech L'cha
Levanta-te e sai
(Gn 12.1 - 17.27)

...A promessa feita a Abrão tem uma caráter de reciprocidade: "E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldi- çoarem: e em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12.3). Perceba que há aqui um entrelaçamento entre a atitude dos outros para com Abrão (e também seus descendentes) e a atitude do Eterno para com estas pessoas! O que o Senhor quer dizer com isso? Ele quer dizer o seguinte: dependendo da atitude dos povos para com Abrão e seus descendentes Ele agiria de uma forma - no caso de os abençoarem - já quando fizessem o contrário, haveria um outro tipo de reação da parto do Senhor para com eles! Novamente isso nos mostra que o Senhor identificou-se de tal forma com seu povo que conforme são tratados Ele - o Senhor - está sendo tratado também! Temos aqui uma definição bem clara sobre isso: "abençoarei os que te abençoarem" quer dizer: "darei poder para serem prósperos, bem sucedidos e fecundos" todos os que, de alguma forma colaborarem com vocês, sejam em gestos, atos, palavras ou intenções! A palavra usada aqui para abençoar é barak. Mas há também o reverso desta situação que é: "amaldiçoarei os que te amaldiçoarem".

Isto está assim descrito no hebraico: a palavra "amaldiçoarei" é arar e quer dizer amaldiçoar, capturar, prender por encantamento, cercar com obstáculos, deixar sem forças para resistir. Essa será a paga que receberão do Eterno por amaldiçoarem a Israel. Esta palavra amaldiçoar é qalal e significa considerar sem importância, ser insignificante, relegar ao desprezo. Agora juntemos as duas partes: aqueles que por gestos, atos, palavras ou pensamentos consideram Abrão ou seus descendentes sem importância, insignificantes ou mesmo os desprezam (de qualquer uma das formas descritas acima) recebem do Eterno como "prêmio" suas vidas "capturadas, sendo presos por encantamos, tendo seu viver diário cercado por obstáculos e sendo deixado sem forças para resistir!" Será que é possível entendermos o quão sério o Senhor leva a sério aquilo que é feito contra seus filhos? Aqui está um dos marcos da fé bíblica e judaica no D-us Todo-Poderoso!

E é justamente este o momento em que o D-us Eterno se compromete com Abrão e seus descendentes de forma decisiva! Quando isso acontece há uma total interligação entre aquele que liberou a promessa (D-us) e o receptáculo da mesma (Abrão e seus descendentes). Detalhe: não há como anular a palavra que foi dita pelo Senhor! Tudo o que fizemos ou fazemos deve ser pautado por essa regra bíblica: nossa atitude para com o povo de Israel determinará nosso futuro! Essa é realmente a condição em que o Senhor colocou a humanidade a fim de ou abençoá-los dando-lhes prosperidade, sucesso e fecundidade ou então o contrário, fazendo com que os males de uma vida de servidão e escra-vidão sejam permanentes sobre suas vidas! Agora temos um outro as-pecto que nos é revelado pelo Senhor: "E apareceu o Senhor a Abrão e disse: à tua semente darei esta terra. E edificou ali um altar ao Senhor que lhe aparecera" (Gn 12.7).

Outra vez é dada a Abrão uma promessa: "à tua semente darei esta terra". A palavra semente em hebraico é zerá e significa semente, descendência. Também denota a descendência como a linhagem prometida a Abrão, Isaque e Jacó. Aqui o Eterno diz a Abrão que daria a terra aos seus descendentes físicos. Isso nos lembra que somente quem é dono de algo pode dar algo a alguém! Está escrito: "Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam" (Sl 24.1). Bem, se a terra pertence ao Senhor, Ele como dono, proprietário pode dá-la a quem desejar! Quando lemos a Escritura nós percebemos que somente um povo em todo o mundo recebe do Eterno uma terra como sua possessão: Israel! Não há registro nas Escrituras de outro povo a quem o Eterno tenha dado um pedaço de terra, delimitando-o com fronteiras, a fim de que ali resi-dissem com seus descendentes como fez com Israel em Abrão! E a escritura que lhes garante a posse do território está hoje nas mãos de bilhões de pessoas em todo o mundo, que ao lerem cuidadosamente esta Escritura, percebem o grande cuidado e identificação tidos entre o Senhor e Israel!

Quando tudo isso acontece com Abrão, ele então faz o seguinte: "... e edificou ali um altar ao Senhor, e invocou o nome do Senhor" (Gn 12.8). Abrão fez um altar onde certamente sacrificou ao Senhor, e aqui a palavra Senhor é o tetragrama, o que nos faz lembrar que o Eterno tornou-se para Abrão aquilo que ele mais neces-sitava, e além de edificar um altar e sacrificar ele também invocou o nome do Senhor! A palavra invocar em hebraico é qara e significa chamar, invocar, recitar. A atitude de Abrão, após ouvir tudo o que o Eterno lhe disse foi de chamar Aquele que lhe aparecera pelo seu no-me, nome que lhe fora revelado anteriormente e também é com base neste nome que ele Abrão recebera as promessas que norteariam sua vida até o momento de sua morte!...

Rav. Mário Moreno

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