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Vayetse (Ele sai)

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Escrito por Mário Moreno Dom, 27 de Novembro de 2011 09:32

Tudo começa com a partida de Ia´aqov para uma nova localidade: “E saiu Ia´aqov de Beer sheva, e se foi a Haran” (28.10). A Torah nos informa que Ia´aqov saiu de Beer sheva – cujo significado em hebraico é “poço dos sete” ou “poço do juramento”. É interessante que o comentário feito sobre este verso nos diz o seguinte: O Midrash (Yalkut § 117) objeta que as palavras - “E saiu Ia´aqov de Beer sheva, e se foi a Haran” parecem supérfluas, já que Ia ´aqov se encontrava até então em Beer sheva; bastava dizer “Ia´aqov foi a Haran”, e explica: Quando um Tzadic (homem justo) sai da cidade, saem com ele o brilho e a glória e o ornamento desta; por isso foi necessário dizer: “E saiu Ia´aqov de Beer sheva”.

A aventura de Ia´aqov tem início com um sonho: ele pára a fim de descansar e dormir em sua caminhada ao seu destino quando, de repente, tem um sonho que muda a sua vida: “E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os mensageiros de Elohim subiam e desciam por ela; e eis que o IHVH estava em cima dela, e disse: Eu sou o IHVH Elohim de Avraham teu pai, e o Elohim de Isaque; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência; e a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra; e eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado” (Gn 28:12-15).

Tudo começa com um sonho... É interessante notarmos que a metodologia do Eterno é muitas vezes diferente da nossa em muitos aspectos. Aqui Ele dá a Ia´aqov sua Palavra através de um sonho que o acompanharia durante toda a sua vida dando-lhe a certeza de que o Criador estaria sempre guiando seus passos por onde quer que ele fosse! A palavra sonho é halam e significa sonhar. Sua raiz vem de halam, que significa ser forte, saudável. Aqui aprendemos o quão necessários são os sonhos! São eles que alimentam nossa vida trazendo-nos a força e tornando-nos saudáveis! E os melhores sonhos são justamente aqueles que nos são dados pelo Eterno! Quando isso acontece, nós sonhamos os sonhos de D-us e isso torna nossa vida plena de esperança, pois sabemos que estes sonhos realmente se tornarão realidade!

Mas não é só isso: no sonho de Ia´aqov havia uma escada! A palavra escada em hebraico é sullan. Ela vem da raiz salal que significa "erguer, amontoar, exaltar". Ia´aqov no sonho vê os mensageiros de D-us (malak Elohim - mensageiros do D-us Criador) subindo e descendo por ela. Nós sabemos que os mensageiros são mensageiros de D-us e tem a tarefa de nos trazerem os recados do Eterno a fim de que possamos ser melhor guiados em nossa vida aqui na terra, além de também nos guardarem de males que nos são invisíveis e de perigos maiores que sozinhos não teríamos condições de enfrentar.

O Eterno através da escada fala a Ia´aqov sobre aquilo que Ele mesmo fará com ele. A escada fala-nos sobre a exaltação, o erguimento que viria à vida de Ia´aqov num futuro bem próximo! Isso ocorreria no decorrer de vinte anos. Note que o próprio Criador está no alto da escada (lugar de sua habitação) e que Ele mesmo fala com Ia´aqov dizendo-lhe aquilo que muito em breve acontecerá em sua vida. A presença dos mensageiros apenas anuncia que o IHVH está ali (e também presente no dia-a-dia de Ia´aqov), além de enviar também seus emissários a fim de cumprirem suas ordens na vida do próprio Ia´aqov.

Agora, a palavra do IHVH para Ia´aqov é de identificação e de promessa. Primeiro e Eterno diz ser IHVH – Eu me torno aquilo que me torno – Ele se tornaria para Ia´aqov o socorro em cada uma de suas necessidades. Ele ainda afirma que a terra - eretz - "terra, país" - na qual ele se encontrava deitado, seria dada à sua semente zera - "descendência física" - em possessão. O Eterno não promete a Ia´aqov apenas um pequeno terreno ao redor de onde ele está, mas sim um país inteiro, e esse seria o lugar onde os seus descendentes viriam para ali habitar. O interessante é que esta palavra eretz na Escritura seria futuramente usada para designar a terra de Israel! Isso nos mostra que desde já o Eterno via em Ia´aqov e naquele lugar a nação de Israel! O IHVH via aquilo que ainda não existia, mas que, no decorrer dos anos seria manifesto na terra aquilo que já era uma realidade no céu!

Agora vem o acréscimo, a promessa daquilo que o Eterno faria à descendência de Ia´aqov: “E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 28:14). O IHVH nos informa que a descendência de Ia´aqov seria como o “pó da terra”. A palavra “pó” em hebraico é apar que significa "poeira, terra chão, cinzas, argamassa". E a Escritura completa dizendo que seriam pó da terra – eretz! Isso nos mostra duas coisas: a primeira é que os descendentes de Ia´aqov formariam a base da nação israelita, pois eles seriam como o “cimento” ou a “argamassa” que uniria a nação como um todo. Ele usa o homem como argamassa para juncá-lo à outros homens! Somente coisas iguais podem ser unidas; homens que se juntam a outros homens fazem um povo, que numa terra se tornam uma nação e que juntos conquistam o mundo!

O Eterno já apontava para os descendentes de Ia´aqov e para as doze tribos como o sustentáculo da nação que nasceria de seus próprios filhos! Outra coisa é que eles seriam tão numerosos como a poeira! Esta palavra nos fala do milagre que o Eterno faria a fim de multiplicar seu povo como a poeira que se encontra no chão. Pense em algo interessante: o Eterno já dizia que assim como a poeira o povo judeu estaria em todo o lugar da terra! E isso hoje é uma realidade!

O Eterno ainda diz a Ia´aqov que “...na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra”. Os descendentes físicos de Ia´aqov zera trariam sobre a terra adamah - "solo, terra, homem", a bênção do Eterno! Isto nos informa que através dos judeus o Eterno estaria dando à cada homem – descendente de Adam, juntamente com sua família, poder para ser próspero, bem sucedido e fecundo! Este é o verdadeiro significado da palavra bênção – barak – em hebraico!

O complemento do texto nos diz mais detalhadamente como seria isso: “E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado” (Gn 28:15). O IHVH estaria presente na vida e nos caminhos de Ia´aqov para guardá-lo. A palavra aqui no hebraico é shamar e significa "guardar, cuidar, observar, prestar atenção". A idéia da raiz é “exercer grande poder sobre”. Isso nos fala sobre a atitude do Eterno para com Ia´aqov que seria de acompanhá-lo cuidadosamente em todos os seus caminhos, porém sempre exercendo seu poder sobre sua vida, deixando assim claro àqueles que estariam juntamente com ele que a presença e a aprovação do Eterno estariam sempre presentes em sua vida. E isso seria tão claro e óbvio que Ele ainda o faria voltar àquela terra onde o Eterno lhe aparecera a fim de herdá-la perpetuamente! Ia´aqov tinha do Eterno aquilo que todo o homem gostaria de receber: uma palavra certa e segura de que Ele jamais o abandonaria! “...porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado...”

Quando Ia´aqov acorda, ele percebe aquilo que lhe acontecera e faz uma declaração tremenda: “E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Elohim; e esta é a porta dos céus” (Gn 28:17). Ia´aqov fala sobre o local como sendo “a casa de D-us”. Em hebraico é beît "casa, lar, local, templo". Esta palavra é usada no sentido de “habitação”. E o nome do Eterno aqui é Elohim – o D-us Criador – que vem para reafirmar sua aliança com Ia´aqov. Note que o lugar onde o Eterno se manifestou não era um templo físico! O Eterno veio àquele lugar por causa de Ia´aqov! Não importava o que ali havia, mas sim quem ali estava! O Eterno não se importa com locais suntuosos e belos, mas sim com pessoas a quem Ele precisa sensibilizar e trazer novamente a sua presença sobre elas a fim de anunciar-lhes suas palavras!

Foi justamente por causa desta experiência que Ia´aqov deu o nome de Betel àquele lugar. “E chamou o nome daquele lugar Betel; o nome porém daquela cidade antes era Luz” (Gn 28:19). A palavra Betel é um composto de beit + Elohim = bet El = Betel. Veja que os prefixos das palavras foram usados a fim de formar-se uma nova palavra com o mesmo significado: “Casa do D-us [Criador]”. Ele completa dizendo: “e esta é a porta dos céus”. Aqui a palavra “porta” vem do hebraico sha´ar e significa "porta (de uma cidade)". O sha´ar era naturalmente o meio de acesso controlado a uma cidade murada. Para Ia´aqov aquele lugar era a porta de acesso aos céus!

Aquele lugar onde Ia´aqov tivera seu encontro com o Eterno chamava-se outrora Luz. A palavra luz em hebraico significa "apartar-se, desviar-se". Ela vem de uma raiz lazut, que significa "afastamento, desonestidade, tortuosidade". Isso condiz muito bem com a atual condição de Ia´aqov, que era de suplantador, enganador. Em Luz, Ia´aqov parece ter sua “parada” ideal, pois ali ele estaria se desviando dos propósitos do Eterno – se não houvesse uma intervenção do mesmo para mudar a situação. Isso nos mostra que quando chegamos à Luz- o lugar onde provavelmente nos desviaríamos dos propósitos do Eterno, Ele então intervém em nossas vidas para mudar os rumos de nossa caminhada! Aqui já o Eterno mostrava a Ia´aqov que muito em breve mudaria sua atual condição de “calcanhar do IHVH” para um príncipe de D-us!

Agora, após esta série de acontecimentos na vida de Ia´aqov, ele faz um voto ao Eterno dizendo: “E Ia´aqov fez um voto, dizendo: Se Elohim for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; e eu em paz tornar à casa de meu pai, o IHVH me será por Elohim; e esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Elohim; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo” (Gn 28:20-22). Notemos que aquilo que Ia´aqov pede é justamente o básico para a vida quotidiana: ser guardado pelo Eterno, ter o pão diário e o vestido com que se cobrir. Agora um outro elemento é acrescentado: “em paz tornar à casa de meu pai”. Esta palavra paz em hebraico é shalom e significa paz, prosperidade, bem, saúde, inteireza e segurança. Se isso se cumprisse em sua vida, então o IHVH seria e seu D-us (Elohim). Ia´aqov pede ao Eterno que sua vida seja pautada justamente por estas coisas: "paz, prosperidade, bem, saúde, inteireza, segurança e saúde"! E ainda acrescenta: “...e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo”. Veja que não há uma condição para Ia´aqov dar o dízimo, mas sim um desejo de seu coração para que as coisas assim sucedam! Ia´aqov já havia aprendido com seu pai que o dízimo era uma atitude muito importante para que sua vida pudesse ser bem sucedida! Quando desejamos shalom à alguém nós estamos ministrando à essa pessoa paz, prosperidade, bem, saúde, inteireza e segurança! Isso, não somente com o intuito de que essa pessoa tenha aparentemente a prosperidade que é reconhecida pelos homens, mas também que ela tenha dentro de si uma postura tal que quando o Eterno cumprir isso em sua vida, seja em conseqüência de sua obediência em todos os caminhos pelos quais esta pessoa andou! Novamente queremos enfatizar que a prosperidade de Ia´aqov somente foi possível por causa de sua obediência às instruções do Eterno para sua vida! Sem obediência não há como alcançar o favor do Eterno!

Agora, a Escritura nos informa que Ia´aqov chega ao seu destino, à casa de Laban cujo nome significa branco, e que era seu tio. Quando ele se depara com os servos de Laban e depois com Rahel, seu coração exulta de alegria. “E aconteceu que, vendo Ia´aqov a Rahel, filha de Laban, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Laban, irmão de sua mãe, chegou Ia´aqov, e revolveu a pedra de sobre a boca do poço e deu de beber às ovelhas de Laban, irmão de sua mãe. E Ia´aqov beijou a Rahel, e levantou a sua voz e chorou” (Gn 29:10-11).

Após este encontro, há ainda o encontro de Ia´aqov com Laban, que o reconhece como parte de sua família: “E aconteceu que, ouvindo Laban as novas de Ia´aqov, filho de sua irmã, correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e beijou-o, e levou-o à sua casa; e ele contou a Laban todas estas coisas. Então Laban disse-lhe: Verdadeiramente és tu o meu osso e a minha carne. E ficou com ele um mês inteiro” (Gn 29:13-14). Isso causou uma grande alegria entre os familiares. Agora eles tinham a oportunidade de conhecer a Ia´aqov. E ele ficou com Laban e certamente foi se familiarizando com todas as coisas e já se colocou à disposição para trabalhar com seu tio. Isso impressionou a Laban que lhe diz o seguinte: “Depois disse Laban a Ia´aqov: Porque tu és meu irmão, hás de servir-me de graça? Declara-me qual será o teu salário” (Gn 29:15). Notemos que o Eterno dá a Ia´aqov a oportunidade de estipular quais seriam seus ganhos a por quanto ele trabalharia mensalmente. E isto só foi possível por causa da obediência de Ia´aqov que moveu a mão do Eterno a fim de que Ele pusesse na boca de Laban estas palavras!

Agora Ia´aqov diz aquilo que está em seu coração: “E Ia´aqov amava a Rahel, e disse: Sete anos te servirei por Rahel, tua filha menor” (Gn 29:18). Ia´aqov mesmo estipula o tempo pelo qual ele trabalhará a fim de casar-se com Rahel, sua prima. O nome Rahel significa “ovelha”. Ele fala sobre sete anos, e isso nos mostra que ele haveria de fechar um ciclo, completar um período para então poder possuir aquilo que estava em seu coração: Rahel! Quando se cumpriram os sete anos que Ia´aqov determinou, então veio o tempo do casamento e o que aconteceu foi isso: “E disse Ia´aqov a Laban: Dá-me minha mulher, porque meus dias são cumpridos, para que eu me case com ela. Então reuniu Laban a todos os homens daquele lugar, e fez um banquete. E aconteceu, à tarde, que tomou Leah, sua filha, e trouxe-a a Ia´aqov que a possuiu. E Laban deu sua serva Zilpah a Leah, sua filha, por serva. E aconteceu que pela manhã, viu que era Leah; pelo que disse a Laban: Por que me fizeste isso? Não te tenho servido por Rahel? Por que então me enganaste?” (Gn 29:21-25). Ia´aqov trabalha por Rahel mas casa-se com Leah! Isso porque o costume local era dar em casamento primeiro a filha mais velha e depois a mais nova! Por não ter lhes perguntado sobre seus costumes, Ia´aqov então recebe como esposa a Leah. E quando ele “acorda” de sua noite de núpcias, o que pergunta a Laban? “...Não te tenho servido por Rahel? Por que então me enganaste?” A palavra "enganar" em hebraico é ramâh e significa "iludir, enganar, desorientar". Veja que Ia´aqov fala sobre sua própria atitude no passado para com seu irmão Esav! Ia´aqov, que nos passado enganara seu irmão por duas vezes, aproveitando-se de suas fraquezas, agora recebe na mesma medida de seu tio Laban! Novamente somos ensinados que “aquilo que plantarmos, isso colheremos”. Essa é uma lei espiritual válida ainda para os nossos dias!

Após as devidas explicações, Ia´aqov então se “conforma” com sua situação e volta ao trabalho, a fim de “pagar” por Rahel! Ia´aqov cumpre a semana de Leah e então recebe por mulher a Rahel, a quem ama com todas as suas forças! O que acontece então é tremendo: “E Ia´aqov fez assim, e cumpriu a semana de Leah; então lhe deu por mulher Rahel sua filha. E Laban deu sua serva Bilah por serva a Rahel, sua filha. E possuiu também a Rahel, e amou também a Rahel mais do que a Leah e serviu com ele ainda outros sete anos. Vendo, pois, o IHVH que Leah era desprezada, abriu a sua madre; porém Rahel era estéril” (Gn 29:28-31).

O que estava acontecendo aqui? Ia´aqov amava tanto a Rahel que passou a desprezar a Leah e isso não foi bom aos olhos do Eterno. Ia´aqov recebera aquilo que lhe era de direito! Ele havia plantado e agora recebera os frutos de suas atitudes anteriores. Por não agir corretamente com Leah, o Eterno então faz com que Rahel seja estéril. Aqui tem início uma grande luta de Ia´aqov com suas esposas a fim de gerar seus filhos!

O primeiro nascimento ocorrido na família de Ia´aqov foi de seu filho Rúben. “E concebeu Leah, e deu à luz um filho, e chamou-o Rúben; pois disse: Porque o IHVH atendeu à minha aflição, por isso agora me amará o meu marido” (Gn 29:32). A palavra conceber em hebraico é harâh e significa conceber, ser progenitora. Isso nos dá a medida daquilo que estava acontecendo entre as irmãs Leah e Rahel. Quando Leah dá à luz à esta criança, seu nome reflete o seu momento e também o seu desejo: Reuven significa “Eis um filho” ou também “[IHVH] viu a minha aflição”. Novamente percebemos que havia uma disputa “interna” na família de Ia´aqov para dar-lhe filhos. Isso ocorria entre as duas irmãs que “disputavam” o amor de seu marido. A palavra “atender” em hebraico é ra’a e seria melhor traduzida por ver, olhar, inspecionar. Isso nos mostra que o Eterno olhou para Leah e tornou-se para ela seu maior desejo: a concepção de um filho!

Primeiro aconteceu do Eterno olhar para Leah, agora outra coisa acontece: “E concebeu outra vez, e deu à luz um filho, dizendo: Porquanto o IHVH ouviu que eu era desprezada, e deu-me também este. E chamou-o Simeão” (Gn 29:33). Novamente Leah engravida e concebe, dando à Ia´aqov outro filho cujo nome destaca a situação vivida por eles; ali está o reflexo daquilo que se passa entre eles: Leah diz que IHVH ouviu-a. A palavra traduzida por “ouvir” é shama e significa ouvir, escutar. Naturalmente a criança recebe o nome de Shimeon, que significa ouvindo! Isso demonstra que o Eterno continua ouvindo o clamor de Leah quanto à sua vida conjugal e que a resposta do Eterno é um outro filho!

Mas as bênçãos de Leah não terminam aí: “E concebeu outra vez, e deu à luz um filho, dizendo: Agora esta vez se unirá meu marido a mim, porque três filhos lhe tenho dado. Por isso chamou-o Levi” (Gn 29:34). Agora a esperança de Leah é que Ia´aqov esteja definitivamente junto à ela! Os filhos que Leah dá a Ia´aqov ainda não conseguiram trazer o amor dele para ela! Ainda há no coração de Ia´aqov a preferência por sua irmã Rahel! E isso fica claro pelos nomes que Leah põe em seus filhos. O último, Levi, significa "junto", refletindo sua esperança de ter seu marido junto de si.

Agora já há uma mudança na postura de Leah quanto à sua relação com seu marido: “E concebeu outra vez e deu à luz um filho, dizendo: Esta vez louvarei ao IHVH. Por isso chamou-o Judá; e cessou de dar à luz” (Gn 29:35). Agora percebemos que na fala de Leah há algo de diferente! Ela diz louvarei ao IHVH! A palavra "louvar" em hebraico é yadâ e significa confessar, louvar, dar graças, agradecer. A palavra enfatiza “reconhecimento” e a “declaração de um fato” seja ele bom ou mau. Aqui Leah fala sobre seu reconhecimento de quem é o Eterno! Ela confessa, louva, dá graças, agradece ao IHVH (IHVH – Aquele que se torna aquilo que ela precisa) por mais este filho! O nome que a criança recebe é também muito sugestivo: Iehuda que significa louvor! Esta palavra vem da raiz yahad que significa tornar-se judeu. Este filho prenuncia quem seria o povo escolhido do Eterno e também o seu nome!Temos algo interessante neste ponto, pois quando retiramos a letra dalet da palavra Iehuda, temos como resultado o tetragrama (IHVH); já o nome “dalet” em hebraico significa “porta”. Isso nos faz concluir que Iehuda é a porta de acesso ao Eterno! É justamente por isso que a frente será dito que o Mashiach virá da tribo de Iehuda, pois ele se tornará a porta de acesso ao IHVH! Isso está claramente dito na Brit Hadasha na seguinte passagem: “Tornou, pois, Ieshua a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (Jo 10:7-9).

Agora tem início uma nova fase na vida da família de Ia´aqov: “Vendo Rahel que não dava filhos a Ia´aqov, teve inveja de sua irmã, e disse a Ia´aqov: Dá-me filhos, se não morro. Então se acendeu a ira de Ia´aqov contra Rahel, e disse: Estou eu no lugar de Elohim, que te impediu o fruto de teu ventre?” (Gn 30:1-2). Aqui fica claro que Rahel pensa que o problema está na vontade de Ia´aqov em ter um filho através dela! No hebraico temos a seguinte ordem: “... dá-me filhos, ou senão estou morta eu”. A tradição judaica diz o seguinte sobre isso: “Quatro pessoas consideram-se como mortas, nos disse o Rabi Samuel Bar Nahamani: o cego, o leproso, quem não tem filhos e o pobre. Os três primeiros vivem em constante sofrimento físico e moral, e o quarto é realmente como se não existisse (Yalcut 127).

Ia´aqov lhe responde de maneira taxativa: “... Estou eu no lugar de Elohim...” A palavra aqui é Elohim – O Criador. Ia´aqov sabia que humanamente nada poderia ser feito por Rahel, e caso não houvesse uma intervenção do Eterno sobre ela, seria impossível haver a concepção e a geração de filhos!

Rahel então age de forma a tentar “ajudar” ao Eterno: ela dá a Ia´aqov sua serva Bilah, cujo nome significa “problemática”; em sua raiz temos balah que significa “problema” e também balahâ que significa terror, destruição. Ela foi escolhida por Rahel para que concebesse em seu lugar! “Assim lhe deu a Bilah, sua serva, por mulher; e Ia´aqov a possuiu” (Gn 30:4). Bilah aqui ocupa o lugar de Rahel na tenda deles como sua esposa! A criada tem o privilégio de coabitar com seu IHVH e desta relação nasce um filho: “Então disse Rahel: Julgou-me Elohim, e também ouviu a minha voz, e me deu um filho; por isso chamou-lhe Dan” (Gn 30:6). Rahel reconhece que está sendo “julgada” pelo Eterno com o nascimento deste filho, por isso seu nome é Dan, que significa juiz.

E novamente Bilah faz as vezes de sua patroa e outra vez concebe. Desta vez é sob outra perspectiva que Rachel enxerga isso: “Então disse Rahel: Com lutas de Elohim tenho lutado com minha irmã; também venci; e chamou-lhe Naftali” (Gn 30:8). Aqui a palavra D-us é Elohim e demonstra que seu conflito com o Criador ainda não acabou! E o nome da criança é Naftali que significa "lutando"!

Agora vemos a reação de Leah quanto à atitude de Rahel: ela também dá à seu marido sua serva Zilpah, que significa "enganadora, trapaceira", a fim de que ela também conceba. “Vendo, pois, Leah que cessava de ter filhos, tomou também a Zilpah, sua serva, e deu-a a Ia´aqov por mulher” (Gn 30:9). Novamente a serva da esposa de Ia´aqov assume o papel de esposa a fim de gerar filhos para ele. O que aconteceu foi que Zilpah engravida e dá à luz a um filho. “Então disse Leah: Afortunada! e chamou-lhe Gade” (Gn 30:11). Leah vislumbra o ocorrido e chama-a afortunada (sortuda) pois ela concebe rapidamente à um filho. E o seu nome é Gad, que significa "fortuna (sorte)". Novamente Zilpah concebe e dá a Ia´aqov outro filho: “Depois deu Zilpah, serva de Leah, um segundo filho a Ia´aqov. Então disse Leah: Para minha ventura; porque as filhas me terão por bem-aventurada; e chamou-lhe Aser" (Gn 30:12-13). A alegria de Leah é incontida, pois Zilpah dá outro filho a Ia´aqov e por isso seu nome é Asher, que significa "feliz"!

Agora nasce outro filho a Leah. Ela diz o seguinte: “E ouviu Elohim a Leah, e concebeu, e deu à luz um quinto filho” (Gn 30:17). A palavra traduzida por ouvir é shama e significa ouvir, escutar. Novamente, o nome de seu filho demonstra o que ele significa para ela. “Então disse Leah: Elohim me tem dado o meu galardão, pois tenho dado minha serva ao meu marido. E chamou-lhe Issacar” (Gn 30:18). Leah considerava que Elohim – o D-us Criador – estava lhe recompensando através de sua serva – que fazia também o papel de esposa de Ia´aqov – e então chamou ao menino Issacar, que significa galardão. O Eterno ainda continua a dar filhos a Leah. O próximo filho que ela tem é Zevulun, e pode significar “honra”, pois em sua raiz temos a palavra zaval que significa "exaltar, honrar". Essa criança mostra a esperança que Leah tinha de que seu marido habitasse com ela! O que havia no coração de Ia´aqov era justamente uma divisão de seu amor para com suas esposas. Porém, Ia´aqov ainda amava Rahel muito mais do que Leah...

Suas palavras são estas: “E disse Leah: Elohim me deu uma boa dádiva; desta vez morará o meu marido comigo, porque lhe tenho dado seis filhos. E chamou-lhe Zebulom” (Gn 30:20). E como complemento teve também uma filha, à qual colocou o nome de Dinah. “E depois teve uma filha, e chamou-lhe Dinah” (Gn 30:21). O nome Dinah vem da raiz hebraica din que significa “julgar”. Dinah significa “julgada”. Leah sabe que tudo o haveria de acontecer-lhe já tinha ocorrido e os filhos que tivera serviam como marcos em sua vida e em seu relacionamento com Ia´aqov. Ela bem sabia que poderia dar à Ia´aqov todos os filhos que pudesse, porém ela nunca iria conquistar de fato o seu coração como havia feito sua irmã Rahel.

Neste ponto, Ia´aqov já está com onze filhos. Parece um número até exagerado, mas para os planos de D-us ainda falta algo. Este é o momento em que o Eterno se lembra de Rahel e atende ao seu clamor. “E lembrou-se Elohim de Rahel; e Elohim a ouviu, e abriu a sua madre” (Gn 30:22). A palavra “lembrar-se” em hebraico é zakar e significa "pensar, meditar, dar atenção a, recordar". A palavra aqui é Elohim – o D-us Criador. Percebemos que o próprio Criador se manifesta à Rahel abrindo-lhe a madre a fim de que ela pudesse conceber. O Eterno interveio em sua vida e o resultado dessa intervenção aparece de forma esplêndida: “E chamou-lhe José, dizendo: O IHVH me acrescente outro filho” (Gn 30:24). O nome dado à José é sugestivo, pois fala sobre sua ansiedade em ter outros filhos. O nome Iosef significa "acrescentar, aumentar".

Neste ponto terminam os nascimentos dos filhos de Ia´aqov e tem início o período de regresso da família para a terra que o Eterno havia prometido dar à Ia´aqov e aos seus descendentes.

Ia´aqov pleiteia com Laban sua “liberdade” e também a de sua família. “Dá-me as minhas mulheres, e os meus filhos, pelas quais te tenho servido, e ir-me-ei; pois tu sabes o serviço que te tenho feito” (Gn 30:26). Para Laban, esta palavra de Ia´aqov não é muito boa, pois ele mesmo tem sido extremamente abençoado e tem enriquecido muito por causa de Ia´aqov. Laban tentará defender seus interesses pessoais à todo o custo a fim de não perder esta maravilhosa “fonte” de bênçãos que tem em suas terras consigo!

Sua argumentação é a seguinte: “Então lhe disse Laban: Se agora tenho achado graça em teus olhos, fica comigo. Tenho experimentado que o IHVH me abençoou por amor de ti” (Gn 30:27). As palavras de Laban refletem aquilo que ele tem experimentado. Ele diz que o IHVH – IHVH – Aquele que se torna aquilo que ele precisa, o tem abençoado – barak – que em hebraico significa, dar poder à alguém para ser próspero, bem sucedido e fecundo. Laban tem a perfeita consciência de que o Eterno tem lhe dado muitas riquezas justamente por causa de Ia´aqov! Ele inclusive usa o nome do Eterno que fala sobre tornar-se aquilo que o homem precisa a fim de ser suprido, pois ele bem sabe o que ele tem feito a Ia´aqov e como, mesmo assim, o Eterno lhe tem abençoado! O israelita tem constituído um fator de progresso e de bênção onde vive. Ativo e laborioso, destaca-se no comércio, nas ciências e na cultura. O sultão Bajazet 11 da Turquia, recebendo os israelitas expulsos pela fanática Espanha, em 1492, disse estas palavras: “Não considero o Rei Fernando de Espanha um homem inteligente pois, enviando os judeus, empobrece o seu país e enriquece o meu”.

Após uma conversa entre eles fica estabelecido o novo “salário” de Ia´aqov para seu trabalho: “E disse mais: Determina-me o teu salário, que to darei. Então lhe disse: Tu sabes como te tenho servido, e como passou o teu gado comigo. Porque o pouco que tinhas antes de mim tem aumentado em grande número; e o IHVH te tem abençoado por meu trabalho. Agora, pois, quando hei de trabalhar também por minha casa? E disse ele: Que te darei? Então disse Ia´aqov: Nada me darás. Se me fizeres isto, tornarei a apascentar e a guardar o teu rebanho; passarei hoje por todo o teu rebanho, separando dele todos os salpicados e malhados, e todos os morenos entre os cordeiros, e os malhados e salpicados entre as cabras; e isto será o meu salário. Assim testificará por mim a minha justiça no dia de amanhã, quando vieres e o meu salário estiver diante de tua face; tudo o que não for salpicado e malhado entre as cabras e moreno entre os cordeiros, ser-me-á por furto. Então disse Laban: Quem dera seja conforme a tua palavra” (Gn 30:28-34). Então vejamos: o salário de Ia´aqov seriam os animais salpicados, malhados e morenos (marrons)! Ia´aqov então determina que este seria seu salário e tudo o que nascesse com esta aparência de agora por diante lhe seria por pagamento!

Após terem feito este acordo, então Ia´aqov sai para longe de Laban e tem início a estratégia de D-us a fim de tornar Ia´aqov ainda mais rico que Laban através deste rebanho.

A estratégia consistia no seguinte: “Então tomou Ia´aqov varas verdes de álamo e de aveleira e de castanheiro, e descascou nelas riscas brancas, descobrindo a brancura que nas varas havia, e pôs estas varas, que tinha descascado, em frente aos rebanhos, nos canos e nos bebedouros de água, aonde os rebanhos vinham beber, para que concebessem quando vinham beber. E concebiam os rebanhos diante das varas, e as ovelhas davam crias listradas, salpicadas e malhadas. Então separou Ia´aqov os cordeiros, e pôs as faces do rebanho para os listrados, e todo o moreno entre o rebanho de Laban; e pôs o seu rebanho à parte, e não o pôs com o rebanho de Laban” (Gn 30:37-40). Ia´aqov separou três tipos de varas às quais descascou em listras a fim de fazer com que o rebanho concebesse conforme via diante de si as varas listradas!

Vamos considerar duas coisas aqui: a palavra “vara” vem do hebraico maqel e significa "vara, bastão, cetro". Em sua raiz temos:

Miqlat – refúgio, asilo. Este substantivo denota o local para onde uma pessoa se refugiava do vingador de sangue.

Miqla´at – entalhe, escultura.

Qanah – obter, adquirir, criar; também com quinian, que significa riquezas!

A palavra “verde” vem do hebraico lah que significa "úmido, fresco, novo". Qual era a intenção do Eterno ao dar a Ia´aqov esta estratégia? Não seria a de retira-lo do refúgio, do asilo da “escravidão” em que vivia servindo a Laban? Por isso o Eterno estava “entalhando”, “esculpindo” (moldando) a sua vida para que ele tivesse agora condições de obter, adquirir riquezas! E isso seria algo extremamente novo e inusitado para todos!

As varas são de três tipos diferentes de árvores: álamo, aveleira e castanheira. Primeiro devemos considerar que Ia´aqov descobriu a brancura das varas. No original está escrito que Ia´aqov expôs a Laban – branco – das varas. Isso significa que no mundo espiritual Laban estava sendo exposto diante do rebanho; retirou-se dele aquilo que o ocultava. Assim sua personalidade ficou visível à todos os animais do rebanho! Quando Ia´aqov fez isso, no reino espiritual ele estava realmente deixando Laban enfraquecido por estar lhe tirando sua cobertura em que confiava!

As varas representam aspectos da vida de Ia´aqov:

Álamo (em hebraico, libne) – tem um tronco alto e pode crescer até a altura de aproximadamente 33 metros. Tem uma resina branca que produz uma fragrância agradável na primavera. Na raiz desta palavra temos o termo lebena, que significa “tijolo”. A maioria dos usos deste termo ocorre em contextos que mostram a fatiga e a futilidade dos esforços humanos!

Aveleira (ou amendoeira, em hebraico luz) – é uma planta de copa grande e fechada e produz flores brancas e ricas em néctar. Produz uma resina cheirosa e era usada para fazer o incenso. A raiz significa também apartar-se, desviar-se.

Castanheira (em hebraico ermon) - é uma árvore alta e se apóia num tronco largo – de aproximadamente 3 metros de diâmetro e possui uma resina escamada. Pode ser encontrada nas florestas de altitude do Monte Carmelo. Em sua raiz temos também o termo ´arom que significa ter cuidado, acautelar-se, receber conselho astuto.

Estas árvores nos falam sobre aquilo que Ia´aqov estava profetizando através de sua atitude. A isso chamamos de “ato profético”. Ia´aqov queria que seu rebanho tivesse estes aspectos: fosse um rebanho que produzisse um cheiro agradável através de sua grande quantidade. Seria tão grande que todos o veriam, assim como o álamo que de tão alto chama para si a atenção de todos os que estão nas redondezas. Outro aspecto está associado à amendoeira, que é a primeira árvore que desperta na primavera. Assim como acontecia com esta árvore, que seu rebanho “despertasse” e procriasse de forma a multiplicar-se. Seriam belos animais, que quando oferecidos ao Eterno seriam tidos como um “cheiro suave”, assim como o incenso que era queimado e produzia este aroma suave nas narinas do Eterno. Quanto à sua base, que se apoiassem em algo largo e sólido, ou seja, que a saúde do rebanho fosse tamanha, que nada doente ou defeituoso fosse produzido por eles. Eles deveriam sempre estar nos lugares altos, dominando, assim como a castanheira que nasce nos altos do Monte Carmelo!

Isso tudo nos fala sobre a estratégia de Ia´aqov e seus resultados: as varas produziam rebanhos conforme as características descritas acima. Veja o que diz a Palavra: “E sucedia que cada vez que concebiam as ovelhas fortes, punha Ia´aqov as varas nos canos, diante dos olhos do rebanho, para que concebessem diante das varas” (Gn 30:41).

A reação dos filhos de Laban não foi muito positiva à estratégia de Ia´aqov, assim como também Laban já não tinha para com ele tão bons olhos... “Então ouvia as palavras dos filhos de Laban, que diziam: Ia´aqov tem tomado tudo o que era de nosso pai, e do que era de nosso pai fez ele toda esta glória. Viu também Ia´aqov o rosto de Laban, e eis que não era para com ele como anteriormente" (Gn 31:1-2). Ia´aqov agora é acusado de roubo, pois os filhos de Laban dizem que Ia´aqov fez sua fortuna “tomando” aquilo que pertencia à Laban. Eles não se lembram – ou não reconhecem – o pacto que havia sido feito entre seu pai e Ia´aqov!

Mediante esta situação, Ia´aqov recebe então uma palavra do IHVH que define o caminho a ser seguido: “E disse o IHVH a Ia´aqov: Torna-te à terra dos teus pais, e à tua parentela, e eu serei contigo” (Gn 31:3). A reação de Ia´aqov é ajuntar a sua família e explicar-lhes o que deve ser feito para que possam então sair das terras de Laban e retornarem às terras que o Eterno deu por possessão à Avraham e seus descendentes. As próprias filhas de Laban concordam que assim seja feito e eles então partem de volta à casa de Ia´aqov!

Quando Laban descobre o que aconteceu, ele e seus servos partem à caça de Ia´aqov e sua família. “E no terceiro dia foi anunciado a Laban que Ia´aqov tinha fugido” (Gn 31:22). Aqui a palavra traduzida por fugir é barah e significa "fugir, escapar, sair depressa". Isso demonstra que Ia´aqov e seus familiares saíram das terras de Laban de forma sorrateira e sem avisar a ninguém!

Laban então recebe uma palavra do D-us de Ia´aqov a fim de nada fazer-lhe de mal. Isso realmente salva a vida de Ia´aqov e de seus familiares! “Veio, porém, Elohim a Laban, o arameu, em sonhos, de noite, e disse-lhe: Guarda-te, que não fales com Ia´aqov nem bem nem mal. Alcançou, pois, Laban a Ia´aqov, e armara Ia´aqov a sua tenda naquela montanha; armou também Laban com os seus irmãos a sua, na montanha de Gileade. Então disse Laban a Ia´aqov: Que fizeste, que me lograste e levaste as minhas filhas como cativas pela espada? Por que fugiste ocultamente, e lograste-me, e não me fizeste saber, para que eu te enviasse com alegria, e com cânticos, e com tamboril e com harpa? Também não me permitiste beijar os meus filhos e as minhas filhas. Loucamente agiste, agora, fazendo assim. Poder havia em minha mão para vos fazer mal, mas o Elohim de vosso pai me falou ontem à noite, dizendo: Guarda-te, que não fales com Ia´aqov nem bem nem mal” (Gn 31:24-29).

Após este encontro, Ia´aqov faz um pacto com Laban e eles seguem sua caminhada até a terra de seu pai Isaque. Enquanto seguiam para lá, Ia´aqov tem outro encontro que traz um grande impacto à sua vida: “Ia´aqov também seguiu o seu caminho, e encontraram-no os mensageiros de Elohim. E Ia´aqov disse, quando os viu: Este é o exército de Elohim. E chamou aquele lugar Maanaim” (Gn 32:1-2). Ia´aqov teve então a certeza de que os exércitos do D-us eterno estavam-no acompanhando a fim de protegê-los e orientá-los quando assim fosse necessário. Nota-se de certo modo uma semelhança nos acontecimentos que ocorreram a Ia´aqov e com o povo israelita.

Ia´aqov volta à sua terra natal após passar grandes penúrias e dias difíceis. Longos anos ele teve que trabalhar para construir seu lar. Vezes e mais vezes o enganaram e o roubaram. Porém a tudo se sobrepôs, e por fim teve de voltar a seu país. Este é o problema da Diáspora em geral. Ia´aqov não conseguiu construir seu lar definitivo, pois este, igual à Sucá, símbolo da morada do “Galut”, não pode subsistir por longo prazo. Esta é a triste realidade, à qual não devemos esquecer.

Novamente fica claro que a intenção do Eterno para com Ia´aqov e seu família é de realmente abençoá-los, pois seus caminhos estão sendo guardados e confirmados pelos mensageiros do Eterno!

Aprendamos pois que o Eterno tem planos bem definidos, e que, mesmo quando estamos fora de nossos domínios originais, o eterno nos fará vencedores, ainda que tenhamos como “patrão” a um Laban, que tenta sempre novamente levar vantagem sobre nós! Atentemos para o detalhe: Ia´aqov somente conseguiu tornar-se um homem rico e poderoso porque ele obedeceu ao Eterno naquilo que lhe era dito. Por isso, se queremos receber algo do IHVH a chave para isso é a obediência incondicional à sua voz e à sua Palavra!

Que o Eterno nos ajude a cumprirmos aquilo que está em seu coração!

Mário Moreno

 

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