Horários de Chegada
A porção desta semana começa com uma bela mitzvá de bikurim. Quando o primeiro fruto floresce da árvore, a pessoa o leva a Jerusalém, ao Bait haMikdash, e o presenteia ao kohen. Não é um mero presente; é um ritual completo.

“Quando entrares na Terra que Hashem, teu D’us, te dá por herança, e a possuíres e nela habitares, tomarás das primícias de todo fruto da terra que trouxeres da tua Terra que Hashem, teu D’us, te dá, e o porás num cesto, e irás ao lugar que Hashem, teu D’us, escolher, para ali fazer repousar o Seu Nome. Dir-te-ás a quem for o sacerdote naqueles dias, e lhe dirás: Declaro hoje a Hashem… que cheguei à Terra que Hashem jurou aos nossos antepassados que nos daria” (Dt 28:1-4).
O patrono então recita uma breve história do Povo Judeu, relatando suas origens humildes na terra de Lavan, passando por sua provação no Egito, o Êxodo e, finalmente, seu estabelecimento na terra de Israel. No entanto, o prefácio das palavras de gratidão precisa de esclarecimento.
“Declaro hoje a Hashem que cheguei à Terra que Hashem jurou aos nossos antepassados.” É verdade, hoje é o dia em que você chegou a Jerusalém, mas certamente não é a data em que chegou a Israel! Na verdade, a mitzvá de bikurim só começou depois que os judeus conquistaram e se estabeleceram na terra – um período de 14 anos. Famílias que entravam na terra com crianças pequenas estariam prestes a casá-las! Como se pode usar a expressão: “Declaro hoje que cheguei à terra de Israel?”
Há uma história apócrifa sobre uma das condessas da assimilada Casa de Rothschild.
Ela estava deitada em seu quarto, perto dos Champs-Élysées, pronta para dar à luz. O médico veio e a examinou. Depois de alguns minutos, ele se virou para o marido dela. “Temos bastante tempo; vamos jogar cartas.”
Na terceira rodada do jogo, gritos vieram do quarto. “Meu D-us! Meu D-us!”
O médico ergueu os olhos do baralho para o marido nervoso. “Não se preocupe, ainda não é hora. Combinado.”
Eles continuaram jogando por mais meia hora quando os gritos chegaram à sala de jogos: “Oh! Meu Senhor! Oh! Meu Senhor!”
Novamente, o médico deu de ombros. “Não se preocupe. Ainda não. Combinado.”
Eles continuaram por mais vinte minutos quando, mais uma vez, gritos vindos do quarto interromperam o jogo. “Ribbono Shel Olam! Gevalt!”
O médico pulou da cadeira. Virando-se para o Conde, balançou a cabeça animadamente. “Agora!”
A Torah nos diz que depois de 14 anos, quando alguém chega com o fruto dos bikurim a Jerusalém e traz seu trabalho ao kohen, e, reconhecendo as raízes de sua herança e a gratidão que deve ter por seu criador, então ele pode prefaciar suas observações com as palavras: “Hoje eu cheguei.”
É possível herdar uma terra, construir pontes e estabelecer fábricas — mas sem construir uma natureza espiritual em um país, você não estará lá! Você pode plantar árvores, pode colher grãos, mas sem reconhecer que o fruto e o grão do trabalho de seus habitantes são verdadeiramente o resultado da orientação e inspiração Divinas, você pode ter vindo, mas não chegou. E assim, mesmo depois de se estabelecer, plantar e colher, deve vir ao kohen e trazer o fruto, precedido pelas palavras que definem seu reconhecimento do verdadeiro status na Terra de Israel.
Hoje, venho com o fruto do meu trabalho! Hoje, reconheço a mão de Hashem no meu trabalho. Hoje, lembro-me das minhas raízes humildes e da história que suportei. Hoje, clamo em nome do Ribbono Shel Olam. Hoje, eu cheguei! Agora é a hora!
Tradução: Mário Moreno.

