Sorria de Volta para Nós
“E os juízes investigarão minuciosamente, e eis que a testemunha é falsa; ela testemunhou falsamente contra seu irmão; então, vocês farão com ela o que ela planejou fazer com seu irmão, e eliminarão o mal do meio de vocês. E os que restarem ouvirão e temerão, e não continuarão a cometer tal maldade entre vocês” (Dt 19:18-20).

Esta é uma lei fascinante na Torah. Testemunhas que prestam depoimento podem ter os resultados que almejavam contra o réu como um bumerangue. Qualquer punição que tenha sido imposta ao condenado será aplicada a elas.
Se estivessem tentando fazê-lo pagar um milhão de dólares, então deveriam pagar, e se estivessem tentando condená-lo à pena de morte, então seriam condenados à morte. É realmente uma característica incrível da justiça da Torah, mas não surpreende ninguém que esteja minimamente familiarizado com a forma como D’us governa o mundo.
O Talmud (Sota 8b) apresenta uma fórmula simples que explica muitos fenômenos no mundo da interação humana. Ele afirma: “Com a mesma medida com que uma pessoa mede, assim ela será medida”. Isso ajuda a explicar um verso preocupante em Pirke Avot, onde se lê: “Saiba diante de Quem você julgará e prestará contas”.
A pergunta que se faz é: “Somos nós que devemos julgar?”. Eu entendo que prestamos contas, mas como somos nós que fazemos o julgamento!? A resposta é que o julgamento final é fortemente impactado pela forma como julgamos os outros.
Se testemunharmos, mesmo que em abstrato, nosso próprio comportamento, sem perceber que somos nós que estamos no centro do julgamento, daremos um veredito final com base nos hábitos de julgamento que desenvolvemos e empregamos em relação aos outros ao longo da vida. Se formos extremamente rigorosos e severos com os outros, podemos esperar o mesmo destino. No entanto, se formos tolerantes e compreensivos com os outros, essa será a nossa salvação. Talvez seja por isso que o Mishnê em Avot aconselha sabiamente: “julgue cada pessoa com base no mérito”. Não é um mau conselho!
O Baal Shem Tov apontou isso em um verso conhecido de Tehilim (121): “HASHEM TZILCHA” – “HASHEM é a sua sombra“. HASHEM é como um espelho e a vida é, em grande parte, um autorretrato. A história é contada sobre um camponês russo que nunca havia deixado os arredores pequenos e provincianos de sua cidade. Ele teve a oportunidade de visitar a grande cidade de Moscou. Chegou ao elegante hotel com lama nas botas e no macacão, parecendo completamente desgrenhado. O recepcionista o encaminhou para um quarto no último andar e o tratou como qualquer outro hóspede pagante.
Com a chave na mão, ele iniciou a longa subida até o quarto do hotel. No primeiro andar, havia um espelho de corpo inteiro. O homem, que nunca havia se visto antes, ficou subitamente assustado e assustado com a imagem imponente à sua frente. Ele rosnou e ladrou para assustá-lo, apenas para descobrir que a imagem no espelho o ameaçava e gritava de volta. Correu para o andar seguinte e confrontou o gigante temível, trocando olhares severos novamente e quase chegando às vias de fato. No terceiro andar, ficaram cara a cara e trocaram insultos simultâneos, enquanto uma profunda atitude belicosa se enraizava em “ambos”.
Percebendo que não conseguiria escapar daquele sujeito feio e animalesco que o perseguia agressivamente no hotel, correu rapidamente de volta ao saguão e à recepção para registrar uma queixa. Após receber uma descrição detalhada do agressor, o homem na recepção entendeu que havia encontrado o inimigo e que era o homem no espelho.
Para salvar a face do hóspede e dissipar a hostilidade, ofereceu um conselho simples. “O sujeito que você confrontou está aqui para proteger as pessoas. Ele é realmente inofensivo. Confie em mim. Se você lhe mostrar um semblante severo e raivoso, ele fará o mesmo. No entanto, se, ao vê-lo, você apenas sorrir gentilmente e continuar seu caminho, ele acenará com a cabeça e sorrirá para você também. Aproveite o resto da sua estadia.” Foi o que ele fez, e talvez não tenha funcionado tão surpreendentemente. Correndo o risco de simplificar demais, se sorrirmos para HASHEM e para as pessoas ao nosso redor, a vida sorrirá de volta para nós!
Tradução: Mário Moreno.

