Você é um Pato Kosher?

Mário Moreno/ julho 8, 2026/ Teste

Uma fonte de ansiedade e angústia é a incerteza sobre onde se deve estar. Devo ficar onde estou ou tentar seguir em frente? Devo me contentar com a minha situação ou nunca me satisfazer? O que é melhor: ambição ou aceitação?

O que eu tenho é suficiente? O que eu faço é suficiente? Posso descansar sem culpa?

Uma resposta interessante está embutida nos próprios nomes das porções da Torah combinadas desta semana, Matot e Masei. Matot significa “tribos”; Masei significa “jornadas”. Matot começa com Moshe se dirigindo aos chefes das tribos, e Masei começa com um relato das 42 jornadas que o povo judeu fez durante seus 40 anos no deserto a caminho da Terra Prometida.

Deixando o conteúdo em si de lado, o contraste entre os dois nomes é impressionante e instrutivo.

A Torah usa duas palavras para “tribo”: mateh (plural: matot) e shevet (plural: shevatim). Ambas também significam “ramo”. A diferença: um shevet é um galho ainda conectado à árvore, ou recém-cortado e ainda flexível. Um mateh é um galho que foi destacado, secou e endureceu.

Não é estranho, então, combinar um nome que sugere rigidez e enraizamento (Matot) com um que sugere movimento constante (Masei)?

Aqui reside a chave para responder à pergunta que fizemos no início. Não há contradição entre estabilidade e movimento. Na verdade, um depende do outro. Estabilidade não deve ser confundida com estagnação, e crescimento não tem nada a ver com instabilidade. Pelo contrário: o crescimento genuíno só é possível quando fundamentado na estabilidade. Movimento constante sem raízes não produz nem estabilidade nem crescimento real.

Este aparente conflito surge frequentemente quando as pessoas sentem que devem escolher entre suas tradições ancestrais e os valores mutáveis ​​do mundo moderno. Muitos o enquadram como uma escolha entre estagnação e progresso: “Devo manter as tradições do passado ou seguir a corrente do presente?”

Mas será que essa é realmente a escolha? Devemos nos desconectar de nossas raízes para entrar no futuro? O nome duplo da parashá desta semana sugere outra perspectiva: os dois não são opostos, mas complementares, até mesmo interdependentes. O verdadeiro progresso só é possível a partir de uma base sólida. Sem raízes, não há progresso genuíno, apenas flutuação. Você pode ter a sensação de movimento, mas está sendo levado pela corrente, não gerando movimento por si mesmo.

Um exemplo haláchico me vem à mente.1 Para que a carne seja casher, o animal deve ser de uma espécie aceitável e deve ser saudável. Um critério para saúde: se um animal caiu de uma altura, verificamos se ele pode ter sofrido ferimentos fatais. Para um animal de quatro patas ou uma galinha, a verificação é se ele consegue andar uma certa distância sem dificuldade. Para um pato, há uma opção adicional: ele é colocado em um rio. Se ele nada contra a corrente, é saudável e casher. Mas também é casher se ele nada a favor da corrente — desde que se mova mais rápido do que uma vara colocada ao seu lado. Isso mostra que ele não está meramente sendo carregado por uma força externa, mas está gerando seu próprio movimento.

O verdadeiro sinal de progresso é quando você consegue avançar por conta própria. Movimentos impulsionados por correntes externas são mais um sintoma de estagnação pessoal.

P.S.: Depois de escrever estas linhas, vivenciei algo que ilustra perfeitamente o conceito. Entrei no carro para visitar um amigo. A bateria do meu smartphone estava fraca, então o conectei ao carregador do carro para usar o GPS. Para meu horror, o cabo não funcionou! Felizmente, eu tinha outro e consegui continuar a viagem. Entende? Para avançar, você precisa estar bem conectado.

A ferramenta para esta semana: Trabalhe em duas coisas simultaneamente: 1) fortaleça sua conexão com sua própria essência; 2) trabalhe para expressar a contribuição única e inovadora que só você pode oferecer. Para isso, você precisa estar bem conectado — como um telefone que só consegue navegar quando está ligado.

Notas de rodapé

1. Shulchan Aruch, Yoreh De’ah 58:7

Tradução: Mário Moreno

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