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Escrito por Mário Moreno Dom, 13 de Fevereiro de 2011 09:45

Nosso texto tem início com: “Quando fizeres a contagem dos filhos de Israel, conforme a sua soma, cada um deles dará ao Senhor o resgate da sua alma, quando os contares; para que não haja entre eles praga alguma, quando os contares” (Êx 30:12). A palavra traduzida por “Senhor” é o tetragrama, e isso nos informa que Ele se tornará na necessidade de cada israelita a fim de suprir-lhes qualquer falta ou necessidade! Os israelitas deveriam dar um “resgate”, que em hebraico é koper e significa “resgate, dádiva para obter favor”. A palavra vem da raiz “cobrir”, “ocultar” e significa “cobrir o pecado”. A palavra seguinte é “alma”, que em hebraico é nephesh e significa “vida, alma, criatura, mente”. Isso nos mostra que cada israelita deveria trazer algo a fim de resgatar sua própria vida perante o Senhor. O resgate em si evitaria que a praga atingisse aos israelitas, pois foi determinado pelo Eterno que assim fosse feito. E o resgate seria igual para todos! Ninguém pagaria mais ou menos pelo resgate pessoal! Há uma igualdade diante do Eterno que não pode ser quebrada! Para Ele todo o homem tem o mesmo valor, independente de quem seja ou de quanto dinheiro tenha, ou mesmo da cor de sua pele ou sua posição social! Todos tem o mesmo valor para o Eterno! Através deste ato, o homem pecador teria seu pecado coberto e sua vida, que se compõe da alma e também dos seus sentimentos, seria também restaurada! O Senhor não se tornou o seu resgate somente a fim de que eles fossem perdoados! Ele planejou que juntamente com o perdão houvesse também a restauração da alma, da mente, das emoções de um homem que estava em desequilíbrio e por isso precisava de tal ato da parte do Eterno!

Agora Moshê nos fala sobre a pia de cobre: “Farás também uma pia de cobre com a sua base de cobre, para lavar; e a porás entre a tenda da congregação e o altar; e nela deitarás água” (Êx 30:18). Esta pia tem um simbolismo muito forte, pois ela nos fala que após o homem ter se convertido (passado pela porta – que é Ieshua – do Tabernáculo), após o homem ter morrido (passando pelo altar de sacrifícios), agora ele precisa ter sua vida purificada, “E Arão e seus filhos nela lavarão as suas mãos e os seus pés” (Êx 30:19), e para isso é necessário passar pela pia de cobre, a fim de que, através da imersão, sejamos inseridos num outro contexto em nossa caminhada com o Eterno, dando nosso testemunho público de que nossa fé está embasada no D-us verdadeiro! A pia de cobre nos fala sobre uma nova vida que morre para o mundo e ressurge já transformada para D-us! “De sorte que fomos sepultados com ele pela imersão na morte; para que, como o Ungido foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6:4).

As especiarias também tem um significado profundo! “Tu, pois, toma para ti das principais especiarias, da mais pura mirra quinhentos siclos, e de canela aromática a metade, a saber, duzentos e cinqüenta siclos, e de cálamo aromático duzentos e cinqüenta siclos” (Êx 30:23). A palavra traduzida por “especiarias” é besem e significa “especiaria, perfume, cheiro ou aroma agradável”. A palavra “mirra” é mor e tem o mesmo significado. Ela vem de uma raiz que significa “ser amargo, fortalecer, ser forte”. Já a canela é uma casca de árvore com cheiro adocicado. Mas, perguntaríamos nós, para que o Eterno ordenou juntar essas coisas todas? A resposta é: “E disto farás o azeite da santa unção, o perfume composto segundo a obra do perfumista: este será o azeite da santa unção” (Êx 30:25). Sim, o objetivo final do Eterno é que fosse composto o azeito santo para unção! Este azeite tinha uma finalidade especial: seria usado para ungir reis, profetas e sacerdotes! Mas o que aconteceria após terem recebido esta unção? Vejamos na seqüência: a unção faria com que eles exalassem um cheiro agradável e apesar do amargor das tribulações eles estariam tornando-se cada vez mais fortes, e quando fossem levados ao fogo, após queimarem exalariam um cheiro adocicado e suave! Esse é o resultado da unção do Eterno sobre a vida daqueles que Ele chama para servirem-no seja como reis (investidos de autoridade temporal), sejam como profetas (investidos de autoridade para levantarem o povo e trazerem a eles os desígnios do Altíssimo), ou seja como sacerdotes (investidos de autoridade para entrarem e saírem na presença do Eterno a fim de abençoarem ao Seu povo! E esta unção está disponível para nós a qualquer momento! Como obtê-la? Basta orarmos e pedirmos Aquele que deu a fórmula do óleo que o derrame sobre nós a fim de sermos transformados e enriquecidos espiritualmente por este óleo!

Este óleo ungiria tanto objetos como homens! Os objetos seriam definitivamente separados para serem utilizados somente no serviço do Senhor. Isso confirmaria sua santidade e utilidade! “E com ele ungirás a tenda da congregação, e a arca do testemunho, E a mesa com todos os seus utensílios, e o candelabro com os seus utensílios, e o altar do incenso. E o altar do holocausto com todos os seus utensílios, e a pia com a sua base. Assim santificarás estas coisas, para que sejam santíssimas; tudo o que tocar nelas será santo” (Êxodo 30:26-29). Tais objetos perderiam sua condição de “simples” ou “normais” e passariam a ser considerados como santos! Como está escrito, “Assim santificarás estas coisas, para que sejam santíssimas; tudo o que tocar nelas será santo”. Agora, o simples tocar objeto poderá santificar o homem!

Mas o que ocorre com Aharon e seus filhos? “Também ungirás a Aharone seus filhos, e os santificarás para me administrarem o sacerdócio” (Êx 30:30). Aharon e os seus também tornar-se-iam santos a fim de oficiarem o sacerdócio perante o Eterno! Objetos santos requerem homens santos para se apresentarem diante do D-us Santo! Não há meio termo aqui: eles tinham a obrigação de serem santos! Isso se aplica também a nós hoje! Sigamos este tremendo exemplo!

O construtor do Tabernáculo

Há todo um cuidado da parte do Eterno a fim de que suas ordens sejam cumpridas: “Eis que eu tenho chamado por nome a Bezalel, o filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Iehuda” (Êx 31:2). A palavra “chamar” é qarã e significa “convocar, recitar (o nome)”. Já a palavra “tribo” é traduzida da palavra matteh no hebraico, que significa “vara, bordão, bastão, haste, tribo”. Era usada como um símbolo da tribo, passando a simbolizar a liderança e a autoridade! Mas o que está dito aqui? O Eterno nos informa que ele convocou um homem com a autoridade da tribo de Iehuda (tinha de ser Iehuda?) para trabalhar na confecção dos materiais dos sacerdotes e do tabernáculo! Este homem tinha autoridade de Iehuda, tribo da qual descenderia Aquele que resgataria o homem e que reconstruiria o “Templo” em três dias! Ou seja, somente Aquele que tinha autoridade de construtor poderia “derrubar” o Templo (que é o símbolo do lugar onde habita o Eterno), para em três dias (o tempo que esteve morto) ressuscitar de entre os mortos e dar um novo sentido à vida e à morte! Agora não precisamos mais sujeitar-nos à morte como algo impossível de ser revertido! O Construtor de nosso Templo (Ieshua) morreu e ressuscitou a fim de que pudéssemos também fazer o mesmo e viver para sempre com Ele! Este é o motivo pelo qual um homem da tribo de Iehuda recebeu tal incumbência e tal autoridade!

Para desempenhar as funções que lhe foram atribuídas pelo Eterno, seria necessário a Bezalel algo especial: “E o enchi do Espírito de D-us, de sabedoria, e de entendimento, e de ciência, em todo o lavor” (Êx 31:3). O Eterno aqui liberou uma unção especial sobre Bezalel que enche-o A palavra “encher” em hebraico é male e significa “plenitude, aquilo que enche”. Este homem recebe a plenitude de ruach Elohim, que significa Espírito do D-us Criador! Aquilo que estava disponível para Bezalel era o mesmo que o Eterno utilizou-se na Criação! O Senhor vai utilizar-se dos seus melhores recursos a fim de criar uma vestimenta e depois edificar o Tabernáculo! Nada disso será feito de qualquer forma. O Senhor trará à existência seus sonhos e projetos através de um homem a quem Ele confere uma capacidade sobrenatural para criar. A “sabedoria”, em hebraico é hokua e significa “ser sábio, agir sabiamente”. Este tipo de habilidade nos fala sobre algo sobrenatural que vem sobre a vida do homem a fim de dar-lhe condições de utilizar-se de meios e artifícios até então não pensados. Já o entendimento nos fala sobre entender, considerar, discernir, e aplicar-se naquilo que está sendo feito. Tudo o que fazemos requer uma metodologia que precisa ser compreendida e é para isso que nos utilizamos desta faculdade que é o entendimento. A ciência nos fala sobre a forma através da qual realizamos e trazemos à existência os projetos idealizados em nossa mente! Esta é a parte prática do processo e é justamente aquela que realiza!

O Shabat

A seqüência nos fala sobre o shabat: “Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o IHVH, que vos santifica” (Êx 31:13). Consideremos então que a palavra “guardar” em hebraico é shamar e significa “cuidar, guardar, observar, prestar atenção”. A palavra nos diz que o shabat precisa receber nossa atenção de forma especial, guardando-o, observando-o e fazendo dele um momento especial entre nós e o Eterno! A Escritura nos fala que o shabat é um sinal. A palavra “sinal” é ot e significa “sinal, marca, indicio, insígnia, estandarte, milagre, sinal miraculoso”. Esta palavra é a mesma utilizada na Tanach para descrever um milagre, que como sabemos, é um ato sobrenatural da parte de D-us a fim de mudar o curso natural das coisas! Então o shabat é visto assim também pelo Eterno, pois para o Senhor o shabat funciona como uma marca, algo que distinguirá Israel dos demais povos, um estandarte que é erguido no meio da nação a fim de declarar através dele: “Nós pertencemos ao D-us Eterno e o obedecemos, por isso guardamos sua Palavra!” Há um fato interessante que precisamos saber: durante a história de cativeiros, lutas e problemas incessantes ocorridos na vida dos judeus, houve algo que os manteve coesos e ligados à suas raízes e à sua história patriarcal: o Sábado! Foi justamente por esse motivo que o Senhor disse que o Sábado seria um sinal entre Ele e seu povo nas suas gerações... Ou seja, enquanto eles guardassem o Sábado (como lhes fora ordenado nos dez mandamentos e outras referências) o Senhor os guardaria e os santificaria! Seria inclusive melhor dizermos que o Eterno se tornaria a sua santidade, pois a palavra que traduzimos por Senhor é o tetragrama! Tudo o que o povo de Israel necessitava estava há sua disposição enquanto obedecessem ao Senhor seu D-us! E isso tem se tornado evidente nos dias de hoje, pois os judeus, contra todas as expectativas, guardam o Sábado (não trabalhando), “perdem um dia” da semana, porém eles estão entre os homens mais ricos do mundo! Por que isso acontece? Não seria porque, quando obedecem ao Eterno, eles então “liberam” o Senhor para abençoá-los? Precisamos pensar mais sobre isso...

O outro lado da questão é também tratado pelo Eterno: “Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós; aquele que o profanar certamente morrerá; porque qualquer que nele fizer alguma obra, aquela alma será eliminada do meio do seu povo” (Êx 31:14). O destaque aqui está na palavra “profanar”, que em hebraico é halal e significa “profanar, contaminar, poluir”. Notemos que o Eterno tem prazer em abençoar aos obedientes, porém não tem por inocentes aqueles que lhe desobedecem! Aqueles que profanam, contaminam ou poluem o Sábado “morrem” enquanto agem na desobediência. Este morrer pode ser literal (fisicamente) ou também figurado, pois pode significar que tal pessoa – em virtude da desobediência – tem sua vida “travada”, impedida de crescer, seca, sem bênçãos. Novamente notamos que isso é fato na vida do povo do Eterno em nossos dias, pois aos obedientes Ele lhes dá grandes bênçãos, já aos desobedientes... Outro aspecto interessante é que a guarda do Sábado funciona como um “cimento” que une o judeu às suas tradições e costumes bíblicos! Esse parece ser o outro motivo para guardarmos o Sábado, pois quando não obedecemos somos “eliminados” do povo perdendo nossas tradições e costumes bíblicos que nos foram outorgados pelo Eterno a fim de recebermos bênçãos através deles!

Mas qual é o motivo pelo qual devemos obedecer? “Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque em seis dias fez o IHVH os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-se” (Êx 31:17). Somente destacaremos duas coisas aqui: o tetragrama - IHVH - significa que o Eterno quer tornar-se nosso descanso através do shabat. Também a palavra “restaurou-se” em hebraico é napash e significa “tomar fôlego, reanimar-se”. D-us, o nosso D-us precisa descansar? Necessita Ele tomar fôlego ou reanimar-se como alguém que cumpre uma longa jornada e agora para a fim de recompor suas forças? É claro que não, porém o Eterno aqui nos mostra quão importante é que sigamos seu exemplo e observemos o shabat a fim de nos recompormos e também de, nesse dia, estreitarmos nossas relações com o Criador do Universo! Não nos esqueçamos que Ieshua e também os discípulos observaram o Sábado guardando-o a fim de neste dia celebrarem ao Criador. Foi no shabat que Ieshua nos mostrou qual é o intento do coração do Eterno: abençoarmos ao nosso próximo e vivermos nesse dia como verdadeiros adoradores! Ele não mudou! Sua Palavra não mudou! Nós é que mudamos através da história e também houveram homens que tentaram “mudar” aquilo que está escrito a fim de profanarem a Palavra do D-us Eterno! Mas entre nós não será assim! Nós retornaremos aos primórdios da Palavra e andaremos em obediência à revelação do Eterno em sua Palavra!

As tábuas da Torah

Finalizando, aconteceu assim: “E deu a Moshê (quando acabou de falar com ele no monte Sinai) as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de D-us” (Êx 31:18). As tábuas foram entregues a Moshê e tinham sido escritas pelo dedo de D-us. A palavra “dedo” em hebraico é etsba com o mesmo significado. Refere-se também ao trabalho habilmente realizado, especialmente aquele feito por D-us. A palavra “D-us” em hebraico é Elohim e ela nos fala do Senhor como D-us Criador. O Criador escreve com seu dedo, de forma hábil, precisa e final, entregando à Moshê algo já consumado, que não necessitaria de “retoques” ou “inclusões” posteriores! Assim foi feita a transmissão de parte da Torah a Moshê!

Rebeldia que conduz à morte!

Enquanto Moshê estava recebendo do Eterno as instruções que funcionariam como normas de conduta para o povo, algo acontecia no acampamento dos israelitas: “Mas vendo o povo que Moshê tardava em descer do monte, acercou-se de Aharon, e disse-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós; porque quanto a este Moshê, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu” (Êx 32:1). Aqui fica evidente a necessidade do povo de Israel por uma cura em seu espírito: a da idolatria! A palavra “povo” em hebraico é am e refere-se ao povo de Israel de forma específica. Fica evidente aqui que tal pedido partiu daqueles entre o povo que o representavam e que provavelmente não aceitavam a liderança de Moshê. Por isso eles vão até Arão a fim de que se lhes faça um D-us que possam enxergar! Após terem recolhido o material para a confecção do D-us, assim fizeram: “E ele os tomou das suas mãos, e trabalhou o ouro com um buril, e fez dele um bezerro de fundição. Então disseram: Este é teu D-us, ó Israel, que te tirou da terra do Egito” (Êx 32:4). Novamente aqui percebemos que há pessoas de liderança envolvidas neste ato de rebelião e profanação, pois nomeiam o ídolo como o D-us de Israel, atribuindo-lhe inclusive a sua libertação da mão dos egípcios!

Com o ídolo pronto e a ausência de Moshê, Arão agora comanda o povo dizendo: “E Aharon, vendo isto, edificou um altar diante dele; e apregoou Aharon, e disse: Amanhã será festa ao IHVH” (Êx 32:5). Aqui Arão faz uma tremenda confusão entre o que está acontecendo e o que ele está dizendo. Primeiro ele edifica um “altar”, em hebraico mizbeach que é “local de sacrifício, lugar onde oferece-se um animal que morre a fim de substituir a vida do pecador”. Só, que este altar é edificado diante do D-us de ouro para sua glória, o que é uma abominação aos olhos do Senhor! E mais ainda, pois que Arão declara que no dia seguinte haverá uma “festa”, em hebraico hag e que significa “festa religiosa”. Porém o uso desta palavra é limitado às três principais festas de Israel, e ainda chama aquele bezerro de IHVH (usando o tetragrama!). Arão com essa atitude diz ao povo que o bezerro é a figura do D-us Eterno que aparecera a Moshê e que estava conduzindo-os até aquele momento pelo deserto!

Agora temos a “festa” em desenvolvimento: “E no dia seguinte madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se a comer e a beber; depois levantou-se a folgar” (Êx 32:6). Parece que havia uma necessidade tão grande de verem o seu D-us, que no dia da festa eles levantaram-se muito cedo e iniciaram a celebração, porém com uma prática egípcia! A palavra “folgar” em hebraico é tsahaq e significa “rir, divertir-se, caçoar”. Fala também sobre a troca de carícias íntimas. O que estava acontecendo? Durante a festa, os israelitas se utilizaram de práticas pagãs (egípcias) e iniciaram uma orgia, onde após “cultuarem” ao D-us bezerro, iniciavam práticas sexuais entre eles. Isso havia sido aprendido no culto aos deuses egípcios e eles imaginavam que poderiam cultuar ao Criador da mesma forma!

Já no monte, o Eterno vê o eu está se passando e diz a Moshê o que o povo está fazendo e faz ao mesmo uma proposta: “Agora, pois, deixa-me, para que o meu furor se acenda contra ele, e o consuma; e eu farei de ti uma grande nação” (Êx 32:10). O Eterno diz que fará de Moshê uma gadowl goy (grande nação gentílica)! Já aqui percebemos o plano do Eterno em que Israel fosse uma nação que estivesse espalhada por todo o mundo. Hoje sabemos que o Eterno usou esta palavra hebraica – goy – para mostrar-nos que no futuro Israel se espalharia por todo o mundo e que muitos judeus perderiam suas raízes judaicas e bíblicas! Mas Moshê suplica ao Eterno que mude de idéia e algo acontece: “Por que hão de falar os egípcios, dizendo: Para mal os tirou, para matá-los nos montes, e para destruí-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira, e arrepende-te deste mal contra o teu povo” (Êx 32:12). O Eterno tem uma atitude incomum aos nossos olhos: ele arrepende-se! A palavra “arrepender-se” em hebraico é naham e significa “ter pena, arrepender-se”. A raiz da palavra reflete a idéia de “respirar profundamente” e por conseguinte a manifestação física da pessoa, geralmente de tristeza, compaixão ou pena. Então o que aconteceu realmente? O fato foi que o Eterno teve pena, ficou triste ao contemplar o estado de degradação em que se encontrava seu povo. O povo havia perdido totalmente a perspectiva de quem era o Senhor e o havia relegado ao segundo plano, substituindo-o por um D-us de ouro (bezerro), ao qual poderiam adorar enquanto o contemplavam!

Durante esse tempo, Moshê argumenta com o Eterno sobre a promessa que Ele havia feito aos patriarcas e Ele reage assim: “Então o Senhor arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo” (Êx 32:14). Novamente a palavra aqui é naham. Porém há aqui outra coisa: a palavra Senhor é o tetragrama! Isso significa que o Eterno tornar-se-ia em mal para seu povo; porém com a palavra de Moshê Ele teve pena de seu povo e não fez aquilo que estava determinado em seu coração!

Quando Moshê retorna e vê a cena da orgia em torno do D-us, ele reage assim: “E aconteceu que, chegando Moshê ao arraial, e vendo o bezerro e as danças, acendeu-se-lhe o furor, e arremessou as tábuas das suas mãos, e quebrou-as ao pé do monte” (Êx 32:19). A quebra das tábuas da Lei que haviam sido dadas pelo Eterno foi em virtude daquilo que Moshê viu diante de si: a cena estarrecedora que termina com a destruição do bezerro e depois a morte de todos aqueles que participaram da “festa” ao D-us de ouro! Num dia foram mortos cerca de três mil homens por causa da desobediência ao Senhor!

Surge agora uma nova preocupação: o povo pecou, o que fazer? Moshê inicia uma intercessão audaciosa e diz ao Senhor: “Agora, pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito” (Êx 32:32). A palavra “perdoar” é atâ em hebraico e significa “envolver, cobrir”. E a palavra “pecado” em hebraico é hatta’â e significa “pecado, coisa pecaminosa”. Moshê pede ao Eterno que envolva, cubra (e por conseguinte, não veja mais), o pecado cometido pelo povo, pois ele não aceita o fato de o Eterno não continuar com seu projeto original por causa da desobediência do povo que não quis ouvir sua voz!

Há um acordo entre ambos, porém o Eterno traz uma nova determinação ao povo: “E enviarei um anjo adiante de ti, e lançarei fora os cananeus, e os amorreus, e os heteus, e os perizeus, e os heveus, e os jebuseus” (Êx 33:2). Agora o Senhor diz que não irá mais entre o povo, mas enviará um “anjo”, em hebraico malak, que iria adiante deles a fim de conduzi-los à terra que lhes havia sido prometida em Abrão!

O Senhor usa Moshê a fim de falar ao povo, e tudo acontecia assim: “E sucedia que, entrando Moshê na tenda, descia a coluna de nuvem, e punha-se à porta da tenda; e o Senhor falava com Moshê” (Êx 33:9). Quando Moshê entrava na tenda vinha sobre ela uma ammud – “pilar, coluna” – que provém da mesma raiz da palavra amad que significa “estar em pé, permanecer em pé”. A idéia que temos é que havia uma nuvem, algo nebuloso que permanecia em pé sobre a tenda em que Moshê estava. Isso era o sinal da presença do Eterno naquele lugar! E a intimidade entre o Eterno e Moshê era tão grande que eles se entendiam assim: “E falava o Senhor a Moshê face a face, como qualquer fala com o seu amigo; depois tornava-se ao arraial; mas o seu servidor, o jovem Josué, filho de Num, nunca se apartava do meio da tenda” (Êx 33:11). A palavra aqui traduzida por “face” é panin e significa “presença, face, rosto”. Ela parece indicar que havia uma presença diante de Moshê que conversava com ele, e esta presença era o Senhor! Outra coisa interessante é que Iehoshua (Josué) não saía do meio da tenda, estava sempre ali enquanto conversavam o Senhor e Moshê! Foi por isso que Josué sucedeu a Moshê! Ele aprendera desde cedo a ter comunhão com o Senhor, e exercitava esta comunhão juntamente com Moshê nos momentos em que o Senhor vinha para falar com ele!

Aproveitando a brecha para pedir...

Num dos momentos em que Moshê e o Eterno conversavam, Moshê faz um pedido inusitado ao Senhor: “Então ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória” (Êx 33:18). Aqui a palavra “glória” vem do hebraico kabod e significa “glória”. No sentido figurado alguém que é louvado, marcante, digno de respeito. A palavra nos fala sobre a manifestação visível de D-us, sempre mencionando sua glória. Moshê parece querer dar um passo a mais em direção ao Senhor, só que de forma precipitada: ele queria ver ao Senhor sem a nuvem, poder olhá-lo com os olhos físicos, ver sua face. É um pedido e tanto e inclusive expressa o desejo que Moshê tinha em seu coração por mais intimidade com o Eterno, mas sua resposta é a seguinte: “Porém ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer. E disse mais: Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá” (Êx 33:19-20). Vamos analisar o que nos é dito aqui pelo Eterno: primeiro ele diz que mostrará a Moshê sua tub, que significa “bondade, coisas boas” e termina dizendo que ninguém que veja sua panin – “presença, face, rosto” – permanecerá vivo. O Eterno poderia atender ao seu servo de uma outra maneira, pois sendo Ele conhecedor de todas as coisas certamente sabia o por que de não poder mostrar-se a Moshê como ele pedira! Ver a face do Eterno ainda com um corpo corruptível produz a morte instantânea, pois há um encontro entre o mortal e o imortal, o temporal e o eterno e certamente nossa condição humana não suporta a manifestação visível do Senhor!

Na seção seguinte, o Eterno faz um pacto com Moshê nas mesmas bases em que o fez com Abrão, Isaque e Jacó. “Então disse: Eis que eu faço uma aliança; farei diante de todo o teu povo maravilhas que nunca foram feitas em toda a terra, nem em nação alguma; de maneira que todo este povo, em cujo meio tu estás, veja a obra do Senhor; porque coisa terrível é o que faço contigo”(Êx 34:10). A primeira c oisa a observarmos é que a palavra “aliança” em hebraico é berith e nos fala sobre “um pacto em que há derramamento de sangue”. Esse pacto pressupunha que o eterno faria maravilhas entre o “povo” – am, palavra hebraica usada com exclusividade para falar sobre o povo de Israel – e estas maravilhas das quais o Eterno fala nunca foram vistas em toda a terra e nem em nenhuma nação do mundo! A palavra “nação” e goy e significa “povos e nações gentílicas”! O Senhor diz que fará uma obra! Você entende isso? A palavra traduzida por Senhor é o tetragrama e significa que o Eterno tornar-se-ia a solução de seus problemas e o suprimento de suas necessidades! Ou seja, o que o Eterno faria em Israel, com Israel e através de Israel deixaria todo o mundo boquiaberto, pois seria algo realmente grandioso! Por isso eles deveriam novamente atender ao Senhor quando Ele diz: “Guarda-te de fazeres aliança com os moradores da terra aonde hás de entrar; para que não seja por laço no meio de ti” (Êx 34:12). D-us nos alerta para que não façamos um berith (aliança) com os moradores da terra! As alianças pressupunham fidelidade e somente poderiam ser canceladas por uma superior aliança! Por isso os israelitas não deveriam fazer qualquer pacto de sangue com os estranhos, pois este pacto somente poderia ser anulado ou cancelado mediante outro pacto ainda maior! O pacto que nós outrora fizemos com o maligno somente pode ser anulado mediante o pacto (ou aliança) de sangue feita entre nós e Ieshua, pois com seu sangue ele anulou qualquer outro pacto, que aos olhos do D-us Eterno é considerado menor, pois o sangue de Ieshua, o Justo, é capaz de pagar qualquer preço exigido por Ele! Outra coisa é que o Senhor quer manter-nos sempre seguros e puros, por isso Ele recomenda: “Porque não te inclinarás diante de outro D-us; pois o nome do Senhor é Zeloso; é um D-us zeloso” (Êx 34:14). O Eterno não quer que nos inclinemos perante algo ou alguém que não é D-us e portanto não é digno de adoração! Com isso Ele visa preservar-nos de um envolvimento com demônios e consequentemente uma prisão que só pode ser desfeita mediante a fé naquele que pode libertar o homem: Ieshua! Mas há outro aspecto: o Senhor é zeloso! Mas o que significa isso? A palavra “zeloso” é qanâ e significa “ter ciúme, ter inveja, ter zelo”. O verbo indica uma emoção muito forte em que o objeto deseja alguma qualidade ou a posse de um objeto. O que você acha disso? O Eterno quer ter-nos completamente, plenamente, não nos dividindo com D-us estranho, mas sendo o dono integral de nossas vidas!

Por esse motivo, o Senhor ordena: “Tudo o que abre a madre meu é, até todo o teu gado, que seja macho, e que abre a madre de vacas e de ovelhas” (Êx 34:19). Aqui percebemos que há uma relação de posse do Senhor para com seus servos. Além de nossas vidas lhe pertencerem, Ele também quer que lhe demos o que há de melhor em nos mesmos e naquilo que recebemos e conseguimos com nosso trabalho: os primogênitos. Eles representam o melhor da vida, a plenitude de nossas força e também de nosso gado! Quando agimos assim, certamente recebemos multiplicadamente, pois damos ao D-us Eterno aquilo que lhe é por direito. Sendo assim, abrimos as portas para que Ele nos abençoe de forma plena e contínua!

Finalmente, quando Moshê retorna, algo diferente está acontecendo: “E aconteceu que, descendo Moshê do monte Sinai trazia as duas tábuas do testemunho em suas mãos, sim, quando desceu do monte, Moshê não sabia que a pele do seu rosto resplandecia, depois que falara com ele” (Êx 34:29). O convívio com o Eterno trouxe sobre Moshê um pouco daquilo que é peculiar do céu: o resplandecer no rosto! A palavra “resplandecer” em hebraico é qaran e significa “brilhar”. Fala sobre a emissão de raios resplandecentes. Moshê assimilou a glória que é peculiar do céu e seu rosto, sua pele emitiam raios brilhantes de luz, que não eram percebidos por Moshê, pois isso para ele já era tão normal que não havia sequer qualquer reação sua quanto ao fato! Somente aqueles que viam de fora é que percebiam o que estava ocorrendo. Então Moshê precisou cobrir seu rosto com um véu, pois ele não sabia, mas aquela glória que estava sobre ele era transitória! Com o tempo e a falta de convívio naquela atmosfera (da glória e presença real do Eterno), a glória que estava sobre ele iria se findando, até o momento em que nada mais restaria! E o véu impediria que o povo visse que a glória era transitória! Isso foi providenciado para que o povo também não perdesse o respeito por Moshê ao ver que aquilo que recebera estava se acabando!

O fim de tudo isso é que aprendemos com Moshê que é preciso de zelo a fim de conservarmos aquilo que o Eterno nos tem dado. Outra coisa é que precisamos dar prioridade máxima ao Senhor em nossas vidas! D’Ele deve ser sempre o primeiro lugar e nunca devemos, de forma alguma, substituí-lo por outra coisa (ou alguém) que venha a tornar-se nosso “D-us” em lugar do único que é digno de receber nosso louvor e nossa adoração!

Mário Moreno

 

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