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A
Veracidade da Torá

Moshê Maimônides
(1135-1204) é reconhecido como o mais famoso dos comentaristas
judeus. Escritor aclamado, filósofo, médico de renome e mestre
talmúdico - este é seu legado. Como diz a antiga máxima judaica:
"De Moshê (Moisés, o líder do povo judeu) a Moshê (Maimônides)
nunca houve ninguém tão grandioso como Moshê!"
Acima de
tudo, Maimônides foi um escritor prolífico sobre os mais importantes
tópicos do judaísmo. Sua obra magna, Mishnê Torá, (Revisão da
Torá) é considerada até os dias de hoje como a mais conceituada
e completa codificação da lei judaica.
A seguir,
no oitavo capítulo de sua obra Mishnê Torá, Maimônides explica
um dos mais importantes alicerces da crença judaica: a prova
de que a Torá e a profecia de Moshê são verídicas.
Os judeus
não acreditaram em Moshê somente pelos milagres que realizou.
Sempre que a crença da pessoa é baseada em milagres, ela terá
dúvidas, pois sabe que também é possível realizar milagres através
de magia ou bruxarias.
Todos os
milagres realizados por Moshê no deserto não foram feitos para
servir de prova da legitimidade de sua profecia, ao contrário,
foram realizados com um claro objetivo. Por exemplo, era necessário
afogar os egípcios, então Moshê dividiu o mar e os afundou nele;
precisávamos de alimento, ele nos forneceu maná; estávamos sedentos,
então ele partiu a pedra e nos concedeu água; o grupo de Kôrach
se amotinou contra ele, então a terra os engoliu.
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Se
um profeta tentar contestar a profecia de Moshê, mesmo
realizando grandes milagres, não devemos dar-lhe ouvidos.
Chega-se a esta conclusão porque a profecia de Moshê
não depende de milagres, pois vimos e ouvimos com nossos
próprios olhos e ouvidos |
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A origem
de nossa crença em Moshê foi a revelação no Monte Sinai, que
presenciamos com nossos próprios olhos, e ouvimos com nossos
ouvidos, sem depender de outras testemunhas. Havia fogo, trovões
e raios. Ele penetrou nas densas nuvens; a Voz Divina falou
com Moshê e nós ouvimos: "Moshê, Moshê, vá e diga-lhes o seguinte..."
Desta maneira,
a Torá diz: "Face a face, D'us falou com você." A Torá também
declara: "D'us não fez este acordo com nossos patriarcas, mas
conosco - que estamos todos vivos hoje."
Como se
sabe que a revelação no Monte Sinai por si só é prova da veracidade
da profecia de Moshê? A Torá relata: "Contemple. Virei a vocês
numa nuvem densa, de forma que o povo Me escute ao falar com
você, então eles acreditarão para sempre em você." Isso dá a
impressão que antes deste fato, eles não acreditavam nele com
uma fé duradoura, mas com uma fé que dava margem a dúvidas.
Desta maneira,
Moshê e o povo foram testemunhas que observaram juntas o mesmo
evento; sua designação como profeta na revelação no Monte Sinai,
sem a necessidade de realizar milagres adicionais.
Moshê sabia
que aquele que crê em outra pessoa por causa de milagres sente
apreensão, dúvidas e suspeitas. Por este motivo, ele buscou
ser liberado da missão, dizendo a D'us: "Eles não acreditarão
em mim." Até que D'us o informasse que esses milagres serviam
apenas como medida temporária até que deixassem o Egito. Quando
eles partissem, ficariam aos pés da montanha e todas as dúvidas
que tivessem sobre ele seriam removidas. D'us lhe disse: "Aqui,
dar-lhe-ei um sinal e eles saberão que Eu verdadeiramente o
enviei desde o início, e dessa maneira, nenhuma dúvida permanecerá
em seus corações."
Por isso,
se um profeta tentar contestar a profecia de Moshê, mesmo realizando
grandes milagres, não devemos dar-lhe ouvidos. Chega-se a esta
conclusão porque a profecia de Moshê não depende de milagres,
pois vimos e ouvimos com nossos próprios olhos e ouvidos.
Não acreditamos
em qualquer profeta que vier depois de Moshê pelos milagres
que ele realizar. Cremos nele pela mitsvá que Moshê nos ordenou:
"Se ele fizer um milagre, escute-o."
Da mesma
forma que somos ordenados a dispensar um julgamento legal, baseado
em declarações de duas testemunhas (mesmo se não soubermos se
eles estão dizendo a verdade ou não), é uma mitsvá dar ouvidos
a este profeta, mesmo sem saber se o milagre é verdadeiro ou
realizado através de mágica ou bruxaria.
Isso pode
ser comparado a testemunhas que negaram um fato que foi presenciado
por uma terceira pessoa. Ela terá certeza que são falsas testemunhas,
já que viu com seus próprios olhos.
Por isso,
a Torá declara: "Mesmo se vier este sinal de milagre, você não
deve ouvir as palavras do profeta." Ele faz milagres que negam
o que você testemunhou. Como pode um milagre fazer-nos aceitar
esta pessoa que vem para negar a profecia de Moshê que vimos
e ouvimos!
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