Esconde-esconde

Mário Moreno/ julho 15, 2026/ Artigos

Onde está a Shechinah?” lamentamos.

A primeira palavra do Livro das Lamentações – “Eicha”, que é lida no dia 9 de Av, também aparece na leitura da Torah no Shabat que antecede esse dia:

Moshe pergunta ao povo: “Como [em hebraico, ‘eicha’] posso eu sozinho suportar o vosso peso, o vosso fardo e a vossa contenda?” (Dt 1.12)

Os sábios nos ensinam que foi o ódio sem sentido que causou a destruição do Segundo Templo. O Zohar analisa esta palavra “eicha” na primeira vez em que aparece na Torah e imediatamente a conecta à destruição dos Templos. Curiosamente, uma palavra diferente com a mesma grafia aparece mais uma vez em outro lugar da Torah:

E o Senhor D-us chamou Adão e lhe disse: “Onde estás?” [Em hebraico, ‘ayeka’, que tem a mesma grafia da palavra ‘eicha’]

Este versículo é proferido depois que Adão comeu do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Ele sabe que errou e se escondeu no Jardim do Éden. D-us lhe pergunta onde ele está e, por fim, expulsa tanto ele quanto Eva do Jardim. Esta história é paralela à destruição dos Templos e ao exílio dos judeus da Terra Santa, como sugerido pela palavra-chave “ayeka”.

Assim, foi insinuado a Adão que, no futuro, o Templo seria destruído e lamentado com lágrimas, com a expressão “eicha” [o nome em hebraico do livro de Lamentações], como está escrito: “Como [em hebraico, “eicha”] solitária está a cidade que antes era cheia de gente!” (Lm 1.1) [E “eicha” também é composto por duas palavras:] “aye ka”.

Assim como o Jardim do Éden ficou desolado, Jerusalém também ficará como resultado de não dar ouvidos à Sua palavra. “Eicha” é escrito aleph-yud, chaf-hei. “Alef-yud” significa “onde”, e “chaf-hei” sempre se refere à Shechiná no Zohar. Agora, a palavra é interpretada como: Onde está a Shechiná que habitava os Templos Sagrados? Onde está o sentimento da providência divina? Pecar faz com que a presença sagrada parta, deixando o infeliz pecador em um estado de duro exílio em vez de doce unidade.

No tempo da redenção de Israel, Zeir Anpin…e Malchut…estarão em perfeita unidade…

E no futuro, o Santo, bendito seja Ele, queimará toda a maldade do mundo, como está escrito: “Ele destruirá a morte para sempre; e o Senhor D-us enxugará as lágrimas de todos os rostos; e tirará de toda a terra a afronta do seu povo, porque D-us o disse. E naquele dia se dirá: Eis que este é o nosso D-us; nós o aguardávamos, e ele nos salvará… e nos alegraremos e exultaremos na sua salvação.” (Is 25.8-9)

Como esses versículos se encaixam perfeitamente! Primeiro, a morte, que foi o resultado do pecado de Adão no primeiro versículo citado, será destruída; o espírito triunfará sobre a matéria, em vez do contrário. Segundo, as lágrimas de lamentação pela destruição dos Templos serão enxugadas. Terceiro, a afronta ao Seu povo, ou seja, o exílio do Monte do Templo pelas nações e o antissemitismo desenfreado, serão removidos. Finalmente, a presença do Divino será novamente sentida com alegria, libertando os judeus do estado de exílio.

Então todos [os partzufim] retornarão ao seu lugar [como eram antes do pecado de Adão]. Assim está escrito: “E o D-us será rei sobre toda a terra; naquele dia o D-us será um, e o seu nome, um.” (Zc 14.9)

No tempo da redenção de Israel, Zeir Anpin, referido por “D-us”, e Malchut, chamado “Seu Nome”, estarão em perfeita unidade e o homem estará plenamente consciente disso.

Tradução: Mário Moreno.

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