Korach Toma o Calor

Mário Moreno/ junho 27, 2025/ Teste

Eles se reuniram contra Moshe e Arão e lhes disseram: “Vocês se colocam demais sobre si mesmos, pois toda a congregação é santa, e Hashem está no meio deles. Então, por que se elevam acima da assembleia de Hashem?” (Nm 16:3)

Vocês se colocam demais sobre si mesmos. Vocês se apropriaram de grandeza demais para si mesmos. – Rashi

(Moshe falando) “Amanhã, coloquem fogo neles e incenso sobre eles perante Hashem, e o homem que Hashem escolher será o santo; vocês se colocaram demais sobre si mesmos, filhos de Levi.” (Nm 16:7)

Vocês assumiram muito sobre si mesmos. Vocês assumiram uma tarefa muito grande para se rebelarem contra o Santo, bendito seja Ele. – Rashi

É bastante curioso que Moshe alimente Korach com uma dose de suas próprias palavras: “Vocês assumiram muito sobre si mesmos“. Korach estava convencido, e convenceu muitos outros também, de que Moshe, por conta própria, decidiu colocar Arão, seu irmão, como o Kohen Gadol. Parecia a Korach um caso óbvio de nepotismo. A verdade, porém, é que Korach queria essa posição para si. Ele já tinha tanto. Ele estava perto do topo. Mesmo assim, ele queria ser o topo do topo. Moshe via através de tudo!

Há um desenho clássico que mostra no primeiro quadro dois psiquiatras se aproximando e cada um dizendo ao outro: “Bom dia!”. No segundo quadro, eles já haviam se cruzado, e os balões de pensamento em suas cabeças diziam: “Eu me pergunto o que ele quis dizer com isso.”

Dois homens brigavam ferozmente e outro cavalheiro se interpôs entre eles para negociar a paz. Pediu que se encarassem e se preparassem para apertar as mãos e fazer as pazes. Quando um deles estava prestes a estender a mão, disse ao outro: “Eu me reconcilio com você, se você se reconciliar comigo”. O outro ficou todo irritado e declarou com raiva: “Lá vai você começando de novo!”

Moshe percebeu que Korach estava imputando sua motivação. A realidade era que Korach era quem tinha a motivação egoísta e oculta ali. Seja lá o que ele estivesse acusando Moshe, era mais verdadeiro sobre si mesmo.

Em psicologia, chamam isso de “projeção”. A vida é um autorretrato. Nossa imagem da vida não é inteiramente objetiva, mas sim muito subjetiva. Vemos nos outros e em muitas situações o que reside dentro de nós mesmos. O Talmud afirma sucintamente: “Kol HaPosel, B’Mumo Posel” – “Quem descobre uma falha, descobre a sua própria falha“.

O Baal Shem Tov também apontou que o que achamos mais desagradável nos outros são os nossos próprios assuntos inacabados. O famoso psicólogo Carl Jung disse: “Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a uma compreensão de nós mesmos”.

Cheguei à conclusão, depois de tantos anos, de que a mitzvá de “V’Ahavta L’Re’echa K’mocha” – “Amar o próximo como a si mesmo” – não é apenas uma mitzvá, mas um fato da vida. Só podemos amar alguém na medida em que amamos a nós mesmos.

Um rabino inteligente disse: “Se alguém não se ama, não quero que me ame!”. Outro professor nos disse: “Não se esqueçam de que, quando apontam o dedo para outra pessoa, três dedos apontam para vocês!”.

A acusação de Korach pressupunha que Moshe era egoísta e ambicioso e que suas decisões eram influenciadas por preconceitos pessoais. A verdade era que essa era uma descrição clara do mundo interior de Korach. Ele tinha ambições, agendas e planos egoístas. Portanto, Moshe percebeu isso e respondeu a Korach com suas próprias palavras: “Vocês assumiram demais a responsabilidade”.

Na psicologia e nos negócios, precisamos descobrir quem é o dono do problema. É como o jogo da batata quente. Korach jogou para Moshe. Moshe devolveu para Korach. Korach cozinhou tudo na cabeça, e então Korach pegou – o calor.

Tradução: Mário Moreno

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