A Essência da Oração
E acontecerá que, se ouvirdes os Meus mandamentos que vos ordeno hoje, de amar a HASHEM, vosso D-us, e de servi-Lo com todo o vosso coração e com toda a vossa alma… (Dt 11.13)
e de servi-Lo com todo o vosso coração: com um trabalho do coração, e isso é a oração, pois a oração é chamada de serviço… – Rashi

Esta é a fonte da “Mitzvá” (mandamento) de orar a HASHEM. Sim, é um Mandamento! HASHEM quer que oremos a Ele! Podemos fazer a pergunta: “POR QUÊ?” Isso não é dito em um sentido cínico, mas sim de uma maneira sincera e de busca. O que HASHEM ganha com nossas orações e o que nós obtemos ao orar a HASHEM? Isso é justo?!
O que poderíamos dar a HASHEM? HASHEM é dono de tudo? Tudo pertence a HASHEM! A Mishná em “Pirkei Avot” 3:7 deixa isso explícito: “Dá a Ele o que é d’Ele, pois tu e o que é teu sois d’Ele!” Como está declarado em “Divrei HaYamim” (Crônicas): “Pois tudo vem de Ti e da Tua mão, e a Ti damos!”
Então, dito de forma simples: o que poderíamos dar a HASHEM que já não seja d’Ele? O que é “Davening” (orar)? Muitas vezes, podemos vivenciá-lo apenas como a exigência de articular uma infinidade de palavras. Mesmo que pronunciemos essas palavras perfeitamente e com compreensão clara, o que teremos alcançado? O “Chovot HaLevavot” nos oferece uma visão da mecânica da “Tefilá” (oração) com a seguinte frase: ““HaMachshava Nimshachet Achar HaDibur”” – “O pensamento é atraído pelas palavras faladas”. Ao dizer as palavras da oração, nossos pensamentos são estimulados e as emoções de nossos corações são despertadas.
Os sábios dizem assim: ““Rachmana Liba Ba’ei”” – “HASHEM quer o coração!” (Sanhedrin 106). A mesma frase pode ser lida de forma reflexiva: “O coração quer HASHEM”. Nosso anseio mais profundo é estar perto de HASHEM. O Rei Davi, rei e porta-voz de todos os corações judaicos, disse: “Quanto a mim, a proximidade com HASHEM é o que é bom!”
É isso que todos nós realmente mais desejamos. Portanto, creio que podemos afirmar com segurança: HASHEM quer o coração que quer HASHEM! É isso que HASHEM mais deseja!
Um amigo meu que mora em Israel me contou o seguinte episódio. Era o final da manhã de Shabat e ele estava indo à frente para começar a oração de Mussaf em uma sinagoga conhecida por seu silêncio e decoro. Naquele momento, seu filho de 3 anos, Dovi, entrou na sinagoga, foi direto até ele e começou imediatamente a puxar as franjas de seu “Talit”, gritando de forma a causar alvoroço: “ABBA! ABBA!”
Meu amigo tentou várias vezes fazê-lo ficar quieto. O menino foi persistente e insistente em obter a atenção total do pai, gritando: “ABBA! ABBA!”
Meu amigo sentiu-se encurralado. O que fazer? Não demorou muito para que todos na sinagoga começassem a olhar fixamente para ele, com desaprovação. O incidente estava, sem dúvida, perturbando aquele momento de oração reverente.
Alguns já começavam a pressioná-lo com tons de protesto: “Nu?! Nu?!” Ele pensou que talvez devesse recuar e interromper suas orações. A pressão aumentava e ele não tinha escolha.
Foi então que uma ideia genial lhe ocorreu. Com alguns gestos simples, como numa pantomima, ele imitou o que o filho estava fazendo, olhando para o céu; e, notavelmente — quase milagrosamente —, todos entenderam a mensagem.
Afinal, o que estamos fazendo aqui ao orar? Estamos apenas triturando palavras e cuspindo-as para fora? Estamos puxando o “Talit” do nosso Pai Celestial. Dentro, ao redor e dando vida a cada palavra, está o grito de uma criança: “ABBA! ABBA!” No fim das contas, o pequeno Dovi não veio para atrapalhar as orações naquela manhã. Ele veio para nos ensinar a rezar! Seu Pai, seu “Abba”, quer que você se conecte a Ele — “Abba, Abba”! O âmago da oração é um chamado que vem do mais profundo do ser para alcançar nosso Pai Celestial. Hashem conquista o nosso coração, e nós ganhamos a atenção exclusiva de Hashem. Talvez seja essa a essência da oração!
Tradução: Mário Moreno.

