Pessoas em casas de pedra não deveriam precisar de tijolos
“…’Venham, vamos fazer tijolos e queimá-los no fogo.’ E o tijolo lhes serviu de pedra, e a cal lhes serviu de argamassa.” (11:3)

A Torah introduz o episódio da construção da Torre de Bavel com uma descrição dos materiais de construção utilizados. Rashi comenta que como Bavel era uma planície, sem montanhas e rochas, os habitantes da região foram obrigados a fabricar seus próprios tijolos {Gn 11.3}. Qual é o significado desta informação para a compreensão geral de todo o episódio?
Antes do advento dos tijolos e dos materiais de construção, os edifícios eram construídos com pedras extraídas de uma pedreira. Há uma diferença crucial entre viver numa casa construída de tijolos e numa casa construída de pedra; ao habitar um edifício de pedra, a pessoa sente que está vivendo no mundo de Hashem, pois está cercada por materiais que vêm diretamente da natureza e são relativamente intocados pelo homem. Quando uma pessoa assa tijolos, usando-os para construir sua casa, ela pode ter a sensação de que sua morada é separada de Hashem, pois ela mesma processou os materiais usados para construí-la.
Rashi comenta sobre o versículo “u’devarim achadim” – “de propósito comum” que os habitantes de Bavel conspiraram contra o “yichudo shel olam”, a noção de que Hashem é o único poder sobre todo o universo {Gn 11.1, De acordo com a primeira interpretação de Rashi, eles queriam travar guerra com Hashem, que reside nos céus.}. A percepção deles era que o mundo era deles, desprovido de autoridade Divina, e eles conspiraram para atacar a autoridade que residia nos céus.
A razão para a ênfase na utilização do tijolo como material de construção é sucintamente captada por Ibn Ezra que comenta o versículo “vatehi lahem haleveina le’even” – “e o tijolo lhes serviu de pedra”, dizendo que usavam tijolos em vez de pedra {Gn 11.3}. A sua preferência pelos tijolos refletia a percepção de que viviam num mundo que eles próprios criaram. Eles se iludiram ao acreditar que Hashem não exercia mais Sua autoridade sobre este mundo.
Com demasiada frequência, nós próprios ficamos cegos pelos avanços tecnológicos da humanidade. À medida que o homem progride em suas buscas tecnológicas, ele se torna mais propenso a perder de vista o fato de que Hashem é a autoridade máxima neste mundo.
Tradução: Mário Moreno.

