Vayishlach (Ele envia)
Ia´aqov envia seus mensageiros que o precederiam para avisarem e prepararem a Esav a fim de que eles não fossem tidos como invasores e também para que o coração de seu irmão Esav fosse “preparado” para sua chegada. “E enviou Ia´aqov mensageiros adiante de si a Esav, seu irmão, à terra de Seir, território de Edom. E ordenou-lhes, dizendo: Assim direis a meu senhor Esav: Assim diz Ia´aqov, teu servo: Como peregrino morei com Laban, e me detive lá até agora” (Gn 32:3-4).
Está escrito que Ia´aqov envia mensageiros a Esav. A palavra “enviar” vem do termo hebraico shalah que significa "enviar, mandar embora, deixar ir". Já a palavra “mensageiros” vem de um outro termo hebraico que é malachim que significa "mensageiro, representante, anjo". Certamente estas palavras são inadequadas para descrever as tarefas desempenhadas pelo malaq na Tanach.
Levar uma mensagem;
Desincumbir-se de uma outra atividade específica;
Representar de modo oficial aquele que o enviara.
Percebemos então o que Ia´aqov havia feito: ele despachara, enviara seus representantes oficiais a fim de que pudessem encontrar-se antes com Esav dando-lhe notícias oficiais sobre si mesmo. Eles funcionariam como uma “comitiva” que precede um rei que chega de retorno à sua terra! É interessante notarmos que momentos antes ele encontrara-se com anjos de D-us e agora ele parece “despacha-los” para que o precedam em seu encontro com seu irmão!
São usados alguns termos interessantes por Ia´aqov, pois a Torah diz que ele enviou os “mensageiros” à terra de Seir, onde a palavra terra é eretz que significa "terra, cidade (estado), mundo". Já a palavra Seir vem de uma raiz que significa "cabeludo, peludo". Ele ainda fala sobre “território de Edom”. A palavra “território” vem do termo hebraico sadeh que significa "campo, campina, chão, terras". Temos ainda a palavra “Edom” que em hebraico significa “vermelho”. Percebemos então que Ia´aqov enviara seus mensageiros à terra, mundo – eretz – do “cabeludo” (Esav), aos domínios menores – campo, campina, terra, chão daquele que recebera o apelido de “vermelho”. Isso demonstra que Ia´aqov estava na realidade enviando “anjos” para prepararem seu caminho, pois certamente ele “reconquistaria” a terra que lhe pertencia por direito de herança, mas que agora era chamada pelos nomes de seu irmão justamente por causa desua longa ausência ali! Sempre que os judeus ficaram longos períodos ausentes de sua terra os seus inimigos tentaram “desfigura-la” dando-lhes outros nomes! Mas ela sempre retornou ao seu nome original: Israel!
Ia´aqov ordena à seus servos que vão a Esav com uma mensagem específica. A palavra "ordenar" é tsawâ e significa "ordenar, incumbir". A raiz da palavra indica a instrução de um pai para seu filho; de um rei para seus servos. Isso nos mostra que o relacionamento de Ia´aqov para com seus servos era muito agradável, porém firme. Não havia abuso de autoridade – autoritarismo – e também não havia a desobediência – insubordinação – mas havia um relacionamento em que os servos procuravam obedecer e atender ao seu senhor para que todas as coisas pudessem caminhar de forma agradável, sem maiores problemas.
Após o encontro com Esav, os servos de Ia´aqov voltam com o relato daquilo que aconteceu. “E os mensageiros voltaram a Ia´aqov, dizendo: Fomos a teu irmão Esav; e também ele vem para encontrar-te, e quatrocentos homens com ele” (Gn 32:6). Novamente aqui a palavra “mensageiros” em hebraico é malak e significa "mensageiro, representante, anjo". Eles retornam à Ia´aqov com um relato daquilo que presenciaram: o próprio Esav os recebera e vinha até a eles com um “exército” de quatrocentos homens! Mas, qual seria o motivo para que Esav viesse com todo esse aparato para encontrá-lo? O que estaria passando pela cabeça de Esav? Teria ele ainda grandes ressentimentos pelo que Ia´aqov no passado havia feito à ele? Essas e outras perguntas devem ter passado pela mente de Ia´aqov quando recebe essa notícia.
O fato de Esav vir com 400 homens nos desperta algo: por que deveriam ser justamente 400? Neste número temos o número 4 que representa o mundo e isso parece apontar para uma “recepção” de volta de todo o mundo para Ia´aqov! Isso realmente aconteceu quando o eterno usou a ONU para fazer com que Israel retornasse à sua terra! Também nos é apresentado o número 40 que é o número da provação! Apesar da volta e da recepção, ele não deixaria de ser novamente “provado” pelo Eterno em sua alma! A recepção de Esav nos revela que mesmo os maiores inimigos receberiam Israel e futuramente haveriam de se curvar à eles de forma espetacular, pois a autoridade foi dada não a Evav, mas sim a Ia´aqov!
Mas, o primeiro sentimento que vem à tona em Ia´aqov nos é revelado: “Então Ia´aqov temeu muito e angustiou-se; e repartiu o povo que com ele estava, e as ovelhas, e as vacas, e os camelos, em dois bandos” (Gn 32:7). A palavra “temer” em hebraico é yare, e significa "temer, ter medo, reverenciar". Além disso, a Torah nos diz que ele “angustiou-se”. Esta palavra vem do termo hebraico tsarar que significa "aflição, dificuldades". Esta palavra refere-se a um estado proveniente de circunstâncias exteriores que geram inconstância na alma daquele que a sofre. Ia´aqov sabia que esse momento seria de uma profunda expectativa e ansiedade, pois não haveria como prever como seria o encontro entre ele e Esav!
Agora Ia´aqov faz aquilo que lhe era peculiar: ele ora à D-us! “Disse mais Ia´aqov: Elohim de meu pai Abraão, e Elohim de meu pai Isaque, o IHVH, que me disseste: Torna-te à tua terra, e a tua parentela, e far-te-ei bem; menor sou eu que todas as beneficências, e que toda a fidelidade que fizeste ao teu servo; porque com meu cajado passei este Jordão, e agora me tornei em dois bandos. Livra-me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esav; porque eu o temo; porventura não venha, e me fira, e a mãe com os filhos. E tu o disseste: Certamente te farei bem, e farei a tua descendência como a areia do mar, que pela multidão não se pode contar” (Gn 32:9-12). Aqui Ia´aqov trata de vários aspectos aos quais o Eterno já lhe prometera cuidar. Ele somente “traz à lembrança” o que o Senhor lhe havia dito.
Ele principia chamando lembrando que D-us foi o Elohim D-us Criador – de Avraham e conseqüentemente dele também e que o seu nome é – IHVH o que demonstra que o Eterno se tornaria aquilo que ele precisasse! A petição de Ia´aqov é por livramento! A palavra “livrar” em hebraico é natsal e significa "livrar, resgatar, salvar". Daí a idéia de salvação ou de um livramento pessoal literal. Ia´aqov estava “antecipando” o que poderia acontecer em seu encontro com Esav e então já clamava ao Eterno para que o livrasse! Ele também lembra ao Eterno que Ele mesmo lhe prometera fazer-lhe bem e que faria a sua descendência como a areia do mar. A palavra “descendência” é zerá e significa "descendência física"; seriam os filhos que nasceriam a partir dele e então se tornariam numerosos em toda a terra. Mas como seria isso possível se algum mal acontecesse a ele ou a qualquer um de seus familiares? É justamente por isso que Ia´aqov clama ao Eterno por esse tipo de livramento!
Ia´aqov agora lembra-se das estratégias que aprendeu e tenta aplacar a ira de seu irmão enviando-lhe “presentes” que antecedem a sua chegada. “E passou ali aquela noite; e tomou do que lhe veio à sua mão, um presente para seu irmão Esav: duzentas cabras e vinte bodes; duzentas ovelhas e vinte carneiros; trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vacas e dez novilhos; vinte jumentas e dez jumentinhos; e deu-os na mão dos seus servos, cada rebanho à parte, e disse a seus servos: Passai adiante de mim e ponde espaço entre rebanho e rebanho. E ordenou ao primeiro, dizendo: Quando Esav, meu irmão, te encontrar, e te perguntar, dizendo: De quem és, e para onde vais, e de quem são estes diante de ti? Então dirás: São de teu servo Ia´aqov, presente que envia a meu senhor, a Esav; e eis que ele mesmo vem também atrás de nós. E ordenou também ao segundo, e ao terceiro, e a todos os que vinham atrás dos rebanhos, dizendo: Conforme a esta mesma palavra falareis a Esav, quando o achardes. E direis também: Eis que o teu servo Ia´aqov vem atrás de nós. Porque dizia: Eu o aplacarei com o presente, que vai adiante de mim, e depois verei a sua face; porventura ele me aceitará. Assim, passou o presente adiante dele; ele, porém, passou aquela noite no arraial” (Gn 32:13-21). Ia´aqov envia três emissários adiante dele a fim de presentearem a Esav com aquilo que ele mesmo escolhera. Ia´aqov porém passa a noite naquele mesmo lugar, decerto pensando se sua estratégia seria ou não bem sucedida! Em pouco tempo Ia´aqov saberia qual seria enfim o seu destino e se as promessas do Eterno haveriam de cumprir-se em sua vida!
Naquela noite acontece algo que definitivamente mudaria a vida de Ia´aqov: ele encontra-se com o Criador e sua vida é mudada radicalmente! “Ia´aqov, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu. E vendo este que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Ia´aqov, lutando com ele. E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares. E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Ia´aqov. Então disse: Não te chamarás mais Ia´aqov, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste. E Ia´aqov lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali. E chamou Ia´aqov o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Elohim face a face, e a minha alma foi salva” (Gn 32:24-30). Vejamos alguns pontos interessantes do encontro entre Ia´aqov e o Eterno.
Ia´aqov fica só, em hebraico bad que significa "sozinho, por si mesmo". O conceito fundamental é “ficar separado ou isolado”. Nós percebemos que é necessário estar a sós com o Eterno a fim de que Ele tenha plena liberdade em nossas vidas! O verdadeiro encontro com o Eterno ocorre na solidão! É ali e somente ali que o Eterno pode vir e apresentar-se a nós de maneira plena a completa. E quando o encontramos, tem início uma “luta” onde queremos e precisamos que o Eterno se compadeça de nós e nos toque até mesmo fisicamente! A conversa entre Ia´aqov e o Eterno reflete bem sua intimidade: “...E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares”. Aqui sabemos que o Eterno veio por causa de Ia´aqov e necessitava que houvesse uma atitude por parte deste a fim de que lhe fosse reivindicado aquilo que ele viera trazer. É por isso que Ele diz: “Deixa-me ir, porque já a alva subiu”. D-us não precisa pedir permissão para homem algum a fim de ir ou vir. Mas aqui é diferente. Ele veio por causa de Ia´aqov e Ia´aqov precisa agir e reivindicar aquilo que está em seu coração.
A resposta de Ia´aqov a esta pergunta é: “...Não te deixarei ir, se não me abençoares”. A palavra abençoar é barak e significa “dar poder à alguém para ser próspero, bem sucedido e fecundo”. Ia´aqov precisava de uma confirmação quanto àquilo que já vinha ocorrendo em sua vida! Era necessário que ainda mais se manifestasse na vida de Ia´aqov esse poder para ser bem sucedido em tudo. Seu sucesso precisava vir agora em relação à Esav e isso estaria garantido se Ia´aqov pudesse receber do Eterno a certeza de que esse poder lhe havia sido concedido!
Então acontece: o nome de Ia´aqov – Calcanhar do Senhor – é mudado agora para Israel – aquele que luta com o Criador e prevalece – pois Ia´aqov lutara com Elohim – O D-us Criador - e alcançara aquilo que tanto precisava! É interessante que a Torah nos diz que ele prevaleceu! Esta palavra “prevalecer” vem do termo hebraico iakol que significa "ser capaz, prevalecer, dominar". Isto significa que Ia´aqov foi capaz de suportar tudo até aquele momento em busca daquilo que ele mais almejava: a confirmação da bênção do Criador sobre sua vida! Então a escritura diz que o Eterno abençoou-o ali! Aquele homem recebera a confirmação de que havia sobre ele poder para ser próspero, bem sucedido e fecundo em tudo aquilo que fizesse!
Por isso o nome do lugar chamou-se Peniel, pois ele viu à D-us face a face. O nome do lugar é mudado em virtude deste acontecimento! Agora seu nome – Peniel – é a combinação de duas palavras panim + El. O termo panim está no plural e indica todas as características que formam o rosto de alguém! Certamente neste acontecimento a face do Eterno sorria para Ia´aqov! Já palavra “ver” em hebraico é ra’â e significa "ver, olhar, inspecionar". O encontro entre eles fora tão extraordinário que ele diz ter visto (e também foi visto) face a face com e pelo Criador! Ia´aqov (agora Israel) tivera um encontro com seu Criador e sua vida haveria de mudar, pois ele confessa que “minha alma foi salva”. A palavra “salva” em hebraico é natsal e significa "livrar, resgatar, salvar". A palavra tem o sentido de “arrastar para fora ou então puxar para fora”. Isso nos fala sobre os temores e traumas de Ia´aqov que, naquele encontro com o Eterno foram-lhe arrancados e curados! Agora Ia´aqov certamente seria um outro homem, curado e restaurado pelo Eterno!
Mas além da marca espiritual na alma de Ia´aqov houve também uma marca física em seu corpo: “E chamou Ia´aqov o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva. E saiu-lhe o sol, quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa” (Gn 32:30-31). Isso nos mostra que muitas vezes nossos “encontros” com o Eterno nos marcarão de forma inconfundível, inclusive fisicamente, pois, quando olharmos para aquela “marca” nos lembraremos de nosso encontro com o Senhor e também nos lembraremos de suas promessas para nossa vida!
Na seqüência temos o tão esperado encontro entre Esav e Ia´aqov. Vejamos o que ocorreu quando os dois irmãos, separados por distâncias físicas e por anos de saudades, que agora certamente deverão determinar a intensidade positiva ou negativa deste encontro. Foi assim que tudo ocorreu: “E levantou Ia´aqov os seus olhos, e olhou, e eis que vinha Esav, e quatrocentos homens com ele. Então repartiu os filhos entre Lia, e Raquel, e as duas servas. E pôs as servas e seus filhos na frente, e a Lia e seus filhos atrás; porém a Raquel e José os derradeiros. E ele mesmo passou adiante deles e inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão. Então Esav correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram” (Gn 33:1-4). A estratégia de Ia´aqov foi dividir sua família em parte, ficando ele mesmo por último com sua esposa e filhos amados!
A Escritura nos informa que Ia´aqov quando chegou à presença de Esav inclinou-se à terra sete vezes. A palavra “inclinar-se” em hebraico é shahah e significa "inclinar-se". Ela tem o significado de “ser inferior”, “estar abatido”. Esta palavra descreve com muita propriedade a condição de Ia´aqov naquele momento: ele sentia-se inferior, estava abatido, pois não sabia o que lhes aconteceria então. Ia´aqov humilhou-se totalmente (sete vezes) diante de seu irmão Esav e esperava receber dele a devida misericórdia. A reação de Esav foi a menos provável nos cálculos de Ia´aqov. Ele sai correndo ao Encontro de Ia´aqov, lança-se sobre ele abraçando-o e chorou de saudades! Creio eu que nem nas melhores expectativas de Ia´aqov ele imaginou ser recebido assim por Esav! Foi o reencontro de dois irmãos que foram separados por muitos anos, cresceram, amadureceram, constituíram família e agora se reencontram debaixo de um clima de amor e compreensão! O coração quebrantado de Esav fora certamente preparado pelo Eterno para esse dia e também a humildade de Ia´aqov, que ao reencontrar-se com seu irmão sabia que tudo o que ele fizera com seu irmão tinha sido errado; mas agora ele sente o perdão fluindo naquele reencontro!
Ia´aqov fala com seu irmão colocando–se a si mesmo numa posição inferior. “Depois levantou os seus olhos, e viu as mulheres, e os meninos, e disse: Quem são estes contigo? E ele disse: Os filhos que Deus graciosamente tem dado a teu servo” (Gn 33:5). Quando Esav pergunta ao irmão que pessoas são aquelas ao seu redor, Ia´aqov lhe informa que são a família que o Eterno lhe houvera dado. Aqui ele chama a “D-us” de Elohim D-us Criador – e a si mesmo de “servo”, ebed em hebraico, que significa "escravo, servo". Este termo é empregado como uma referência humilde e educada sobre si mesmo. É isso que Ia´aqov faz: reconhece quem ele é – na atual condição – e diz isso ao seu irmão a fim de garantir-lhe que houve realmente uma mudança significativa em sua vida e conduta!
Esav pergunta a Ia´aqov sobre as pessoas que o precederam e sobre os “presentes” que lhe foram oferecidos e Ia´aqov lhe explica que estes foram a fim de “apresentarem-se” como dádivas de Ia´aqov a Esav. Esav tenta não aceitar aquilo que lhe é oferecido pelo irmão, mas Ia´aqov insiste em que ele aceite, pois assim ele estará de certa forma, “pagando” à Esav pelos prejuízos causados e ele e acumulados durante anos de ausência de Ia´aqov na família. Ele diz: “Toma, peço-te, a minha bênção, que te foi trazida; porque Deus graciosamente ma tem dado; e porque tenho de tudo. E instou com ele, até que a tomou” (Gn 33:11). Ia´aqov “reparte” sua beraka benção – que significa que Ia´aqov dá a seu irmão aquilo que ele tinha recebido fisicamente. Ele dividia com Esav o poder de ser próspero, bem sucedido e fecundo, só que isso está já manifesto de forma palpável, em bens materiais! Ia´aqov não divide com Esav a herança espiritual, mas somente a física!
Esav convida a Ia´aqov para ir com ele em caravana de volta ao seu lar. Porém Ia´aqov argumenta com seu irmão que seus filhos são novos demais para caminharem rapidamente para qualquer lugar e também seu gado não poderia fatigar-se, pois caso isso acontecesse o rebanho certamente morreria. Então foi Esav para seu caminho e Ia´aqov toma outro rumo. “Assim voltou Esav aquele dia pelo seu caminho a Seir. Ia´aqov, porém, partiu para Sucote e edificou para si uma casa; e fez cabanas para o seu gado; por isso chamou aquele lugar Sucote” (Gn 33:16-17). Esav volta pelo seu caminho a Seir. A palavra “caminho” em hebraico é derek e significa "caminho, estrada". Relaciona-se com darak, "pisar, pisotear e refere-se também a um caminho gasto, batido de tanto andar-se nele". Esav vai para Seir. Esse nome designa a região montanhosa a leste do deserto de Arabá. A palavra em sua raiz também significa “ter muito medo”. Esav, após seu encontro com Ia´aqov volta às suas atividades normais e continua andando por seus caminhos costumeiros! Não houve mudança na vida de Esav, pois ele ainda vive da mesma forma e com os mesmos padrões antigos! Ele inclusive habita numa região e num lugar que nos falam sobre sua condição espiritual: ele vive num lugar que causa muito medo! Esse lugar é certamente a habitação dos poderes das trevas, onde o domínio ali é exercido por seres cuja procedência vem das regiões baixas da terra: o inferno! Já Ia´aqov segue por um caminho diferente: ele vai para Sucote. A palavra “Sucot” significa "tendas"; ela também vem de uma raiz que significa em particular “cobrir” e num sentido figurado descreve a proteção que D-us concede à todos os que nele vem buscar refúgio. Ia´aqov também continua andando pelos mesmos caminhos que o trouxeram de volta ao seu lar. Ele anda com o D-us Eterno e vai para uma cidade que fala em seu nome sobre a proteção que o Eterno dá aos seus filhos. Ia´aqov sente-se “coberto” pela presença do Eterno em todos os seus caminhos! É justamente isso que aprendemos com Ia´aqov: a andar diante do Eterno em seus caminhos – que não estão “gastos” por andarmos neles diariamente – mas que se renovam e trazem sempre coisas novas e belas para aqueles que neles andam em obediência a Torah do Eterno!
Ia´aqov reconhece que foi o Eterno que o trouxe até ali e naquela condição de saúde e vida! “E chegou Ia´aqov salvo à Salém, cidade de Seqem, que está na terra de Canaã, quando vinha de Padã-Arã; e armou a sua tenda diante da cidade” (Gn 33:18). É-nos dito que Ia´aqov chega salvo à Salém. A palavra Salém significa "estar completo, sadio". Ela descreve bem o estado no qual Ia´aqov chega à sua casa: como alguém que foi embora, mas retorna vitorioso em todos os sentidos de sua vida! Ele estava também na cidade de Seqem e esta palavra significa "ombro, costas". A palavra vem da raiz que significa também “levantar cedo”. Tem o sentido de começar uma longa viagem; começar o dia com um ato de adoração e ir à batalha! É muito interessante pois foi justamente isso que acontecera com Ia´aqov: ele levantara-se começando uma nova etapa de sua vida, e creio eu, que através de sua postura de um verdadeiro adorador ele conquista as vitórias tão esperadas no campo de batalha – tanto espiritual quanto físico -.
Seu último ato ao chegar à sua terra natal foi o de erigir um altar ao seu D-us. “E levantou ali um altar, e chamou-lhe: Deus, o Deus de Israel” (Gn 33:20). A palavra “altar” em hebraico é mizbeah e significa "lugar de sacrifício". Agora Ia´aqov trazia diante do Eterno um sacrifício como gratidão ao seu D-us por seus feitos em sua vida. Ele também dá um nome ao altar: El, o D-us de Israel! Este nome de D-us é usado em conjunto como prefixo na maioria dos designativos com os quais o Eterno se apresenta nas Escrituras. E o mais interessante é que ele chama El de seu D-us! Ele o chama de D-us de Israel! O altar funcionaria como um marco naquele lugar e traria lembranças a quem quer que o visse e compreendesse o motivo porque ele estava ali! Lembremo-nos também que Israel é agora o nome de Ia´aqov!
Este é Ia´aqov – agora Israel – que volta ao seu lar com uma nova postura de vida e seu retorno propiciará a ele que viva uma nova etapa em sua caminhada com o D-us Eterno de Israel! Ele assume sua nova identidade: o príncipe que lutou com o Criador e prevaleceu – conseguiu aquilo que tanto precisava – e agora tem início o cumprimento através de Ia´aqov – Israel – da promessa feita a Abraham e Itshaq, a qual nos fala sobre Israel habitar na sua terra e ali eles cresceriam e se multiplicariam. Mas isso é só o começo!
Agora temos o relato sobre Dinah, que é deflorada, forçada por um homem que não conhecia e nem obedecia aos princípios do D-us Eterno. A história transcorreu assim: “E saiu Dinah, filha de Lia, que esta dera a Ia´aqov, para ver as filhas da terra. E Seqem, filho de Hamor, heveu, príncipe daquela terra, viu-a, e tomou-a, e deitou-se com ela, e humilhou-a” (Gn 34:1-2). Dinah passeava pelos arredores das propriedades de Ia´aqov, quando foi vista por Seqem, que sentiu-se atraído por ela, e por ser um homem muito importante naquele lugar julgou poder fazer dela o que bem entendesse. A escritura nos informa que ele “humilhou-a”. Esta palavra em hebraico é anâ e significa "afligir, oprimir, humilhar". O sentido básico da palavra é de “forçar”, ou “tentar impor”; também “castigar” ou “causar dor em”. Dinah foi forçada a manter relações sexuais com um homem desconhecido, foi agredida em sua liberdade e teve sua virgindade violada por alguém que simplesmente olhou para ela, e que, por causa de sua posição social, ultrapassou os limites da ordem e da decência sem pensar nas conseqüências de sua ato.
Mas a história vai muito além disso. “Quando Ia´aqov ouviu que Dinah, sua filha, fora violada, estavam os seus filhos no campo com o gado; e calou-se Ia´aqov até que viessem. E saiu Hamor, pai de Seqem, a Ia´aqov, para falar com ele. E vieram os filhos de Ia´aqov do campo, ouvindo isso, e entristeceram-se os homens, e iraram-se muito, porquanto Seqem cometera uma insensatez em Israel, deitando-se com a filha de Ia´aqov; o que não se devia fazer assim” (Gn 34:5-7). Quando Ia´aqov e seus filhos ficaram sabendo do que havia ocorrido com Dinah houve uma indignação muito grande por parte deles. Eles sabiam que algo deveria ser feito para que este grande mal pudesse ser reparado. Mas o que? Agora o próprio D-us vai providenciar para eles uma estratégia a fim de poderem “vingar-se” de Dinah.
Hemor (pai de Seqem) vem até Ia´aqov para pedir-lhe Dinah por esposa à seu filho. “Então falou Hamor com eles, dizendo: A alma de Seqem, meu filho, está enamorada da vossa filha; dai-lha, peço-vos, por mulher; e aparentai-vos conosco, dai-nos as vossas filhas, e tomai as nossas filhas para vós; e habitareis conosco; e a terra estará diante de vós; habitai e negociai nela, e tomai possessão nela. E disse Seqem ao pai dela, e aos irmãos dela: Ache eu graça em vossos olhos, e darei o que me disserdes; aumentai muito sobre mim o dote e a dádiva e darei o que me disserdes; dai-me somente a moça por mulher” (Gn 34:8-12).
O que Hemor dissera reflete o padrão ensinado a Seqem: “a sua alma está enamorada de sua filha”. A palavra “alma” vem do termo hebraico nephesh e significa "vida, alma, criatura, mente". Reflete os aspectos emocionais de uma pessoa. Modernamente diríamos que este jovem apaixonou-se por Dinah e a estuprou, tentando depois casar-se com ela a fim de “reparar” o erro.
Aparentemente, a proposta de Hemor era muito boa. Ele queria, de certa forma, “reparar” o erro de seu filho tomando Dinah por sua esposa e também pagando à família de Ia´aqov o dote que lhes fosse pedido. Mas certamente isso não estava nos planos de Ia´aqov, pois ele queria que sua filha e pudesse casar-se com alguém da mesma linhagem e não com um homem desconhecido, de um povo que não honrava nem conhecia ao D-us de Israel.
Entre os familiares, o comentário foi o seguinte: “Então responderam os filhos de Ia´aqov a Seqem e a Hamor, seu pai, enganosamente, e falaram, porquanto havia violado a Dinah, sua irmã” (Gn 34:13). A palavra violar em hebraico é tame’ e significa "ser (ficar) impuro, imundo". Dinah agora havia ficado impura justamente por ter sido “atacada” por Seqem e por não terem sido respeitados os parâmetros legais para que fosse realizado um casamento. Seqem simplesmente a tomou, fez dela o que quis e depois pediu a seu pai que intermediasse o casamento! Os irmãos de Dinah sabiam disso e agora usaram de astúcia a fim de poderem fazer algo que os levasse a “repararem” o erro que ocorrera com Dinah!
A proposta deles para Hamor, Seqem e os homens daquela comunidade foi a seguinte: “E disseram-lhe: Não podemos fazer isso, dar a nossa irmã a um homem não circuncidado; porque isso seria uma vergonha para nós; nisso, porém, consentiremos a vós: se fordes como nós; que se circuncide todo o homem entre vós; então dar-vos-emos as nossas filhas, e tomaremos nós as vossas filhas, e habitaremos convosco, e seremos um povo; mas se não nos ouvirdes, e não vos circuncidardes, tomaremos a nossa filha e ir-nos-emos. E suas palavras foram boas aos olhos de Hamor, e aos olhos de Seqem, filho de Hamor. E não tardou o jovem em fazer isto; porque a filha de Ia´aqov lhe contentava; e ele era o mais honrado de toda a casa de seu pai. Veio, pois, Hamor e Seqem, seu filho, à porta da sua cidade, e falaram aos homens da sua cidade, dizendo: Estes homens são pacíficos conosco; portanto habitarão nesta terra, e negociarão nela; eis que a terra é larga de espaço para eles; tomaremos nós as suas filhas por mulheres, e lhes daremos as nossas filhas. Nisto, porém, consentirão aqueles homens, em habitar conosco, para que sejamos um povo, se todo o homem entre nós se circuncidar, como eles são circuncidados. E seu gado, as suas possessões, e todos os seus animais não serão nossos? Consintamos somente com eles e habitarão conosco. E deram ouvidos a Hamor e a Seqem, seu filho, todos os que saíam da porta da cidade; e foi circuncidado todo o homem, de todos os que saíam pela porta da sua cidade” (Gn 34:14-24). A proposta dos israelitas consistia justamente na circuncisão dos homens da localidade a fim de se “igualarem” aos israelitas em suas tradições e costumes. Eles ponderaram e concluíram que esta seria uma coisa muito boa para ambos os povos, pois a terra poderia comportar a ambos e também eles poderiam unificar-se a fim de formarem um povo ainda mais forte! Mas eles não pensaram que a circuncisão para qualquer homem depois do 8° dia causa uma dor muito grande, principalmente em adultos! Essa seria a estratégia dos israelitas, que, ao proporem aqueles homens que se circuncidassem estariam também debilitando-os espiritual e fisicamente!
O resultado desta estratégia foi terrível: a paixão de Seqem trouxe a ele e aos seus subordinados a morte! Percebemos o quão perigosa é a paixão humana descontrolada! Da mesma forma que, repentinamente, o sentimento apareceu, ele pode, também repentinamente, desaparecer! Os servos de Hamor (pai de Seqem), juntamente com seu senhor, pagaram com a própria vida pelo abuso apaixonado deste homem! “E aconteceu que, ao terceiro dia, quando estavam com a mais violenta dor, os dois filhos de Ia´aqov, Simeão e Levi, irmãos de Dinah, tomaram cada um a sua espada, e entraram afoitamente na cidade, e mataram todos os homens. Mataram também ao fio da espada a Hamor, e a seu filho Seqem; e tomaram a Dinah da casa de Seqem, e saíram. Vieram os filhos de Ia´aqov aos mortos e saquearam a cidade; porquanto violaram a sua irmã. As suas ovelhas, e as suas vacas, e os seus jumentos, e o que havia na cidade e no campo, tomaram. E todos os seus bens, e todos os seus meninos, e as suas mulheres, levaram presos, e saquearam tudo o que havia em casa. Então disse Ia´aqov a Simeão e a Levi: Tendes-me turbado, fazendo-me cheirar mal entre os moradores desta terra, entre os cananeus e perizeus; tendo eu pouco povo em número, eles ajuntar-se-ão, e serei destruído, eu e minha casa. E eles disseram: Devia ele tratar a nossa irmã como a uma prostituta?” (Gn 34:25-31). Quando Ia´aqov fica sabendo do “estrago” promovido por Simeão e Levi ele fica muito preocupado com o fato, porém a justificativa deles é no mínimo plausível: Dinah não deveria ser tratada como uma prostituta! A palavra “prostituta” em hebraico é zanâ e significa "cometer fornicação, praticar prostituição"; a idéia básica é “ter relação sexual ilícita”. Os irmãos de Dinah sabiam da gravidade daquilo que ocorrera, mas também sabiam que aquilo que haviam feito certamente estava errado, pois eles haviam enganado astutamente aos moradores daquela terra a fim de darem cabo de suas vidas!
Agora, Ia´aqov é novamente chamado pelo Eterno a um concerto juntamente com toda a sua família! “Depois disse Deus a Ia´aqov: Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali; e faze ali um altar ao Deus que te apareceu, quando fugiste da face de Esav teu irmão. Então disse Ia´aqov à sua família, e a todos os que com ele estavam: Tirai os deuses estranhos, que há no meio de vós, e purificai-vos, e mudai as vossas vestes” (Gn 35:1-2). Aqui o eterno apresenta-se como Elohim o D-us Criador - a Ia´aqov e ordena-lhe erigir um altar, que é um lugar de sacrifício, onde ele certamente deveria apresentar ao Senhor os sacrifícios que lhes permitiriam ter os pecados “cobertos” (perdoados) e poderiam então continuar em sua caminhada diante do Senhor. O Senhor diz a Ia´aqov que fizesse o altar “ao Deus que te apareceu”. No hebraico está a expressão El-ra’ah, que significa o El (Criador) que vê, atenta, presta atenção. Literalmente seria traduzida por “ao El que te viu”. Isso demonstra-nos que o Eterno tem um cuidado extremo para com seus filhos, pois Ele está cuidando de todos nós atentamente, com seus olhos fixos sobre cada passo e atitude de nossas vidas! A determinação do eterno é que Ia´aqov e os seus mudem de vida, retirando do meio deles tudo aquilo que ocupa o lugar de D-us em suas vidas! Eles deveriam dar prioridade máxima ao Senhor e isso exigiria abrirem mão de outros objetos e até mesmo de outros valores que julgavam ser bons para sua vida a fim de servirem ao Senhor!
A conseqüência de seu ato de obediência foi a seguinte: “E levantemo-nos, e subamos a Betel; e ali farei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angústia, e que foi comigo no caminho que tenho andado. Então deram a Ia´aqov todos os deuses estranhos, que tinham em suas mãos, e as arrecadas que estavam em suas orelhas; e Ia´aqov os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Seqem. E partiram; e o terror de Deus foi sobre as cidades que estavam ao redor deles, e não seguiram após os filhos de Ia´aqov” (Gn 35:3-5). A primeira coisa que Ia´aqov e seus familiares fazem é “subir a Betel”. Para que haja um concerto é necessário que todos os familiares dele vão juntos à casa de El. Ali eles teriam atitudes e posturas que confirmariam seu arrependimento e seu desejo de concertarem-se e refazerem sua aliança com o Senhor.
Pelo texto nós percebemos que não houve resistência da parte dos que estavam com Ia´aqov. Eles liberalmente se desfizeram das coisas que, de alguma forma, impediam seu relacionamento com o D-us Eterno. A primeira coisa de que se livraram foram os “deuses estranhos”. Em hebraico temos nekar eloahi que significa literalmente deuses estrangeiros! Estava tendo início uma “limpeza” das “heranças” adquiridas na casa da Lavan! Para que Ia´aqov se estabelecesse em sua terra, sua casa precisaria de uma total purificação!
Quando eles fizeram isso, o resultado foi que o Senhor trouxesse sobre os habitantes em derredor o seu terror! Aqui a palavra “terror” é hittâ e significa "pavor, medo". A palavra vem de uma raiz que significa (estar) quebrantado, aniquilado, com medo, aterrorizado. Isso demonstra que a obediência de Ia´aqov e dos seus impôs o reino do Criador (Elohim) sobre o local e os arredores em que eles habitavam! Quando eles obedeceram à ordem de retirar os “deuses” estranhos do meio deles, foi “disparado” um processo no qual o reino espiritual trouxe à Ia´aqov e aos seus a presença do Eterno de tal forma que instalou-se um terror nas localidades ao seu redor! D-us causou isso a fim de preservar Ia´aqov e os seus com sua presença!
Um outro evento agora marca a vida de Ia´aqov e de sua família: a morte de Debrah, ama de Rebeca. Quando isso acontece, Ia´aqov e o Eterno encontram-se novamente e o resultado deste encontro é maravilhoso! “E apareceu Deus outra vez a Ia´aqov, vindo de Padã-Arã, e abençoou-o. E disse-lhe Deus: O teu nome é Ia´aqov; não te chamarás mais Ia´aqov, mas Israel será o teu nome. E chamou-lhe Israel” (Gn 35:9-10). Novamente o Eterno – Elohim aparece a Ia´aqov e o abençoa. Ia´aqov recebe novamente poder para ser próspero (mais ainda), bem sucedido e fecundo em tudo aquilo que ele faz! É também o momento da ratificação (confirmação) de seu novo nome, pois aqui o Senhor novamente diz-lhe que seu nome é Israel. A própria boca do Eterno assim o chamou! Ia´aqov não imaginava que ele estava dando origem à nação de Israel, ao povo que o Eterno escolheu para amá-lo e para dar-lhe suas leis e mandamentos, a fim de que todo o mundo viesse a conhecer – e reconhecer – o D-us de Israel!
Mas isso não foi bastante para o Senhor, que dá ainda mais ao seu servo Israel! “Disse-lhe mais Deus: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação, sim, uma multidão de nações sairá de ti, e reis procederão dos teus lombos; e te darei a ti a terra que tenho dado a Abraão e a Isaque, e à tua descendência depois de ti darei a terra. E Deus subiu dele, do lugar onde falara com ele. E Ia´aqov pôs uma coluna no lugar onde falara com ele, uma coluna de pedra; e derramou sobre ela uma libação, e deitou sobre ela azeite” (Gn 35:11-14). Agora o Senhor libera uma palavra que certamente transformaria a vida de Ia´aqov e novamente Ele ratifica suas promessas a Israel.
O Eterno se identifica como El Shadai ue significa "El todo-poderoso". Alguns crêem que shadai é a formado por she que significa “que”, “quem” e da palavra dai, que significa "bastante, suficiente". Quando O Eterno se apresenta desta forma Ele certamente está dizendo a Ia´aqov: “Eu sou o D-us suficiente para sua vida! Em mim tudo há que você precisa; demonstrarei a você que tenho o bastante para ti!”
O Senhor diz a ele que “frutifique”. Essa palavra em hebraico é parâ e significa "frutificar, ser frutífero, ser fecundo, ramificar". Aqui já vem explícita a ordem do Eterno para que Israel (os judeus) se espalhem, dando muitos frutos por onde quer que eles passem! Além disso, o Senhor ainda lhes diz que se “multipliquem”, que em hebraico é rabâ, que significa "aumentar, multiplicar, ser grande e numeroso"! Às vezes nos parece que o Eterno é um tanto quanto repetitivo, mas isso não é verdade. Aqui o Senhor ordena a Israel que eles tornem-se uma nação numerosa! Mas que tipo de “nação numerosa” seria o povo de Israel? O Eterno informa que uma “multidão de nações” procederiam dele. A palavra “nações” em hebraico é goi e significa "nação gentílica"! Isso significa que já em Ia´aqov (Israel) o Senhor apontava para o futuro mostrando as dispersões pelas quais passariam os judeus e também a sua “mistura” com os povos de todo o mundo fazendo com que os alguns judeus perdessem suas raízes e viessem a integrar os povos chamados “gentílicos”. Muitos destes judeus ainda hoje nem sabem que realmente são judeus! O seu afastamento das raízes judaicas foi tão grande que veio a comprometer sua própria identidade e a sua forma de viver como judeu! Já palavra “multidão” em hebraico é qahal e significa "assembléia, grupo, congregação". O verbo transmite a idéia de reunir um grupo de pessoas, qualquer que seja o propósito da ação. Na Brit Hadasha a palavra é traduzida por sinagoga! Aqui temos então, desde Ia´aqov a idéia de que o Eterno reuniria seu povo – os judeus e alguns gentios – numa congregação que se reuniria a fim de adorarem ao Eterno D-us de Israel! Isso aconteceria num futuro muito distante – esse tempo se chama hoje – e reuniria aqueles que são os descendentes físicos de Ia´aqov – Israel – a fim de formarem uma grande família de adoradores ao D-us Eterno!
Basta somente olharmos para a Palavra do Senhor para entendermos que a Igreja hoje é tão somente uma extensão do povo de Israel antigo e atual! Nós agora compreendemos o porque de D-us estar restaurando sua Igreja a fim de colocá-la em harmonia não somente com Sua Palavra mas também com o povo de Israel que está sobre a terra! Isso é como juntar duas coisas iguais e somente “ajeitar” os detalhes a fim de colocá-las em paralelo como duas partes de um todo! Assim D-us está fazendo com a Igreja a com Israel, pois um deve olhar para o outro como parte de si mesmo e a Igreja – que foi enxertada em Israel – deve ser restaurada a fim de poder encaixar-se perfeitamente em Israel e formar definitivamente um só povo!
O Senhor agora termina o processo de composição das doze tribos trazendo à existência a último filho de Ia´aqov. “E partiram de Betel; e havia ainda um pequeno espaço de terra para chegar a Efrata, e deu à luz Raquel, e ela teve trabalho em seu parto. E aconteceu que, tendo ela trabalho em seu parto, lhe disse a parteira: Não temas, porque também este filho terás. E aconteceu que, saindo-se-lhe a alma (porque morreu), chamou-lhe Benoni; mas seu pai chamou-lhe Ben iamim” (Gn 35:16-18). Nasce finalmente Ben iamim, que significa “filho da destra [mão direita]”. Antes deles chegarem a Efratah Rahel entra em trabalho de parto!
Com isso a amada de Ia´aqov – Rahel - morre ao dar à luz a Bin iamim e é sepultada em Beit Lechem. Termina aqui o ciclo dos nascimentos dos filhos de Ia´aqov e também a composição das doze tribos de Israel.
Novamente somos informados que Esav continua andando por seus caminhos e dá aos seus filhos por esposas e maridos dos filhos de outros povos que não conhecem ao Senhor. Isso nos mostra que Esav tinha um coração que nunca se curvou definitivamente diante do Eterno, pois Esav teimava em fazer as coisas como bem entendia.
Já em Ia´aqov – Israel – temos o símbolo do homem temente e obediente ao Senhor e que sabia que o resultado de sua obediência seria uma vida tranqüila e segura diante do D-us de seus pais. Isso significa que ao obediente o Eterno reserva o poder de serem prósperos, bem sucedidos e fecundos, além de dar-lhes o privilégio de conhecerem os seus segredos!
Aprendamos com Israel e sermos obedientes ao Senhor, ainda que em circunstâncias adversas, pois sabemos que quando obedecemos liberamos o poder do Eterno para agir em nossas vidas dando-nos tudo aquilo que precisamos!
Que o Eterno nos abençoe em nome de Ieshua!
Mário Moreno
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