O Tzadik Revelado

Mário Moreno/ janeiro 2, 2026/ Teste

Estas são as doze tribos de Israel, e isto foi o que seu pai lhes disse e os abençoou; a cada um, segundo a sua bênção, ele os abençoou” (Gn 49:28).

É bastante surpreendente notar que foi assim que Ia´aqov Avinu passou os últimos momentos de sua vida, abençoando seus filhos com uma visão telescópica para o futuro distante. Ia´aqov não foi apenas o pai de nossa nação, mas também um autêntico Tzadik. Isso nos proporciona uma janela para o foco de um Tzadik e nos dá um modelo a seguir.

O versículo em Provérbios, de Salomão, o mais sábio de todos os homens, afirma: “Bênção à cabeça de um Tzadik…” (Pv 10:6). O Gaon de Vilna, o ápice do conhecimento da Torah nos últimos 900 anos, explica essas palavras do Rei Salomão. Por que a bênção é para a cabeça do Tzadik? Ele também nos revela o que se passa na mente de um Tzadik e o que faz de um Tzadik um Tzadik. Ele está abençoando os outros.

Mesmo que as palavras de bênção não cheguem à boca e não sejam expressas, HASHEM combina seus pensamentos para se tornarem uma ação e a mente do Tzadik atrai bênçãos. Ele se torna um ímã, uma antena para bênçãos porque está emanando e pensando em bênçãos para os outros.

Isso é notável. Quantas vezes nos sentimos incomodados quando estamos atrás de um ônibus escolar que para várias vezes para deixar crianças judias pequenas entrarem e saírem, e perdemos a grande oportunidade de abençoá-las e às mães que as estão acompanhando ou esperando por seu retorno em segurança?

Poderíamos e deveríamos estar transbordando de bons desejos para essas crianças sagradas e suas famílias naquele momento. Em vez disso, a reação visceral é a reclamação sobre a infraestrutura da cidade e o inconveniente que estamos enfrentando. O Tzadik não está apenas animado para testemunhar esses eventos sagrados, mas os abençoa silenciosamente com sua mente abençoada e santa.

Há 44 anos, quando eu era um estudante solteiro de Yeshiva, fui a um Mikva local aqui em Monsey. Lá, vi uma pessoa muito incomum. Ele era idoso e curvado, vestido com trajes chassídicos, e parecia se mover como se estivesse em transe, diferente de qualquer pessoa que eu já tivesse visto. Era como se cada movimento de seus membros fosse destinado ao bem do céu. Mais tarde, descobri que a pessoa que vi naquele dia era o Rebe de Ribnitzer, um conhecido fazedor de milagres.

Não muito tempo depois, eu estava parado em um semáforo na Rota 306, perto da Viola Road, olhando na direção onde o Rebe de Ribnitzer está enterrado, a cerca de 800 metros de distância. Um carro parou à minha esquerda e, ao virar a cabeça, notei que no banco do passageiro estava o Rebe de Ribnitzer. Sua cabeça e seus olhos estavam voltados para baixo. Ele estava imóvel. Eu fiquei olhando fixamente para o seu perfil. Ele nunca olhou para cima.

A título de curiosidade, mas não menos importante, eu não me sentia bem havia cerca de uma semana, o que, graças a D-us, era muito incomum para mim. Enquanto eu o estudava, ouvi uma buzina tocando agressivamente. Pensei que alguém atrás de mim queria que eu começasse a dirigir porque o sinal tinha ficado verde. Do banco de trás daquele carro em que o Rebe estava sentado, a janela foi abaixada e o Gabai me chamou: “O Rebe disse que você vai se sentir melhor e que tudo ficará bem!” Eles viraram à esquerda e eu continuei, maravilhado. Como ele sabia que eu não estava me sentindo bem?

40 anos depois, eu estava passando por uma crise de saúde e fui orar com o Rebe de Ribnitzer. Os resultados dos exames não foram tão alarmantes quanto eu temia. Estava tudo bem. Então me dei conta das palavras do Rebe: “O Rebe disse que você vai se sentir melhor e que tudo ficará bem!” Ele não estava falando comigo apenas 40 anos atrás, mas 40 anos depois. Incrível!

Compartilhei esse relato várias vezes, mas só recentemente comecei a perceber outra dimensão. Me ocorreu: “Quem mais está abençoando o homem no carro ao lado dele?!” Essa é a mente e o coração do Tzadik revelados.

Tradução: Mário Moreno

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