Não Esqueça

Mário Moreno/ agosto 8, 2025/ Teste

Na Parashá Va’etchanan, encontramos as porções mais famosas da Torah que estão gravadas na alma da nação: os Dez Mandamentos e o Shemá Israel.

Embora cada palavra do Onipotente tenha igual força, essas porções de comando são mais bem conhecidas, se não melhor observadas, pela nação.

Por mais poderosas que sejam, não foram dadas no vácuo. Moshe previne a nação a não se esquecer da mensagem do Sinai e a transmitir sua mensagem e sua relevância às gerações futuras.

Tenha cuidado somente consigo mesmo e muito cuidado com a sua alma, para que não se esqueça das coisas que os seus olhos contemplaram, e para que não as tire do seu coração todos os dias da sua vida, e as faça conhecidas aos seus filhos e aos netos” (Dt 4:9).

Para compreender o versículo, ele deve ser dividido em duas partes distintas. “Tenha cuidado para não se esquecer das coisas que os seus olhos contemplaram todos os seus dias.” Além disso, a Torah acrescenta: “Ensinarás a Torah aos teus filhos e aos netos“.

No entanto, a gramática é certamente questionável, “para que não os retires do teu coração todos os dias da tua vida e os faças conhecidos aos teus filhos”. Em sua forma mais simples, o versículo parece, na melhor das hipóteses, contraditório. Observe as palavras. Cuidado para não remover os ensinamentos do teu coração e torná-los conhecidos aos teus filhos. Como isso é possível? Se alguém remove o ensinamento do seu próprio coração, como pode passá-lo aos seus filhos? A Torah deveria ter inserido abertamente alguma frase ou palavra que esclarecesse a transição.

A composição desconcertante em sua forma mais simples certamente deixa espaço para uma interpretação criativa; talvez a omissão da palavra de transição leve a um rascunho que se desvie do significado óbvio.

Milhares de pessoas recebem este D’var Torah semanal. Em troca, recebo muitas histórias para possível uso como parábolas anedóticas. Aqui está uma dos arquivos.

Um dia, Junior voltou para casa do acampamento diurno sem toalha.

“Onde está sua toalha?”, perguntou a mãe.

“Não sei”, suspirou ele. “Não consegui encontrá-la depois de nadar. Talvez alguém a tenha levado.”

A mãe ficou furiosa. “Quem poderia ter levado sua toalha? Era uma toalha ótima! Júnior, você jamais pegaria a toalha de outra pessoa. Você sabe que eu o criei de forma diferente. Certo?”

Alguns momentos depois, ela estava ao telefone com o diretor do acampamento diurno.

“Olá. Tem um jovem ladrão no seu acampamento!”

“Como assim?” “Roubaram uma toalha do acampamento do meu filho! Ele a trouxe hoje e ela não estava em lugar nenhum.”

“Calma”, disse a voz na linha. “Tenho certeza de que ninguém a roubou. Por favor, descreva a toalha para mim.”

“Claro que posso! Era branca e grande. Era impossível não notar. Tinha as palavras Holiday Inn estampadas!”

O Leket Amarim interpreta o verso em sua forma mais pura e simplista, revelando um significado mais profundo que contradiz a simplicidade do verso.

“Tenha cuidado somente consigo mesmo e muito com a sua alma, para que não se esqueça das coisas que os seus olhos contemplaram, e para que não as tire do seu coração todos os dias da sua vida, e as faça conhecidas aos seus filhos e aos netos.”

Muitas vezes, quando se trata de nossas ações, esquecemos os princípios que nos foram ensinados quando crianças, mas nos lembramos deles quando repreendemos nossos filhos e pontificamos.

Podemos fazer um discurso para nossos filhos sobre honestidade e integridade e, minutos depois, ordená-los que digam a quem telefona: “Meu pai não está em casa”.

Podemos fazer discursos sobre integridade e ganância corporativa apenas para, por meio de manipulação criativa, termos impulsionado nossos próprios portfólios em uma determinada direção.

E assim, a Torah nos alerta para não esquecermos seus princípios para nós mesmos, mas também para ensiná-los aos nossos filhos. Consistência é a mensagem do momento. Para você. Para seus filhos. Para a eternidade.

Tradução: Mário Moreno.

Share this Post