Qual é a cor de 2 + 2?

Mário Moreno/ julho 24, 2026/ Artigos

Uma fonte de frustração que leva à ansiedade e à angústia é a incapacidade de encontrar respostas para perguntas importantes.

O caso mais frustrante é quando a própria pergunta é falha — baseada em uma premissa falsa. Não existe resposta, pois a pergunta não deveria ter sido feita. A dúvida continua a incomodar e o sofrimento persiste.

O que fazer em tal situação? Formular uma pergunta melhor.

Se o seu professor pergunta por que você faltou à aula ontem e você diz que estava de cama com febre, essa é uma resposta válida para uma pergunta legítima. Mas outro cenário é possível: o professor pergunta por que você faltou, e o aluno responde que, na verdade, estava na sala — o professor é que não o viu. Nesse segundo caso, o aluno não respondeu à pergunta; ele a dissolveu. A premissa estava errada, portanto, a própria pergunta era inválida e não exigia resposta. Responder a uma pergunta e desmantelar uma pergunta são coisas muito diferentes.

Na leitura desta semana, “Va’etchanan”, encontramos, entre muitos tópicos importantes, o “filho sábio”1 — um dos quatro filhos arquetípicos descritos na Torah e presentes no Sêder de Pessach: o sábio, o perverso2, o simples3 e aquele que não sabe perguntar4. Cada um deles e sua pergunta específica aparecem na Torah; a Hagadá nos instrui sobre como responder a cada um, de acordo com sua pergunta e natureza.

Um princípio geral: antes de responder a uma pergunta, compreenda o que está por trás dela. Responda à pessoa, não apenas às palavras. Algumas perguntas têm respostas; outras, não. Uma pergunta feita com o intuito de aprender merece uma resposta. Uma pergunta feita para evitar o conhecimento, não.

Às vezes, a única “resposta” válida para uma pergunta é demonstrar que suas premissas são falhas.

O filho que “não sabe perguntar” não se refere necessariamente a alguém ignorante em relação aos conteúdos judaicos. Pode referir-se a alguém muito culto e inteligente, curioso e questionador — mas que formula suas perguntas de maneiras que não conduzem a uma compreensão genuína da vida, de sua origem e de seu significado.

Ter consciência disso é importante, tanto na própria busca espiritual quanto ao tentar ajudar outra pessoa a encontrar respostas. É preciso compreender tanto a motivação por trás de uma pergunta quanto a sua estrutura antes de tentar respondê-la.

Para encerrar, eis uma resposta que o Rebe deu a uma jovem profundamente angustiada com as perguntas que lhe faziam sobre o judaísmo — perguntas que ela não conseguia responder adequadamente:

“Não há necessidade de se perturbar com isso, visto que nem mesmo grandes eruditos, que dedicam a vida inteira ao estudo da Torah, conseguem responder a todas as perguntas. É de se estranhar que um ser humano — uma criatura — não consiga compreender plenamente a sabedoria de D-us, tal como revelada em Sua Torah? Isso certamente não deve afetar a sua observância das “mitzvot”. Se você prestar atenção, perceberá que a maioria das pessoas que fazem essas perguntas não está realmente em busca da verdade. Elas buscam justificar — tanto para si mesmas quanto para os outros — o abandono do modo de vida de seus pais e antepassados, alguns dos quais deram a vida pelo judaísmo. Elas se livraram do jugo da Torah e das “mitzvot” em prol de maior conforto físico.”

A ferramenta desta semana: Nossos sábios dizem que uma pergunta sábia é metade da resposta. Antes de se desgastar procurando uma resposta, certifique-se de estar fazendo a pergunta certa.

Notas de rodapé

1. Deuteronômio 6:20.

2. Êxodo 12:26.

3. Êxodo 13:14.

4. Êxodo 13:8.

Tradução: Mário Moreno

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